Assume-se em toda a evolução internacional e nacional revista sobre a saúde sexual e reprodu- tiva, que promover a equidade de género contribui para a obtenção de mais ganhos em saúde sexual e reprodutiva da mulher e na saúde da população em geral.
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Os homens e as mulheres têm papéis e responsabilidades diferentes, bem como distintas reali- dades sociais, e este facto não se prende apenas com as diferenças biológicas, mas também com as normas de género socialmente determinadas (OMS, 2001). Neste sentido, o Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN, s.d. c) salienta que os homens e as mulheres têm necessidades e experiências diferentes, assim como conhecimentos e valores, igualmente importantes. Por isso, defende que é necessário que cada utente participe na identificação das suas necessidades e prioridades para que os Serviços de Saúde possam respeitar as características associadas ao seu género, enquanto promo- vem a equidade em saúde. Também defende que é fundamental incidir sobre as representações que os/as profissionais mobilizam sobre o impacto dos significados de género no plano das práticas clíni- cas, da sua formação e das próprias relações e opções profissionais.
Entendendo-se este problema da promoção da equidade de género na promoção da saúde sexual e reprodutiva da mulher como um problema de saúde da comunidade, pela abrangência que comporta, este estudo será desenvolvido na vertente dos Cuidados de Saúde Primários (CSP). Esta valência faz parte integrante do sistema de saúde, constituindo-se como o seu âmago e contribuindo, desta maneira, para o desenvolvimento social e económico da comunidade. Por essas razões, como o estudo se relaciona com a saúde sexual e reprodutiva, foram seleccionados como pontos de interven- ção as consultas de Planeamento Familiar e de Saúde Materna praticadas no Centro de Saúde.
Neste sentido, o que se pretendeu com este estudo foi analisar quais eram as necessidades educativas de homens e mulheres, utentes e enfermeiros/as das consultas de Planeamento Familiar e Saúde Materna, para promover a equidade de género na saúde sexual e reprodutiva (SSR) dos/as utentes. Com essa intenção, formularam-se questões de investigação complementares para os estu- dos centrados nos/as utentes e nos/as enfermeiros/as.
No primeiro estudo, “Conhecimentos, atitudes, valores e comportamentos dos/as utentes das Consultas de PF e SM sobre a equidade de género na promoção da SSR” formularam-se três ques- tões de investigação:
i. Os homens e as mulheres, utentes das consultas de PF e SM, tiveram as mesmas fontes de informação sobre saúde sexual e reprodutiva?;
ii. Os homens e as mulheres, utentes das consultas de PF e SM, diferem nos seus conheci- mentos, atitudes, valores e comportamentos face ao planeamento familiar e à vida em famí- lia?;
iii. Os homens e as mulheres, utentes das consultas de PF e SM, têm a mesma percepção sobre a equidade de género nas atitudes, valores e práticas dos/as utentes e enfermei- ros/as nessas consultas?
Alcançar a resposta para a primeira questão implicou: caracterizar as fontes de informação sobre sexualidade e reprodução dos/as utentes das Consultas de PF e SM e averiguar a sua percep- ção sobre as fontes de informação que mais contribuíram para a sua aprendizagem sobre sexo e rela- ções interpessoais.
Com vista a obter uma resposta para a segunda questão foi necessário: analisar as atitudes, os valores e os comportamentos dos/as utentes face aos métodos de planeamento familiar e prevenção de IST’s; caracterizar os conhecimentos, atitudes e valores dos/as utentes sobre a infertilidade; carac- terizar os conhecimentos, atitudes e valores dos utentes sobre o aborto; analisar a percepção dos/as utentes sobre os papéis adoptados ou a adoptar pelo homem e pela mulher na família e averiguar as concepções dos homens e das mulheres sobre o tipo de participação masculina e feminina durante a gravidez e puerpério.
