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7 Den levde kroppens forhold til rommet og til tiden

7.1 Opplevelser av og med hjelpemidler

A rã-touro, muito utilizada para recria comercial nos ranários do Brasil, foi introduzida no país na década de 30, com o primeiro registro de importação datando de 1935. Nove anos depois surgiu o primeiro ranário, Ranário Aurora, com instalações simples, ou até mesmo rudimentares, “com tanques de formas variadas, semelhantes aos utilizados na criação de peixes, com certa área de terra cercada por folhas de zinco ao seu redor”, conforme descrição de LIMA e AGOSTINHO (1988). Nos próximos parágrafos será feita uma abordagem geral desse animal, que muito promete em relação à agroindústria brasileira.

A rã-touro, R. catesbeiana, família Ranidae, é um anfíbio aquático nativo do norte dos Estados Unidos, que, durante o inverno, sobrevive às baixas temperaturas, permanecendo sob a água ou sob cama de folhas (Pinder et al., 1992, citado por ROCHA e BRANCO, 1998), para evitar temperaturas de congelamento. Segundo Stinner et al. (1994), citados por ROCHA e BRANCO (1998), a rã-touro, durante o inverno, também tem sido encontrada submersa no fundo de tanques em Ohio (USA), de dezembro a fevereiro, mas nenhuma delas estava entocada ou coberta com lama. Em vez disso, elas preservaram a movimentação, surgindo em áreas de alta concentração de oxigênio, com o intuito de evitar temperaturas de congelamento.

Esse comportamento de mergulhar após a temperatura corporal atingir certo limite parece ocorrer também em rãs climatizadas no Brasil. Rãs colocadas em mistura de água e gelo procuram, decorrido certo tempo, situar- se na parte líquida, abaixo da camada de gelo. Nessas condições, a habilidade de armazenar o sangue nas sinuosidades por cima do coração parece ocorrer na rã-touro, conforme observado em testes preliminarmente efetuados em laboratório. Em rãs insensibilizadas em água e gelo por 15 minutos, pôde-se notar, visualmente, o acúmulo de sangue na cavidade interna, bem como, aparentemente, sua ausência quase que total na musculatura, o que,

provavelmente, explica o menor poder de sangria em rãs insensibilizadas no gelo, conforme observado por ALBINATI (1994).

A temperatura parece ter influência marcante em todos os processos fisiológicos da rã-touro, como respiração (consumo de O2 e excreção de CO2) resposta metabólica que reflete na freqüência cardíaca, deposição de lipídios, movimentação, alimentação e conforto térmico. A condição de hipoxia, induzida pelas condições de sobrevivência da rã ao abrigar-se sob o gelo, leva a variantes que tornam esses animais especiais do ponto de vista bioquímico. Alterações no nível de glicose, na pressão arterial de O2 e CO2 e, conforme Austin et al., citados por REEVES (1977), variação no pH, que varia inversamente com a temperatura.

ROCHA e BRANCO (1998), ambientando rãs-touro a 10, 15, 25 e 35°C, colhidas em ranário comercial de Ribeirão Preto, SP, na primavera, verão, outono e inverno, testaram variações nos efeitos de temperatura em alterações hipoxiainduzidas. Concluíram que, a qualquer temperatura testada, a taxa de consumo de oxigênio teve tendência para ser mais alta durante o verão e mais baixa durante o inverno, mas a diferença foi significativa somente a 35°C. A pressão arterial de oxigênio (PaO2) e valores de pH não apresentaram mudanças significativas durante o ano, mas PaCO2 foram quase duas vezes mais alta durante o inverno do que no verão e primavera, indicando aumento dos níveis de bicarbonato do plasma.

A respiração no caso de Rana catesbeiana (trocas gasosas - eliminação de gás carbônico e absorção de oxigênio) se efetua, em grande parte, pela pele, que é altamente vascularizada, embora sejam os pulmões considerados a principal via respiratória (Jackson, 1978, citado por FIGUEIREDO, 1996). Em determinadas condições ambientais, a respiração cutânea dos anfíbios torna-se tão elevada quanto a respiração pulmonar e acontece simultaneamente (Brown Jr., 1964, citado por FIGUEIREDO, 1996).

Recentes trabalhos sobre freqüência cardíaca em Rana catesbeiana revelaram, num estudo, que esse animal atinge 34,8 ± 1,8 batidas/min. a 22oC, contra 11,1 ± 1,1 batidas/min. a 12oC. Em outro estudo com a mesma espécie, foram registrados 33,0 ± 1,7 batidas/min. a 22oC e 6,9 ± 0,3 batidas/min. a 5oC (Herman et al., 1986a, b, citados por CHIU e CHU, 1989). Em concordância

com esses trabalhos, ROCHA e BRANCO (1998) determinaram que, em rã- touro, o decréscimo da temperatura corporal foi acompanhada de redução na freqüência dos batimentos do coração. Baixas temperaturas causaram significativa diminuição na pressão sangüínea arterial durante todas as quatro estações. Mudanças hipoxiainduzidas na freqüência de batimentos foram proporcionais à temperatura do corpo e foram mais pronunciadas durante o inverno, menos durante a primavera e outono e ainda menor durante o verão. A estação do ano não teve nenhum efeito na relação entre hipoxia e taxa cardíaca.

De acordo com BRATTSTROM (1979), em Rana catesbeiana as reservas de lipídios atingem o máximo no início da estação reprodutiva, aumentando, então, antes da estação reprodutiva e diminuindo durante a dormência, enquanto os níveis de glicose sangüínea diminuem durante a estação reprodutiva e são máximos quando os animais estão saindo da dormência. O metabolismo reduzido, a deposição e utilização de gorduras e a habilidade de suportar a anoxia provavelmente garantem sua sobrevivência em épocas difíceis. Nessas ocasiões, a termorregulação e seu custo energético são provavelmente muito baixos. Os custos e benefícios mais acentuados da termorregulação são maiores durante a estação de maior atividade, quando protegem o crescimento, o metabolismo energético e o esforço reprodutivo.

Em instalações comerciais, a rã-touro em temperaturas inferiores a 15oC deixa de alimentar-se, adotando um comportamento sedentário agrupando-se sob os abrigos e indicando redução no ritmo fisiológico de seu organismo.

As informações sobre a temperatura de conforto térmico da rã-touro, obtidas em instituições brasileiras de pesquisa, são desencontradas, havendo recomendações de temperatura ambiente de 40oC (FONTANELLO et al., 1992, 1993), como a ideal para promover o melhor desempenho dos animais. Porém, FIGUEIREDO (1996) concluiu que temperaturas de 32 e 35oC são elevadas para a espécie Rana catesbeiana, a qual teve melhor desempenho entre 27 e 29oC. Esses valores estão bem próximos da média diária de 29,6oC da temperatura do corpo de populações naturais da América do Norte, encontradas em pesquisa de Lillywhite (1970), citado por BRADFORD (1984).

Segundo esse mesmo autor, há evidências de que essas populações regulam a temperatura do corpo por esse valor.