Bare 6 prosent av befolkningen i spredtbygde strøk har minst to miljøproblemer, mot mer enn 20
8. Oppsummering og diskusjon
Dada a relevância da festa da Padroeira e em prol do bom andamento da comemoração, realizam-se alguns ações preparatórias, que são: a Novena108 da Virgem do Carmo, vinculada ao âmbito do sacro e o “tecito” de
108 Novena: corresponde às rezas que se realizam durante 9 (nove) semanas, ininterruptamente, e que culminam uma semana antes da comemoração final, a Festa da Padroeira.
profundo cunho social e ligado ao âmbito do profano. Mas, não obstante advirem de âmbitos diferentes, se concretizam simultânea e harmonicamente.
Dentro das preparações, a “Novena”, cujo eixo organizacional refere-se à prática do Rosário existente já há muito anos e efetivada aos domingos. A depoente Irma, explicou:
A novena têm 17, 18 anos, nunca parou [...] Nunca parou, antes se fazia de casa em casa, se chamava Peregrina109, ia
de casa em casa e desde que se começou a fazer aqui, foi mais o menos no ano 2000...2006, 2008...uns 10 anos que começamos a fazê-la definitivamente aqui. Além de ter uma que se fazia de casa em casa existia uma outra que se fazia aqui [...] agora a da casa, em casa, se acabou se faz somente aqui (Entrevista, data)
A lembrança dela é tão viva que Guido, que acompanha a narrativa da entrevista, não conseguindo conter a emoção do momento, reafirmou: “nunca parou”. Percebemos então quão importante é essa prática para quem é partícipe das preces. Irma continua seu relato, reafirmando:
antes – se refere à novena -, se fazia em casa e se chamava Peregrina. Isso ia de casa em casa mais, depois que começou a se fazer aqui mais ou menos em 2000... (fecha os olhos uns segundos e acrescenta), deixe-me ver 6, 7 8...não já vai uns 10 anos que definitivamente se faz aqui (Entrevista, data).
Depois, completa: “ademais de uma que se fazia de casa em casa existia uma se fazia aqui”110. Essa informação destaca-se, pois revela, de uma
maneira indireta, o grande número de chilenos que vivia em São Paulo naquela época, porque possibilitava a realização de duas novenas temporalmente concomitantes e geograficamente distantes.
Destacamos que “La Novena” da virgem aconteceu pela primeira vez sob a iniciativa e direção da família Muñoz – Sr. Alberto e Sra. Alicia, Sr. Daniel e Sra. Nadia - que, osteriormente, passaria a realizar a Novena da “Virgem Peregrina”, que se estendeu de 1999 a 2010.
109 Peregrina: na tradição latino-americana, fala-se da imagem que circula de casa em casa, onde é objeto de oração por parte do dono de casa e dos seus amigos e convidados. O tempo de permanência da imagem na casa eleita dependerá da comunidade que faz uso dessa prática.
No período que antecede à concretização da Novena, ela é objeto de intensa difusão, especialmente junto à comunidade chilena residente, através da notificação verbal durante a celebração da Missa latina mensal, da informação via Radio Voz do Imigrante111 e, também, mediante a publicação no
periódico Chile em Evidência112.
No entanto, apesar desses esforços comunicativos e a vinda esporádica de figuras proeminentes e/ou autoridades chilenas, como a visita consular, conforme foto acima, a participação da coletividade vem decrescendo ano a ano, o que, em ocasiões, tem se tornando em motivo de profunda preocupação para os organizadores do evento:
É engraçado, olhe, alguns anos atrás esse grupo havia quase que afundado. Para rezar a Novena, sempre poucas pessoas... tinha muito mais quando se fazia a Peregrina. Tinha muita gente (...) aí pouco a pouco tem mudado (Irma, Entrevista, data)
Esse depoimento é expressivo, não só porque aponta para a falta de participação cada vez mais palpável, senão também, porque faz referência à Novena da Virgem Peregrina, celebrada por, aproximadamente, uma década e que ainda vive na lembrança não só dos chilenos que dela compartilharam, senão, também, daqueles que somente a conheceram através das memórias dos seus fundadores e/ou participantes.
