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Entre 1892 e 1893, a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, liderada por Luiz Cruls identificou e demarcou quadrilátero de 14.400km2 abrangendo áreas de Planaltina e Luziânia, para a implantação do futuro Distrito Federal. Equipe multidisciplinar estudou o clima, topografia, fauna, flora e hidrografia.

Os recursos hídricos apresentavam-se particularmente favoráveis:

Felizmente, a nova capital do Brazil poderá ser abastecida com um volume d’água potavel muito superior áquella (refere-se a cidade de Paris) e sem que se tornem necessarias obras de arte de grande custeio. O systema hydrographico da zona demarcada é com effeito de uma riqueza tal que qualquer que seja o logar escolhido para edificação da futura capital, encontrar-se-há, sem grandes difficuldades, agua sufficiente para abastecê- la a razão de 1000 litros diarios por habitante.38

O clima descrito como extremamente salubre, em que o emigrante europeu não precisa de acclimação, pois encontrará ahi condições analogas ás que offerecem as regiões mais salubres da zona temperada européa. O mesmo relatório já destacava a baixa umidade do ar no período de Abril a Setembro. Ver Mapa localização - Figura 4.1

38

Relatório da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, relatório Cruls, p.109 Fig. 4.1 - Mapa - localização da futura capital

59 Cruls passa a presidir a Comissão de Estudos da Nova Capital da União e desenvolve na área do quadrilátero demarcado anteriormente, estudo mais detalhado para a escolha definitiva do local de edificação da capital. A. Glaziou, botânico participante da Comissão faz as primeiras referências sobre o possível Lago Paranoá a partir da construção de uma barragem.

Entre o lançamento da Pedra Fundamental da futura capital, no Morro do Centenário próximo a Planaltina, ocorrido em 1922,39 e a aprovação da lei para a escolha do sítio no Planalto Central em 1952, uma nova comissão chefiada por Djalma Poli Coelho reforça a escolha da área identificada na Missão Cruls.

A escolha final foi realizada após os estudos empreendidos por Donald Belcher & Associates, que recomendava cinco sítios para a nova capital. Designados por cores, recaiu sobre o sítio castanho, em especial pela hidrografia, topografia convexa aberto a todas as influências dos ventos predominantes. Assim destaca o relatório Belcher:

...o sistema de drenagem para aproveitamento com reservatórios e o potencial de suprimento d’água que é excelente. E as grandes bacias ao Norte e a Oeste do sítio prometem fornecer quantidades adequadas de água como também um mínimo de bombeamento requerido para trazê-la à cidade40.

Nesta avaliação a população prevista para a cidade, era de cerca de 500.000 habitantes. Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD41), em 2004, o DF contava com 2.096.534 habitantes.

Os limites da área destinada ao Distrito Federal42 (5789km2) foram destacados do Estado de Goiás a título de áreas de necessidade e utilidade públicas e de conveniência ao interesse social (Figura 4. 2). Foi criada a Comissão de Cooperação para a Mudança da Capital Federal, para o estudo histórico e jurídico da cadeia dominial das fazendas situadas no DF em 1955. (Decreto 1258/1955)

39

Centenário da Independência do Brasil

40

Relatório Técnico sobre a Nova capital da República, relatório Belcher, p. 29 41

1a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (2004): Pesquisa realizada pela Secretaria de Estado de Planejamento, Coordenação e Parcerias do Distrito Federal - SEPLAN em convênio com a Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central, CODEPLAN. Levantamento nas áreas urbanas do DF nas 27 regiões Administrativas existentes em 2004. 42

60 O Distrito Federal como definido no Relatório Belcher, encontra-se inserido nas bacias do São Francisco, Paranoá e Tocantins sendo uma região de nascentes, pequenos córregos e riachos situados nas cabeceiras destas principais bacias hidrográficas do território brasileiro. Apresenta, portanto água de boa qualidade, porém relativa escassez por estar em região de cabeceiras.

A paisagem predominante é a do Brasil Central, com planaltos (plano alto) naturalmente implantados sobre terrenos metamórficos diversos, em clima tropical. As Chapadas e superfícies suavemente onduladas, recobertas por formações vegetais ralas, típicas dos mosaicos característicos do bioma Cerrado.

O clima predominante na região é o tropical, bem caracterizado por regimes pluviométricos distintos: seca, entre os meses abril e setembro, e chuvoso de outubro a março com pluviosidade anual média de 1600 mm. A temperatura média anual varia de 18 a 22ºC. Desde o final da década de 1950, justificada pela construção de Brasília, aportam à região, migrantes de todo o país e provocam a acelerada descaracterização do ambiente natural pelo processo de urbanização, atividades agro-pecuárias e uso intensivo dos recursos naturais existentes.

Fig. 4.2 – Localização dos limites das áreas indicadas pela Missão Cruls e Relatório Belcher. (Fortes et AL (2007)

61 Atualmente a rede urbana ampliada, é constituída pelas cidades satélites e os diversos núcleos do Entorno do DF, e de Estados vizinhos componentes da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno – RIDE.

Ao longo da história do DF a preservação dos recursos naturais é defendida no planejamento oficial do uso e ocupação do solo no Distrito Federal, em especial dos recursos hídricos, como

fator preponderante na política de uso dos espaços urbanos e rurais do território.No entanto

a urbanização tem provocado impactos negativos sobre o sistema geofísico apresentados por erosões, assoreamento e poluição dos recursos hídricos.

Alguns fatores são importantes para a compreensão do processo de urbanização no Distrito Federal e seus impactos sobre o meio ambiente:43

 A sensibilidade dos solos da região aliada à acelerada urbanização e carência de sistemas de drenagem urbana provocaram impactos resultando em erosões (voçorocas) e assoreamento dos recursos hídricos.

 O trato inadequado dos resíduos sólidos vem favorecendo o improviso e a deposição clandestina do lixo que compromete a qualidade ambiental dos recursos hídricos e a qualidade de vida dos habitantes. Em 2007, o lixo é depositado próximo ao Jóquei Clube, conhecido como lixão da Estrutural, gerando impactos negativos ambientais, sociais e econômicos.

 Concessões e licenciamento ambiental de uso das águas, inadequados às reais condições de qualidade e quantidade de recursos hídricos, por inexistência de informações, vêm caracterizando a prática da gestão hídrica em que pese a escolha do sítio para a implantação da cidade ter sido precedida de estudos, que destacaram as fragilidades e potencialidades de seus recursos naturais, em especial do solo e dos recursos hídricos.  A fragmentação dos habitats naturais e a desconexão entre as áreas protegidas e

corredores ecológicos, constituídos naturalmente pelas matas de galeria, é provocada pelo processo de urbanização e pela expansão agrícola no território do DF e entorno.

 A expansão da agricultura mecanizada e irrigada, a partir da década de 1980 desenvolveu-se em larga escala nas áreas do entorno de Brasília, favorecida pelo reduzido valor das terras incultas, da vegetação rala e de topografia suave, dos incentivos oferecidos e das tecnologias próprias ao manejo desses solos. A pecuária, com menor representatividade é também praticada na região.

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