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Para os objetivos desta pesquisa um dos trabalhos mais importantes foi aquele desenvolvido por GHOBADIAN e GALLEAR (1996). Eles pesquisaram em duas empresas pequenas e duas empresas médias (Dutton Engineering com 27 funcionários, Betts Plastics com 97, Varian Oncology com 130 e Renishaw Metrology com 380 funcionários) três aspectos:

•= porque implementar TQM e quais os principais passos envolvidos em sua implementação;

•= qual o impacto e mudanças organizacionais devido ao TQM e •= quais as dificuldades e problemas na implementação do TQM.

Os principais resultados de interesse para esta pesquisa foram:

= Para a pequena empresa a resistência à mudança é menor devido ao pequeno número de níveis gerenciais, falta de interesses funcionais fortes e ausência de estruturas rígidas e formais.

= As mudanças podem ocorrer realisticamente se o gerente reconhece sua necessidade e também identifica a natureza e os tipos de mudanças necessárias, planeja e implementa as mudanças necessárias, tem o desejo e persistência para ver as mudanças ocorrerem. •= Reconhecimento da importância dos indivíduos, confiança e “energização”

(empowerment) do staff aumentam a credibilidade do processo de implementação do TQM.

= O envolvimento, o suporte visível da alta gerência, a oportunidade de gerenciar pelo exemplo, comunicar sua visão, dirigir e prover liderança eram significantes vantagens na implementação do TQM.

= Uma compreensão profunda dos conceitos de qualidade e da filosofia do TQM e como introduzir os conceitos foram importantes elementos para o processo de implementação. Esta compreensão deveria ser estendida aos gerentes e supervisores. •= O treinamento de todos os funcionários foi um elemento fundamental.

= Os times de melhoria com alta visibilidade tornaram os trabalhos mais efetivos. = O alinhamento da estrutura organizacional e dos procedimentos e práticas gerenciais

com as necessidades do ambiente de qualidade total foi considerado muito importante. •= Trabalho em equipe também foi outra importante dimensão no ambiente da qualidade

total.

= As organizações estudadas introduziram operações interfuncionais e integradas (horizontal e vertical) sem muita dificuldade.

•= A implementação da BS 575010 antes da qualidade total pareceu dar a estas

organizações um grau de padronização e controle nos procedimentos.

•= O estudo não deu suporte à proposição de que as pequenas e médias empresas não podem desenvolver sofisticados sistemas de medida devido a problemas de recursos. = Nos casos estudados a disponibilidade de recursos financeiros não foi um problema. = A falta de tempo provocou o atraso na introdução do TQM ou diminuição de seu

progresso.

= Objetivos não realistas foi um problema que desmotivava os empregados na implementação do TQM.

A maior dificuldade encontrada no levantamento de pesquisas e estudos relativos a este tema é que muitos pesquisadores citam as dificuldades como uma introdução e não como tema principal de suas pesquisas, por exemplo: na introdução de seu trabalho, AHIRE (1996) questiona a aplicabilidade das técnicas de qualidade japonesas às pequenas empresas, bem como a escassez de literatura voltada para a pequena empresa. Ele acrescenta que apesar de se acreditar que as pequenas empresas superem as grandes em flexibilidade e inovação devemos levar em conta suas limitações, como: visão míope do dono/gerente que foca apenas nos problemas do dia-a-dia, em parte pela falta de recursos e em parte pela falta de habilidade de entender os aspectos estratégicos do negócio, inclui também a falta de conhecimento das práticas de RH e de incentivos, mas a pesquisa em si foi realizada para estudar os impactos da filosofia da qualidade, da estratégia de produção (make-to-order x make-to-inventory) e do fato de haver sindicatos ou não no sucesso da gestão da qualidade. A pesquisa foi do tipo survey realizada com 181 empresas americanas do ramo eletrônico e automobilístico de pequeno porte (considerou até 150 empregados) e conclui que as empresas que tinham um programa formal de TQM tinham uma gestão que

resultava num produto de melhor qualidade, as empresas não-sindicalizadas também tinham melhores resultados e a estratégia de produção não apresentou diferenças nos resultados. Para a finalidade da presente pesquisa podemos supor que a presença de

sindicatos poderia influir negativamente na implementação do sistema da qualidade.

Para a implementação de um sistema da qualidade nas pequenas empresas existem muitas dificuldades, que são características próprias da pequena empresa, e que devem ser levadas em conta. Dentre outras características das pequenas empresas brasileiras descritas por GONÇALVES e KOPROWSKI (1995), destacamos:

•= têm organizações rudimentares;

•= direção relativamente pouco especializada;

•= são um campo de treinamento de mão-de-obra especializada e formação de empresários; •= estreita relação pessoal do proprietário com os empregados, clientes e fornecedores; •= dificuldade em obter créditos, mesmo a curto prazo;

•= falta de poder de barganha nas negociações de compra e venda; •= menor dependência de fontes externas de tecnologia;

•= papel complementar às atividades industriais mais complexas;

•= extensa rede de produção e distribuição de bens e serviços, o que contribui, decisivamente, para a desconcentração industrial.

NEGRI e GALLI (1997) estudaram a implementação da qualidade total nas pequenas e médias empresas italianas e propuseram algumas ações para mudar o foco das ferramentas técnicas para uma visão estratégica da gestão da qualidade como uma vantagem competitiva. Para a presente pesquisa foram destacados alguns problemas que eles encontraram na implementação da qualidade total, mas que poderiam ocorrer em maior ou menor grau também na implementação da ISO 9000 ou QS 9000:

•= O desdobramento da política apresenta muitas falhas, dificultando o estabelecimento de prioridades na companhia e reduzindo a efetividade da implementação de ações estratégicas.

= As normas para a melhoria da qualidade geralmente são numerosas e ambiciosas,

mal definidas e não priorizadas estrategicamente.

•= Há uma distância entre o conhecimento da companhia e a aplicação de instrumentos para a melhoria da qualidade.

= A importância e o escopo da qualidade total não tem sido totalmente entendida. •= A qualidade total tem sido considerada como um enfoque útil apenas para as empresas

grandes.

= A relevância do processo de implementação da qualidade é unanimamente

reconhecida, mas não é realizado por metodologia apropriada.

•= A estratégia da qualidade ainda é pobre e restrita aos objetivos de curto e médio prazos. BROWN et al (1996) apresentam uma extensa literatura baseada em vários casos de implementação da qualidade total (TQM) em empresas americanas citando os problemas e recomendando a forma de lidar com eles, os principais problemas que destacamos para este estudo são:

•= O dirigente não demonstra de forma adequada (visível) seu comprometimento com a implementação.

•= Implementar o TQM para conquistar um prêmio ou porque os clientes o forçam a fazê-lo.

•= Esperar até que a empresa fique em situação difícil, para dar início ao TQM.

•= Tentar implementar muito rapidamente o TQM, sem que a empresa se encontre em situação crítica.

•= Tentar criar ameaças artificiais para motivar os empregados e efetuar mudanças.

•= Treinamentos ineficazes, seja conceitual para a qualidade, para a liderança, em ferramentas da qualidade ou mesmo dirigido a temas específicos.

•= Inadequação dos sistemas tradicionais de remuneração (não vínculo ao nível de qualidade e satisfação dos clientes).

2.6.2 Recomendações para evitar ou minimizar algumas dificuldades encontradas na