A novena atual refere-se à reza do rosário nas dependências da igreja, concretiza quinzenalmente aos domingos e, como Irma já explicou, uma das fundadoras e organizadoras da Novena e da Pastoral, já é parte do calendário dos chilenos. Transcorre na capela lateral à esquerda do Altar Maior da Igreja da Paz, para onde se transportam as imagens da “Virgen del Carmen”, do beato “Padre Arturo Hurtado” e da religiosa Carmelita “Santa Teresita dos Andes” e tudo mais que habitualmente permanece na “Capela do Chile”, uma
111 Radio Voz do Imigrante: CDI Comunidade CAMI do Centro do Apoio ao Migrante/SP – Brasil.
112 Jornal Chile en Evidencia. Responsável: Eduardo Sáez. Disponível em [email protected]
das 5 capelas destinadas às Padroeiras Latino-americanas, sediadas na Igreja da Paz113.
Foto 24 - Altar da Novena na Igreja da Paz – São Paulo - mês de junho/2014.
Acervo: Mónica Yokoyama
A foto acima revela o forte e imperecedouro vinculo existente entre a Virgen del Carmen e os símbolos pátrios evidenciado na presencia da bandeira nacional. Junto à Virgem, e à esquerda de quem observa, a imagem de Santa Teresita de los Andes, Carmelita, primeira santa chilena canonizada em 1993, e, à direita, o Padre Hurtado, jesuíta, canonizado em 2005 revelando assim, a extensão e intensidade da devoção e a fé nacional em solo brasileiro.
Estruturalmente, a novena tem como elemento sacro a reza do Rosário nos padrões chilenos, ou seja, um terço do Rosário114 oficial, que, de acordo com a organização outorgada pela Igreja Católica115, é regido, pelos Mistérios
113 Foram apresentadas no capítulo II, nas páginas 19 a 21.
114 O Rosário era tradicionalmente dividido em três partes iguais, com cinquenta contas cada e que, por corresponderem a terça parte, foram chamadas de terço.
115 A Igreja católica divide-os em Mistérios Gozosos: segundas e sábados; Mistérios Dolorosos: terças e sextas-feiras, Mistérios Gloriosos: quartas-feiras e domingos e Mistérios da Luz: as quintas-feiras.
Gozosos. Essa prática, dentro do conceito da tradição chilena, corresponde ao Terço brasileiro, ou seja, somente a uma parte do rosário, e o seu seguimento é acompanhado pelo Padre Alejandro, responsável pelas comunidades latinas. A efetivação da novena concretiza-se através da leitura comunitária das orações e da execução dos cânticos. Quando o participante e interveniente é um hispano-falante, tanto as orações quanto as cantigas são emitidas em espanhol, porém se for um luso-falante ou proveniente de outras bases linguísticas, serão pronunciadas em sua língua de origem. A fim de propiciar a participação efetiva dos piedosos, que convergem à Novena, os membros da Pastoral elaboraram um missal que registra as orações organizadas segundo os mistérios do dia, os cantos marianos e também, as plegarias pequenas rezas relativas à devoção mariana, que finalizam cada um dos mistérios que compõem o Rosário.
Foto 25 - Missal da Novena da Virgem – Pastoral Chilena São Paul mês de junho/2014
Em geral, a liturgia inicia-se com a fala em comum de pedidos e/ou agradecimentos, em voz alta e, espontaneamente, pronunciada, feito isso e, se não existirem outras explanações públicas, reservam-se alguns minutos para que cada participante faça suas reflexões ou agradecimentos particulares. Após essa introspecção, o oficiante – clérigo ou laico -, começa as orações com a leitura do primeiro mistério correspondente ao dia, que se estendem por aproximadamente 50 a 60 minutos cuja finalização está marcada pela leitura,
em voz alta, da Oração pelo Chile, numa explícita recordação do vínculo nacional.
Uma vez terminada a liturgia e, igualmente de maneira habitual, promove-se uma pequena reunião social, ou seja, um momento da sociabilização, que atende ao nome de “Tecito” 116, e realizado em uma das
salas da igreja, no âmbito do profano, cujo objetivo é propiciar a confraternização dos participantes da Novena, mas também viabilizar a revisão dos detalhes administrativos da festa.
