Após a elaboração do projeto e sua consequente aprovação pela coordenação do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas da UFRN, o mesmo foi enviado para o Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da UFRN ([email protected]) onde foi protocolado com o nº 181/10-P CEP/UFRN e obteve a aprovação com o parecer nº 151/2011. Logo em seguida foi feita uma pesquisa na Secretaria Estadual de Educação e Cultura do RN (SEEC) sobre todas as escolas do RN, incluindo as escolas públicas estaduais e municipais, além das particulares. Fomos encaminhados para as DIREDs (Diretoria Regional de Educação, Cultura e Esportes), órgãos responsáveis pela coordenação das escolas de uma determinada área, para a nossa pesquisa (grande natal) as DIREDs responsáveis seria a 1ª e 2ª; onde obtivemos autorização pela 1ª DIRED (Anexo 1) e 2ª DIRED (Anexo 2) para a realização das coletas. A 1ª DIRED tem sob responsabilidade as Escolas
Estaduais de Natal, Macaíba e Extremoz; já a 2ª DIRED coordena as Escolas Estaduais de: Parnamirim, São José de Mipibu, Nísia Floresta e Monte Alegre. As escolas Estaduais de São Gonçalo do Amarante e Ceará-Mirim foram contatadas diretamente com seus respectivos diretores, assim como as escolas particulares de Natal, devido a não colaboração de suas unidades coordenadoras, mas que foi solucionada com o contato direto com a escola. Tabela 3.1 – Escolas da Grande Natal participantes da pesquisa
Com a autorização concedida pelas DIREDs entramos em contato com a escola e verificamos a disponibilidade de horários para a realização da coleta. Entregamos a direção ou a coordenação pedagógica de cada escola um TCLE (Apêndice 1), que deveria ser repassado aos pais ou responsáveis explicando os objetivos da pesquisa e nos dando o consentimento de participação de seus filhos ou da criança ou adolescente por quem eles eram responsáveis. Agendamos um dia para a realização da coleta e recebimento dos TCLE das crianças ou adolescentes os quais foram assinados pelos pais ou
responsáveis. Deixamos também com a direção uma cópia desse TCLE bem como uma carta de encaminhamento da Secretaria do Programa de Pós- Graduação assinada pelo meu orientador (Anexo 3).
Após a autorização dos pais através da assinatura do Terno de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), e livre escolha de adesão por parte das crianças ou adolescentes, realizou-se uma entrevista com perguntas sobre algumas questões de saúde para rastreamento de possíveis fatores que pudessem excluir tal criança ou adolescente da amostra. Depois que a criança ou adolescente relatou algum fator que lhe excluísse da amostra, mesmo assim a coleta era realizada, só depois que os dados eram excluídos. Todos os procedimentos de coleta foram registrados em uma ficha de avaliação, contendo dados para identificação (nome, gênero, idade, data de nascimento, data de avaliação), os valores de pressão inspiratória máxima (PImáx), pressão expiratória máxima (PEmáx) e os dados antropométricos de massa corporal e estatura (Apêndice 2).
A avaliação desses indivíduos foram realizadas em 1 turno do horário escolar (o turno dependia da disponibilidade de cada escola), em um sala disponibilizada somente para a coleta, em temperatura ambiente, ventilada e sendo os alunos avaliados de forma individual.
Inicialmente o aluno foi avaliado com relação a sua estatura e massa corporal, utilizando os equipamentos relacionados anteriormente. A estatura foi mensurada com o aluno em posição ereta, sem calçados, com o dorso encostado em uma parede lisa e reta, com os calcanhares também encostando
na parede e com o olhar no plano horizontal. Adotamos a medida em metros e consideramos duas (2) casas decimais.
Já a mensuração da massa corporal foi realizada com a balança digital e com o aluno sem os calçados. Adotamos a medida em Quilograma (Kg) e consideramos uma (1) casa decimal, estando o indivíduo parado por 10 segundos sobre a balança.
Logo após a mensuração dos dados antropométricos, passamos para a avaliação da força muscular respiratória, onde o avaliado era colocado na posição sentada, estando o tronco em uma posição de 90° com as coxas, de acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisologia (SBPT) (2002) para testes de função pulmonar.
