5.2 Oppfatninger om sakene og partene
5.2.2 Oppfatninger om partene: maktforhold, ansvarstaking og myndiggjøring
No processo de interação humana, a pessoa alvo de cuidados de saúde reage aos acontecimentos em função das suas próprias perceções, expectativas e
necessidades individuais e dos objetivos do contexto clínico onde se insere (Marques, 2015). A interação profissional-cliente de cuidados de saúde e família é complexa, implica a decisão dos primeiros sobre os cuidados a implementar aos segundos, mas implica igualmente capacitá-los para tomarem decisões sobre si próprios nas transições provocadas pelos seus processos de saúde. Este processo cognitivo de tomada de decisão clínica envolve o pensamento crítico e converte o julgamento clínico em intervenções de enfermagem para resolver os problemas de saúde do cliente e família (Standing, 2017).
O processo de tomada de decisão requer informação (Yang & Thompson, 2016), ou seja, implica uma informação compartilhada entre o enfermeiro e o cliente, respeitando os aspetos éticos. Quando o enfermeiro e o cliente/ família estabelecem uma compreensão mútua da situação, definem em conjunto os objetivos a serem alcançados pelo cliente e quais os meios para os atingir. A interação que caracteriza esta díade representa uma mudança na visão do papel dos enfermeiros, indo desde o processamento prontamente disponível das informações do cliente, ao desenvolvimento de estratégias eficazes para reunir informação e planear intervenções de enfermagem de acordo com a pessoa sobre a qual recaem os cuidados. Igualmente, traduz uma mudança no modo como se perspetivam os clientes dos cuidados, na medida em que se lhes reconhece o poder para controlar que informação é importante para revelar aos profissionais de saúde.
O cuidado centrado nas pessoas é um processo de cuidados de saúde, e de enfermagem, que desenvolve os conhecimentos em saúde, além de promover uma maior participação dos clientes, que passam a gerir a sua saúde, reforçando a importância da parceria na tomada de decisão (Trakalo, Horowitz, & McCulloch, 2015; Kamei et al., 2017; Standing, 2017). Uma das razões principais para envolver o cliente na tomada de decisão clínica é o reconhecimento da existência de várias opções de cuidados para os diversos problemas de saúde e de que diferentes pessoas podem ter soluções diferentes adequadas (Trakalo, Horowitz, & McCulloch, 2015).
O enfermeiro e o cliente são parceiros iguais nesta interação social que, segundo Standing (2017), se expressa numa tomada de decisão partilhada através de três fatores: 1) consulta, pela qual se comunica preocupações e se discute a forma de resolvê-las, tendo em consideração a opinião de cada um
dos intervenientes; 2) negociação, onde se identifica um plano, estabelecido sobre as principais prioridades, com o qual todas as partes possam concordar e agir; 3) cooperação, em que se procura atenuar possíveis diferenças e trabalhar em conjunto, ajustando comportamentos, para alcançar o objetivo comum (Figura 1). Consulta Cooperação Negociação Tomada de Decisão Partilhada Transferência de Conhecimento
Figura 1 – A transferência de conhecimento na tomada de decisão partilhada
Adaptado de: Standing (2017)
Esta visão, relativamente recente, de que a tomada de decisão clínica é dinâmica, interativa e que gira em torno do cliente, que é um elemento ativo da equipa de saúde, leva a repensar como é feita a tomada de decisão em contexto clínico e qual a transferibilidade de conhecimento que a suporta, tanto ao nível dos profissionais, como dos clientes. Esta afirmação aparentemente consensual remete a decisão para o comportamento humano e as opções que a pessoa faz, por exemplo, na gestão da sua doença crónica e levanta a questão do tipo de conhecimento que é necessário para que esta seja baseada na evidência e efetiva. A informação partilhada potencializa uma tomada de decisão consciente sobre a ação a desenvolver (Marques, 2015).
Uma perspetiva muito relevante na tomada de decisão clínica é a prática baseada na evidência, em que se transformam problemas clínicos em questões e se localiza, avalia e emprega sistematicamente investigações contemporâneas como base para decisões clínicas (Pinto, 2018). A tomada
de decisão clínica engloba a integração crítica de evidências de pesquisa com informações sobre preferências do cliente, experiência clínica, contexto clínico e recursos para decisões (Baixinho et al., 2017).