É oportuno notabilizar, que a falta de inserção dos partícipes da festa na efetivação das orações, tem-se tornado um desafio constante para os organizadores da liturgia, mas, a ausência é evidente e constante “eu ia aos grupos folclóricos, chamava, avisava, mais ....hummmm, eles estão preocupados com o seu folclore e não com a religião” (Irma, 2014). Esse desabafo, em forma de depoimento, é esclarecedor uma vez que aponta para escassa participação da coletividade nos compromissos assumidos pela Pastoral junto ao âmbito eclesial, o que vem se tornando, desde longa data, num dos tópicos dos desentendimentos e tensões imperantes entre as organizações chilenas. Fati ver se fala nisso
Através de comentários e conversas compiladas durante encontros informais com alguns membros da Pastoral, a participação da comunidade residente, no tocante ao labor solidário habitualmente programado por essa organização, é exígua e desproporcional perante a antiguidade da sua permanência na vida citadina e ao amplo apoio recebido durante o processo de estabelecimento no país.
Os diretores da Pastoral, alguns membros social e ativamente engajados nas organizações de apoio aos imigrantes, bem como, residentes chilenos que, devido à faixa etária se inserem na interfase da primeira e segunda geração, revelam seu descontentamento para com a “geração dos 70´s” (grifo meu). As
116 Tecito, ou té, significa chá, arbusto das teáceas. Chá, ou seja, as folhas dessa planta depois de secas; infusão feita com essas folhas. Porém, chá pode ser a reunião de pessoas à tarde em que se toma chá. Dicionário espanhol-português. Pag. 988 Diccionario Salamanca de la Lengua española. Santillana. Barcelona.2002.
criticas e comentários, sobressaem à profunda crise de poder geracional que lenta e ininterruptamente vêm fragmentado grupos e associações culturais chilenos ao longo do tempo.
Não obstante a persistência de alguns membros da comunidade, durante a última década tem-se vivenciado um notório e constante afastamento da segunda geração para outras atividades culturais ou para outras coletividades latino-americanas, todo o qual, vem dificultando a salvaguarda e transmissão dos hábitos e costumes socioculturais chilenos, outrora tão persentes e atuantes no seio das comunidades latino-americanas e na sociedade paulista no geral.
A “arte do tecito”, entendendo que “arte é, para a sociedade, simultaneamente, um veículo de comunicação e um fator de coesão” (BALOGUN, 1977, p. 39).
Essa práxis, tanto no Chile como nas casas dos chilenos residentes em São Paulo, é também denominada “tomar las once” e está relacionada à prática diária e centenária117 de beber o chá vespertino no solo natal, nesse caso, o Chile. Seu objetivo não é outro senão o de, animados pelo consumo do “tecito”, do café, dos pães e de alguns produtos tradicionais do país de origem ou do Brasil, estreitar os laços de amizade, afetividade e a fraternidade dos participantes da liturgia e “dar inicio a novos signos de identidade” (BHABHA, 2013, p. 20).
Foto 26 - Pão amassado. “Tecito”. Mês de junho de 2014.
Acervo: Mónica Yokoyama
A atividade diária de tomar las once, possibilita reaver hábitos alimentares próprios da terra natal entre os quais o consumo do pão feito em casa, evidenciado na fotografia. Elaboração tendente a destacar as qualidades culinárias da dona de casa e a partilhar de conhecimentos e valores ao redor de uma xicara de chá.
2.3. “Hoje é dia de Festa em São Paulo”: Viva la Carmelita...Viva “Não há dúvidas de que a arte, tal como ela se
manifesta no seio de um dado grupo social, através do canto, da dança, da música, da decoração, da escultura, da pintura, dos mitos, etc., permite definir a sua cultura e contribui, ao mesmo tempo, para lhe dar o sentimento da
sua identidade e da sua capacidade de agir enquanto grupo”
O dia 16 de julho, de acordo com o santoral católico, comemora o “Nuestra Señora del Monte Carmelo”118, mas para os chilenos, a santa possui
maior significado, uma vez que, dada sua importância na historia do país, incorpora os títulos de “Santíssima Virgem do Carmo Rainha e Mãe de Chile, Patrona e General Jurada das Forças Armadas e da Ordem”119 pelo que,
durante o mês de julho, muitas coletividades chilenas de além-fronteiras rememoram e resignificam as suas práticas sociorreligiosas, relativas à devoção à padroeira.
