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Oppbygging av oppgaven

Aos acidentes de trabalho é associada a figura de um culpado, e a pesquisa procurou conhecer quem seria o responsável, segundo os respondentes, pelos acidentes sofridos por eles. Os resultados obtidos mostram que na Unidade A 48% (16) dos trabalhadores assumiram a culpa pelo acidente, 45% (15) culparam a empresa e 6% (2) referiram a culpa a “outros”. Na Unidade B, 33% (7) assumiram a culpa, 14% (3) culparam a empresa e 52% (11) alegaram ser de “outros” a culpa pelo acidente (Figura 11). 48% 33% 45% 14% 6% 52% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60%

Sua Empresa Outros Unidade A

Unidade B

Figura 11 – Distribuição percentual dos culpados pelos acidentes de trabalho citados pelos

trabalhadores nas Unidades pesquisadas no período de julho a setembro de 2007.

Observa-se um elevado percentual de culpa atribuída a “outros” pelos trabalhadores da Unidade B; isso provavelmente se deve ao fato da empresa oferecer treinamento, o que de certa forma, faz com que o trabalhador sinta que não foi responsável pelo acidente ocorrido com ele. Na Unidade A, a maior parte dos trabalhadores da amostra se divide entre atribuir a culpa a si mesmo ou à empresa. Quando perguntados sobre quem seriam os “outros” verifica-se que nas duas unidades pesquisadas a atribuição da culpa recai principalmente sobre os colegas (Figura 12).

100% 70% 10% 10% 10% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%

Colega Empresa Estrutura física Não sabe

Unidade A Unidade B

Figura 12 – Distribuição percentual das respostas sobre a identidade dos “outros” citados como

causadores dos acidentes pelos trabalhadores nas Unidades pesquisadas no período de julho a setembro de 2007.

Na Unidade A, 100% (2) atribui aos colegas a culpa pelos acidentes sofridos, enquanto na Unidade B esse percentual é de 70% (7). Diante disto convém considerar que além das questões estruturais, operacionais, legais, a responsabilidade deve ser um item a ser acrescentado no conteúdo das atividades de treinamento especialmente para atividades exercidas em grupo.

Oliveira (2003) considera que o raciocínio de que o trabalhador é indisciplinado, negligente, imperito ou imprudente, induz o avaliador a erro na interpretação de seus dados. A descrição de ato inseguro, em alguns casos, serviria apenas para ocultar procedimentos operacionais inadequados ou para responsabilizar o trabalhador pelo acidente com ele ocorrido. Da mesma forma o autor alerta para o fato de não se tomar como verdade a premissa de que o trabalhador nunca erra. Sem o treinamento apropriado, a forma rotineira e inadequada se transforma no procedimento de trabalho que inviabiliza a implementação de práticas adequadas. O autor ainda afirma que grande parte dos acidentes de trabalho tem sua origem no comportamento do trabalhador. Este comportamento que muitas vezes é passivo perante o risco, torna-se, assim, um agravante principalmente nos casos onde o risco foi inadequadamente avaliado ou não passou sequer por qualquer tipo de avaliação (OLIVEIRA, 2003).

Lima (1999) observou que os trabalhadores que mais freqüentemente sofriam acidentes de trabalho apresentavam menor grau de escolaridade, exerciam ocupações não qualificadas e não recebiam treinamento para realizar as tarefas que exerciam. Somados a estes fatores, tinham renda mensal baixa, jornadas semanais longas e pouco tempo na função.

Para Oliveira (2003) o comportamento do trabalhador frente a um acidente de trabalho deve ser avaliado com cuidado e mesmo que este comportamento tenha sido o causador do acidente, deve-se considerá-lo como causa secundária. Segundo o autor o que se deve valorizar é o que pode ter levado tal trabalhador a esta ação de risco. Quais seriam os determinantes que levariam esses trabalhadores a se expor, direta ou indiretamente a riscos ocasionados pelo seu trabalho, se tais riscos foram decorrentes de erros no ambiente de trabalho, das relações de trabalho ou ainda de sua vida pessoal.

