2. Barnetilsynsordninger
2.4. Oppsummering
Nunca houve muito interesse, não.Nem de gravadora, nem da mídia. A mídia se interessou de cinco anos para cá. Eu fui uma das primeiras pessoas a colocar isso na mídia; a mostrar para mídia que isso era um produto bom.
Eu não digo nem em relação às vendas das gravadoras, porque as gravadoras se preocupam com venda. Nós, que fazemos bailes, estamos preocupados em mostrar essas músicas. Mas, como são músicas do passado, então, o interesse das gravadoras é muito menor. É muito pouco, tanto que eles não fazem nenhuma coletânea, em cd, de samba-rock.
Então, o que eu pensei: comecei a mostrar isso para a mídia, houve interesse dos jornais, revistas. Começaram a fazer uma nota de jornal aqui, outras ali.Mas como eu vi que não tinha jeito de gravadora se interessar, por que achavam que era coisa antiga.Então, eu tive a idéia de chamar algumas pessoas, como o Matoli, por exemplo, para criarem bandas de samba-rock.
Nunca houve bandas de samba-rock?
Não. Nunca houve. O que havia eram bandas que tocavam músicas que serviam para se dançar. Mas, de seis anos para cá, foi quando a gente
começou essa história, e tivemos a idéia de se criarem bandas. Juntar músicos que já tinham uma musicalidade um pouco parecida, como é caso do Mattoli.
Foi então que se criou o Clube do Balanço, a primeira banda de samba-rock da nova era.
Alguma consideração final a respeito do samba –rock?
Para finalizar, o que eu posso sugerir, talvez, seria, na verdade, fazer um convite: conheçam o samba-rock – é muito bom. Dificilmente, uma pessoa que vai para um baile de samba-rock, sai descontente. A pessoa não sai sem ser “vacinada”. Quando se entra nesse universo do baile, a pessoa, muitas vezes, acaba virando um freqüentador. É assim que eu vejo acontecer durante todo esse tempo: as pessoas chegam, olham, não entendem muito a mistura.
Mas eu sempre digo o seguinte: eu não consigo explicar o que é um baile de samba-rock. Sempre me perguntam: - o que é um baile de samba- rock?
A minha resposta a essa pergunta é: venha no baile, fique lá uma ou duas horas, dentro do baile que você sai entendendo.
Quando eu digo que no mesmo baile toca-se Jorge Bem e também Brenda Lee, a pessoa fica confusa, porque não há nada em comum entre essas músicas. Um outro exemplo: Claudete Soares e Vanuza.
Por isso, a pessoa deve vir ao baile se quiser entender como são feitas as seleções musicais, para daí, então, entender o que é samba-rock. É por isso que o samba-rock fascina muita gente.Como quase ninguém entende o que é samba-rock, o ideal é que as pessoas freqüentem nossos bailes.
Tenho certeza que, quem passa a conhecer esses lugares, acaba se tornando um freqüentador. Nesse bailes, as pessoas acabam se conhecendo, fazem amizade. Por exemplo: nesses bailes, uma pessoa de setenta anos dança com outra de dezoito; sem nenhum tipo de problema. Todos no baile estão com um desejo que os une: a dança.
Depoimento colhido no dia 02/03/2005
Local: rua: PUC-SP, rua: João Ramalho – Perdizes – SP. Com: Inácio Loiola de Souza Junior. Apelido: Moskito. Professor e dançarino de Samba-rock.
Como você começou a dançar samba-rock?
Comecei a freqüentar os bailes de samba-rock com doze anos.
Naquela época, eu morava na periferia de Osasco. Freqüentava os bailes tradicionais e também as festas de bairro. Todo sábado, junto com os amigos, ia perambulando pelo bairro à procura de alguma festa. Havia sempre o que se costumava chamar de “bailinho”. O bailinho poderia ser tanto uma festa de aniversário como uma festa de casamento. Era comum as festas acontecerem no quintal das casas. Usava-se sempre uma lona para cobrir o quintal e abrigar as pessoas. Nesses “bailinhos” tocava-se, muito samba-rock e lenta. Às vezes, nós nem conhecíamos quem estava casando ou aniversariando, mas entrávamos na festa mesmo assim. Não tinha muito essa coisa de ser barrado na entrada.
Nessa época, eu tinha uma namorada que dançava muito samba-rock. Sua família dançava samba-rock, e ela aprendeu assim. Eu não sabia dançar samba-rock e ficava com ciúme vendo minha namorada dançando com um “monte de negão. Foi aí que comecei a me interessar por samba-rock. Eu aprendi a dançar olhando. Não havia aula de samba-rock nesta época. Minha namorada tentava me ensinar também.
