Para caracterizar o mercado atual dos produtos turísticos disponibilizados no Alentejo, deve ser analisado o estudo, conduzido pelo Turismo do Alentejo ERT, “Caraterização do Perfil do Visitante - Caraterização da Procura Turística no Alentejo 2011”. Esta é a fonte de informação mais atual e completa relativamente à atividade turística na região do Alentejo, pelo que servirá de base para a caraterização do mercado em estudo. Os resultados apresentados resultam da análise dos barómetros realizados mensalmente ao longo do ano de 2011 e ainda das compilações de dados relativos ao turismo no período de inverno e naqueles recolhidos no verão.
A metodologia adotada para a coleta de dados foi a realização de um inquérito86 onde foram abordadas as temáticas da caraterização do perfil do visitante e da viagem, os comportamentos de utilização, as motivações e satisfação com o destino. O estudo adotou o seguinte modelo de análise: numa primeira fase foi analisado o perfil do turista ao nível das suas características sóciodemográficas, visando conhecer os principais traços inerentes à sua segmentação. Numa segunda fase, foram assinaladas as componentes da reserva, de modo a perceber qual o comportamento associado à fase de decisão de compra. A terceira fase analisa o decorrer da viagem, considerando o meio de transporte mais utilizado para chegar ao destino e ainda os gastos médios realizados no destino por pessoa. Seguidamente, o estudo debruça-se sobre as motivações de visita e o sentido da experiência turística concretizada, perceber o grau de competitividade do destino Alentejo, face a outros destinos, e ainda avaliar a satisfação, expetativas e intenções do visitante. Numa última fase, pretende-se “concretizar uma aproximação a dados universais recorrendo-se a um processo que se baseia na utilização de ponderadores decorrentes da exploração da informação constante do inquérito e da posterior criação de um algoritmo que possibilita a projeção de resultados para alguns indicadores de volume”87 “No algoritmo em questão, conjugaram-se, neste primeiro ensaio, as matrizes resultantes das estruturas de dados decorrentes do inquérito com elementos universais fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística, nomeadamente o total de hóspedes nos estabelecimentos hoteleiros, aldeamentos e apartamentos turísticos.”
86
Ver anexo XIV
87
37 O método de amostragem utilizado foi o método probabilístico, com o intuito de “extrapolar com confiança para o universo os resultados obtidos a partir de uma amostra estratificada, sendo deste modo viável demonstrar a representatividade desta última e estimar o grau de confiança com o qual as conclusões tiradas da amostra se aplicam ao universo”88
. A amostra foi constituída com base em mil89 entrevistas, apresentando uma margem de erro de 5%, ou seja, um intervalo de confiança de 95%. A amostra foi estratificada com base nas variáveis “região de destino dentro do Alentejo” e “local de residência”, recorrendo a dados referentes ao alojamento turístico classificado na região. “Os inquéritos recolhidos assentaram em parte na amostra parcial (com proporcionalidade definida a partir dos movimentos nos meios classificados de alojamento turístico), apontando-se para a recolha de dados com características estruturais, em detrimento da análise de volumes. Contudo, como a inquirição assentou sobre os visitantes do Alentejo (e não exclusivamente sobre os utilizadores do alojamento turístico colectivo classificado), além de se basear num questionário que permitiu identificar a estrutura dos dados universais a par dos ocorridos no alojamento turístico colectivo classificado, constituiu um objectivo básico a recolha de elementos que permitissem analisar as dispersões entre a matriz inicialmente utilizada e a decorrente da recolha.” 90 A entrevista direta e pessoal foi o método de recolha de informação aplicado, ao longo de todo o ano de 2011.
No que concerne o perfil do turista que visita o Alentejo, denota-se uma ligeira predominância de indivíduos na faixa etária entre os 35 e 44 anos de idade, a maioria é constituída por casais (73,1%) e de nacionalidade portuguesa (66,7%). Mais de 13% dos inquiridos eram de nacionalidade espanhola, seguindo-se os indivíduos de origem francesa, britânica e germânica. Verifica-se, igualmente, que os inquiridos no período de Inverno, usufruem de rendimentos mensais superiores, registando uma percentagem de 53,3%, com rendimentos compreendidos entre os 2001€ e mais de 8001€, face aos 27,7% registados nos inquiridos de Verão. No geral os entrevistados possuíam rendimentos entre os 1001 e os 2000€/mês. A maioria é detentora de habilitações superiores (48%). Os Familiares e Amigos são as principais fontes de informação sobre o destino a que os visitantes do Alentejo recorreram (43,3%). Os hotéis de 3 e 4 estrelas foram o tipo de alojamento mais optado (juntos contabilizam mais de 25% das estadas).
