O Mapa 5, espacializa fluxos migratórios em Minas Gerais e os que transcendem os limites do estado mineiro. É necessário refletirmos como tem se configurado a expropriação destes trabalhadores, dos muitos que já passaram por essa trajetória e daqueles que passarão. Os Mapas 4 e 5 não são meramente imagens, a ideia é que ao olharmos, possamos perceber as relações sociais – a dor da partida – o retorno - a história de vida de mães, pais e filhos - as dificuldades dos
gestores que deveriam solucionar ou pelo menos buscar aliviar as tristezas de tantas pessoas envolvidas na espacialização retratada.
No que se refere aos relatos, iniciamos com trabalhadores que se deslocaram no final de maio de 2008 para a colheita de café em Campestre-MG - um grupo de dez trabalhadores do sexo masculino; o “turmeiro” responsável foi Fabrício Dias dos Santos, que quinze dias depois retornou à Mirabela para buscar mais vinte migrantes, o grupo regressou em setembro. O deslocamento ocorreu em ônibus de linha, ou seja, a fazenda “custeou” as passagens (ida e volta).
Tivemos a oportunidade de conversar com alguns dos trabalhadores, entre eles o irmão de Fabrício – Ricardo Gonçalves, um jovem de 18 anos - que completa a terceira vez no trabalho da colheita de café, comprovando que nas fazendas se admitem menores.
Eu já fui três vezes, a primeira vez era menor de idade - fui para Patos de Minas, depois fui para Campestre e hoje estou indo de novo para Campestre. (sic)
Sobre o alojamento pontua:
No alojamento ficam seis homens por quarto, tem banheiro, o banho é quente, muito bom, o alojamento fica perto do plantio, mais tem um ônibus para levar a gente, é servido três refeições o café e o jantar são servidos no alojamento, o almoço no serviço – a comida vem no marmitex. (sic)
Os alojamentos servem para controlar as ações do migrante, no entender de Menezes (2002, p. 183), são “(...) espaço de controle da força de trabalho, mas também de criação de práticas microbianas, fragmentadas e difusas de resistência”. O trabalhador acostuma-se com a rotina e não percebe o espaço do alojamento como a pesquisadora analisa. Quanto às condições de trabalho e o dinheiro recebido pelo trabalho Ricardo expõe:
Já acostumei com serviço e com a distância de casa, pois tiro em média dois mil reais em três meses, mais se tivesse um serviço aqui eu não ia pro café, pois tenho vontade de voltar a estudar, eu parei no primeiro ano, nós sai daqui de Mirabela por falta de serviço. Olha lá a gente ganha por produção, pode ganhar cinqüenta reais – trinta por dia é medido por litro de café – se o dólar tiver em alta o preço do café é maior (sic).
Quando achar um serviço aqui em Mirabela trabalhava de dia e estudava a noite. Eu fico lá três meses, é um contrato, aí quando volto recebe proporcional o Fundo de Garantia. Todo o dinheiro que ganho eu compro roupas, ajudo nas despesas e tirei uma carteira de habilitação, coisa que fica caro e aqui eu não tinha como ganhar o dinheiro. Meu irmão já fez uma casa vai casar, comprou moto. (sic)
É notável o interesse do jovem em permanecer na cidade de Mirabela para concluir, pelo menos, o ensino médio – a busca pela reterritorialização. Notamos que o fator motivador da migração de Ricardo é ganhar dinheiro para a subsistência e enviar dinheiro para a mãe no período em que está longe.
Quanto aos bens adquiridos com o capital recebido no período das migrações Silva (1999, p. 63) discorre: “muitos jovens, ao regressarem aos locais de origem, trazem consigo as mercadorias compradas (...)”. Em Mirabela, com base nos relatos podemos afirmar que existe de fato um encantamento para ganhar dinheiro objetivando a compra de moto, roupas, celulares (...), porém ao contrário do que a autora pontua as compras são feitas normalmente no município.
Figura 25: Jovem Ricardo Gonçalves Figura 26: Migrante da turma de Zé de Baio Autora: FONSECA, G.S, 2008 Autora: FONSECA, G.S, 2008.
A presença de indivíduos jovens (FIGURAS 25 e 26) nas migrações significa para os “gatos” e fazendeiros mão-de-obra resistente às condições adversas do trabalho, alta produtividade, principalmente pelo interesse de retornarem para aquisição de bens materiais.
