• No results found

4. Resultater

4.1. Oppgaverelatert job crafting

O nome Ilha das Caieiras originou-se de dois fatores característicos: um geográfico e outro histórico. Geograficamente, no começo de sua ocupação a área estava cercada pelo mangue, que por ocasião das enchentes da maré, lhe conferia um aspecto insular. Historicamente, a expressão “caieiras” significa fábrica de cal ou forno onde se calcina a pedra calcária para se fazer a cal. A palavra no plural surgiu a partir da disseminação de fornos dedicados a essa atividade na região, além de estar nas proximidades da Ilha da Cal. Todavia, não há notícias de jazidas de calcário em rocha na Ilha das Caieiras, que pudessem fornecer a matéria-prima para a fábrica de cal. O material era proveniente das ostras abundantes no lugar e de sua vizinhança.

A Ilha das Caieiras apresenta um particularismo especial dentre os bairros que compõem a Baía Noroeste. A horizontalidade que marca o encontro das águas com a vegetação é quebrada pelo recorte das montanhas que se elevam ao longe. Enquanto o sol se põe, as canoas retornam vagarosas e se fazem notar pela luz do sol poente refletida em espectros coloridos sobre as águas tranqüilas da baía.

Fig 4.49 Fig 4.49 Fig 4.49

Fig 4.49 Fig 4.49 Ilha das Caieiras e tendo ao fundo o Mestre Álvaro. Fonte: Projeto Terra Fig 4.50

Fig 4.50Fig 4.50

Fig 4.50Fig 4.50 Ilha das Caieiras e ao fundo o Maciço Central. Fonte: acervo pessoal. Fig

FigFig

FigFig 4.514.514.514.514.51 Atracadouro ao entardecer. Foto: Vítor Nogueira.

Fig 4.52 Fig 4.52Fig 4.52

Fig 4.52Fig 4.52 Os barcos retor- nam ao sol poente. Foto: Vítor Nogueira.

Nesse sentido, o lugar guarda em si e não fora dele o seu significado e as dimensões do movimento da história em constituição enquanto movimento da vida, possível de ser apreendido pela memória, através dos sentidos e do corpo. Assim, a análise do lugar envolve a idéia de “uma construção tecida por relações sociais que se

realizam no plano do vivido, o que garante a constituição de uma rede de significados e sentidos que são tecidos pela história e cultura civilizatória que produz a identidade homem-lugar, que no plano do vivido se vincula ao conhecido – reconhecido”46.

46 4646

4646 CARLOS, Ana Fani

Alessandri. O lugar no/do mundo. São Paulo. Hucitec.1996.p.30

4.49 4.50

Ana Fani Carlos ao definir a tríade cidadão-identidade-lugar aponta como necessária a esta interlocução considerarmos algo fundamental: a corporeidade. Através do corpo, o homem habita, se apropria do espaço e estabelece relações no seu cotidiano. Por isto, os lugares se aproximam mais do conceito de bairro do que metrópole. O espaço ganha sentido no âmbito do local. Dessa forma, o lugar é sempre um espaço presente com suas ligações e conexões cambiantes.

Fig 4.54

Por isto, podemos atribuir a noção de lugar ao bairro Ilha das Caieiras. Neste lugar, há paisagem sempre que o olhar se desloca, o desenraizamento é sua condição. A paisagem do bairro é rica pela diversidade de ações, atores, cenas e cores. A riqueza dela está na paisagem em movimento, constantemente recriada, bela, porém fugaz, não ordenada, não padronizada. Plural e múltipla.

O lugar contém uma multiplicidade de relações, discerne um isolar, ao mesmo tempo em que se apresenta como realidade sensível correspondendo a um uso, a uma prática social vivida. Neste contexto, o lugar revela a especificidade do conteúdo social. Em oposição à cidade modernista, de visão global e unificadora, existe neste lugar, uma memória pautada na valorização das particularidades, dos elementos tradicionais, das perspectivas visuais, da atmosfera natural em busca de um prazer contemplativo.

