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4. Resultater og funn

4.2 Oppfatninger av læring og undervisning i matematikk og ligninger

A Análise da Conversa Etnometodológica tem seu interesse pela ação social humana que os indivíduos realizam. Ela é “etno” justamente por levar em consideração a perspectiva êmica, ou melhor, a perspectiva dos participantes. Para definir os propósitos teóricos e analíticos da Análise da Conversa Etnometodológica, recorremos a Heritage e Atkinson (1984), citado em Garcez (2008):

A meta principal da pesquisa em Análise da Conversa vem a ser a descrição e explicação das competências que usam e das quais dependem falantes quaisquer ao participar de interação inteligível socialmente organizada. No plano mais elementar, trata-se de um objetivo de descrever os procedimentos usados por quem conversa para produzir o próprio comportamento e para entender e lidar com o comportamento dos outros (GARCEZ, 2008, p. 18).

Percebemos neste trecho acima que o importante é o uso da linguagem durante a produção de uma ação social humana que está situada em um espaço e num tempo real.

Assim, o contexto histórico, cultural, social ao quais os participantes interacionais estão acometidos são de extrema importância para perceber a visão de mundo que os participantes expõem a todo o momento durante interação. Tornar o mundo visível ao outro significa demonstrar as motivações e pensamento que de certa forma justifiquem determinada ação ou conduta.

Nesse sentido, segundo Denzin e Lincoln (2007, p.4), “a pesquisa qualitativa é uma atividade situada que localiza o observador no mundo. Consiste em um conjunto de práticas interpretativas, materiais que tornam o mundo visível”11. Portanto, observar a

11T adução ossa do t e ho: Qualitati e esea h is a situated a ti it that lo ates the observer in the

o ld. It o sists of a set of i te p eti e, ate ials p a ti es that ake the o ld isi le DEN)IN & LINCOLN, 2007, p. 4)

46 conduta do outro e sua maneira de agir durante interação social, é uma forma de atentar para os costumes, cultura, língua, contexto, etc. daquele determinado grupo social.

Pelo fato de este estudo em ACE ter a capacidade de descrição, explicação e auxílio na interpretação das ações dos atores sociais em diferentes contextos, contamos com um estudo praticamente empírico de cunho qualitativo interpretativo. Para isso, utilizamos o aparato teórico dos estudos da Análise da Conversa tendo como principais métodos a gravação e a transcrição.

Perante os interesses da Análise da Conversa em observar como se dá a construção da organização interacional, o registro de dados naturalísticos é extremamente importante. Dessa forma, a gravação em áudio e vídeo, muito acessível nos dias atuais, encontra-se como forte aliada a esse tipo de pesquisa.

A gravação permite ao observador ouvir infinitas vezes o material, o que proporciona um melhor detalhamento e aprofundamento do conteúdo. Além disso, pode ocorrer uma disponibilização dos materiais coletados para outros pesquisadores interessados em produzir suas próprias análises, conforme Sacks (1984) apud Gago (2002, p. 92), justifica o uso de gravação: “porque podia botar minhas mãos nelas [gravações] e estudá-las repetidamente, e, também, consequentemente, porque outras pessoas poderiam olhar para o que eu tinha estudado e fazer com isso o que quisesse, como, por exemplo, discordar de mim”. Os dados são coletados por meio de gravação em áudio e/ou vídeo para então serem transcritos e utilizados como corpus de análise.

Para transcrever as conversas de uma pesquisa em Análise da Conversa Etnometodológica, o método de transcrição geralmente utilizado é o sistema convencional desenvolvido por Gail Jefferson, 1974 (ver anexo). Esse modelo de transcrição tenta fazer o registro dos enunciados produzidos da forma mais fiel possível procurando salientar, também, a entonação dos enunciados proferidos.