No dia 30 de junho de 2008, às 22 horas, Zé de Baio e mais quarenta e nove migrantes partiram para a colheita de café em Presidente Olegário, a faixa etária dos trabalhadores variava de 17 a 54 anos. Destes cinquenta trabalhadores oito eram mulheres e sete delas deixaram filhos de quatro a doze anos com os avós maternos.
Segundo Zé de Baio, a turma deveria ter viajado no início do mês, porém a florada do café atrasou em função das variações de pluviosidade em Presidente
Olegário. Aproveitamos a oportunidade para conversarmos com algumas migrantes - mulheres que enfrentam a dupla jornada de trabalho, pois durante o dia colhem café, à noite preparam o jantar / almoço do dia seguinte e fazem a limpeza da casa.
Procuramos caracterizar brevemente as migrantes, que assim se tornaram em função de acompanhar os maridos. A relação de casais de migrantes é discutida por Menezes39 (2002, p. 88): “Apesar da preferência pelo casamento com mulheres
do espaço de origem, há diferentes combinações de união conjugal, tais como abandono da família e criação de novos relacionamentos com mulheres (...)”. As migrantes mirabelenses estão acostumadas a acompanharem seus esposos quando migram, evitando maiores problemas no matrimônio, como a separação.
Na sequência da breve caracterização das migrantes, priorizamos os relatos das mesmas, tivemos a oportunidade de dialogar com todas, porém somente quatro disponibilizaram a divulgação de suas estórias de vida.
Migrante 1: Lucimar Silva Pereira – 21 anos, moradora da sede do município
de Mirabela, desloca pela terceira vez para a colheita de café - tem um filho de seis anos que fica com a avó materna todas as vezes que migra. Lucimar, assim como as demais migrantes do grupo, não concluiu o ensino fundamental e ao retornar trabalha em serviços domésticos.
Eu sinto falta demais do meu filho e da minha mãe, ligo quase toda semana para saber noticias. Sempre fui com meu marido, meus pais também já foram. O serviço pior é banar o café (peneirar), o resto é fácil, acordar cedo, fazer o serviço da casa, colher o café. Quando a gente volta fica tranqüila de dinheiro um bom tempo, depois é preciso ir de novo.(sic)
Quando Lucimar fala que é filha de migrante, esposa de migrante e também uma migrante temporária, reforça a análise da introspecção da cultura de seguir a saga dos pais.
Migrante 2: Ivanete – 24 anos, moradora do bairro São João – Mirabela,
migrante pela quarta vez, mãe de uma criança de quatro anos.
A primeira vez que deixei meu filho para ir trabalhar no café ele tinha um ano e meio, ele não chora, já acostumou. Eu é que choro de saudade, quando estou aqui sou manicura, ganho pouco, por isso vou trabalhar tão longe. Aqui em Mirabela emprego é muito difícil, o povo não valoriza o serviço de manicura. (sic)
39A autora dedica uma discussão especialmente às “Mulheres, relações conjugais e redes familiares”
no livro Redes e enredos nas trilhas dos migrantes – um estudo de famílias de camponeses – migrantes.
Achei pior no café foi a rapelação (derrubar o café do pé, pegar o rastelo e junta o café), mas foi só a primeira vez, agora eu não acho nada difícil, só a saudade do meu filho.Eu sempre ganhei uma média mil reais, apliquei tudo em minha casa, meu marido também só gasta o necessário pra gente viver. Lá toda noite faço o almoço do dia seguinte, a gente acostuma e nem vê dificuldade.(sic)
As migrantes são jovens e visualizam a experiência de trabalhar no café com muita naturalidade, infelizmente não percebem o quanto são exploradas e as implicações em deixar seus filhos pequenos; sofrem com a distância, porém o fato de estarem junto aos maridos, trabalhando, as enche de esperança, segurança e alegria.
Migrante 3: Dona Maria Elenice Alves Pereira - 47 anos, moradora na área
rural do município de Mirabela, migra com o marido para Presidente Olegário pela sexta vez. Deixa seis filhos (27, 25, 23, 20, 16 e 13 anos), com exceção dos dois filhos mais jovens, os demais, em outros anos, também foram para a colheita de café. O grau de escolaridade de Dona Maria Elenice é ensino fundamental incompleto, assim como os quatro filhos mais velhos, os outros dois cursam 2ª série do ensino médio e 7ª série do ensino fundamental.