Foi exposto de forma clara e sucinta ao avaliado como realizar as manobras de pressão respiratória máxima, dando-lhes oportunidade de treinar e visualizar tais manobras no aparelho. Depois de devido entendimento do exame por parte do avaliado, foi mensurado as medidas das pressões respiratórias máximas através da manovacuometria. As medidas foram realizadas com os indivíduos sentados tendo as narinas ocluídas com um clip nasal para evitar vazamento e segurando o bocal do manovacuômetro, colocando-o firmemente contra os lábios para evitar escape de ar.
Para a mensuração dos valores de PImáx, foi realizada a Manobra de Mueller. Sendo o tubo com a extremidade distal fechada o indivíduo realiza uma expiração forçada até alcançar seu volume residual (VR), conectando-se imediatamente a peça bucal contra os lábios, seguida de uma inspiração máxima contra a via aérea ocluída. É importante observar que quanto mais próximo do VR, maior é o feed back com relação à PImáx alcançada (AZEREDO, 2000)
Para a obtenção da PEmáx, iniciava-se uma inspiração profunda, atingindo a Capacidade Pulmonar Total (CPT) e em seguida realizava um esforço expiratório máximo contra a via aérea ocluída (manobra de Valsalva). Foi exigido que as pressões fossem mantidas estáveis durante pelo menos dois segundos (SBPT, 2002), tanto para PImáx quanto para a PEMáx.
Cada uma das manobras foi repetida satisfatoriamente por cinco vezes não devendo ter escape perioral de ar ou uso excessivo da musculatura facial, sendo descartados os valores das manobras realizadas incorretamente. O intervalo de tempo entre as medidas foi escolhido de acordo com as necessidades de cada indivíduo, porém com o mínimo de trinta segundos (30s) entre uma manobra e outra. Para a análise dos dados foi considerado apenas o maior valor aferido para cada pressão inspiratória máxima e expiratória máxima, descartando-se ao outros valores (SBPT, 2002). A cada aferição os bocais eram trocados, sendo feita à desinfecção com água, sabão, solução de hipoclorito e álcool a 70%, segundo as especificações adotadas pela ANVISA e pelo Ministério da Saúde (1994).
Vale a pena ressaltar que o bocal utilizado apresentava um orifício de aproximadamente 1mm para minimizar a ação de músculos acessórios à respiração. Autores como Smyth, Chapman e Rebuck (1994) realizaram um estudo sobre bocais com e sem orifícios para testar a hipótese de que esse orifício, assim criado, seria eficaz para impedir, durante esforços inspiratórios máximos, o fechamento glótico e a consequente geração de valores artificialmente elevados para a PImáx medida ao nível do volume residual. Em 15 voluntários adultos, esses autores verificaram que os valores de PImáx medidos com a peça bucal assim modificada não diferiam significativamente dos valores medidos com a peça bucal intacta.
Mayos et al. (1991) compararam, em 30 pacientes, os valores de PEmáx ao nível da capacidade pulmonar total (PEmáxCPT) e de PImáx medidos com dois orifícios de fuga distintos: um com 2 mm de diâmetro por 37 mm de comprimento; outro com 1 mm de diâmetro por 15 mm de comprimento. Os valores de PEmáxCPT e de PImáx medidos com o primeiro método foram
significativamente menores do que os valores correspondentes obtidos com o segundo orifício.
Mas aceitando as recomendações da SBPT, (2002) usamos em nosso estudo esse mesmo tamanho de orifício utilizado por Schmidt et al., (1999), Do Valle et al., (1993) e Azeredo, (2000) que relata que ao serem comparados estudos nos quais foram feitas medidas de PEmáx e de PImáx, deverão ser levadas em conta as possíveis diferenças de dimensões entre os orifícios de fuga, sendo utilizado um orifício de 1 mm de diâmetro.
Assim sendo realizada a coleta desses dados, tais resultados foram armazenados em um banco de dados para o tratamento estatístico.
As fotografias apresentadas nessa pesquisa foram autorizadas pelos responsáveis das crianças e/ou adolescentes (APÊNDICE 3).