Del I - Introduksjon
2.4 Opplysninger fra Helsedirektoratet og SIRUS
Durante o processo de ocupação, os acampados se organizavam em grupos para manter a segurança e a sobrevivência, sendo que uma das formas de manter-se seguros
contra a repressão da polícia até dar início às negociações para fins de desapropriação da fazenda foi a organização em guaritas nas entradas do acampamento controlando entradas e saídas das pessoas.
O acampamento sofreu várias ameaças de despejo, deixando todos muito apreensivos, porém uma decisão coletiva foi resistir a qualquer tipo de repressão. A comissão organizadora do acampamento agia no intuito de não haver tumulto ou violência. Embora a decisão coletiva tenha optado pela resistência antes que houvesse qualquer confronto, ocorreram negociações via judicial que garantiram a estadia dessas famílias.
Após todo esse processo de muita luta, ocorreram muitos alarmes falsos sobre despejos. Houve ocupações pacíficas no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Como argumento para que se concretizasse a posse pela terra, em algumas reuniões, foi sugerido que os acampados derrubassem todo o eucalipto. De encontro a esta questão, estava a polícia ambiental que proibia tal ato. Então, a derrubada dos eucaliptos se deu aos poucos para que não houvesse o risco de serem presos. Fato que veio a ocorrer com alguns acampados.
Durante o período de acampamento, as pessoas se organizavam coletivamente em setores, dos quais os principais eram o setor da saúde, educação e convivência. As outras instâncias eram divididas em grupos cada qual com um representante, que se reuniam para tomar decisões e manter todo o acampamento informado.
Contando com toda essa organização e força de vontade, enquanto acampados, começaram a preparar terras para plantação coletiva ao lado da lagoa que estava o acampamento. Vale ressaltar que neste pedaço de terras cultivado, por estar próximo a lagoa, a plantação de eucaliptos estava um pouco distante, o que caracterizava esta terra mais fértil que o restante da fazenda. O trabalho coletivo proporcionou resultados positivos, visto que para esta primeira plantação, os acampados juntaram recursos próprios para aquisição de sementes e algumas ferramentas manuais, além do trabalho ocorrer de maneira totalmente manual, através do revezamento e mutirões.
O resultado do trabalho em grupo possibilitou e instigou ainda mais a vontade e a determinação da busca pela terra. Os alimentos produzidos foram de ótima qualidade, resultando na exposição para a TV local.
Neste período a educação foi uma das questões de grande importância e considerada como uma das principais prioridades pelo grupo. Então, buscaram assistência escolar no município mais próximo.
A Prefeitura Municipal de Pradópolis contrária à intenção das famílias acampadas resolveu negar o acesso das crianças do acampamento nas escolas municipais urbanas, burlando a Constituição Federal de 1988 que diz no artigo 205:
“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”
Diante da educação negada e após recorrer a diversas instituições com a finalidade de garantir o básico da educação para os filhos dos acampados, já que não tinham previsão de quanto tempo duraria esta situação, o setor de Educação se organizou e conseguiu o apoio da Prefeitura do Município de Guariba, o qual disponibilizou alguns professores. Para a realização do ensino foi construído um espaço de pau-a-pique na área do acampamento, onde eram realizadas as aulas.
Após dois anos nesta situação, sem o atendimento das reivindicações de vagas nas escolas municipais de Pradópolis, as famílias acampadas realizaram uma ocupação na prefeitura, que resultou na aceitação dos alunos nas escolas. Mesmo o município de Guariba disponibilizando professores, não era suficiente, pois não tinha como montar uma escola de ensino médio e muitas crianças e adolescentes estavam neste grau escolar. Contudo, mesmo com a aceitação dos alunos pelas escolas de Pradópolis, os problemas referentes à educação não estavam totalmente resolvidos. A locomoção dos alunos para a cidade era uma questão difícil de resolver, pois durante aproximadamente três anos os estudantes se locomoviam para as escolas de bicicleta, carroça, cavalo e, quando podiam, alguns de carro. Este período foi determinante para a evasão escolar que afetou principalmente os adolescentes do ensino médio. A dificuldade para se manter na escola era superior a vontade de permanecer nela. Dessa maneira, muitos optaram por deixar de estudar por não terem disposição para frequentar uma escola distante e ainda ajudar os pais no acampamento.
Neste período, além da escola, foram feitas algumas construções comunitárias, com o intuito de garantir o mínimo de lazer, como a praça denominada Praça Chico Mendes, que era o local onde eram realizadas as reuniões, que ficou conhecida como a área comunitária dos acampados. Atualmente, estes espaços não existem mais.
No ano de 1994, ainda em período de acampamento, os grupos resolveram fazer a divisão da terra por conta própria, calculando aproximadamente 11 hectares para cada família e realizando um sorteio para a ocupação dos lotes. Este fato proporcionou certo
conforto, pois os acampados já poderiam iniciar com recursos próprios o cultivo da sua parte de terras. Contudo, esta divisão foi caminhando para uma individualidade cada vez mais constante no acampamento e, com o passar dos meses, as dificuldades financeiras foram ficando cada vez mais intensas, restando apenas a alternativa de vender o eucalipto ilegalmente, fato que ocasionou a prisão de alguns membros do acampamento por tal ato.
Antes desta pré-divisão dos lotes, o acampamento era reunido em um espaço próximo a lagoa, local em que tinham acesso a água e realizavam plantações comunitárias. Já com a divisão do lote e devido à grande extensão de terras da fazenda, as famílias ficaram mais longe da área comunitária, local em que se localizava também a escola. Com isso, alguns alunos tinham que caminhar em torno de 15 quilômetros para chegar ao ambiente escolar e na área comunitária. Em meio às dificuldades para garantir a subsistência das famílias, a escola deixou de ser prioridade naquele momento.
O que as famílias não previam com a pré-divisão dos lotes eram as dificuldades para preparar as terras. A fazenda possuía eucalipto, que além da dificuldade de derrubar, faltavam ferramentas adequadas e, após a derrubada, era preciso tratar o solo, o que foi uma questão determinante para a produção neste momento.