As lembranças plenas de sentimento compartilhadas por Irma possibilitam a nossa aproximação em torno da evolução desse evento comemorativo. Reconfirma-se, primeiro, que a festa em São Paulo “não coincide com a data da celebração no Chile”, porque nesta cidade “há outras organizações com as quais devemos dividir o espaço”. A continuação de sua fala esclarece:
Para começar há de se registrar isso porque aqui foram os italianos os que cederam a igreja para nós, para os latinos. Os italianos cederam um espaço para os latinos e é só por isso que nós temos um domingo para nossas celebrações.
A depoente deixa explícita a gratidão e o reconhecimento pela gentileza do espaço cedido, uma vez que isso vem propiciando, até hoje, a convivência dos mais diversos grupos latinos, que fazem desse espaço o local das suas culturas.
Os chileno-paulistas, assim como outras coletividades, costumam rememorar as datas significativas através de uma celebração da litúrgica eucarística seguida de uma comemoração popular aberta a todos que dela queiram participar independente de nacionalidade, dogmas religiosos,
118 Liturgia Católica. Calendário 2015. Vaticano. Disponível em
http://www.vercalendario.info/es/evento/liturgia-catolica-ano-calendario-2015.html#Julio-2015
Acesso em 15 de outubro de 2014. 119
“La Santísima Virgen del Carmen es invocada en nuestra Patria como Reina y Madre de Chile, Patrona y Generala Jurada de las Fuerzas Armadas y de Orden. Títulos que son fruto del reconocimiento especial de la protección de la Madre de Dios a lo largo de nuestra historia.”
ideologias políticas e/ou teorias filosóficas, pois como disse o refrão popular espanhol, “Na fé religiosa cada pessoa acorre ao santo da sua devoção”.120
No tocante aos dados oficiais da primeira realização da missa da Virgem, surgem registros diferentes. Para a coletividade e conforme relatório elaborado por Irma começou em “1994 – 1995. Nestes anos foi celebrada pela primeira vez na Igreja Nossa Senhora da Paz, uma missa em homenagem à “Virgen del Carmen” com a presença de toda à comunidade Chilena e Latina presente na Pastoral.”
Não obstante esses dados, de acordo com os registros do Livro Tombo da Igreja Nossa Senhora da Paz em São Paulo, a primeira vez que aconteceu nesta cidade a devoção à Virgem do Carmo, como entrelaçamento do litúrgico e da comemoração sóciocultural popular, expressada na Festa da Virgem do Carmo, foi antes de 2006. Essa festa passou a permitir aos chilenos, residentes e aos não residentes em São Paulo, reviver e retomar os laços com a pátria, que por diversos motivos deixara, uma vez que “não importa quão diferentes seus membros possam ser em termos de classe, gênero ou raça, uma cultura nacional busca unificá-los numa identidade cultural, para representá-los todos como pertencendo à mesma e grande família nacional” (HALL, 2006, p. 59). E, possibilitou, aos membros de outras coletividades latinas e ao povo desta cidade, aproximar-se e conhecer hábitos e costumes de um país tão vizinho, mas talvez, culturalmente muito desconhecido.
A coleta de dados no Livro Tombo da Igreja da Paz demandou esforço e persistência, haja visto que, como é de conhecimento geral, os arquivos paroquiais costumam ser de uso exclusivo dos clérigos. Assim, as informações relativas à inscrição da data oficialmente, advém de uma conversa informal mantida no pátio da Igreja, com o Padre Antenor, responsável pelo Livro Tombo da referida Igreja, que afirmou que Então... “a Festa dos Chilenos está registrada no Livro Tombo da Igreja Brasileira e é somente uma pequena inscrição”, afirmação ampliada pelo Padre Alejandro Cifuentes, quem asseverou,
a festa dos chilenos foi a primeira a se realizar em São Paulo, por isso, essa festa ficou registrada no livro do Tombo da Igreja da Paz e não no livro das Atas das Comunidades Latino- americanas que contem os registros das festas das comunidades da Bolívia, do Peru e das outras comunidades que hoje também celebram aqui suas Padroeiras121 (Pde.
