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2. TEORI

2.2 M EDARBEIDERES REAKSJONER PÅ ENDRING

2.2.2 Oppslutning

Um aspecto relevante nas pesquisas desenvolvimentistas é a questão do método, alvo de inúmeras críticas e reflexões, pautada em especial pelas opções pertinentes aos métodos quantitativos e aos métodos qualitativos, neste caso com destaque para as pesquisas longitudinais. Diante disso, parece-nos conveniente uma breve explanação sobre estes principais pontos, ao que passamos a seguir.

Como ressaltamos no tópico anterior, verifica-se uma tendência vigorosa nas pesquisas criminológicas, a partir da década de 1990, de predominância do método baseado na pesquisa longitudinal, que possibilita o acompanhamento dos mesmos indivíduos no tempo e, assim, propicia o controle de muitas influências externas nas infrações (Farrington, 1988 apud Farrington, 2007).

É inegável a importância desse tipo de pesquisa, pois o acompanhamento dos fatores individuais internos e dos fatores sociais que afetam as ações dos indivíduos em longo prazo permite a formulação e aplicação de políticas públicas de forma mais assertiva. É preciso, no entanto, estar atento para distinguir, na investigação, os fatores que são prognósticos independentes da infração e os que não são, assim como ao risco de tomar estes últimos como variáveis independentes, o que pode ter como consequência a elaboração de raciocínios tautológicos. Há, por exemplo, poucos estudos dos fatores de risco para a persistência ou para a duração do infrator no crime, e uma vez que muitos desses fatores tendem a estar

interrelacionados, faz-se necessário investigar com maior acuidade quais as questões da independência dos fatores (Farrington, 2007).

Apesar dessa tendência ao uso dos estudos longitudinais, as pesquisas de longo prazo que acompanham o mesmo indivíduo no desenrolar do tempo são ainda raras, devido às dificuldades que cercam sua realização. Muitas pesquisas criminológicas consistem, assim, em instantâneos transversais ou painéis de curto prazo sobre o crime (Sampson e Laub, 2003).

Uma das dificuldades que acompanha a realização destas pesquisas diz respeito aos intervalos entre as varreduras da coleta de dados. No caso de serem estes iguais ou superiores a 12 meses, uma sequência enorme de interações terá ocorrido, dificultando o estabelecimento da sequência cronológica dos fatos. Por exemplo, num caso de associação com amigos, ficará difícil saber se o que veio primeiro foi a delinquência de uma jovem de 16 anos ou a de suas amigas. Tal questão acarreta que, também nos estudos longitudinais, a evidência que apoia ou contradiz as explicações causais é usualmente indireta, raramente sendo totalmente conclusiva (Farrington, 2007). Porém, quando realizados por longos períodos de tempo, os estudos longitudinais podem acabar mostrando que os efeitos cumulativos no processo de desenvolvimento e de crescimento num tipo específico de vizinhança são maiores do que o mostrado por estudos de cortes transversais.

As principais fontes para a coleta e análise de dados que têm sido usadas nos estudos longitudinais de fatores de risco voltadas ao estudo dos crimes no curso da vida são as estatísticas oficiais e os autorrelatos. Em relação a estas fontes, cabe uma observação: normalmente, os registros oficiais têm limitações graves devidas ao fato de cobrirem uma pequena fração de incidentes criminosos, uma vez que apenas uma minoria das infrações ocorridas é relatada à polícia e levam ao encarceramento. Diante disso, diversos pesquisadores, como Huizinga e Elliot, defendem que os estudos que tem por base o autorrelato revelam muito mais infrações, incluindo as sérias, do que os registros policiais (Farrington, 2007).

Nesse sentido, objetivando identificar qual a melhor opção metodológica, vários estudos testaram a validade dos autorrelatos em comparação com o critério dos registros policiais. Segundo Farrington, alguns destes estudos têm demonstrado uma correlação significante entre os autorrelatos e os registros oficiais, mas mesmo nesses casos ela não é muito alta.