O mais difícil desse serviço é pegando café na escada, a gente cansa demais e não rende, quando é para colher café sem escada é melhor. Lá é assim eu faço a comida a noite para jantar, o que sobra guardo, no outro dia cedo esquento e coloco na marmita – é o almoço, levo a comida e o café. (sic)
Eu só sinto falta dos filhos fico com muita saudade, mais só o rendimento da terrinha nossa não dá pro sustento, é só um hectare. Quando nós volta compra roupas, calçados, material de escola pros meninos, tudo que nós precisa e o dinheiro dá (sic).
A Figura 27 mostra a Dona Maria Elenice e o marido no dia da viagem. Mulher guerreira como outras do “sertão” norte mineiro - aos 47 anos continua trabalhando com o marido na colheita de café e ao retornar ajuda no sítio, onde cultivam produtos apenas para subsistência.
Figura 27: Dona Maria Elenice e seu esposo Autora: FONSECA, G. S, 2008
A Figura 27 retrata o momento que o casal relata as histórias vividas nas migrações.
A conversa com a quarta migrante Isabel Cristine ocorreu em sua residência no bairro São João, um dia anterior à viagem. A família de Isabel foi uma das beneficiadas com uma casa popular da gestão de 1999, que mencionamos anteriormente. Durante o tempo em que ficamos na residência da migrante e no dia da partida notamos a tristeza de Isabel em organizar as roupas de cama, colchões, entre outras coisas para a viagem, além dos objetos dos filhos que ficam com a avó materna enquanto os pais trabalham na colheita de café. Para as crianças resta apenas a certeza de que logo os pais viajarão e o consolo vai ser o colo da avó.
Migrante 4: Isabel Cristine – 29 anos – quatro filhos, três meninas (dez, oito e
seis anos) e um menino (doze anos), migra o sexto ano para Presidente Olegário. O grau de escolaridade é apenas a quarta série completa; assim como outras migrantes, vive receosa que seus filhos tenham o mesmo destino dos pais.
O patrão assegura a casa, o transporte de inda e de volta, paga por quinzena. O serviço lá não é difícil, o pior é a saudade dos filhos, eu mesma já ganhei uns três mil por vez, a gente que trabalha mais devagar ganha menos, quem é bom ganha mais. (sic)
Mais é bom por que lá na casa tem fogão a gás, de lenha, geladeira, cama, a gente compra os mantimentos e faz a comida. Levanto seis horas, preparo o café, pego no serviço, sai umas 4 - 5 horas da tarde, a gente só descansa na hora do almoço. O almoço eu faço a noite, lá na lavoura tem um fogão a gás para esquentar a comida. Parte do dinheiro que ganho mando pra minha mãe, o outro a gente traz para as despesas. (sic)
Apesar de não ser ruim o serviço eu falo com meus filhos para estudar né, pra não precisar ir trabalhar nesse serviço, quanto volto para Mirabela só arranjo trabalho para ganhar cinqüenta a oitenta reais para fazer serviços domésticos, é pouco demais. Se tivesse oportunidade de sair pro lugar que tem serviço fixo sempre a gente ia. (sic)
A Figura 28 representa a família de Isabel, exceto uma das filhas, que estava com a avó. No horário do embarque Isabel e os filhos choraram muito, principalmente a menina de seis anos. Segundo a avó materna as crianças choram nos primeiros dias, depois passam a aceitar que os pais saem para conseguir mantê-los.
Figura 28: A migrante Isabel, marido e filhos.
