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12 USIKKERlIET
12.5 Oppsummering. Anbefaling
Tanto a Teologia da Enxada quanto a Educação Popular foram geradas sob um lastro de teorias e práxis, não necessariamente nesta ordem, porém consolidadas em campos diversificados. A primeira no âmbito teológico, a segunda no âmbito educativo, mas ambas coadunadas, irmanadas pela mesma perspectiva de contribuir na emancipação humana dos excluídos.
As duas se mostraram e se mostram atentas às singularidades das novas demandas que enveredam pelos caminhos sociais, políticos, culturais, filosóficos, antropológicos e teológicos, considerando, sobre este último aspecto, a influência do humanismo cristão na obra freireana68.Daí surgem suas afinidades, complementaridades ou convergências, como alguns preferem chamar, principalmente, sobre a categoria libertação, que nas duas vertentes de natureza progressista, empenham-se em “quebrar as correntes dos marginalizados”, sejam eles históricos ou contemporâneos.
Nesta perspectiva, as duas se revigoram, se reavivam, porque os sujeitos históricos são outros e os opressores também. De um lado a Educação Popular atenta em reformular seus paradigmas, descobrindo novos caminhos, mas sem perder seus pressupostos éticos, políticos e epistemológicos. Do outro, a Teologia da Enxada, que se reinventa em suas atuais, atuantes e múltiplas experiências formativas, mas também sem perder a natureza de sua essência,
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Na Obra freireana, encontramos uma forte herança cristã/humanista, em especial em sua trilogia - Pedagogia do Oprimido, Pedagogia da Esperança e Pedagogia da Autonomia, e por toda a sua vida política e social. O próprio Paulo Freire ao ser questionado sobre a influência de uma “teologia” em sua vida e obra não hesitou em responder: “Ainda que eu não seja teólogo, mas um “enfeitiçado” pela teologia, que marcou muitos aspectos de minha pedagogia, tenho, às vezes, a impressão de que o terceiro mundo pode, por isso, converter-se em uma fonte inspiradora do ressurgir teológico”. (FREIRE, 1979, P. 90)
nascida no chão antropológico de homens e mulheres que se descobrem enquanto seres humanos e lutam cotidianamente por dignidade e cidadania.
Sobre as duas correntes (Comblinianas e Freireanas) correm vertentes de pensadores que coadunam do mesmo propósito. Por isso, tanto na práxis metodológica quanto no campo teórico se assemelham e se complementam por mirarem na construção de uma sociedade alternativa, rechaçando o atual modelo capitalista de organização social que não condiz com as aspirações mais generosas do gênero humano, de modo a corresponder satisfatoriamente com as necessidades fundamentais e às aspirações gerais do conjunto dos membros da sociedade.
Outra similaridade observável no campo da Educação Popular trabalhada por José Comblin e Paulo Freire, é o entendimento do horizonte para o processo de humanização. Não se trata de uma educação qualquer, nem de cursos soltos ou experiências isoladas e estanques, mas sim de um processo contínuo. Em Comblin, por exemplo, é um projeto de mais de 40 anos de formação popular com todos os seus adjetivos. Em Paulo Freire também se observa um projeto de educação popular cujo horizonte mira a humanização crítica e participativa. Evidenciada, sobretudo por sua via metodológica, que não se faz mediante apenas aonde se quer chegar, mas se faz também zelando por todos os seus percursos, em suas mínimas singularidades processuais.
Portanto, o educador popular formado nas duas perspectivas é animado para ser coparticipe e responsável por sua caminhada. Metodologicamente falando, ele também se torna um descobridor de talentos do meio popular, de novos protagonistas, incentivando-os novamente a refazer este ciclo para que outros também alcancem de maneira humanizada a luz da emancipação humana. Sobre estas incidências na pedagogia de ambos, Calado (2011) acrescenta que em
Freire e Comblin – cada qual em seu campo específico de pesquisa -, a dimensão relacional é uma condição essencial no processo de humanização. Tem a ver, inclusive, com a necessidade de entendimento e de busca da necessidade de se entender e de se querer como gente, como comunidade, como povo, como classe popular, sem que isso apague ou neutralize a dimensão individual ou deságue numa experiência coletivista. Lutar pelo desenvolvimento de uma dessas dimensões implica necessariamente o desenvolvimento da outra. Ambas as propostas se mostram comprometidas com um horizonte comum, ainda que palavras diferentes sejam por elas utilizadas, até por conta de suas abordagens específicas (CALADO, 2011, p. 3).
informal, como no caso da FDJMP, os educadores populares são instigados a pensarem no seu potencial para se descobrirem enquanto escritores de sua história pelo campo da cidadania. O que se concretiza através de uma práxis metodológica e pela ação-reflexão-ação e transformação de suas realidades. Esse é o papel do educador e da formação nas duas pedagogias: assegurar condições para que os seus participantes se apoderem desta perspectiva libertadora.
Outro aspecto importante, tanto em Comblin quanto em Paulo Freire, é de não oferecer uma experiência formativa apenas para constatar os agravos sociais da realidade concreta, mas instigar os sujeitos a trilharem caminhos que permitam passar de um patamar em que se encontram para um patamar mais humanizador e humanizado. Isso fica evidente na obra Freireana em Pedagogia do Oprimido, na Educação Popular para Liberdade, Ação Cultural para a Liberdade e Pedagogia do Protagonismo. Todas essas obras nos alertam para que não haja separação entre os educadores e os processos de caminhadas populares porque é com o povo que o educador trabalha, aprende e partilha suas descobertas. O processo de formação pressupõe essa troca de experiência e de interação social.
Outro ponto comum entre ambos é a inventividade. Em Paulo Freire, isso é conhecido como curiosidade epistemológica, ou seja; a busca do ser humano pelo saber mais, procurando novos caminhos norteados pela sua consciência do inacabado que só se completa a partir das relações humanas, nas comunidades, nos diversos espaços de aprendizagens em suas múltiplas experiências societárias. Essa mesma característica se encontra em Comblin por sua inquietação na promoção de coisas novas, em não se contentar com o que já se está estabelecido pela sociedade classista e opressora, evidentemente por sua mística revolucionária ou espiritualidade libertadora para coadunar harmoniosamente o pensamento e a metodologia dos dois educadores. Mas, ambos acentuando no seu processo formativo a importância dela para o seu êxito.
Em síntese, nos dois, há uma preocupação metodológica que se afina do ponto de vista do rumo, na perspectiva da transformação da sociedade, ressalvando o zelo dos dois na formação do indivíduo a serviço do coletivo. Os dois, em seus respectivos campos, criam condições de descoberta dos limites e das potencialidades dos sujeitos, estimulando a superação do personalismo positivista e, sobretudo, tendo o cuidado, desde os primeiros passos na formação, para desconstruir a consciência dos opressores nos oprimidos. Seja Freire com seu acento mais pedagógico ou Comblin com sua refinada teologia, mas sem que isso apague ou neutralize a dimensão que ambas se propuseram a alcançar.