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Skewness og Kurtosis i dette utvalget

In document Lojalitetsprogrammer i reiselivet (sider 35-0)

5.2 Hvorfor dette utvalget

5.2.1 Skewness og Kurtosis i dette utvalget

Vimos anteriormente que a musicalização é um processo eficiente para o desenvolvimento de competências formativas nos indivíduos, onde trabalha esquemas musicais, cognitivos, psicomotores, afetivos e sociais - fatores preponderantes para a capacitação humana. Neste âmbito, discutimos como proposta musicalizadora um trabalho colaborativo com a percussão coletiva, apontando estratégias criativas para a sua efetivação na escola. Também vimos que uma destas estratégias trata-se do manuseio de instrumentos percussivos confeccionados pelos próprios estudantes a partir de materiais reciclados - prática que viria a suprir a carência de instrumentos tradicionais no contexto escolar.

206 Op. cit.

Neste tópico, refletiremos sobre como a musicalização - através destas práticas percussivas inovadoras - congrega outras questões educativas, associando saberes relacionados à educação das relações étnico-raciais e socioambientais, atuando como uma ferramenta interdisciplinar no currículo de ensino. Desta forma, passaremos a enfatizar a partir de agora, a percussão como um meio para se desenvolver um processo educativo mais amplo, em que a própria música atua como mediadora de diversas aprendizagens significativas.

Quando tratamos de percussão coletiva, sempre associamos a esta prática um grande acervo de instrumentos musicais diversificados, cujo valor de mercado é bastante elevado. No entanto, vimos anteriormente que existem diferentes propostas para se desenvolver um trabalho rítmico eficaz em grandes grupos sem a necessidade de tais instrumentos. Uma destas propostas seria a percussão corporal - eficiente principalmente para uma capacitação psicomotora no indivíduo. Outra, seria a percussão com instrumentos cotidiáfonos - estratégia criativa que defendemos neste estudo por se tratar de uma prática acessível e que supriria a ausência de determinados instrumentos tradicionais nas escolas.

Esta prática concilia diferentes áreas de conhecimento e de abordagens pedagógicas, uma vez que trata da reciclagem como principal meio para se desenvolver os instrumentos percussivos, ao passo em que a pluralidade cultural e o respeito étnico-racial também são trabalhados junto ao repertório rítmico - voltado principalmente à cultura afro-brasileira. Nestes parâmetros, enfatizamos em nosso discurso a música percussiva como o mecanismo principal de uma engrenagem educativa envolvida por vários conhecimentos. Em outras palavras, trata-se de uma ferramenta de integração que congrega diferentes áreas, sendo por isso, um elemento chave para nos aprofundarmos no campo da “interdisciplinaridade”.

Na visão de Freire, Ludmila (2015, p. 42) “[...] a interdisciplinaridade dirá respeito às interações e colaborações entre duas ou mais disciplinas, [...] estabelecendo reciprocidade e enriquecimento mútuo, respeitando a natureza e o objeto disciplinar de cada campo”. Tal perspectiva vai de encontro com a nossa proposta de musicalização em percussão, uma vez que tal atividade utiliza em suas ações, conhecimentos voltados à tríade: Música, Educação Socioambiental e Relações Étnico-Raciais.

Para se desenvolver um trabalho colaborativo desta natureza em um determinado contexto escolar, deve-se utilizar como premissas básicas estas três questões educativas, sendo estas preponderantes para o processo de musicalização e de formação humana nos alunos. Quando citamos a área musical, obviamente nos referimos a um trabalho voltado para o desenvolvimento de mecanismos de apreensão da linguagem sonora, onde o aluno irá se

expressar e interagir com o universo rítmico das variadas manifestações da cultura popular, despertando sua criatividade e criticidade musical a partir de técnicas, experimentações, improvisações e apreciações com a música percussiva em coletivo. Para Paiva (2004, p. 16):

Essas atividades formam os parâmetros da educação musical e quando trabalhadas de maneira integrada, possibilitam a vivência e a construção de um conhecimento musical sólido e mais amplo, à medida que além das habilidades técnicas para a execução de um instrumento, busca-se desenvolver também as capacidades de escuta, improvisação, interação em grupo e crítica musical. [...].