Alejandro 03/05/2015)
O depoimento do Padre Alejando Cifuentes, atual capelão das colônias latino-americanas, não só ampliou os dados a respeito das memórias da constituição da festa chilena, também possibilitou o acesso ao Livro das Atas das Comunidades Latino-americanas, iniciado pelo Padre Mario Geremias em 2006, do qual extraí inúmeros registros que permitem constatar a importância que a festividade chilena, por ser a primeira, teve para o desenvolvimento das outras festas em honra das Padroeiras Latinas na Cidade de São Paulo. E, como o seu nome bem diz, é um compêndio de informações de todas as colônias latinas, sendo possível encontrar dados sobre diversas atividades desenvolvidas tanto pela colônia chilena, quanto das colônias peruanas, bolivianas e outras que a essa igreja tem-se aproximado para reafirmar a sua identidade e seus hábitos sócios culturais e também coorporativos.
Percorrer as suas páginas, propiciou realizar uma revisão do caminhar da coletividade na cidade de São Paulo, observando como, em determinadas ocasiões esse espaço eclesial tornou-se um “local da cultura” (BHABHA, 2005), possibilitando, para os muitos imigrantes que se estabeleceram, concretizar encontros e reuniões que originaram organizações e entidades participativas em prol da resolução de sérios problemas sociais, que afetavam as comunidades de imigrantes, para exemplificar, a UNE-CHILE.122
Outras associações de cunho mais social, como agrupações folclóricas, que se organizaram em prol do desenvolvimento da dança e do canto pátrio, entre as quais, o Conjunto Folclórico “Chile Lindo”, o mais antigo e tradicional
121
“La fiesta de los chilenos fue la primera que se realizó en São Paulo, por eso, esa fiesta está registrada en el Libro Tombo de la Iglesia da Paz y no en el Livro de Actas de las Comunidades Latinoamericanas en donde están los registros de las fiestas de las comunidades de Perú, de Bolivia y de las otras que hoy en dia también celebran aquí a sus Patronas” (livre tradução da autora)
122 UNE-CHILE: Entidade que congrega as diversas organizações de chilenos residentes entre as quais, a assistência social, os conjuntos folclóricos, os grupos artesanais e os grupos de difusão da gastronomia chilenos.
dos grupos folclóricos chilenos na Cidade de São Paulo, que, devido à falta de um espaço próprio para desenvolver essa atividade cultural, por muito tempo realizou os seus ensaios nos salões da paroquia da Igreja da Paz.
Além desses fatos relatados, é fundamental explicar que nessa Igreja também aconteceram reuniões para organizar a luta pelos Direitos Humanos, concretamente, nos encontros com a Diretoria da Anistia Chilena (Livro-Tombo, 2006, p. 7)
Isso anteriormente ressalvado, voltando à estruturação organizacional do dia da festa, constata-se que existe um plano de ação. Irma Nuñez e Guido Iriarte comentam que, prévio à liturgia, “há uma procissão” e, para que isso ocorra, “se conclama, se reúne as pessoas na porta da igreja”. Essa reunião inicia-se “as onze d´manhã”, porque “depois, às onze e meia se canta o hino nacional do Chile” e, em seguida, “a imagem da Virgem é depositada no altar já preparado” uma vez que “as 12 do dia” começa a Missa.
A estruturação da “Fiesta”, assim detalhada, está relacionada aos mesmos padrões organizativos observados em Maipú, decorrendo, em primeiro lugar, as ações litúrgicas e, depois, o festejo. Não obstante, ambas atividades transcorrem no entremuros da Igreja da Paz, sendo claramente identificáveis: o sagrado, a procissão e a missa, acontecem no interior e no pórtico enquanto o profano, a comemoração com danças e comidas, no pátio externo.
A imagem da santa, venerada pelos fiéis, “tem aproximadamente 60 cm de altura e veio, diretamente do Chile, através da família de Carlos e Yolanda Bustamante”, devotos da Virgem e a época ativos participantes das ações da Pastoral. “Hoje eles estão de regresso ao Chile”. (Irma. Entrevista 03/2014)
As memórias de dois entrevistados revelam igualmente a evolução que o evento manifestou ao longo das décadas. Irma diz: “Se celebrava primeiro a missa e depois é que se foi juntando mais gente, então, aí os grupos folclóricos começaram a participar, a chamar para fazer um show”, faz uma pausa para rememorar e acrescenta “e ai então, unimos as duas coisas; a liturgia e a comunidade como Chile, por assim dizer”. Guido conclui: “gente que traz com comida típica por exemplo”.
De esta forma, a liturgia que se efetua em conformidade com ritos da