Conta-se que naquela época as pessoas treinavam samba-rock na própria casa. Valia tudo para aprender, inclusive utilizar a porta como parceira para dançar. Empurrando a porta de um lado a outro os homens simulavam o deslocamento da mulher durante a dança. Outro aparato utilizado eram as argolas que puxavam as cortinas. As duas argolas simulavam os braços da mulher.
Aprendi com minha namorada e também com as idas aos bailes e bailinhos. Eu freqüentava os bailes de sexta á domingo, isso no início da década de oitenta.
Minha carreira como professor começou por acaso, em 1995. Nessa época, o samba-rock não era tão dançado como hoje. Dançava-se bastante o pagode. Eu comecei a fazer aula de pagode com um amigo que não era professor, mas estava iniciando este trabalho a convite dos amigos, pois se tratava de exímio dançarino de pagode. Essa aula tinha sempre um intervalo no meio e eu sempre dançava sem compromisso um pouco de samba-rock com as meninas. Isso acontecia sempre durante os intervalos. Depois de algum tempo acabei formando uma turma de samba rock e passei a dar aulas. O primeiro lugar onde dei aulas foi numa choperia, em Osasco.
No primeiro dia de aula, havia por volta de cinqüenta pessoas. Foi um sucesso. Depois deste lugar, passei a dar aulas numa academia de ginástica. Foi nessa época que desisti do emprego de ajudante de caminhoneiro e passei a me dedicar ao ensino do samba-rock.
Havia lugares em Osasco para se dançar?
Sempre havia, mas não de maneira exclusiva. Eu e meus alunos íamos aos pagodes, onde pouco se dançava samba-rock. Nos intervalos dos pagodes, que geralmente eram tocados ao vivo, havia uma seleção de músicas de discos onde se tocava samba-rock. Eu levava minha turma de alunos para esses lugares e os deixava dançando.E enquanto isso, eu distribuía os panfletos com a propaganda de minhas aulas.
O samba-rock surgiu na cidade de São Paulo?
O samba-rock nasceu na cidade de São Paulo. Mesmo nascendo aqui há muita gente que não o conhece. .Não se dança samba-rock em outros estados brasileiros. A cultura da cidade de São Paulo é quem representa isso fortemente.
O samba-rock é uma coisa hereditária, vai de pai para filho. Os caras que fazem bailes hoje são (alguns deles) filhos de Djs que realizavam bailes há trinta anos.
Para mim, a história do samba-rock está nesses bailes. O pessoal da mídia está indo nas baladas onde se dança com bandas de samba-rock, mas nesses lugares não está a história. A mídia não se interessa pelos bailes de nostalgia porque esses lugares não freqüentados por pessoas da classe média. As pessoas mais comuns freqüentam os bailes da nostalgia.
Eu acho o baile da nostalgia a coisa mais linda. Eu sempre ia aos bailes com um traje social. Não se entra nestes bailes usando tênis e calça jeans. Para ir ao Clube Homes na Avenida Paulista, eu utilizava a seguinte estratégia: chegava de ônibus até o início da Avenida Paulista e depois pegava um táxi, só para fazer um tipo.
O samba-rock nunca ficou conhecido porque ele não era divulgado pela mídia. Os próprios organizadores dos bailes nunca se preocuparam com esta questão. Seus bailes sempre lotaram de gente, e a propaganda via panfleto e também o boca a boca funcionavam bem.
Algumas pessoas que promovem bailes dizem que não querem que o samba-rock seja conhecido, pois ele pode perder a essência, a raiz.
Como o samba-rock se constituiu?
Hoje, a dança é um pouco diferente. Destes anos para cá, tudo mudou: a política, a sociedade e a dança também.
O samba-rock aumentou seu grau de dificuldade.
Há um tempo atrás, surgiu um grupo de rapazes se intitulavam: Os Cartolas. Esses rapazes introduziram uma nova maneira de se dançar, que é o chamado samba-rock estrela. Eles dominavam muito bem essa técnica e quando dançavam, todos paravam, abrindo uma roda no meio do salão para vê-los dançar. Todos ficavam loucos para aprender com eles, mas eles não ensinavam. Eles dançavam com um alto grau de dificuldade. Eles aumentaram tanto a destreza que até as próprias mulheres não conseguiam acompanhá-los. Houve uma época em que eles dançavam entre eles mesmos, ou seja, homem com homem. Os Cartolas atualmente estão um pouco esquecidos. Eles ainda aparecem nos bailes, mas não como antes.
O pessoal da antiga acha esse modo de dançar deles muito rápido e difícil de ser dançado e prefere continuar dançando á moda antiga - mais lentamente e sem exageros de variações.
O ancestral do samba-rock é o chamado swing americano. Um modo de dançar em que o eixo do corpo é deslocado para trás.