Segundo Gago (2002) existem dois tipos de modalidade de transcrição: (i) a escrita padrão e (ii) a escrita modificada. No primeiro, o sistema gráfico, há uma preocupação com a fala culta, de modo que o registro da fala se dê em norma padrão. Já no segundo sistema, há uma preocupação em registrar justamente os detalhes da produção falada, podendo ser feito de duas maneiras, tais quais: por meio do dialeto gráfico, que registra a forma como os interagentes realmente falaram; e, por meio dos símbolos fonéticos e fonológicos da Associação Internacional de Fonética. Porém, o uso do sistema modificado de grafia tem mostrado algumas desvantagens de modo que

47 alguns profissionais não linguistas acabam por desvalorizar o falante, construindo uma imagem desfavorável dele(a) em termos sociais. Além disso, há os que questionam a competência comunicativa dos falantes; e ainda há sobrecarga no registro, dificultando a compreensão do material. Nesse sentido, o autor Gago (2002) sugere:

o uso predominantemente da grafia-padrão nas transcrições, especialmente nos fenômenos de ocorrência majoritária no Brasil, reservando-se a grafia modificada somente para os casos em que: 1) houver demonstração de atenção sequencial dos participantes na conversa para o sinal não-padrão; e 2) os fenômenos possam ser explicados pelos participantes em atitude etnometodológica de auto-reflexão. O alfabeto fonético deve ser de uso mais restrito ainda, somente nas situações em que a proficiência fonológica esteja em questão (GAGO, 2002, p. 99).

Diante do trecho citado acima podemos observar que o autor propõe uma transcrição mista de grafia padrão e modificada e esta última utilizada somente quando houver primeiramente a relevância dos participantes para só depois considerar a do pesquisador.

Cabe salientar, ainda, que não existe um modelo de convenção de transcrição neutro, pois o próprio transcritor estará influenciado pelas suas motivações teóricas que essas transcrições devem abranger, sem contar que a escuta humana não é perfeita, o que acaba por influenciar também a transcrição.

A transcrição de dados é uma atividade muito importante da Análise da Conversa, pois é o primeiro passo que possibilita uma análise minuciosa da interação. Segundo Flick (2009, p. 16),

a pesquisa qualitativa usa o texto como material empírico (em vez de números), parte da noção da construção social das realidades em estudo, está interessada nas perspectivas dos participantes, em suas práticas do dia a dia e em seu conhecimento cotidiano relativo à questão em estudo.

Assim, neste trabalho, a partir das gravações que já foram produzidas e arquivadas anteriormente, selecionamos 2 aulas geminadas que foram utilizadas como corpus de análise dessa pesquisa em contexto de sala de aula de modo a observar como os interagentes (professor e alunos) utilizam da reformulação para garantirem o processo de ensino-aprendizagem.

Cabe esclarecer que, as aulas foram gravadas e transcritas durante a pesquisa de mestrado de Maurício Carlos da Silva, dissertação defendida em março de 2014. Estas

48 aulas foram arquivadas no banco de dados da professora Doutora Wânia Terezinha Ladeira do projeto “A co-construção do conhecimento: uma análise da fala-em- interação em sala de aula” com aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da mesma universidade, com o número do parecer 334.238, CAAE, 16672113.1.0000.5153, data 05/07/2013. Além de esta professora doutora ter sido orientadora da pesquisa de Maurício Silva, é orientadora da presente pesquisa. Também, menciono que o motivo de termos escolhido estas aulas para análise é o fato de elas conterem grande ocorrência de reformulações.

Ainda, é necessário explicar que, no caso desta pesquisa, tive acesso tanto à gravação quanto a transcrição (em uma primeira versão) em que ambos dados foram coletados por Maurício e se encontram em um banco de dados da professora orientadora. O sistema gráfico utilizado foi o da grafia padrão, salvo em caso de necessidade de grafia modificada da versão de Maurício. Porém, como não há um sistema de transcrição neutro (abordado acima), escutei novamente a gravação em áudio alterando a transcrição da versão do Maurício, obtendo, assim, uma segunda versão.

Após a descrição e análise da organização interacional na sala de aula, por meio da observação das reformulações, verificamos e observamos as competências comunicativas do professor e alunos compreendendo as potencialidades e limitações que caracterizam essas habilidades.