5.5 O PPFATNINGER AV SEKTORENE
5.5.1 Oppsummerende tabell: Oppfatninger av sektorene
Tendo como referência neste momento da dissertação a experiência da EMVP, analiso algumas situações e conflitos vividos que exemplificam a condição do encontro e do acolhimento dos sujeitos socioculturais professores e alunos, que traziam suas crenças, valores, tempos vividos, experiências. Como já foi mencionado anteriormente, o que diferencia essa experiência é a forma como se deu o acolhimento desses sujeitos. A arte teve aí um papel fundamental e constitutivo, pois como afirma Castoríadis apud Pérez Goméz (1993,p.47),
Quando o homem organiza racionalmente não faz mais do que reproduzir, repetir ou prolongar formas já existentes. Mas, quando organiza poeticamente, dá forma ao caos, e esta é a ação, que, talvez, tenha a melhor definição de cultura, que se manifesta com uma clareza esmagadora no caso da arte.
As manifestações artísticas presentes na escola em vários momentos da experiência, como por exemplo na criação de esquetes teatrais, de painéis e de cenários e também as manifestações foram se constituindo e se formando no processo vivido, em diálogo com o que os sujeitos jovens alunos levaram para o interior da escola: seus valores, crenças, ritmos, sua corporeidade, seu modo de vestir, falar, suas expressões culturais, como o rap, pagode, capoeira, etc.
sociabilidade acolhendo os jovens que a procuravam, independente, de serem ou não seus alunos regulares. Apesar da escola, em geral, ter uma estrutura rígida, a EMVP flexibilizou tempos e espaços e introduziu a arte em seus processos educativos, dialogando com a demanda dos jovens, possibilitando-lhes transitar por outros caminhos e conhecer outras experiências de perto. Alguns integrantes do grupo Raízes da Vila assistiram às peças do grupo Galpão Romeu e Julieta e Moliere Imaginário, participaram na cidade de Betim do Festival de Teatro Amador organizado pela Federação de Teatro Amador de Minas Gerais – FETEMIG; vivenciaram oficinas de teatro na cidade de Pirapora, dentre outras. Os alunos da escola tiveram acesso a exposições de artes plásticas – viram as réplicas das principais obras de Cândido Portinari, de Francisco Goya, a exposição Terra, do fotógrafo Sebastião Salgado, que ficou montada por uma semana na quadra da escola, assim como todo o complexo arquitetônico da Pampulha.
Ter vivido essas experiências com a arte possibilitou aos sujeitos da pesquisa um trânsito em outras culturas. Esses processos educativos deram-lhes força, motivação e um sentimento de pertencimento àquela escola e de identidade que foi sendo construída. Os alunos começaram a criar esquetes teatrais, subsidiando outros projetos pedagógicos nas aulas de História, Ciências, Português, tornando-se parceiros do grupo ritmista Timbalata da escola e aceitando convites de outras escolas para dar assessoria no campo do Teatro. Nessa experiência, quebrou-se um pouco da rigidez escolar até então existente.
Os jovens, hoje, afirma Spósito (1999), têm dificuldade em interagir com as práticas escolares e atribuir a elas significados, pois estas estão voltadas apenas para o desenvolvimento unidimensional e para fins imediatos. No entanto, a participação pública do jovem no campo cultural, tal como na música, no teatro e em outras atividades expressivas, sofre uma forte adesão desses e, por isso, a contribuição da educação via arte, no período da juventude, precisa ser intensificada, buscando um rigor teórico para que se entenda essa fase. Considero que, nesse período, a evolução da criatividade mostra-se mais ativa, estando os jovens mais abertos às várias possibilidades e experiências que se apresentam. Caberia, então, à escola como uma agência socializadora, intensificar e enriquecer esses processos. A idade
ação educativa, pois é também um período de descoberta tanto do mundo exterior, quanto do interior. Assim, a escola e em particular a arte, são de fundamental importância, porque é através de vivências criadoras que o jovem experimenta suas emoções, aquieta suas angústias, tem um tempo para ordenar seu pensamento, imaginar, sonhar e interpretar o que foi dito ou problematizado.
Ocorre que o diálogo da escola com as práticas culturais dos jovens não acontece sem conflitos. Na escola, o corpo foi esquecido, o aluno se despiu de sua emotividade. A técnica e a racionalidade instrumental passaram a ser usadas sem qualquer ética e com predomínio sobre as outras dimensões humanas. O poder econômico e político passou a ditar as regras da vida em sociedade. A escola enfraqueceu-se na sua capacidade socializadora e o processo de subjetivação do jovem na escola deixou de ter importância, pois sua subjetividade passou a ser construída mais fora do que dentro da escola (Spósito,1999) .
O fato da EMVP ter acolhido os jovens do bairro possibilitou a vivência de um processo educativo enriquecedor para todos os seus alunos e professores. Com isso passou a ocupar o lugar de importância no bairro e tornou-se o local de encontro: nos finais de semana jogava-se vôlei, futebol, aprendia-se dança de salão, faziam-se ensaios do grupo de teatro. Isso reforça a tendência de que novos paradigmas vêm sendo assumidos e, como afirma Giroux (1997,p.169), “o novo trabalho em pedagogia tem sido encarado como uma forma de produção política e cultural profundamente envolvidas na construção de conhecimento, subjetividades e relações sociais”. Sendo assim, a escola passa a ser um espaço de múltiplos sentidos, onde os jovens podem colocar-se como sujeitos de experiências diversas, relativizando a forma de tratar o conhecimento e ampliando o campo da formação humana. Os sujeitos da educação, tanto professores, quanto alunos, passam a ser vistos como sujeitos socioculturais em uma dimensão mais plural. A educação para a vida, via arte, abriu, então, possibilidades criativas nos âmbitos da vida na escola.
Foto 13 - Professora Solange e funcionária Divina costuram figurinos para o Festival Folclórico.