O acesso a informação significativa pode influenciar a decisão clínica e melhorar a qualidade dos cuidados prestados (Pinto, 2018). O conhecimento empírico, objetivo e racional, possui um valor significativo quando o fenómeno de interesse é outro que não o comportamento humano (Streubet & Carpenter, 2013), o que nos coloca numa perspetiva mais humanista da investigação. A investigação qualitativa tem vindo a adquirir uma centralidade na expressão dos interesses e preocupações sociais. Como salientam Brandão, Ribeiro e Costa (2018), o paradigma qualitativo permite dar voz à sociedade, aos interesses dos atores sociais, explicitando como os processos são experienciados e as interpretações que lhe são imputadas. A ciência e os métodos de investigação que a acompanham proporcionam uma oportunidade de estudar e criar significado que contribui para a compreensão da dimensão humana (Streubet & Carpenter, 2013; Reed & Shearer 2018). Ao nível da saúde contribui para a clarificação dos motivos e dos processos que levam à tomada de decisão tanto dos profissionais como dos clientes. Isto deve-se ao facto de a decisão humana ser tomada sempre com algum grau de subjetividade e com a interação de uma multiplicidade de fatores difíceis de apreender, medir e replicar.
Compreender as inquietações humanas, os significados, a aprendizagem experiencial, o comportamento prático, as dificuldades do dia a dia, como são as suas decisões em ou fora de época de crises (Santos, Neves, & Carnevale, 2016), quais as estratégias de coping, são alguns elementos de difícil mensuração e que embatem claramente no modo como se tomam as decisões. Razão pela qual a investigação qualitativa tem sido entendida como uma mais-valia pelos profissionais de saúde, por permitir a compreensão alargada da realidade, desocultando o que profissionais e clientes sentem e dizem, aproximando as necessidades, expectativas e dificuldades na primeira pessoa, sem mediação da estatística, valorizando crenças e o significado que as pessoas atribuem às suas experiências de saúde/doença (Baixinho et al., 2017). Uma das principais vantagens da investigação qualitativa circunscreve- se à sua capacidade para introduzir mudanças, especificamente, no empoderamento e competências para agir, devido ao seu poder reflexivo
sobre a ação, os sentimentos e as representações. Esta vai-se assumindo, assim, como forma de investigar o conhecimento da experiência humana à medida que o exercício da cidadania é reivindicado, face a um crescente poder interventivo da sociedade (Brandão et al., 2018).
Um dos desafios dos investigadores é produzir evidência que seja útil, que promova melhorias nas práticas sociais e que subsidie a tomada de decisão (Abreu et al., 2017). Integrar no planeamento da investigação a integração e transferência do conhecimento, refletindo sobre a utilidade prática da sua pesquisa, tem originado uma crescente responsabilidade atribuída aos investigadores. Facto que tem despoletado uma nova área de estudo ao procurar identificar o melhor modo de transferir os achados científicos para o contexto clínico, quer a nível político, quer organizacional (Abreu et al., 2017). Nesse âmbito, a transferência do conhecimento refere-se ao conjunto de atividades e mecanismos de interação que promovem a disseminação, adoção e apropriação dos conhecimentos mais atualizados possíveis para permitir o seu uso na prática profissional e na gestão em saúde (Canadian Institutes of Health Research (CIHR), 2013). Este processo dinâmico e interativo, entre vários grupos de atores que trabalham em diferentes ambientes organizacionais, promove a aplicação dos conhecimentos para qualificar a saúde, traduzindo-se em serviços e produtos de saúde mais eficazes (CIHR, 2013; Abreu, 2017). O grande desafio no processo de transferência do conhecimento sustenta-se na integração dos resultados na adaptação das intervenções e na tomada de decisões mais oportunas e adequadas, com operações distintas para diferentes contextos, distinguindo-se da utilização do conhecimento pelo envolvimento dos interessados (Abreu et al., 2017). A construção do conhecimento que vivemos no século XXI está em constante mudança e diferencia-se substancialmente das atividades de pesquisa e de desenvolvimento teórico do passado. A variabilidade do ambiente da prática tem promovido uma reflexão sobre os resultados da pesquisa e teorias existentes, fazendo emergir a noção de precariedade e desatualização da informação que rapidamente ocorre. A história da ciência tem encontrado cada vez mais evidências de uma definição mais ampla de fenómenos, além do que pode ser explicado por processos mecanicistas.
A evolução do conhecimento em enfermagem, alicerçada no método científico empírico, tem procurado corresponder aos novos desafios com recurso
crescente à abordagem qualitativa para descrever e explicar os fenómenos (Reed & Shearer, 2018). O futuro dos cuidados de saúde deve representar um maior significado para as pessoas, perante o contexto social em que vivemos, e evidenciar a importância atribuída à participação do cliente no processo saúde-doença. Através de uma cultura de cooperação, envolvendo os participantes pela responsabilização, mutualidade e confiança, na tomada e decisão sobre os cuidados a prestar, será possível facilitar o desenvolvimento do conhecimento no contexto da prática de enfermagem e ajudar o cliente a otimizar o seu projeto de saúde (Marques, 2015). Consciência, atenção e concentração são competências críticas para os pesquisadores se tornarem participantes significativos, observando e descrevendo a natureza dos fenómenos. A conscientização, a atenção e a concentração podem fortalecer os esforços de pesquisa bem como o desenvolvimento do conhecimento e a sua transferência para a clínica (Reed & Shearer, 2018).