Autora: FONSECA, G. S, 2008
Na Figura 28 percebemos nos semblantes o olhar entristecido de toda a família. Conversamos com a professora Cleuza das Graças Mendes Pereira, que atua há vinte nove anos nas séries iniciais da rede estadual, sobre o comportamento das crianças filhas de migrantes no período que os pais estão para a lavoura. Conforme seu relato, todas as crianças vivem ansiosas com o regresso dos pais, algumas não gostam de falar que seus pais ou pai foram trabalhar em outro lugar, sentem vergonha. Das informações obtidas com a professora o que mais nos
chamou atenção foi a história de uma menina de dez anos, que ficou com a avó para os pais trabalharem na colheita de café em Presidente Olegário em 2007. Desde a partida dos pais a criança passou a andar triste, suja, precisando até mesmo da interferência da direção – que por sinal não solucionou o problema. Um dia a menina chegou linda, limpa, cabelo cheiroso e sorridente, quando a professora perguntou o que havia acontecido, a criança respondeu que os pais chegariam naquele dia, portanto, ia comer sanduíche, a mãe tinha prometido.
A presença dos pais é fundamental na educação dos filhos, a sobrecarga dos idosos (avós) chega a ser desumana, principalmente para o aposentado que deixa de cuidar de seu bem estar por causa dos netos.
Ao ouvirmos os relatos das mulheres e ao compararmos com os dos maridos percebemos que para os homens é mais cômodo e confortável levarem suas esposas, por várias razões, desde a questão sexual, ao controle (a certeza que a estão levando o que consideram ser deles), a submissão e a qualidade da alimentação, uma vez que as esposas preparam as refeições, cuidam de suas roupas, além da remuneração que chega a ser igual ou até maior que a deles.
Para as mulheres, o processo é mais doloroso em função dos filhos e o “abandono temporário” das casas. Todas afirmaram que vão pela necessidade financeira e pela vontade dos maridos de estarem com elas, além do receio de “perderem” os maridos para outras mulheres.
O marido de Isabel tem 33 anos – ensino fundamental incompleto (5ª série), há dois meses não trabalha - a família tem vivido de auxílios governamentais. Para o migrante, a oportunidade de colher o café pela sexta vez em Presidente Olegário- MG veio no momento oportuno. O migrante desabafa acerca do processo de migração.
Eu vou trabalhar no café por falta de opção, por que aqui eu trabalho em serviço braçal, serviço nas roças, trator (não tem habilitação), o serviço lá na colheita é leve, já sou acostumando com serviço rural. (sic – grifo nosso) É difícil sair da terra natal da gente pra ir pra fora, é ruim demais, e tem os filhos que sentem falta da gente. Também sinto falta daqui, por que eu gosto demais de Mirabela, dos meus pais. (sic)
Ganho em média três mil e quinhentos reais a quatro mil reais, às vezes a gente eu e minha esposa trabalhamos juntos para aumentar o rendimento. O dinheiro que ganhamo lá é sagrado, olha a nossa casa tudo que tem aqui foi dinheiro de lá, recebemos a casa em fase de construção (casa popular
do bairro São João), não pagamo nada na casa, agora é melhorar ela. (sic
Eu parei de estudar para trabalha mais não quero isso pro meus filhos, falo sempre com eles pra estudar, ter um grau melhor, dependendo da dificuldade da época deles, pode ser que tenha que ir pra longe igual a nós. (sic)
Eu vivo satisfeito de ter pelo menos este serviço, agora mesmo tem dois meses sem trabalhar, quando voltar vou ter que pagar as contas, comprar mantimentos, fazer uma melhora na casa. (sic)
Sabe o que falta aqui em Mirabela? É consciência dos políticos, eles não têm conhecimento da realidade nossa. Só lembra do povo na época de eleição. (sic)
Percebemos que o migrante gosta de Mirabela, assim como outros migrantes, mas devido às condições econômicas são forçados a migrar.
Ficamos mais de três horas na casa do migrante, tempo suficiente para perceber o quanto são receptivos, ao contrário do que a pesquisadora Menezes (2002) relata, uma vez que teve dificuldades em interagir com alguns agentes de sua pesquisa, visto que muitos sentiam-se envergonhados. O fato de ser filha de migrante e ter vivido a adolescência na cidade de Mirabela, permitiu uma proximidade.
Conversamos também com Leonardo Freitas – 18 anos (2008) – migra pela terceira vez, com o irmão, para Presidente Olegário - configurando trabalho de menores de idade - apesar de Zé de Baio afirmar que não existem menores entre os trabalhadores. Leonardo cursa a terceira série do ensino médio, procura associar os estudos ao trabalho – segundo ele os professores aplicam várias atividades extraclasse. Para o jovem, o que mais sente falta quando migra é da mãe e da escola – a convivência com colegas e professores. No alojamento ele é responsável pela preparação do almoço / jantar do grupo – Leonardo, ao contrário de outros jovens, não gosta do serviço e migra apenas pela necessidade financeira.
