• No results found

A Figura 5-67 apresenta a compilação do panorama atual e dos cenários propostos para o açude Santo Anastácio, com os valores médios de entrada e saída.

Figura 5-67 Compilação do panorama atual e dos cenários no ASA.

Fonte: Autor, 2016.

Para o ASA, no panorama atual, o modelo integrado mostrou uma remoção de 35,8% na concentração de PT, reduzindo de 2,32 mg/L para 1,49 mg/L e chegando ao regime permanente em 32 dias, conforme ilustram as Figuras 5-68

e 5-69. Esse valor encontra-se acima do que preconiza a legislação ambiental para ambientes lênticos. Os resultados são próximos quando comparados com o cenário 4, que avaliou o assoreamento do reservatório. Nota-se uma concentração final maior (1,53 mg/L) e um menor percentual de remoção (34,1%). Isso mostra que se nada for feito e com a taxa de assoreamento do ASA, o sistema integrado continuará sendo degradado progressivamente, comprometendo assim a qualidade da água no tocante ao fósforo total.

Figura 5-68 Concentrações de PT no ASA e tempo para chegada no regime permanente. Fonte: Autor, 2016. 1,49 0,62 1,53 1,18 1,53 0,64 0,79 1,03 0,33 0,03 0,00 1,53 0,27 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 P T ( m g /L )

Figura 5-69 Concentrações de PT na saída do ASA e percentuais de remoção.

Fonte: Autor, 2016.

Os cenários 2 e 11 propuseram alterações de vazões afluentes ao canal, sendo eles, redução e aumento da vazão, respectivamente. Nota-se que não foram obtidos impactos significativos nestes cenários. As concentrações finais foram idênticas (1,53 mg/L), com diferenças no tocante ao alcance do regime permanente, em 26 dias para o cenário 2 e 32 dias para o cenário 11, o que correspondeu a uma remoção de 34,1% de fósforo total.

Diferentemente do ocorrido no canal, onde as alterações das vazões promoveram diferenças entre as concentrações finais de PT, no ASA, os valores foram próximos. Isso pode ser atribuído ao efeito reservatório que minimiza as variações.

Avaliando o cenário 3 (dragagem do ASA) nota-se uma suave melhoria no percentual de remoção (49,1%) e na concentração final (1,18 mg/L) alcançando o regime permanente em 56 dias. Esses valores podem ser visualizados nas Figuras 5-67 e 5-68. Isso mostra que a ação isolada da dragagem não é suficiente para o atendimento da Resolução do CONAMA 357/05 para ambientes lênticos. A melhoria ocorrida provavelmente está relacionada com um maior tempo de detenção hidráulico o que proporciona um maior tempo para ocorrências dos mecanismos de remoção de PT no reservatório.

0 20 40 60 80 100 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 % d e r e m o çã o P T ( m g /L )

Os cenários 1 (remoção total da concentração de PT afluente ao canal) e 5 (remoção da vazão incremental linear) apresentaram valores próximos. Obteve- se 73,3% de remoção para o cenário 1, com concentração final de 0,62 mg/L. Já para o cenário 5 o valor foi de 0,64 mg/L, o que correspondeu a 72,4% de remoção. Ambos os cenários alcançaram o regime permanente em 40 dias. No entanto, os valores se situaram acima dos recomendados pela Resolução do CONAMA 357/05. Estas ações isoladas em cada cenário promoveram melhorias no canal, comparados com o panorama atual, o que repercutiu positivamente no ASA, mas, aquém do estabelecido pela legislação ambiental, como pode ser visto nas Figuras 5-67 e 5-68.

Os cenários 6 e 7 propuseram remoções de cargas isoladas ao longo do canal, sendo a remoção da carga de esgoto (cenário 6) e da carga dos resíduos sólidos (cenário 7). Notam-se concentrações finais de PT de 0,79 mg/L e 1,03 mg/L de PT para os cenários 6 e 7, o que corresponde a remoções de 66% e 56%; o regime permanente foi alcançado aos 36 dias e 48 dias, respectivamente. Apesar das remoções, os valores mostraram a necessidade de ações combinadas para atendimento a legislação ambiental.

Os cenários 8 e 12 simularam a utilização de ações combinadas, sendo que o cenário 8 previa a remoção das cargas do esgoto e dos resíduos sólidos no canal, e no cenário 12, além da remoção das cargas citadas, foi considerado também a dragagem do ASA. Os valores foram melhores quando comparados com cenários de ações isoladas, com concentrações finais de PT de 0,33 mg/L e 0,27 mg/L de PT para os cenários 8 e 12, o que corresponde a remoções de 85,8% e 88,4%, alcançando o regime permanente aos 48 dias e 44 dias, respectivamente. No entanto, como a concentração afluente ao canal não foi alterada nos cenários em questão, nota-se que não foi possível atender a legislação ambiental para ambientes lênticos de classe 2, apesar dos maiores percentuais de remoções e menores valores nas concentrações finais.

As ações isoladas, tanto para o canal como para o ASA não foram suficientes para promover melhorias significativas e não atenderam a Resolução do CONAMA 357/05. As Figuras 5-70 e 5-71 mostram a compilação dos cenários propostos e os impactos no ASA.

Assim como para o canal, os dois cenários que conseguiram atender os padrões estabelecidos pela Resolução do CONAMA para o ASA foram os cenários 9 e 10. As concentrações finais de PT de 0,03 mg/L e 0,00 mg/L de PT, o que corresponde a remoções de 98,7% e 100%, alcançando o regime permanente aos 48 dias e 27 dias, respectivamente, como mostram as Figuras 5- 70 e 5-71. Da mesma forma que foi relatada no canal, para o ASA só é possível atender a legislação ambiental com adoção de medidas extremas combinadas. A redução de 90,1% na concentração de PT (cenário 9) ou da remoção total concentração (cenário 10), aliado a remoção das cargas lançadas ao longo do canal.

Figura 5-70 Comparação entre o panorama atual e os cenários 1 a 6 no ASA e verificação do atendimento à Resolução do CONAMA 357/05.

Fonte: Autor, 2016. 0,00 0,40 0,80 1,20 1,60 2,00 2,40 0 10 20 30 40 50 60 P T ( m g /L ) t (dias)

Panorama atual Cenário 1

Cenário 2 Cenário 3

Cenário 4 Cenário 5

Figura 5-71 Comparação entre os cenários 7 a 12 no ASA e verificação do atendimento à Resolução do CONAMA 357/05.

Fonte: Autor, 2016.