88
Turismo do Alentejo ERT, 2011
89
Ver anexo XVI
90
38 O período de estadia é curto, ficando-se pelas 1 a 3 noites em quase 60% dos casos. A esmagadora maioria dos visitantes não adquire pacote turístico (quase 85%) e quando recorrem a reservas individuais fazem-nas via internet (cerca de 55% dos casos). A maioria dos visitantes viaja em viatura própria (mais de 71%) com a família (46,2%) ou o cônjuge (39,3%). O gasto médio por pessoa por dia muito esporadicamente é superior a 100€ e o objetivo da visita ao Alentejo é “Lazer, Recreio e Férias”. As visitas culturais e o descanso são as atividades mais mencionadas, embora os atributos mais importantes na escolha do destino se dividam, destacando-se apenas ligeiramente a “Paisagem e Natureza”, “Tranquilidade e Ambiente Relaxante”, os “Recursos Culturais e Históricos” e a “Gastronomia”. Existe um grande número de visitantes que repetiam a visita (quase metade) e a maioria elegeu o Alentejo como destino de férias em exclusividade. A maioria dos entrevistados manifestou-se “Muito Satisfeitos” ou mesmo “Extremamente Satisfeitos” com a visita. As “Praias”, a “Tranquilidade”, “Alojamento” e o “Património Natural e Paisagístico” foram os atributos que mais contribuíram para essa satisfação. A maioria dos turistas revela vontade em voltar e recomendar o destino a familiares e amigos.
39
Análise do ambiente interno
Analisar internamente o produto Roteiros Municipais é o passo final para uma análise estratégica completa. A análise interna permitirá avaliar a capacidade do produto para competir no mercado, potenciando os seus recursos de modo a destacar-se da concorrência, acrescentar valor para os clientes e identificar que caraterísticas exponenciar e quais alterar para aproveitar as oportunidades e distanciar-se das ameaças identificadas na análise do ambiente externo.
Ao examinar a taxa de crescimento do mercado em que os Roteiros se inserem e a quota de mercado relativa dos mesmos (tendo em conta que ainda não estão totalmente inseridos no mercado91) observamos que, segundo a matriz Boston Consulting Group92, os Roteiros Municipais encontram-se na fase Ponto de Interrogação. De facto, a fase do ciclo de vida em que o produto se encontra é a introdução e este insere-se num mercado em elevado crescimento (ferramentas online de auxílio à atividade turística) mas não é líder de mercado, até porque se encontra numa fase de implementação. Segundo a Matriz é necessário um aumento da cota de mercado, caso contrário o produto deverá ser abandonado.
O facto do produto ainda não estar lançado no mercado (embora já esteja disponível
online) apresenta alguns obstáculos à utilização de instrumentos de análise interna como
a Matriz General Electric/Mckinsey93. Embora possamos partir do princípio de que os Roteiros se inserem num mercado bastante atrativo (as ferramentas online interactivas aplicadas ao turismo) é mais difícil categorizar a força do negócio. Observando empiricamente a realidade constamos que é má, dado que os Roteiros começam a estar disponíveis online mas ainda não foram alvo de qualquer estratégia de promoção e são, por isso, na generalidade94, desconhecidos do público. A Matriz General Electric/Mckinsey sugere um “Iniciar Seletivamente”, onde se tenta superar os pontos fracos do produto e se especializa nos seus pontos fortes, abandonando-o caso o negócio não comece a crescer. De facto, nesta fase é necessário reconhecer as capacidades do produto e as suas limitações, sendo ainda possível corrigi-las.
91
Os Roteiros ainda estão a ser terminados – não estão totalmente operacionais.
92
Cravens, 2008
93
idem
94
Exceto os habitantes da região que tomaram conhecimento dos roteiros através da imprensa e rádio local – ver anexo XVII
40 A relação produto-empresa deve ser alvo de breves considerações. Recorrendo à matriz de Ansoff95 encontramos a esquematização da situação atual dos Roteiros Municipais e da sua posição na empresa(s) detentora(s) (CIMAA e os Municípios do Alto Alentejo): trata-se de um produto novo, que se insere num novo mercado para a empresa – uma diversificação não-relacionada96.
Depois desta abordagem inicial com base na teoria, posteriormente serão apontados com maior exaustão os factores negativos presentes no ambiente interno em que os roteiros se inserem.