• No results found

Hvordan opplever eleven at det legges til rette for elevmedvirkning i undervisningen?

5. Drøfting

5.2 Hvordan opplever eleven at det legges til rette for elevmedvirkning i undervisningen?

Foi no Grupo Escolar Tomás de Araújo, fundado à época da criação dos grupos escolares, no início do século passado, que realizei o estágio supervisionado, atividade obrigatória para conclusão do curso de magistério, em nível médio. O prédio era lindo, em estilo colonial português e o mobiliário ainda mantinha as marcas desse tempo.

Numa das duas grandes janelas laterais da sala, alternavam-se a professora de Prática de Ensino e as das metodologias da Língua Portuguesa, da Matemática, das Ciências Naturais e dos Estudos Sociais para observar e avaliar a aula. Era uma turma de terceira série composta por crianças que, em sua maioria, estava repetindo o ano. Havia, nessa turma, uma criança com necessidades especiais, o que significa dizer, que já no estágio supervisionado comecei a conviver com pessoas com necessidades educativas especiais. No entanto, o curso de magistério não havia me ensinado a educar nem lidar com essas pessoas e, naquele momento, eu me relacionava com aquela criança de maneira intuitiva, fazendo o máximo que podia para mantê-la partícipe das atividades e da convivência no grupo.

Nesse mesmo ano, sem “pompas e [sem] circunstancias” conclui o curso de magistério, levando na bagagem poucas experiências, mas um forte desejo de ser professora de crianças.

No ano seguinte abriram vagas de concurso para o magistério publico estadual do Rio Grande do Norte e eu me submeti ao referido concurso, obtendo aprovação para atuar em sala de aula nas séries10 iniciais do ensino fundamental na cidade de Acari. Assim, ingressei na educação, como professora, antes mesmo de fazer o curso de Pedagogia.

No exercício da profissão tomei logo consciência de que os saberes que dispunha sobre o magistério não eram suficientes para realizar meu trabalho a contento. Movida por essa constatação, prestei vestibular para o curso de Pedagogia, o que possibilitou ampliar meu universo de conhecimentos sobre fundamentos teóricos e práticos da educação.

Meu trabalho de conclusão do curso de Pedagogia foi o que poderíamos denominar de uma pesquisa de intervenção pedagógica, embora na época eu não tivesse consciência disso. Minha orientadora, a professora Maria José Mamede Galvão, colocou-nos o desafio (para mim e mais três colegas do curso) de fazer um diagnóstico da atuação de professores e situação do ensino em algumas escolas municipais da cidade de Currais Novos – RN. Este foi o meu primeiro contato com pesquisa e também com a elaboração de um projeto de formação de professores.

Com o assessoramento de Dona Maria José realizamos o diagnóstico e caracterização das escolas, observamos aulas dos professores e, a partir daí, elaboramos uma proposta de intervenção com o objetivo de contribuir para a atualização dos conhecimentos didáticos e de áreas de conhecimento desses professores.

Ministramos um curso com duração de 40 horas, tendo sido essa uma experiência muito marcante para o início de minha vida profissional, como professora e pesquisadora. Enquanto estudávamos os fundamentos e os princípios que norteariam a prática daqueles professores, eu ia refletindo também sobre a minha prática como professora e, nesse processo que visava à formação daqueles educadores, eu também me formava.

10 À época, assim denominado.

Durante essa atividade de conclusão do curso de Pedagogia estava me preparando para fazer o concurso público para educação básica da Secretaria de Educação do Município de Natal. Fui aprovada e tive que me mudar, às pressas, para cidade de Natal, e assumir minhas funções como professora da rede pública municipal de Natal. Transferi meu vínculo de professora da rede estadual e passei a ministrar aula numa escola do estado e em outra do município de Natal. A nova vida numa cidade grande, na capital do estado, exigiu de mim o desenvolvimento de várias estratégias de convivência e de sobrevivência.

Como eu tinha acabado de concluir o curso de Pedagogia e migrado do interior para a capital, a UFRN me concedeu o direito de morar, por seis meses, na residência universitária, tempo que eu consegui alargar cursando disciplinas como aluna especial, enquanto me organizava para assumir residência nessa cidade. Aprender a viver coletivamente, conviver com uma diversidade de culturas (na residência viviam estudantes de várias regiões do país), passar a regular minha própria vida, viver plenamente minha liberdade e meu livre arbítrio para tomar decisões, coisas que até então eram controladas, tolhidas e censuradas pelos meus pais, se constituíram para mim, senão a maior, uma importante escola de vida.

O trabalho na educação pública municipal me fez conhecer e, mais que isso, conviver com a favela e suas pessoas de vida dura, uma experiência ao mesmo tempo, assustadora e desafiadora. Nesse período refleti muito sobre o meu papel político como educadora. Como agir cotidianamente, e fazer a diferença na vida daqueles a quem a cidadania era, desmascaradamente, negada?