A base de passos para se dançar o samba-rock obedece ao tempo quaternário da música. Essa base de passos é feita pela mulher, que se desloca lateralmente, abrindo e unindo as pernas em quatro tempos. O homem não marca esta base da mesma maneira que a mulher. Ele acompanha a mulher, geralmente mais lentamente, sem se deslocar lateralmente.Os braços do casal estão sempre sincronizados, mas as pernas não.
O samba-rock ensinado atualmente não obedece rigorosamente a essa maneira de dançar. Por questões didáticas, eu introduzi nas aulas o que eu chamo de base. Nela, ambos fazem o deslocamento lateral em quatro tempos. No final, fica quase a mesma coisa, mas para iniciantes é preciso aprender essa base.
As pessoas que dançam samba-rock há muito tempo e não aprenderam em academia, compreendem bem a espacialidade dos passos. Eles sabem onde a mulher está e em que perna ela está apoiada.
Hoje, os dançarinos de quarenta, cinqüenta anos, não têm a velocidade de um menino de vinte ou vinte e cinco anos, para realizar os giros que são executados atualmente.Os dançarinos mais velhos preferem dançar como sempre se dançou.
Uma parcela da juventude, que cresceu vendo os pais dançando, prefere inovar e procura desenvolver e aprimorar o jeito de dançar, aumentando a velocidade de seus giros e trazendo novos elementos para essa dança.
Não é qualquer pessoa que consegue dançar o samba-rock atual. É preciso de um corpo bem preparado para realizar os movimentos.
As músicas mudaram?
As bandas de samba-rock que surgiram recentemente, apesar de terem suas próprias composições, ainda se remetem ao repertório já conhecido do samba-rock.
No samba-rock se dança com uma variedade de estilos musicais. Os Djs antigamente pesquisavam as músicas em sebos para encontrar o swing que fazia o pessoal dançar. Não havia, nas capas dos discos, prinpalmente os importados, a designação samba-rock. O samba-rock não é um tipo de música, mas um tipo de dança. Atualmente, se faz o mesmo. Músicas como as de Maria Rita são perfeitamente dançáveis.Os djs de ontem e de hoje nunca se interessaram muito sobre a procedência da música, o que importava para eles era o valor sonoro.
Os djs atualmente utilizam a tecnologia para misturar diversas músicas para criar uma nova. No Brasil, quem utiliza bastante isso é o dj Loo.
Sempre houve bandas de samba-rock?
Antes havia os grandes shows.
Eu fui ao show do Tim maia junto com o Jorge Benjor no Clube Cobra em Osasco. Naquela época, esses cantores iam aos lugares mais periféricos. Eles não eram tão conhecidos como hoje. Eles não estavam na mídia. Na verdade a mídia sempre ignorou essa fatia do mercado.
O Bebeto, por exemplo. Ele é o cara que todo mundo que curte samba- rock conhece muito de suas músicas. Por que ninguém o conhece fora destes lugares? A mídia e as gravadoras não se interessam.
Eu quero entrar a fundo nessa história para saber a fundo o porquê da mídia não se interessar. Gostaria de fazer um documentário sobre os bailes para divulga-lo.
Porque o samba-rock não desapareceu?
Eu acho que o samba-rock não desapareceu por que ele nunca foi divulgado pela mídia. Aquele sentimento de raiz e de essência o manteve. A não divulgação fez com que ele continuasse acontecendo.
As pessoas que vão aos bailes vão porque sempre foram e não porque o samba-rock está na moda. O samba-rock faz parte da vida dessas pessoas.
A mídia atualmente se interessa por uma parte do que é samba-rock. São lugares freqüentados pela classe média. Mas a história do samba-rock está nos bailes da nostalgia. Bailes freqüentados por pessoas da periferia.
O pessoal dos bailes curte toda a atmosfera que acontece nestes lugares. Além do samba-rock, eles também dançam o balanço e a lenta.
A gente sempre entra naquilo que é tentar dizer o que é samba-rock. O que quer dizer a palavra samba-rock.
Um jornalista, por exemplo, que vai para um baile, por exemplo. Se ele vai no “de quinta” (um lugar mais elitizado) e depois vai ao Grenn Express, ele perceberá que há uma diferença, só que ele não consegue explicá-la. Eles ficam instigados e perguntam: o que é o samba-rock realmente?
O samba-rock é um evento com música, com Dj, com dança. A presença do Dj faz a diferença.
Quando chega na definição mesmo, as pessoas dizem que o samba-rock é isto, mas ao mesmo tempo é aquilo também. Fica aquela coisa em que ninguém sabe muito que responder.
Como não se consegue dar uma definição concreta do que seja, a mídia acaba também não achando que seja uma coisa boa para se trabalhar. A mídia não entende, por isso não se aprofunda.