4.5 Resultatene av hypotesetesting
4.5.3 Oppsummering av funn
O Nascimento de Oranian, pai de Xangô, segundo a mitologia do Candomblé. Este texto, assim como o material dos arquétipos dos orixás, foram coletados por Pierre Verger e publicado em Lendas africanas dos orixás, com ilustrações de Carybé:
Nascimento de Oranian
Quando Ogum fez a guerra contra Ogotum, ele trouxe sete mulheres.
Uma destas escravas, Lakangê, era tão bonita que ele a escondeu para si, amando-a secretamente. Mas, alguns falsos amigos apressaram-se em denunciá-lo ao seu pai. Odudua, furioso, mandou chamar Ogum e falou-lhe, gritando: “Que atrevimento! Você traz-me seis mulheres, verdadeira feiúras e, segundo disseram-me, você deixou para si a mais bela, que parece ser ama jóia delicada. Ah! Os jovens não têm mais respeito nem consideração por seus pais! Onde vamos chegar com tanta insolênsia e desrespeito? Ogum, traga-me esta mulher sem mais um minuto de demora!”
Ogum, assustado com a cólera de seu pai, não ousou confessar o que se passava entre ele e Lakangê. Com a morte na alma, ele entregou sua bela mulher a Odudua. Este, encantado, fez dela sua companheira predileta. Nove meses mais tarde, Lakangê teve um filho. Para grande surpresa de todos, o corpo do recém-nascido tinha a originalidade de ser metade preto, metade branco. Metade preto, à direita, pois a pele de Ogum era muito escura. Metade branco, à esquerda, pois a pele de Odudua era muito clara.
Odudua, confuso baixou a cabeça e nada soube dizer. Mais tarde, esta criança tornou- se um guerreiro famoso.
Homem valente à direita Homem valente à esquerda. Homem valente em casa, Homem valente na guerra.
Ele foi o fundador do reino de Oyó e o pai de Xangô. (VERGER; CARYBÉ, 2001, p. 25).
Cada co-pesquisador, inspirado na narrativa de Oranian e munido com o texto do arquétipo do Orixá, apresentou sua própria narrativa mítica. O tempo dado para a produção desse material foi de quinze minutos, para evitar que com uma extensão maior de tempo o material produzido seja muito burilado e excessivamente racionalizado. Manter os co- pesquisadores no clima do estranhamento e com as defesas racionais baixas, para que o inconsciente, a intuição e inspiração artística aflorem no material produzido.
Grupo Pesquisador e a técnica Narrativas Míticas
Polly – Oxalá
O mito de Oxalá
Oxalá, sempre sereno, equilibrado, partia rumo a uma caminhada. Mas Oxalá, muito velho, carregando no corpo as marcas da vida, de sua idade, resolveu desafiar-se. Muitos aconselharam-lhe [sic] a ficar em casa, a descansar. Mas pai Oxalá estava convicto de não querer fazer de mais um dia na vida em algo inútil. Debilitado pelo corpo, a rotina o matava, o castrava, porém, não limitava sua visão de mundo. Oxalá, assim como um insight, decidiu sair, caminhando sem rumo. Um eremita velho e solitário, desafiando a si mesmo. Seus filhos e devotos tentaram impedir essa empreitada com falácias e palavras que machucaram. Sua mente, condicionada, também lhe sabotava. Ao mesmo tempo que o sentimento de mudança e aventura batia em seu peito, Oxalá por vezes achava-se incapaz. E não queria fazer sofrer de dúvida e angústia seus filhos e devotos.
Sua força mental era grande. Decidiu-se. Foi. Olhou para a serra, sentiu que tinha de trilhá- las, logo sabia que não era apenas uma caminhada, mas uma superação de limites e o autoconhecimento. Oxalá sentia, sabia. Precisava daquilo. Oxalá precisava da natureza, assim como um bebê necessita da mãe ao nascer. Partiu em sua jornada, e para sua decepção, não agüentou nem os dez metros. O terreno íngreme e a condição do seu corpo impossibilitavam sua trajetória.
Oxalá, triste e desapontado, chorava sobre a pedra, convicto de seu fracasso. Quando lhe apareceu uma cobra. A cobra aconselhou a ir por outro caminho. Oxalá desconfiado, mas sendo sábio, sentiu sinceridade na cobra e não julgou por seu estereótipo. Logo Oxalá convidou a cobra e ambos seguiram juntos. Em seguida, apareceu uma lagartixa, e espantou- se da cobra não comer a lagarta [sic]. Ambos conviviam em paz. Depois apareceu um urubu, uma onça e um macaco. E todos vinham em harmonia. Logo, pai Oxalá sentiu uma pontinha de inveja, pois em seu mundo dos humanos via tanta desunião, desequilíbrio, individualidade, e viu, na vida dos bichos, a antítese da vida dos homens.
