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5. DRØFTING

5.2. Drøfting av funn i analysen

5.2.1. Opplevingar av vurderingskvardagen

Em geral, D. rotundus utiliza abrigos internos, sendo que em condições naturais estes incluem: ocos de árvores, grutas, cavernas, fendas em rochas dentre outras possibilidades que lhes permitem formar colônias (UIEDA 1996). Um dos fatores que pode influenciar na escolha de um local é a umidade relativa do seu microambiente, uma vez que o vampiro comum tende a perder muita água por evaporação ao longo do dia (MCFARLAND & WIMSATT 1969). No entanto, a redução dos abrigos naturais do vampiro comum tem promovido a sua adaptação a novos refúgios artificiais (SCHMIDT 1988, BROWN 1994). Para W. Uieda (Com. Pess.), a maior acessibilidade e proximidade dos abrigos artificiais às fontes de alimento têm levado o vampiro comum a abandonar os abrigos naturais. Dentre os novos locais podem estar incluídas minas abandonadas, túneis, casas habitadas ou não, bem como bueiros, (GREENHALL et al. 1983, FLORES-CRESPO & ARELLANO-SOTA 1991, GOMES & UIEDA 2004). Segundo BROWN (1994), na formação de abrigos, o mais importante é a disponibilidade no ambiente de locais adequados para acomodar as colônias de D. rotundus. No trabalho de LORD (1988), na Argentina, foi identificada uma relação entre as características ambientais de uma região e o tamanho da população de D. rotundus, onde um número maior de abrigos foi evidenciado próximo aos grandes rios.

No Brasil, TADDEI et al. (1991) apontara para o fato de que os principais rios do Estado de São Paulo também teriam sido feições geográficas fundamentais para a presença do morcego, bem como para o desdobramento de uma epidemia de Raiva em bovinos na década de 1980. Esta hipótese foi

15 fundamentada na maior concentração de herbívoros domésticos ao longo dos grandes rios paulistas e seus principais afluentes. Então, na medida em que diversos trabalhos descrevem a estreita relação entre a presença de bovinos com a população de D. rotundus (MÁLAGA-ALBA 1954, FINDLEY 1993, BRASS 1994, BROWN 1994), é razoável considerar o efetivo bovino como um forte condicionante de risco para focos de Raiva em herbívoros domésticos.

SCHNEIDER et al. (2009) acredita também que a ocorrência da Raiva em humanos envolveria fatores que oferecessem condições mínimas para a manutenção da virose. Contudo, tais condições incluem tanto a disponibilidade de alimento quanto a disponibilidade de abrigo ao morcego hematófago. Para CONFALONIERI (2005), na Amazônia, uma vez que o elemento abrigo esteja relacionado às características regionais das práticas de uso da terra, tal evento pode gerar muitas transformações ambientais com riscos para a saúde humana. No Brasil, as taxas mais altas de transmissão a humanos por morcego hematófago foram de acontecimentos em localidades rurais na Amazônia nos anos de 2004 e 2005 no Estado do Pará (MINISTÉRIO DA SAÚDE 2005). Segundo SCHNEIDER et al. (2009), as áreas rurais na Amazônia apresentam particularidades que diferenciam seus focos. Dentre estas estariam: i) a percepção das vítimas sobre as agressões por morcegos, que é considerada bastante comum (Figura 6); e ii) a pouca conscientização das populações tradicionais (ribeirinhos, indígenas, pescadores, coletores e outros) sobre a Raiva. Para TRAVASSOS DA ROSA et al. (2006), também seria incluído a fácil acessibilidade dos morcegos às habitações do tipo casa sem janelas e portas.