Fig 4.53 Fig 4.53 Fig 4.53 Fig 4.53

Fig 4.53 Pescadores tecem suas redes no espaço público. Fonte: acer vo pessoal.

Fig 4.54 Fig 4.54 Fig 4.54 Fig 4.54

Fig 4.54 Pescadores saem para pescar. Fonte: acervo pessoal. Fig 4.55 Fig 4.55 Fig 4.55 Fig 4.55 Fig 4.55 Pescadores em atividade na Baía, extensão de suas casas. Foto: André Alves. Fig 4.56

Fig 4.56 Fig 4.56 Fig 4.56

Fig 4.56 Meninos empinam pipa defronte a baía. Fonte: acervo pessoal.

Fig 4.57 Fig 4.57 Fig 4.57 Fig 4.57

Fig 4.57 Meninos brincam na passarela. Fonte: acervo pessoal. Fig 4.58 Fig 4.58 Fig 4.58 Fig 4.58 Fig 4.58 O ambiente é próprio para a contemplação. Fonte: acervo pessoal.

Fig 4.59 Fig 4.59 Fig 4.59 Fig 4.59

Fig 4.59 A praça é utilizada pelos moradores. Foto: Vítor Ferreira.

4.53 4.54 4.55

Pelas ruas é possível um caminhar impreciso, revelador, indefinido, ilimitado, sinuoso. Um lugar onde a dissolução da ordem e dos limites em favor da mobilidade e da distração nos leva a tantos caminhos quanto imagináveis. Quase não percebemos a mudança do caminhar por sobre o território e por quando passamos a nos movimentar sobre as águas nas canoas. As casas que se localizam no limite entre a baía e o arruamento, avançam por sobre as águas, formando muitas vezes “garagens” para os barcos. Construídas sucessivamente uma ao lado da outra, liberam frestas por estreitas passagens que possibilitam novamente o contato com a paisagem particular da baía. A construção de uma passarela e um atracadouro de barcos pelo Projeto Terra, permitiram uma fruição mais ampla da paisagem.

Os personagens que compõem o quadro de atividades do lugar, possuem uma forte ligação com o mar e o mangue. Os canoeiros e os caranguejeiros são uma referência forte a ser lembrada. No início da ocupação os pescadores se dedicavam apenas à pesca e à comercialização de peixes. A população local não dava importância aos outros frutos do mar disponíveis no local, que segundo alguns moradores, eram utilizados como alimentos para os porcos. Foi somente na década de 1970, que o desfio e a comercialização do siri passou a ter importância e hoje é a principal atividade econômica do local. Desse modo, as desfiadeiras de siri tornaram-se figuras de representatividade e com uma particularidade, pois são compostos por grupos femininos, que constantemente sentam-se à beira de suas casas ou nas calçadas para praticar o desfio do siri. Nesse sentido, a necessidade de identificar valores singulares da região é importante para a fortalecimento e divulgação da identidade local.

A construção de uma identidade é um processo e, como tal, sujeito a mudanças. É evidente que o lugar se define inicialmente, como a identidade histórica que liga o homem ao local, porém devemos repensar a identidade do lugar cada vez mais dependente e construída no plano do mundial. Esta condição faz com que a história do lugar passe cada vez mais pela história compartilhada que se produz além dos limites físicos do lugar, isto é, de sua situação específica. Isto significa dizer que a

Fig 4.60 Fig 4.60Fig 4.60

Fig 4.60Fig 4.60 A rua Felicidade resguarda algumas casas pioneiras da ocupação inicial. Fonte: acervo pessoal. Fig 4.61

Fig 4.61Fig 4.61

Fig 4.61Fig 4.61 Sob as casas que avançam sobre a baía é comum “garagens” para barcos. Fonte: acer vo pessoal.