Com a ajuda dos bichos, macaco, onça, lagartixa e a cobra, passou noventa dias e noventa noites na floresta. Aprendeu, criou resistência, passou a proteger seus novos amigos e completamente renovado, querendo que seus queridos passassem por esse processo também.
Então, Oxalá ordenou que todos os seus seguidores deveriam respeitar a natureza e todos os elementos da vida, sem distinção. Oxalá, contrariando a tudo e a todos, não deixou influenciar-se, e seguiu o caminho que desabrochava em seu peito e criou um novo [filosofia, palavra riscada no original] ideal de vida.
Arquétipo - Oxalá
De personalidade dos devotos de oxalá é aquele das pessoas calmas e dignas de confiança ;das pessoas respeitáveis e reservadas,dotadas de força de vontade inquebrantável que nada pode influenciar .Em nenhuma circunstância modificam seus planos e seus projetos ,mesmo a despeito das opiniões contrárias ,racionais ,que as alertam para possíveis conseqüências desagradáveis dos seus atos .Tais pessoas ,no entanto,sabem aceitar ,sem reclamar ,os resultados amargos daí decorrentes. (VERGER; CARIBÉ, 2001, p. 262)
Leane – Ogum
Ogum
Ogum acordou logo cedo, para entrar na mata. Sua mãe Iemanjá não quis que fosse, disse que não era dia de ir para mata. Violento e briguento desobedeceu a sua mãe. Sua mãe o ofendeu muito, ele não perdoou, era incapaz de perdoá-la. À noite ogum estava [na] mata. Sem medo de enfrentar os problemas, Ogum segue energicamente e não se desencoraja facilmente. Ogum impulsivo, por desobedecer à mãe não volta para casa. Ogum muitas vezes passa de furioso ao mais tranqüilo dos comportamentos. Uma vez conversando com seu irmão, disse com sua sinceridade e franqueza [que] não perdoaria sua mãe Iemanjá, por que não quis receber o filho de volta. Disse que sempre estaria em lugares livres, depois de sua viagem na mata.
Arquétipo - Ogum
Ogum é orixá das pessoas mais violentas briguentas e impulsivas, incapazes de perdoarem as ofensas de que foram vítimas. Das pessoas que perseguem energeticamente seus objetivos e não desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Das que possuem o humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos. Finalmente, é arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhes prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas. (VERGER; CARIBÉ, 2001, p. 95)
Mingau – Oxossi
Oxossi
Havia um homem ousado de pretensões bem maiores do que as disposições que lhe eram oferecidas. Possuidor de uma mente inquietante, um caçador de subjetividades. Máquina desejante inconformada. Seu nome era Oxossi. Apesar de sua pretensão de grandeza, ele não esquecera o convívio da multiplicidade universal da sociedade. Movido por sonhos, mas um pouco retraído por seu universo individual. Oxossi corre! corre!, vivencia cada passo, como um desabrochar de possibilidades. Se possível nunca faz isso sozinho. Está sempre acompanhado da diversidade, até [sic] que seja para colocar em aprovação [sic] seus pensamentos. Um caçador versátil que encontra seus objetivos nos mais diversos lugares e nas mais fantásticas pessoas. Gosta de apontar novas perspectivas. Aponta para a Lua, mas os desatentos só enxergam o dedo.
Arquétipo – Oxossi
É os das pessoas espertas, rápidas, sempre em alerta e em movimento. São pessoas cheias de iniciativas e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades.Tem um senso de responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma. (VERGER; CARIBÉ, 2001, p. 114)
Raphael – Xangô
Xangô
Xangô, que é enérgico, voluntarioso e benevolente, vive segundo o humor do momento, pode ser severo e violento deixando-se possuir por crise de cólera incontrolável, tinha de buscar um fruto muito raro no alto de um monte. Esse fruto era para curar sua mãe e lhe devolver a paz interior.
Quando do começo da subida ao monte, Xangô não sabia o que esperar de sua jornada, tudo lhe era novo, mas tinha a determinação de espírito para não temer o desconhecido. Testou seus limites na experiência. Às vezes Xangô se deixava levar pelos pequenos problemas que
lhe surgiam no caminho; focando-se no objetivo de pegar o fruto, qualquer imprevisto era tido como algo negativo.
Quando da chegada ao cume do monte, Xangô não encontrou fruto algum, o que acentuou seu lado colérico. Xangô teve uma descoberta. Xangô então notou e refletiu e teve uma visão de que [todos] o fruto não estava no monte, mas no caminho.
Na autogestão, o meio faz o caminho. Os meios constroem o fim.