Por fim, alcançar a resposta à terceira questão implicou: comparar a percepção dos/as utentes sobre as atitudes, valores e práticas dos/as enfermeiros/as nas consultas de PF e SM com as que consideram que deveriam ter para aumentar a partilha de responsabilidades na SSR e averiguar as estratégias que os homens e as mulheres consideram que devem existir no Centro de Saúde para promover a equidade de género na SSR.
No segundo estudo, “Percepções dos/as enfermeiros/as sobre a equidade de género nas atitu- des, valores e comportamentos dos/as utentes e nas práticas clínicas de SSR”, centrado nos/as enfermeiros/as, formularam-se três questões de investigação, complementares das do primeiro estu- do:
i. Os enfermeiros e enfermeiras, nas consultas de Planeamento Familiar e Saúde Materna, têm a mesma percepção sobre a sensibilidade ao género na sua formação e prática profissional? ii. Os enfermeiros e enfermeiras, nas consultas de Planeamento Familiar e Saúde Materna, dife-
rem na sua percepção sobre as atitudes, valores e comportamentos dos/as utentes face ao planeamento familiar e à vida em família?
iii. As percepções dos enfermeiros e enfermeiras sobre a equidade de género nas atitudes, valo- res e práticas dos/as utentes e enfermeiros/as nas consultas de PF e SM são diferentes da
21 que consideram que deveriam ter?
Com vista a obter uma resposta para a primeira questão foi necessário: averiguar se a forma- ção em SSR, durante a escolaridade dos/as enfermeiros/as, foi sensível às questões de género e caracterizar a genderização na escolha dos cursos de especialidade dos/as enfermeiros/as e nas suas práticas.
Com vista a obter uma resposta para a segunda questão foi necessário: analisar a percepção dos/as enfermeiros/as sobre as atitudes, os valores e os comportamentos dos/as utentes face aos métodos de planeamento familiar e prevenção de IST’s; analisar a percepção dos/as enfermeiros/as sobre os assuntos relacionados com a vida sexual que os/as utentes tratam em casal; caracterizar a percepção dos/as enfermeiros/as sobre os conhecimentos, atitudes e valores dos/as utentes sobre infertilidade; caracterizar a percepção dos/as enfermeiros/as sobre os conhecimentos, atitudes e valores dos/as utentes sobre o aborto; analisar a percepção dos/as enfermeiros/as sobre o que os homens e as mulheres pensam sobre os papéis que desempenham nas tarefas domésticas; confron- tar a percepção dos/as enfermeiros/as sobre o papel que o homem desempenha com o que deverá desempenhar no planeamento familiar e durante a gravidez; confrontar a percepção dos/as enfermei- ros/as sobre o papel do homem durante a gravidez, o puerpério e os primeiros anos de vida do bebé com o que deverão ter; confrontar a percepção dos/as enfermeiros/as sobre os hábitos alimentares e o estilo de vida que os homens e as mulheres têm com o que deveriam ter durante a gravidez e anali- sar a percepção que os/as enfermeiros/as têm sobre as atitudes e valores dos homens e das mulhe- res em relação ao aleitamento materno.
Com vista a obter uma resposta para a terceira questão foi necessário: averiguar a percepção dos/as enfermeiros/as sobre a preferência, ou não, dos/as utentes serem atendidos por enfermei- ros/as do mesmo sexo; confrontar a percepção dos/as enfermeiros/as sobre a participação que o homem e a mulher acham que deverão ter nas consultas de PF e SM com a que o/a enfermeiro/a considera que devem ter; confrontar a percepção dos/as enfermeiros/as sobre a opinião dos/as uten- tes em relação às atitudes e comportamentos dos/as enfermeiros/as com os homens e as mulheres nas consultas de PF e SM com a que o/a enfermeiro/a considera que têm na prática e averiguar as estratégias que os/as enfermeiros/as consideram que devem existir no Centro de Saúde para promo- ver a equidade de género na SSR.