Na teoria dos “focos naturais” de PAVLOVSKY (1967), as doenças têm a participação dos humanos, quando estes promovem ações sobre a natureza originando focos, que ficariam limitados a um único panorama ambiental ou

16 biogeográfico devido à correlação entre os fatores envolvidos. No caso da Raiva em bovinos, GOMES (2009), ao avaliar a zoonose no estado de São Paulo, Brasil, demonstrou que as áreas características de ambiente pecuário são fortemente influenciadas por novos condicionantes, do tipo: áreas agrícolas, manchas urbanas, áreas florestadas e topografia. Tal interação exerceria forte pressão sobre alguns eventos como: a distribuição do efetivo bovino, a mobilidade de D.

rotundus, os padrões espaciais e as características de migração da epidemia.

Portanto, gerando diferentes feições espaciais de risco para a Raiva bovina.

Figura 6 – Vampiro comum no momento de aproximação para se alimentar na vítima em repouso. Foto: W. Uieda.

A análise dos casos de Raiva envolve uma riqueza de informações regionais, demográficas, de práticas de uso da terra e de seus impactos ambientais e sociais. Mas, o estudo do processo de produção dessa zoonose, e do dimensionamento de áreas de risco, depende de ferramentas que dêem suporte à integração da grandeza espaço-temporal da informação (DIAS et al. 2004). Tais mecanismos também devem permitir à análise, associação entre os registros temporais com eventos naturais, ou não naturais do ambiente (DRUCK et

17 O geoprocessamento é um conjunto de tecnologias, cujas atividades são executadas por sistemas específicos para cada aplicação. Estes sistemas são mais comumente tratados como Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e tem auxiliado, sobremaneira, na gestão, no armazenamento, na análise e no mapeamento de fenômenos que envolvem a saúde pública (GATRELL & BAILEY 1996). Na última década, em áreas extra-amazônicas, tem sido amplamente consolidada a incorporação dessa tecnologia da informação em avaliações da incidência e distribuição da Raiva (MURRAY et al. 1986, CHILDS et al. 2000, SILVA

et al. 2001, GUERRA et al. 2003, JONES et al. 2003, CASTRO e SINGER 2007, RECUENCO et al. 2007, GOMES et al. 2007,GAO et al. 2008).

Quanto à área de vida de D. rotundus, MCNAB (1973), demonstrou que o padrão de atividade diária é simples, isto é, passam cerca de 22 horas em seus abrigos, voam a noite até um local de alimentação e voltam após terem se alimentado. O forrageio seria único por noite, principalmente, nas primeiras horas, mas quando são observados horários distintos acredita-se na existência de dois grupos diferentes no mesmo refúgio (WIMSATT 1969). Um vampiro típico voaria cerca de 10 quilômetros (ida e volta) a uma velocodade de 20 km/hora para encontrar uma refeição, assim, gastaria cerca de meia hora por dia voando e o restante do tempo alimentando-se (MCNAB 1973). A área de vida do vampiro comum tem sido estimada desde os primeiros trabalhos realizados por MÁLAGA- ALBA (1954), sendo citado que, no México, essas áreas apresentariam uma extensão entre 15 a 20 km. Posteriormente, CRESPO et al. (1961) identificou em Córdoba, na Argentina, que a mesma espécie não ultrapassaria uma distância de 5 a 8 km. Já para WILKINSON (1985b), os machos e fêmeas de D. rotundus na Costa Rica, cobririam uma área de vida em média de 3,4 km. No Brasil,TRAJANO

18 (1996) estimou que a área de forrageio do vampiro comum estaria dentro de um raio de apenas 2 a 3 km.

Portanto, parece que o vampiro comum tende a apresentar plasticidade no seu forrageamento, uma vez que parece ajustar-se facilmente às diferentes condições ambientais (GREENHALL et al. 1983,GERMANO et al. 1992). No entanto, não há evidências de que tais adaptações comportamentais estejam associadas também às diferenças morfológicas, ou até mesmo, de variação genotípica, as quais podem estar respondendo de maneira direta às pressões externas de uso e cobertura da terra. Até o momento, o trabalho de MARTINS (2008) foi o único no Brasil a inferir sobre tais variações, contudo, dentro de uma escala maior entre regiões e diferentes biomas.