5. DISKUSJON
5.1 MOTSETTENDE PERSPEKTIV
5.1.2 Opplevelsen av en Kontekstuell Forståelse
O quadro abaixo sintetiza os pontos em comum das Diretrizes da Educação Superior (com ênfase no curso de Letras) e os Parâmetros Curriculares do Ensino Médio:
LDBEN 9.394/96
Diretrizes da Educação Superior (Letras) Diretrizes e parâmetros do Ensino Médio
Quanto ao currículo:
- extinção do currículo mínimo; - ênfase na flexibilização;
- orientação para o desenvolvimento de competências e habilidades.
Quanto ao currículo:
- saberes não mais pensados como disciplinas isoladas;
- três grandes áreas do conhecimento: Linguagens e Códigos, Ciências da Natureza e Matemática e Ciências Humanas (agrupam os saberes);
- orientação para o desenvolvimento de competências e habilidades.
Quanto aos conhecimentos:
- ênfase na interdisciplinaridade: estímulo à integração entre os diferentes conhecimentos; - incentivo a uma sólida formação geral (rompimento com o modelo chamado 3 + 1).
Quanto aos conhecimentos:
- ênfase na interdisciplinaridade: busca de integração entre as três áreas: Linguagens e Códigos, Ciências da Natureza e Matemática e Ciências Humanas;
- incentivo a uma sólida formação geral (visão do Ensino Médio como etapa conclusiva da Educação Básica).
Quanto ao papel do professor:
- professor = orientador.
Quanto ao papel do professor:
- professor = mediador.
Quanto à formação do leitor:
- leitor autônomo (especializado).
Quanto à formação do leitor:
- leitor crítico (ênfase nas possibilidades do letramento).
Percepção Língua/Literatura:
- visão da Língua/Literatura como práticas sociais (ênfase na reflexão sobre ambas).
Percepção Língua/Literatura:
- visão da Língua/Literatura como práticas sociais (ênfase no uso da Língua em diversas situações).
Observações/particularidades:
- valorização do tripé: ensino, pesquisa, extensão.
Observações/particularidades:
- ênfase no ensino.
- conteúdos da Educação Básica como objeto de reflexão no Ensino Superior.
--- QUADRO 2
Como se vê, os fundamentos das Diretrizes do Ensino Superior e os Parâmetros do
Ensino Médio têm como princípio a LDBEN 9.394/96. A tendência a um currículo menos
engessado, mais flexível, ocorre em ambos os níveis. No Ensino Superior, isso se dá via quatrocentas horas de prática como componente curricular, bem como por meio das duzentas horas de atividades acadêmico-científico-culturais, juntamente com uma perspectiva integradora das disciplinas, com um currículo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades.
No Ensino Médio, isso acontece por meio do agrupamento dos saberes em grandes áreas do conhecimento, assim como pela busca de integração entre essas áreas e de um currículo também orientado para competências e habilidades. Nesse sentido, a aprendizagem ocorre através de processos de aquisição (de competências e habilidades) e não por meio de um processo instrucional (de transmissão de conteúdos). Há uma diferença entre instrução e aprendizagem. Esta está imersa em um contexto amplo, dentro de um processo cultural, na perspectiva, portanto, do(s) letramento(s); aquela está na perspectiva da transmissão de conhecimentos.
Com relação aos conhecimentos, notemos que, em ambos os casos, com a reforma do Ensino Superior e a reforma do Ensino Médio, há uma tendência à valorização de uma sólida formação geral. No Ensino Superior, isso se dá através da extinção do chamado modelo 3 + 1, quando a licenciatura deixou de ser apêndice e adquiriu identidade frente ao bacharelado, exigindo um projeto pedagógico próprio. No Ensino Médio, isso se dá com o entendimento desse grau de ensino como etapa conclusiva, e não mais como ensino preparatório para o trabalho ou preparatório para o concurso vestibular.
Sobre o papel do professor em ambos os níveis também são necessárias algumas considerações. Como no Ensino Superior o locus de aprendizagem se expandiu para além da sala de aula, com experiências outras que permitam ao aluno a aquisição de conhecimentos, o professor não pode ser um mero técnico. Além de se responsabilizar pelas disciplinas, pelos conteúdos a serem ministrados, ele deve nortear o aluno, apontar caminhos em sua trajetória de aprendizagem, acompanhando-o em projetos de ensino, de pesquisa e de extensão. No Ensino Médio, o professor é um mediador de conhecimentos, ou seja, ele trabalha junto como aluno, entendendo que este é situado historicamente, que tem um jeito próprio de ver o mundo, ajudando-o em seu processo de aprendizagem e em seu alargamento de horizontes.
Os objetivos na formação de leitores são diferentes em cada um dos níveis de ensino. Na Educação Superior, forma-se o professor. Forma-se, portanto, um leitor especializado,
apto a formar novos leitores. No Ensino Médio, forma-se o leitor crítico – aquele que dá conta de ser um poliglota, na expressão de Bechara (1985, p. 14) – dentro de sua própria língua. Ou seja, à escola cabe desenvolver as diversas competências e habilidades do aluno, nos mais variados registros, níveis, circunstâncias e aplicações, para que ele saiba ler o mundo, já que à sua volta “tudo escreve”.
Os conceitos de língua/literatura que permeiam os documentos oficiais se voltam para as práticas sociais. Porém, há de se entender que, nos cursos de Letras, a ênfase recai para o estudo da língua/literatura; para uma reflexão crítica sobre ambas, portanto. Por outro lado, no nível médio, o professor deve ensinar o aluno a usar a língua com todos os recursos que ela possui, letrando-o por meio do contato efetivo com diversos gêneros textuais. Sendo assim, os conteúdos da Educação Básica devem ser objeto de reflexão no Ensino Superior, lidos à luz das diversas teorias com que o discente tem contato ao longo de sua formação.
Até que ponto os discentes em Letras estão sendo “aparelhados” na condição de futuros professores de Literatura de acordo com o previsto nas novas Diretrizes? O que mudou nos cursos de licenciatura em Letras no que tange ao trabalho com práticas de leitura literária? Em que medida a formação de professores em Letras está alinhavada com as perspectivas colocadas nos documentos oficiais do Ensino Médio?62 São essas questões que pretendemos discutir no próximo capítulo, trabalhando com os dados coletados nos cursos de licenciatura em Letras que compõem o corpus desta pesquisa.
62 Refiro-me ao Documento de 2006, que é o primeiro a levar em consideração, de fato, a literatura e suas