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Primeiramente fomos à sala do Programa Escola Zé Peão, situada no Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (CE/UFPB), para podermos entrar em contato com a coordenação pedagógica pedindo a contribuição para responder as perguntas no questionário, ao falar com as mesmas que por sinal foram bem receptivas, foram entregues os questionários para que as 3 (três) coordenadoras do Programa respondessem, porém apenas 2 (duas) coordenadoras entregaram os questionários respondidos, praticamente após 1 (um) mês que os mesmos foram entregues.

Para podermos apresentar o perfil dessas coordenadoras que respectivamente serão chamadas de C1 E C2, iremos fazer a seguir, um quadro sistemático, assim como foi feito anteriormente com os educadores.

QUADRO 11

Perfil das coordenadoras pedagógicas

Educador Anos de

atuação

Idade Sexo Formação

C1 8 anos 40 Feminino Pedagoga

C2 5 anos 24 Feminino Pedagoga

Fonte: Quadro organizado pela autora.

Foram feitas as mesmas perguntas no questionário para as coordenadoras do PEZP, em relação a 4° perguntas que fazia o seguinte questionamento:

4. Na sua concepção, você percebe alguns elementos como: comportamentos e/ou práticas religiosas referentes ao Ensino Religioso que são contemplados nas práticas educativas no PEZP? Qual sua posição em relação a essa questão?

A C1respondeu da seguinte forma: “Nas práticas educativas do Zé Peão não são abordadas temas com relação a religião, pois entendemos que é um assunto bastante pessoal, o que reforçamos sempre é a importância do respeito ao outro independente do que acredita”.

O que podemos identificar na fala da coordenadora C1, a afirmação de que o Zé Peão não aborda temas com relação com a religião, entretanto, podemos perceber uma contradição entre essa afirmativa com as falas dos educadores que aqui já foi exposto.

Já a C2 faz a seguinte afirmativa em relação a essa perguntas:

No programa Escola Zé Peão não há comportamento ou práticas explicitamente religiosas, pois, nos princípios metodológicos do programa, as questões religiosas não são trabalhados como eixos temáticos norteadores da prática educativa.

O programa busca educar seus estudantes por meio de 03 princípios metodológicos, utilizando eixos temáticos para orientar as discussões

sociais, e nestes eixos trabalhados nenhum busca discutir a diversidade religiosa. (C2, 2015)

Podemos analisar nessa fala duas questões postas por essa coordenadora, a primeira é e relação quando ela afirma que o PEZP “não há comportamento ou práticas explicitamente religiosas”. A segunda diz respeito quando a mesma afirma que o PEZP forma educandos de acordo com os princípios norteadores que são três que aqui também já foi mencionado, segundo essa educadora “utilizando eixos temáticos para orientar as discussões sociais, e nestes eixos trabalhados nenhum busca discutir a diversidade religiosa”.

Analisando essa afirmativa percebemos que há uma controvérsia em relação a esses princípios, uma vez que se os mesmos buscam orientar para discussões sociais e qual o motivo das questões religiosas não serem contemplados nessas discussões, umas vez que fazem parte do contexto social em que vivemos.

5. Em sua experiência no PEZP, como e quando você tem percebido ou percebeu questões que dizem respeito à diversidade ou intolerância religiosa?

A resposta da C1 foi à seguinte: “Em nenhum momento percebemos a intolerância religiosa nas salas de aula do Programa”. Observando que a mesma apenas adentrou a respeito da intolerância religiosa na pergunta levantada, nesse sentido, essa fala se contradiz com o relato, que vimos nesse estudo, do educador E3, o qual relata uma situação de intolerância religiosa no canteiro escola que ele estava atuando como educador.

A C2 diz o seguinte:

O PEZP trabalha com princípios educativos que levam em consideração o contexto em que o educando está inserido, os momentos onde pode haver maior possibilidade de discussões sobre as tradições religiosas, são quando em sala de aula são trabalhados os seguintes eixos temáticos: Páscoa, Festejos Juninos, Tradições Nordestinas e o dia da Consciência Negra. (C2, 2015)

Na fala da C2 já põe em questão a afirmativa da C1, pois aqui a C2 dá uma visão de que o PEZP, em seu processo educativo possibilita discussões acerca de questões religiosas quando se destina a datas comemorativas, ela nos remete que o PEZP.

Já na sexta e última pergunta, que faz o seguinte levantamento:

6. Em sua ótica de que forma o Ensino Religioso pode contribuir na formação dos educandos do PEZP?

A C1 responde, “Qualquer área de educação ou disciplina, sempre contribuirá se ficarem fundamentadas no respeito, na ética na tolerância, na solidariedade”. A C2 responde: “Acredito que o ensino religioso pode se tratar no programa de forma transversal, sua contribuição seria mais voltada ao trabalho do respeito às diferentes manifestações religiosas”.

Percebemos então que nas falas das duas coordenadoras pedagógicas do PEZP, que estão abertas a propostas educativas que possam contribuir para uma educação mais humanizadora que valoriza e respeita o outro de acordo com suas particularidades e crenças, nessa perspectiva que defendemos a inserção do Ensino Religioso na proposta educativa do PEZP, uma vez que esse ensino a partir das “Ciências da Religião ao se constituírem como uma das bases epistemológicas para o Ensino Religioso contribuíram para a compreensão do humano, enquanto ser, aberto à transcendência e histórico- culturalmente situado dentro de referências religiosas, influenciadas por elas de múltiplas maneiras e, muitas vezes, agindo a partir delas” (JUNQUEIRA e FRACARO, 2012, P. 06).

O Ensino Religioso entendido como disciplina do componente escolar, o qual é reconhecido pela Constituição de 1988 e pela LDB de n° 9394/96, como uma área de conhecimento, e a partir dessas legislações que caracteriza a identidade desse ensino acerca dos princípios que ele propõe. Assim esse ensino passa a ser um grande contribuidor no processo educativo do PEZP, não apenas sendo trabalhado como tema transversal, como propõe os educadores e as coordenadoras desse programa, mas ampliando a visão de uma disciplina que possibilita formar educandos reflexivos e críticos e que respeita a diversidade religiosa existentes em nosso contexto social e a partir da experiência e análise feita aqui, percebemos que há uma necessidade de incluir esse ensino na proposta do PEZP.