O ritmo acelerado de trabalho é causa de um maior número de acidentes podendo levar a mortes ou a um maior número de trabalhadores com perturbação mental (OLIVEIRA, 1997). Nas UANs o ritmo das atividades requer reflexões tendo em vista que poucas são as atividades que podem ser antecipadas uma vez que todas as refeições têm horários pré-determinados e devem ser servidas imediatamente após a sua elaboração para evitar riscos ao indivíduo. Tal situação requer não apenas uma condição estrutural adequada, mas o planejamento e o número de funcionários compatíveis com a demanda.

Vilela, Iguti e Almeida (2001) analisaram 71 ocorrências de acidentes de trabalho e verificaram que 80% (57) foram atribuídos a atos inseguros cometidos pelos trabalhadores; a centralização no indivíduo pode ser devido ao paradigma saúde e segurança do trabalho que culpa o trabalhador pelo acidente.

Para Asfahl (2005) é ingenuidade pensar que a proteção ao trabalhador tem somente objetivos humanitários; essa questão pode aparecer apenas como fator de lucro para a empresa porque pode ocorrer a redução nos lucros anuais por ocorrências de acidentes ou doenças com seus trabalhadores.

O número elevado de licenças médicas ou acidentes de trabalho compromete a produtividade e qualidade do que é produzido não somente por inativação do funcionário atingido, mas por paralisar o serviço de outros funcionários durante o processo produtivo, quer seja para socorrer quem foi atingido ou apenas para olhar o ocorrido.

A publicação Accident preventium manual for industrial operations da National Safety Council, citada por Asfahl (2005), indica condições onde o custo com o acidente pode ser pouco visível; entre tais situações, encontram-se ainda os custos advindos do desgaste de equipamentos com o acidente, com as “horas extras” devido ao afastamento de trabalhadores acidentados, com o treinamento dos novos contratados. Caixeta e Branco-Barbosa (2005), verificando a ocorrência de acidentes de trabalho em equipes

de enfermagem, identificaram que o treinamento não interferiu, na amostra estudada, no coeficiente de acidentalidade.

No mundo milhares de pessoas se tornam incapazes, mutiladas ou até mesmo morrem em função dos acidentes ocorridos no trabalho. As causas variam desde erros do próprio trabalhador a condições impróprias para o desempenho da função (OLIVEIRA, 2003). Os acidentes de trabalho ocorrem em maior número com trabalhadores jovens, portanto, a falta de atenção em lidar com situações de risco por parte de gestores, pode se refletir na economia do país, tendo em vista que os jovens estão no início de sua contribuição econômica (SANTANA et al 2007).

Para alguns pesquisadores, no entanto, a prevenção de acidentes ainda é uma questão que requer atenção específica para melhorar a qualidade individual e coletiva do trabalho. Facchini et al. (1997) ao desenvolverem materiais educacionais para chamar a atenção dos trabalhadores sobre os riscos a que estão expostos verificaram que tais ícones devem sempre ser primeiramente avaliados pelo grupo em questão a fim de que se tenha a certeza da compreensão deles sobre aquele símbolo. Isto reforça a importância do envolvimento de cada grupo na implantação e implementação destes materiais.

Asfahl (2005) cita abordagens da OSHA que podem servir para reduzir estes riscos e a supervisão talvez seja a mais utilizada. Todavia, quando aplicada, deve ser eficaz no sentido de também atribuir punições severas a todos os que não seguem os procedimentos de segurança e de proteção recomendados ou normatizados.

Mesmo sem planejamento as unidades trabalham no sistema de supervisão. O nutricionista é responsável pela execução de todas as atividades assim como pelos manipuladores. Embora a supervisão tenha como objetivo a produção do alimento seguro e cumpra a legislação pertinente observa-se que do ponto de vista do combate a acidentes e doenças ocupacionais ela não é tão eficiente, tendo-se como hipótese o fato de que os manipuladores não recebem o treinamento adequado para o assunto.

