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OPPSUMMERING, ANBEFALINGER OG VIDERE FORSKNINGSARBEIDER

Como já dito neste trabalho, analisou-se o tratamento dado ao romance Senhora e a seu autor, José de Alencar.

Em Faraco e Moura, a exposição sobre José de Alencar tem início com uma epígrafe da antropóloga Dra. Aracy Lopes da Silva que critica a dominação branca sobre os indígenas, o que delimita a abordagem do autor em sua dimensão nacionalista. Em seguida apresenta um trecho do romance O guarani sem contextualizá-lo no todo da obra. A esse trecho seguem um vocabulário e dez questões, cinco das quais são de recuperação de informação (por exemplo: “[...] O tom de sofrimento que Cecília julga perceber na voz de Peri era, na verdade, resultado de quê?”), uma de estilo (identificação de personificação), uma de análise (relação entre aspecto do texto com o contexto histórico), uma que pede para justificar interpretação dada e uma fora do texto, que prescinde, inclusive, da leitura dele (“Quais são seus super-heróis?”).

Em seguida são transcritos dois trechos de Senhora antecedidos por insuficiente contextualização para o entendimento do trecho citado. Seguem-se, ao primeiro, cinco questões, todas de recuperação de informação; e ao segundo, duas de aplicação de conceito. Em seguida são retomadas as características do movimento, é apresentada

breve biografia do autor, são listadas suas obras. O tratamento do autor se encerra com uma avaliação que ecoa a voz dos críticos, sendo citado, inclusive, trecho de entrevista com Ariano Suassuna como estratégia para confirmar a importância de Alencar: um autor renomado, moderno, elogia seu colega do século XIX. Ainda são propostos exercícios a partir de vários trechos do autor. As questões buscam levar o aluno a reconhecer características da obra e do pensamento do autor.

Em Nicola, José de Alencar é estudado em um capítulo que se inicia com a transcrição da letra de “Um índio”, canção de Caetano Veloso. Na sequência vem transcrito trecho de Senhora, sem qualquer contextualização, que traça um retrato de Aurélia, a protagonista. As questões se dividem entre levar o aluno a recuperar informações e outras que pedem relação entre o texto e certos valores e características da sociedade brasileira. Pretende entrar na dimensão mais crítica do texto ao propor uma reflexão sobre esses valores, mas a reflexão é pouco apoiada e ignora aspectos formais do texto, o que, se não define tudo em um texto, é parte importante da análise e da reflexão crítica sobre ele.

A apresentação de José de Alencar tem início com a apresentação de dados biográficos, seguida de avaliações. Também nesse caso ecoam as vozes da academia e da crítica, que colocam o autor como “o consolidador do romance”, cuja obra faz o “retrato fiel de suas posições políticas e sociais”, sendo mostrado como um conservador, cuja visão de sociedade, segundo o livro, é a que interessa “ao grande proprietário rural, como o próprio Alencar”, trecho de onde vaza uma relação de determinação direta entre obra e vida. Ou seja, o livro avalia o autor de acordo com o consolidado sobre ele, seja pela crítica, seja por textos biográficos, seja por textos de outras disciplinas (História, Sociologia, etc.), já que apenas as leituras propostas não seriam suficientes para se chegar a esses julgamentos, e associa à feição ideológica das obras aspectos da vida do autor.

Em Cereja e Magalhães, Alencar também é tratado no capítulo de romance urbano, introduzido por um chapéu que se refere ao prestígio desse tipo de romance junto ao público leitor. Segue-se então breve comentário sobre temática e sucesso desse tipo de romance e citação de algumas obras.

São então introduzidos os autores, dentre eles, Alencar. O texto avalia academicamente o autor referido como “um de nossos melhores romancistas urbanos”, cujas obras “conseguem analisar com profundidade certos temas delicados daquele contexto social”, trechos que conotam positivamente o autor.

Traz então um resumo do enredo de Senhora e, em seguida, um trecho de Memórias de um sargento de milícias e outro de Senhora. Das cinco questões que se seguem aos trechos transcritos, duas se aplicam a ambos e pedem recuperação de informações em questões que mobilizam habilidades mais simples (identificação, por exemplo) e mais complexas (que exigem inferência, por exemplo, como a que pede ao aluno para identificar que classe social está representada, importância ou significado do casamento, qual a transgressão de Aurélia). Há uma específica sobre Senhora que também pede identificação de informação mas que exige alguma inferência (“Em que o comportamento de Aurélia difere do das demais moças?”). A última questão volta a se referir a ambos os trechos citados e pede uma comparação que exige aplicação de conceito.

A descrição do trabalho com um autor e uma obra, que se pretende aqui exemplar do tratamento dado pelas coleções a autores e obras em geral, confirma a arena desenhada acima. O edital critica abertamente coleções que se propõem a

[...]

4. Apresentar dados biográficos do autor.

5. Resumir a obra: se prosa: tema, personagens principais, enredo, espaço e tempo. Se poesia: o conteúdo, as rimas, o ritmo, as imagens.

Sem desconsiderar a pertinência da contextualização da obra, o fato é que as informações sobre a literatura se têm constituído como a totalidade do ensino da literatura no curso Médio. Assim, relega-se a um plano secundário a leitura efetiva do texto, substituindo-o por sua paráfrase ou comentário (p.29). É o que fazem todas as coleções analisadas, apesar das diferenças na densidade de tratamento dos autores, seja pelas relações propostas, seja pelos trechos transcritos, seja ainda pelo grau de exigência das questões. Ou seja, atentas ao cânone que dita também as práticas escolares, as coleções optam por uma seleção de textos não voltada a um projeto de formação de leitor literário, entendido como experiência de leitura, de onde se infere experiência estética. Aqui também e novamente os autores e textos são selecionados em função de sua consagração crítica, acadêmica. Mesmo quando citados textos mais modernos, como a letra da canção “Um índio”, sua inserção parece gratuita, pois que nada é proposto a partir dela e a aproximação com Alencar, duvidosa, já que não se esclarece a relação entre esse índio da letra da canção que virá de um objeto

resplandecente do qual ele descerá como portador de uma revelação e o índio romântico.

Dados biográficos e resumo da obra, com mais ou menos detalhes, as três coleções analisadas trazem, o que torna o confronto com o livro desenhado pelo edital ainda mais explícito. As perguntas que pedem, fundamentalmente, recuperação de informação e aplicação de um conhecimento que o livro apresentou (procedimentos formais, temas, enredos próprios daquela estética) não se colocam a favor de uma verdadeira experiência estética, “um contato primordialmente sensível entre o aluno e o texto, de tal forma que desse contato resulte alguma mudança em seu modo de perceber a realidade” (BRASIL, 2003, p.30).

A leitura dos textos analisados também se volta à construção de um conhecimento mediada pela exposição. A análise, portanto, confirma o que já se observou com relação à exposição sobre a estética. As polêmicas abertas instauram, portanto, uma arena em que se digladiam posições pedagógicas e ideológicas, interesses econômicos e de poder.

Mas além delas, há também polêmicas veladas cujos constituintes adensam essa arena.