Durante o curso de Pedagogia que se deu em meados dos anos 80, período de abertura política, mas de grande repressão, engajei-me na política estudantil e sindical, passei a compreender melhor como funcionava os sistemas de poder, de repressão e de alienação do povo. Ali, naquela dura realidade, diante de pessoas de 14 a 65 anos, eu tentava colocar em prática o que aprendi na minha formação político-pedagógica.

Na minha jornada de 18 anos pelas escolas municipais de Natal, todas situadas na periferia, eu aprendi coisas que transcendem uma vida. Os desafios e as dificuldades eram grandes e a minha luta diária consistia em fazer com que as horas que as crianças passassem comigo, na escola, fossem as mais agradáveis possíveis. As narrativas do final de semana das crianças davam conta e denunciavam infâncias roubadas pela convivência com a violência doméstica e

pública: eram mortes que aconteciam diante de seus olhos, roubos, estupros, o pai que batia na mãe...

Também davam conta da falta de recursos para a coisa mais elementar e necessária à vida de uma pessoa: o pão de cada dia. Diante desse turbilhão de fatos, não dava para ficar parada e a minha arma, como professora, era levar a poesia, a literatura, a brincadeira, o jogo e tudo o mais que pudesse tornar mais suave a permanência daquelas crianças na escola.

A inserção na educação me permitiu participar de muitos cursos de capacitação, de cursos de formação continuada, congressos, mini-cursos, nos quais buscava uma retro-alimentação da minha prática. Anualmente recebia crianças com necessidades especiais e necessitava aprender, ou pelo menos entrar em contato com conhecimentos que permitissem um melhor atendimento a essas pessoas. Ao receber, por exemplo, três crianças surdas numa só turma, tive que aprender LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e estudar bastante sobre os princípios e fundamentos de uma educação inclusiva.

A experiência mais importante, especialmente para o que seriam os primórdios do meu contato com o método autobiográfico, foi quando no início dos anos 2000 tive oportunidade de fazer o PROFA (Programa de Formação para Professores Alfabetizadores) um programa do MEC em parceria com a UFRN e SME (Secretaria Municipal de Educação) do município de Natal-RN. Tive como orientadora da aprendizagem a Profa. Dra. Denise Maria de Carvalho Lopes que solicitou, como uma das primeiras atividades do curso, a escrita de nossas memórias de alfabetização.

O curso era semanal e tivemos oito dias para a elaboração dessa atividade. Lembro que essa foi uma semana de muitas evocações e fortes emoções, pois foi aí que me dei conta de que nunca tinha pensado sobre como tinha se dado o meu processo de aquisição da leitura e da escrita. Tive que voltar ao passado, não mais como criança, mas como adulta que era naquele momento e vislumbrar uma menina que tinha um desejo enorme de descobrir os “enigmas” do mundo letrado e que encontrou solo fértil nos folhetos de cordéis de Seu Antônio.

Seu Antônio foi, na verdade, o meu primeiro professor, aquele que me ofereceu as chaves para abrir portas e janelas e me atirar na aventura do conhecimento. A partir desta descoberta, pensando e refletindo sobre a forma pela qual me alfabetizei e como as pessoas aprendem, produzi o texto em verso intitulado

Dos cordéis de seu Antonio à carta de ABC da professora (ARAÚJO, 2002),

retratando o meu trânsito no mundo da literatura e de uma cultura mais geral, através das práticas de leitura da literatura de cordéis vivenciadas no seio da minha família, observando a natureza, convivendo com a diversidade; e, na escola, onde o conhecimento se produzia através da fragmentação de saberes, da memorização de letras e sons e, consequentemente, da dissociação entre homem, natureza e cultura. O que eu conseguia unir na vida cotidiana, a escola fragmentava e separava.

Tomar consciência da importância desse processo para minha formação possibilitou a ampliação do meu autoconhecimento e fez-me valorizar as experiências advindas das minhas adesões a valores e princípios dos contextos familiar e escolar, percebendo o potencial formador dessas adesões.

Na pesquisa de mestrado ressignifiquei e ampliei essa narrativa guiada pelas contribuições da abordagem biográfica. Enveredei-me pelas narrativas de professores – cinco memoriais de formação – produzidos como Trabalho de Conclusão de Curso – TCC; pela narrativa produzida por uma professora num atelier de escrita autobiográfica e, também, pela narrativa de memórias da infância de Edgar Morin, Daniel Munduruku e Câmara Cascudo, em suas respectivas obras: Meus demônios (2000), O Banquete dos Deuses (1999) e O tempo e eu (1998), resultando na construção do texto dissertativo “A fogueira do conhecimento: religação de saberes e formação”, defendido junto ao PPGEd-UFRN, em agosto de 2005.