Um exemplo é o estudo realizado por Dunford e Elliot (1984 apud Smith, 2007), que tomou por base cinco varreduras anuais do US National Youth Survey (com sujeitos de 11 a 17 anos na 1ª e de 16 a 22 anos na 5ª) e identificou que somente 14% dos autorrelatos de infratores graves tinham registro de encarceramento, dentre os quais apenas 2% foram identificados como criminosos de carreira em seus registros de prisão. Tais resultados apoiam a validade do autorrelato como fonte de pesquisa, e mostram que eles realmente podem revelar muito mais infrações e infratores que os registros de encarceramento. Bowing, no entanto, nos alerta para as limitações desta forma de validação, argumentando que o autorrelato dos crimes e criminosos ausentes dos registros policiais permanecem excluídos das estatísticas oficiais, o que seria um ponto fraco dos mesmos. Farrington (1973 apud Smith, 2007), por outro lado, aborda a questão por outro viés, e indica que entre jovens sem registro oficial a infração autorrelatada foi um bom prognóstico sobre se eles iriam ou não adquirir um registro oficial no futuro.

Huizinga e Elliot (1986), num estudo nos Estados Unidos, descobriram que os homens brancos relataram 84% de suas infrações registradas oficialmente, ao passo que entre os afro-americanos esse índice caiu para 61%. Junger (1989), em estudo realizado na Holanda, também descobriu uma diferença entre os grupos étnicos no nível de revelação de suas infrações, em patamar inferior ao do estudo norte-americano. Huizinga (1991) cita ainda que vários estudos norte-americanos descobriram um nível mais alto de relatos incompletos entre os grupos de afro- americanos do que em outros grupos, assim como mais relatos incompletos entre os homens que entre as mulheres (apud Smith, 2007).

Uma pesquisa realizada em conjunção com os registros da polícia e do tribunal para examinar os efeitos do contexto socioeconômico sobre a reação da polícia à delinquência juvenil apresentou resultados que sugerem que os fatores estruturais de vizinhança econômica (SES) têm efeito inverso nos contatos da polícia, independentemente do real comportamento de violação da lei, e que a vizinhança tem influência negativa nos indiciamentos subsequentes do tribunal, independentemente da delinquência autorrelatada e dos registros policiais. Este resultado geral foi válido tanto para homens quanto para mulheres, e persistiu mesmo diante dos controles da prevalência, frequência e tipo de delinquência, raça, estrutura familiar, colegas delinquentes e pertencimento a gangues (Sampson, 1986, p. 876). Sampson afirma ainda que as discrepâncias entre os autorrelatos de desvio

e os registros oficiais devem-se às fontes estruturalmente padronizadas do controle social. 11

A pesquisa do autorrelato indica ainda, de maneira geral, que uma considerável proporção dos atos de desvios dos jovens nunca é detectada pela polícia, o que levanta a questão da extensão em que a probabilidade de detenção pode variar conforme o status social do jovem (Sampson, 1986, p. 877). Nesse sentido, Sampson indica também que mais ou menos 90% dos jovens indiciados o foram pela polícia (54 meninos, 23 meninas), enquanto 33% dos jovens da classe mais baixa e 31% daqueles da classe mais alta o foram pelos pais. Tais dados sugerem que o efeito individual dos fatores estruturais de vizinhança econômica surge do preconceito dos tomadores de decisão oficial, e não das famílias.

Diante do exposto, demonstra-se que se o método de autorrelato pode demonstrar maior eficiência na coleta de dados, ele também é susceptível a defeitos e limitações. Alguns críticos afirmam que as descobertas sobre as diferenças das revelações entre homens e mulheres e entre grupos étnicos distintos fazem com que os autorrelatos introduzam preconceitos no campo de estudo. Tais problemas metodológicos podem ser minimizados, entretanto, por estudos que combinam os registros oficiais e os autorrelatos, e que coletam informações de vários informantes (pais, professores, pares), bem como do indivíduo pesquisado.

11 Para maiores informações, ver Sampson (1986, p. 876-885), que apresenta dados similares em sua pesquisa Effects of socieconomic contex on official reaction to delinquency.