Arquétipo - Xangô
Xangô é aqueles das pessoas vonlutariosas e energéticas, altivas e conscientes de sua importância real ou suposta. Das pessoas que podem ser grandes senhores, corteses, mas que não toleram a menor contradição, e, nesses casos, deixam-se possuir por crises de cólera, violentas e incontroláveis. Das pessoas sensíveis ao charme do sexo oposto e que se conduzem com tato e encanto no decurso das reuniões sociais, mas que podem perder o controle e ultrapassar os limites da decência. Enfim, o arquétipo que de Xangô é aqueles das pessoas que possuem um elevado sentido da sua própria dignidade. (VERGER; CARIBÉ, 2001, p. 140)
Tomé – Oxumaré
Um guerreiro da cidade sentia necessidade de riqueza, abandona a cidade acreditando que no alto do céu haveria um tesouro, sozinho sem dinheiro, bagagem nem companhia sentia-se senhor do mundo e queria ser grande chegando no pé de uma serra esse guerreiro deseja ser o dono do lugar e sobe a serra onde sente-se o pai de todos os bichos e todas as plantas , onde seu desejo de riqueza era saciado pelo simples poder de posse da natureza , da água , do ar , da terra e do fogo.
Arquétipo de Oxumaré
Das pessoas que desejam ser ricas; das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem sacrifícios para atingir seus objetivos. Suas tendências à duplicidade podem ser atribuídas à natureza andrógina de seu deus. Com o sucesso tornam-se facilmente orgulhosas e pomposas e gostam de demonstrar sua grandeza recente. Não deixam de possuir certa generosidade, e não se negam a estender a mão em socorro àqueles que necessitam. (VERGER; CARIBÉ, 2001, p. 207)
Renan - Iemanjá
Todas as segundas, as três filhas de Iemanjá colocavam oferendas no mar para a grande mãe. Certo dia, Iemanjá disse que não aceitaria s oferendas, se suas filhas não demonstrassem real devoção por sua mãe, fazendo uma oferenda para Iemanjá no topo de uma serra muito alta. Sendo assim, as três filhas subiram a serra à pé e sozinhas.
Muito foi-se [sic] discutido, entre as três irmãs, ao longo do caminho; vários problemas vieram à tona no percurso, mas chegando no topo da serra as três irmãs tinham resolvido todas as divergências e estavam mais felizes do que nunca.Unidas as três irmãs ofereceram à grande mãe, e com grande satisfação a mãe aceitou de bom grado.
Arquétipo - Iemanjá
As filhas de Iemanjá são voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e algumas vezes impetuosas e arrogantes; tem o sentido de hierarquia, fazem-se respeitar e são justas mas formais; põem à prova as amizades que lhe são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam não esquecem jamais. Preocupam-se com outros, são maternais e sérias. Sem possuírem a vaidade de oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Elas têm tendências à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem um tal fausto. (VERGER; CARIBÉ, 2001, p. 194)
Guilherme – [Guilherme não usou a mitologia africana, mas suas próprias referências, no caso elementos da mitologia celta]
Outrora havia um jovem e este era de bom coração, seu nome era William, e ele amava uma moça cuja pele era como a neve e o coração como a noite, o espírito dela era forte como um javali. William por ela perdia a razão, sem auto-controle ele nunca a teria. A coragem devia habitar seu coração, ele devia ser lobo à noite e falcão de dia. Devia provar para ela que um dos melhores homens ele seria. O equilíbrio entre o caos e a ordem, assim seria.
Pedro –
Um dia qualquer um casal que viveu um céu,uma terra para si. E tudo que é ansioso, perdido, efêmero, explosivo como nuvens de tempestade sem direção...
Esta nossa gênesis recheada de contos de eva e adão, cheia de vergonhas e tradições que nos encaminham ao abismo maior que é viver sem se conhecer e "castigar toda nudez" vem como um remédio sintomático ao desconhecido...
A principio vejo as adversidades como um meio transformador, e quanto mais nos Educa (sempre com uma pitada de violência) mais dai podemos, a partir dessa experiência, viver outro ponto de vista. Desde o momento vivido ao futuro...
Então essa Eva que vivia o ímpeto e o adão que viveu culpar e não sentir, e que no caso Eva segue reprimida e adão segue tendo suas filhas como esposas...
Isso eu sinto agora intensamente... Que posso fugir de esse ponto de visão a cada momento que vivo momentos/encontros autogestionados como esse em que não há tradição, em que estamos nus de nossas culturas repressivas…
E apos viver esse momento me dar gana de trazer para dentro de meu dia-a-dia caótico e sem sal um pouco dessa vida cheia de cor e com um toque muito mais meu e uma direção muito mais minha.