• No results found

Kapittel 9 Drøfting av alliansealternativer

10.1 Oppsummering

Na década de 80, quando já se encontravam matriculados cerca de 60 mil alunos na Telescola e os programas das lições televisivas eram transmitidos a cores, começou-se a questionar a continuação e o futuro desta modalidade de ensino. Esta descredibilização relacionou-se com os avultados custos das emissões em direto, devido aos encargos do tempo de antena.

17

No ano de 1988/89, foram implementadas as videocassetes por substituição das emissões em direto. Para esse fim, as lições gravadas no estúdio da Telescola passaram a ser copiadas em videocassetes e enviadas para os postos de receção de todo o país. A situação de leitura local era já adotada no funcionamento da rede do CPTV nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, tendo também sido utilizada na cidade de São Tomé, antes da descolonização (Santos, 2003).

Pelo Despacho Conjunto 48/SEAM/SERE/91 a 20 de abril de 1991, o Ciclo Preparatório TV passou a designar-se Ensino Básico Mediatizado (EBM). Neste despacho encontravam-se também as condições para a criação e extinção dos postos de receção oficiais do EBM. A denominação de CPTV já não fazia muito sentido, já que as transmissões em direto das lições haviam terminado e sido substituídas por videocassetes (Costa, 2010).

Segundo Santos (2003), equipas técnico-pedagógicas trabalharam em conjunto na execução e produção dos recursos didáticos e videogramas utilizados no EBM. No estúdio ou nos mais diversos locais, tanto em Portugal como no estrangeiro, eram filmadas as imagens consideradas necessárias à conceção dos materiais para este tipo de ensino. A elaboração dos mesmos contava também com o apoio, ao nível do grafismo eletrónico, do sector das novas tecnologias. Pelo mesmo autor, o EBM organizava muitas outras atividades, nomeadamente: a formação de professores, tanto presencial como à distância e a cooperação com variadas instituições de educação e com alguns dos países africanos de língua oficial portuguesa.

O EBM existia como opção alternativa para os discentes do 5º e 6º ano de escolaridade. Funcionava com videocassetes, realizadas por professores; cada turma tinha dois monitores, um para cada uma das duas áreas. Estes docentes procediam às explorações das matérias em sala de aula; as disciplinas eram as mesmas das do ensino regular; os alunos eram avaliados da mesma forma que os do ensino direto; as aulas funcionavam normalmente em estabelecimentos do 1º ciclo e, quando terminavam as aulas do 1º ciclo, funcionava então o EBM e os professores do EBM eram normalmente professores oriundos do 1º ciclo que acabaram por ser colocados nesta modalidade de ensino.

Foi uma inovação no sistema de ensino português, proporcionando a implementação de muitas novas facetas, das quais é de salientar a introdução da tecnologia educativa na sala de aula, onde se destaca o recurso à televisão e ao vídeo.

Esta modalidade de ensino soube, ao longo do tempo, acompanhar as alterações sociais, tecnológicas e metodológicas, contribuindo para a evolução do seu modelo de organização e modo de funcionamento, em particular na altura da substituição das emissões em direto, via antena, pelas videocassetes.

De acordo com Santos (2003), no ano letivo 1999/00 frequentavam o EBM cerca de 7500 discentes e cerca de 431 postos de receção espalhados por todo o país, com maior incidência nos distritos de Braga e Viseu. Em 2002/03, mais de 100 postos tinham menos de 10 alunos matriculados, cerca de 5215 alunos frequentavam, neste ano letivo, o 5º e o 6º ano de escolaridade por esta via de ensino. Existiam, neste ano letivo, 320 postos em funcionamento, havendo casos em que numa sala de aula estavam, no máximo, três ou quatro alunos. O

18

ministro da Educação, David Justino, anunciou, nessa altura, que iria estudar as escolas com menos de 10 crianças e providenciar o seu encerramento.

Através do Despacho Conjunto n.º 598/2001, de 10 de julho de 2001, o EBM passava a fazer parte da Direção Regional de Educação do Norte, para efeitos de afetação de pessoal e recursos materiais e financeiros. Pelo mesmo despacho, os postos de receção onde funcionava o EBM, passariam a fazer parte de agrupamentos de escolas. Iniciava-se assim a extinção gradual desta modalidade de ensino.

Devido à precária rede de estradas que compunha o nosso país, no que respeita ao acesso das zonas rurais aos centros urbanos, os transportes urbanos coletivos que estavam ao serviço do ensino dificilmente cumpriam a sua tarefa. Os circuitos levavam a que muitos alunos se ausentassem de suas casas, muitas vezes, mais de 10 horas. Assim, os encarregados de educação eram muitas vezes contra ao encerramento de postos de receção, por saberem que os seus filhos iriam passar dias inteiros fora de casa e, como tal, fora da sua vigilância. Outras razões eram o facto de muitas vezes os alunos realizarem demoradas viagens para assistirem apenas a uma ou duas aulas por dia, devido à colocação tardia de professores ou por estes faltarem; o facto de os alunos baixarem consideravelmente o seu rendimento escolar, pois as horas que deveriam ser dedicadas ao estudo eram passadas no interior dos autocarros ou mesmo na escola sem qualquer tipo de atividade útil. Muitos encarregados de educação eram contra a ida dos seus educandos para as vilas ou cidades, pois tinham receio que enveredassem por maus caminhos, por passarem muitas horas por sua conta e risco. Também os gastos que implicava passar o dia todo fora de casa faziam com que os pais impedissem os seus educandos de se deslocarem para fora das zonas rurais. Além disso, se os alunos estudassem fora das zonas onde viviam, era mais difícil para os encarregados de educação inteirarem-se do seu percurso escolar. Como tal, era grande a resistência das famílias em deixarem sair as crianças desta faixa etária para os centros urbanos, mesmo quando os transportes escolares já eram gratuitos, o que impulsionou o insucesso e o abandono escolar, assim como a implementação das desigualdades sociais.