Aqui não tem trabalho por isso preciso ir para o café – o dinheiro que ganho algo em torno de dois mil reais mando para minha mãe – ela tem 56 anos e não aguenta trabalhar muito. Na verdade eu só tiro o dinheiro de comprar os alimentos para comer – tudo na cantina é caro, se for comer lá fica sem um centavo - o restante do dinheiro estou investindo na melhoria da nossa casa. Eu não quero continuar nesta vida por muito tempo, pretendo conseguir um trabalho por aqui mesmo, vou fazer um curso de informática e outros mais. (sic)
O jovem demonstra sentimento pelo lugar e percebe que na qualificação está o caminho para deixar de ser um migrante temporário.
Encontramos no grupo que deslocou no dia 30 de junho de 2008 para Presidente Olegário, um jovem de 17 anos. O rapaz é da Comunidade Riacho das
Pedras (por ser menor de idade, não vamos mencionar nome nem imagem), migra pela primeira vez, cheio de expectativas em ganhar dinheiro suficiente para comprar uma moto; pretende trabalhar uns cinco anos consecutivos, igual alguns dos irmãos – notamos a influência dos irmãos na escolha do jovem. Quando questionamos o grau de escolaridade, obtivemos resposta igual à da maioria - ensino fundamental incompleto (4ª série).
Em Minas Gerais existem políticas educacionais voltadas para jovens, no entanto percebemos que os migrantes desconhecem ou estão desestimulados, vislumbram no trabalho temporário a oportunidade de adquirir bens materiais imediatos - a educação básica não tem muita ou nenhuma importância.
Neste contexto procuramos migrantes jovens que concluíram o ensino médio, para saber as contribuições da conclusão da educação básica. Pesquisamos trinta jovens de faixa etária de 19 a 20 anos que permanecem migrando, a diferença é que percebem que existe exploração, contudo a falta de oportunidade de trabalho no município e região impede o abandono da migração.
Os jovens do município de Mirabela-MG, ao migrarem para áreas mais ricas economicamente, voltam deslumbrados e indignados. Descobrem espaços onde as características físicas, recursos hídricos e qualidade do solo propiciam melhores condições de vida e ficam tristes ao perceberem que representam somente uma mão-de-obra barata, além da certeza de não encontrarem no município de origem condições sociais e econômicas para sobreviverem, ou seja, terão de migrar novamente.
Indagamos sobre qual seria o local melhor para viver - o município de Mirabela-MG ou as áreas para onde normalmente migram. Vinte e nove responderam Mirabela-MG, as razões são basicamente as mesmas, família, dificuldades encontradas no trabalho.
Migrante 1 - Aqui é melhor, estou perto da minha família, mas viver sem
dinheiro não dá. (sic)
Migrante 2 - Acho melhor aqui por causa da comida de minha mãe. Sofri
demais por causa do frio, da comida horrível e da discriminação, somos a minerada pobre. (sic)
Migrante 3 - O melhor lugar é onde a gente mora, por que no plantio sinto
sozinho, não tenho confiança nas pessoas. (sic)
Migrante 4 – Aqui é melhor porque tenho minha mãe, avó e meus irmãos,
Podemos notar como as relações familiares são marcantes na vida dos migrantes. Para a maioria deles, o melhor lugar para viver é em Mirabela, no entanto, não havendo serviço, preferem migrar a ficar vivendo da aposentadoria dos pais e avós. Um dos jovens respondeu que lugar bom para viver é onde há trabalho, recursos financeiros para sobreviver.
Pra viver eu considero bom onde tem serviço, posso ganhar dinheiro, sofro de todo jeito, aqui não tem serviço pra nós, então não posso comprar nem comida direito, tem que esperar mãe receber a aposentadoria e me dar uns trocados. No canavial não passo fome, apenas frio, si não tomar cuidado volto sem dinheiro e com doença. (sic)
O jovem está desencantado com o lugar em função da falta de trabalho40 no
município – reage como um indivíduo desrraigado. Alguns migrantes mencionaram como percebem a situação deles no contexto nacional – estadual e local, ou seja, os