Asfahl (2005) ressalta ainda a importância de uma abordagem quantitativa e analítica que subsidie políticas de prevenção de acidentes ocupacionais neste segmento, considerando situações de risco, de perigo, probabilidade de ocorrência, epidemiologia das ocorrências para assim se coletarem dados fidedignos. No entanto reconhece-se que o número de ocorrências notificadas como relacionadas ao trabalho ainda não corresponde à realidade. Provavelmente isso se deve ao desconhecimento de que a

doença em questão tenha sido adquirida no trabalho, pois nem todas são claramente diagnosticadas.

Santana et al (2007) referem-se ao sub-registro dessas informações. Uma apuração feita nos Estados Unidos mostrou que este sub-relato estaria estimado entre 33% e 69%, sendo maior entre trabalhadores autônomos e do setor público. No Brasil os autores relatam que esta falta de registro pode atingir 90% dos casos de acidentes ou doenças ocupacionais, variando de acordo com a região, e apontam como uma das causas a falta de questionamentos a respeito do acidente pelo atendente de saúde.

O setor de serviços foi responsável por 45,7% dos acidentes, excluídos os dados de atividade "ignorada". Nos acidentes típicos, os subsetores com maior participação nos acidentes foram produtos alimentares e bebidas, com 10,6%, e saúde e serviços sociais, com 8,3% do total (MPAS, 2007).

Programas de segurança ao trabalhador, vigentes nas empresas, têm normalmente baixo desempenho, baixo orçamento e visam apenas o cumprimento da legislação vigente. Têm por finalidade maior evitar multas e aborrecimentos quando essas empresas são fiscalizadas. Muitas não contam nem com este tipo de programa, tendo em vista que as fiscalizações são raras pois não há número suficiente de profissionais para a visita técnica de todas as empresas (OLIVEIRA, 2003).

Para Machado (1994) o acidente de trabalho quando encarado como forma de violência pode levar a relações de maior importância do estudo na área de saúde do trabalhador.

No trabalho em pauta, quando solicitados espontaneamente a citar medidas de segurança adotadas pela empresa que visassem à proteção do trabalhador, ou a sua própria segurança, a maior parte 95% (161) dos trabalhadores não conseguiu listar algumas medidas e, dentre os que citaram algum item, a resposta se referiu ao uso de EPIs. Apenas um trabalhador citou a realização de treinamento específico como medida de segurança.

Qualquer programa de proteção à segurança e à saúde do trabalhador, deve contar com a participação e o compromisso dos envolvidos. A segurança está diretamente ligada a programas implementados com esta finalidade entretanto para que possam ser avaliados devem considerar aspectos culturais, ou seja, devem considerar “a forma como as partes interessadas vislumbram e abordam a questão”, sem desprezar as ferramentas que serão utilizadas para identificar e avaliar estes riscos. No Brasil não é comum que altos executivos de grandes empresas estejam envolvidos no

desenvolvimento ou na manutenção de programas de segurança voltados a trabalhadores, ficando este envolvimento restrito a casos onde o acidente possa de algum modo interferir com a imagem da empresa em questão (OLIVEIRA, 2003).

Nesta pesquisa o tratamento estatístico dos dados obtidos com relação à “experiência anterior, acidentes de trabalho e doenças ocupacionais” não mostra significância (p = 0,1168); isto pressupõe que mesmo que as funções anteriores tenham sido bem diferentes das atuais não contribuíram para o aumento do risco ocupacional entre estes trabalhadores. Sobre a relação “treinamento, acidentes de trabalho e doenças ocupacionais” os resultados obtidos na amostra em estudo não tiveram significância (p = 0,1319), indicando que o trabalhador, treinado ou não, tem a mesma possibilidade de ser vítima de acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais.

Como no Brasil se estima que uma entre cinco refeições servidas é consumida em restaurantes, lanchonetes, cozinhas industriais ou hospitais (AKUTSU et al., 2005), é possível avaliar o universo de trabalhadores para o setor e a possibilidade de uma maior ocorrência de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais que podem não apenas comprometer a saúde individual como também onerar os custos do Estado.

Sant’ana (1994) alerta que a interação do homem e o meio ambiente onde se desenvolve o seu trabalho pode ser benéfica ou maléfica à saúde caso os riscos deste ambiente ultrapassem os limites estipulados para a tolerância.