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1 INNLEDNING

1.1 Oppgavens problemfelt og problemfokus

Apesar do termo mediação estar amplamente presente nos textos de Comunicação, o seu conceito está longe de ser um consenso entre os pesquisadores. O próprio Martín-Barbero, que desenvolveu a teoria no livro “Dos meios às mediações” (1987), citou o conceito de diversas formas em sua obra. Signates (2006, p.65) elenca os usos do conceito por Martín- Barbero e propõe as seguintes definições: 1) Construto ou categoria teórica; 2) Discursividade específica; 3) Estruturas e práticas vinculatórias; 4) Instituição ou local geográfico; 5) Dispositivo de legitimação da hegemonia.

Outra questão é que essa palavra tem sido usada de formas variadas em outras correntes teóricas da Comunicação, aumentando a confusão semântica. Percorrendo os

estudos, encontramos pelo menos três acepções sendo vinculadas à palavra mediação: filtro,

intermediação (aqui se recobrem também os termos canal e ponte) e interação.

Nas Pesquisas dos efeitos, a ideia de mediação é comumente usada como sinônimo de filtro ou seleção dos efeitos pelo receptor e pelos emissores durante o processo de comunicação. Segundo Klappler (1987, p.168. Grifo nosso), os efeitos dos meios são “meticulosamente peneirados e moldados [pelo receptor. Isto é,] [...] os efeitos da comunicação de massa são mediatizados [...]”. As mediações estariam vinculadas aos gostos do receptor, personalidade e grupos de convivência. Lazarsfeld e Merton (1987) acrescentam o sistema de propriedade e controle dos meios como filtros da instância de produção.

Nas Escolas de Palo Alto e do Interacionismo simbólico, o conceito aparece de forma indireta como intermediação. A Escola de Palo Alto destacou os códigos de comportamento como mediadores que selecionariam e organizariam o comportamento pessoal e interpessoal, regrando sua apropriação do contexto e sua significação. Nessa perspectiva, o contexto da interação e dos modos de comunicar seriam mediadores na recepção da comunicação.

Edward Hall (2005) discute como mediações, também de forma indireta, a cultura, o contexto, os ambientes e as próprias emoções que são tramas indissociáveis (e em grande parte inconscientes) da existência do ser humano e modelam a sua percepção de mundo. Esses aspectos seriam tanto filtros quanto meios pelos quais o homem age e interage na realidade social.

Para a corrente do Interacionismo Simbólico, a linguagem seria a primeira mediação e, concomitantemente, uma estrutura simbólica e uma prática social. Aqui, a mediação carrega também a acepção de intermediação (a linguagem como meio para os homens interagirem entre si) e a de interação (a comunicação como meio de dar sentido ao mundo vivido e como prática que possibilita a formação de comunidades).

As reflexões mais atuais também fazem uso do conceito. Na perspectiva das Materialidades da Comunicação, ele aparece como intermediação. Segundo Mouilland (2002), o sentido não está somente na língua, mas no dispositivo (matriz ou suporte do conteúdo) e em sua relação com os lugares institucionais a que pertence e como estes se afetam na constituição do sentido.

Seguindo esse pensamento, McLuhan e Postman vão um pouco adiante e sustentam que os meios (em sua materialidade) modelam nossa vida individual e social (apud SCOLARI, 2010) não só na recepção dos sentidos midiáticos, mas nas práticas sociais.

E por fim, o conceito de mediação está ligado também à ideia de interação nas teorias da Midiatização. Conforme Sodré (2006, p.20. Grifo nosso), “está presente na palavra

mediação o significado de fazer ponte ou fazer comunicarem-se duas partes (o que implica dois tipos de interação), mas isto é na verdade decorrência de um poder originário de descriminar, de fazer distinções, portanto de um lugar simbólico [...]”.

A abordagem desses autores e de suas correntes de estudos se mostra relevante porque reporta o conceito de mediação tanto à atuação das mídias, enquanto organizadores das interações simbólicas, quanto se volta implicitamente para a ação do próprio sujeito na sociedade e em sua interação com os meios. Outro aspecto ligado ao conceito é a sua compreensão como prática social e/ou como produção simbólica.

Contudo, essas conceituações não caracterizam o conceito como proposto por Martín- Barbero. Entender as mediações como filtros ou como intermediações remete ao enfoque condutivista e etapista, reduzem a teoria e contradizem os pressupostos já mencionados, principalmente, o da comunicação enquanto processo integrado.

Retomando as definições propostas por Signates (2006, p.65), é preciso ressaltar que essas conceituações, não se excluem, mas se completam considerando a complexidade do processo comunicativo; visto que as mediações ocorrem em contextos diferentes a partir de lógicas distintas e simplificações generalizadas demais poderiam reduzir a teoria a um modelo estático.

Assim sendo, recorremos a Orozco Goméz, que deu continuidade aos estudos sobre as mediações e buscou tornar essa teoria em prática de pesquisa analisando a recepção televisiva. Para isso, Goméz (1996, p.27), utilizou também o conceito de televidência (ou recepção), entendida por ele como “um processo complexo que carrega múltiplas interações da audiência com a TV a diferentes níveis e é objeto de múltiplas mediações”. Processo esse que não se restringe ao momento de assistência.

Segundo o autor, o sujeito frente à TV é condicionado individual e coletivamente. Ele tem maneiras de ver e distinguir os sentidos disseminados na mensagem televisiva. Orozco Goméz (1996, p.84) traz a perspectiva das múltiplas mediações, que são definidas como “processos de estruturação derivados de ações concretas ou intervenções no processo de recepção [...] e de fontes de mediação, os lugares onde se originam esses processos estruturantes”.

As mediações configuram e reconfiguram tanto a interação dos membros da audiência com a TV como a criação, por parte deles, do sentido dessa interação. Essa conceituação também foi utilizada por Lopes, Borelli e Resende (2002), embora haja pequenas modificações.

Com objetivo de tornar a teoria das mediações aplicável para análise, Goméz (1996) e Lopes, Borelli e Resende (2002) dividiram as mediações em categorias, embora eles admitam que essa organização não é extensiva nem definitiva, porque o jogo da recepção é um processo complexo e pode abarcar outros quadros sociais ou outras formas de racionalidade. Goméz utilizou as categorias de mediação institucional, mediação situacional, mediação individual e tecnológica. Já Lopes, Borelli e Resende definiram mediação subjetiva, mediação do cotidiano familiar, mediação da narrativa e mediação videotécnica.

Segundo esses autores, a produção de sentido é mediada em múltiplas mediações, que são marcadas por um espaço-tempo no processo de comunicação e por comunidades interpretativas – os lugares onde a audiência adquire sua identidade. Embora as mediações atuem simultaneamente, elas possuem diferentes forças no jogo da construção de sentidos.