Em nossa proposta de musicalização, para o desenvolvimento destas competências e habilidades, há a necessidade de um trabalho rítmico com instrumentos percussivos - os quais serão confeccionados pelos próprios estudantes em oficinas ecológicas. Tais oficinas constituem-se como espaços de aprendizagem formativa, onde acontecem experimentações sonoras, criatividade, sociabilidade, ludicidade e sensibilização quanto aos problemas atrelados ao meio ambiente. “Nesse contexto, a construção de instrumentos musicais com material alternativo [ganha] mais visibilidade ao ligar-se a outras áreas além da musical, incentivando o reaproveitamento de materiais em conformidade com a propagação de novos valores de respeito ao meio ambiente e pelo baixo custo operacional” (GARCIA, 2013, p.22). Além da música e do meio-ambiente como áreas trabalhadas, outra temática imprescindível para o sucesso desta proposta interdisciplinar trata-se das relações étnico- raciais, as quais em conformidade com os conhecimentos da cultura afro-brasileira trabalharão valores e ressignificações através do repertório rítmico - voltado principalmente a este tipo de manifestação. O contato dos alunos com diferentes ritmos e saberes oriundos desta cultura, proporcionará uma abertura para a troca de experiências significativas, além da ampliação do universo cultural entre os mesmos.

A diversidade de ritmos, estilos e gêneros musicais foram buscados, no sentido de ampliar e enriquecer a consciência musical do estudante. Cada tipo de música possui uma linguagem, sonoridade e características próprias. Portanto, a diversidade contribui para a formação musical, para a quebra de preconceitos, para a valorização cultural e para a ampliação dos horizontes estéticos e artísticos, indo além das questões de gosto musical ou de discussões infundadas sobre música. (PAIVA, 2004, p.55)

O incentivo ao diálogo e ao respeito étnico-coletivo também são aspectos preconizados, havendo quebra de preconceitos e de desconfianças, além da valorização das influências deixadas pelos nossos afrodescendentes. Sentimentos de pertença cultural e de identidade racial são fortalecidos através de constantes reflexões que acontecem paralelamente aos ensinamentos percussivos. Desta forma, “[...] fazer música através da percussão ou de práticas coletivas, faz com que os indivíduos envolvidos na performance

desenvolvam seu aspecto comunitário em música. Ademais, estarão firmando vínculos acrescidos de valores, vivências e relações” (MATEIRO, SCHMIDT, 2016, p. 86).

O inter-relacionamento existente entre estes três campos, até então distintos, encontra como ponto de convergência a própria musicalização percussiva, que se encarregará de aproximar estas diferentes áreas, tornando-as comuns e necessárias para o desenvolvimento de uma proposta formativa integradora. Conforme retratado no organograma exposto, podemos visualizar esta relação de trocas estabelecidas entre estes campos do conhecimento, tendo ao centro, o elemento conector desta proposta: a percussão.

Ilustração 1:

Fonte: elaborada pelo autor.

Nessa conjunção em que a prática percussiva encontra-se desempenhando esta função de articuladora de conhecimentos, ela automaticamente se torna uma atividade de cunho interdisciplinar, pois “põe em relevo também a contribuição para a contextualização dos conteúdos de diversas disciplinas na aprendizagem dos alunos, tornando o conhecimento um aspecto mais próximo de sua vida real” (FERNANDES, 2010, p. 120).

Segundo Freire, Ludmila (2015, p.44) são “[...] características essenciais ao trabalho interdisciplinar, [...] confiabilidade, resiliência, flexibilidade, tolerância à ambiguidade, [...], apreço pela diversidade, dentre outras” competências, que, nas palavras de Fernandes (2010, p.148) revelam “atitudes como companheirismo, responsabilidade, criatividade e divisão de tarefas, tão necessárias ao desenvolvimento de trabalhos em grupo [...]”. Sobre estas “atitudes” que caracterizam o processo interdisciplinar, Fazenda (1991, p.14) em seus comentários reflexivos, elege algumas como principais:

Atitude de busca de alternativas para conhecer mais e melhor; atitude de espera perante atos não-consumados; atitude de reciprocidade que impele à troca, ao diálogo com pares idênticos, com pares anônimos ou consigo mesmo; atitude de humildade diante da limitação do próprio saber; atitude de perplexidade ante a

possibilidade de desvendar novos saberes; atitude de desafio diante do novo, desafio de redimensionar o velho; atitude de envolvimento e comprometimento com os projetos e as pessoas neles implicadas; atitude, pois, de compromisso de construir sempre da melhor forma possível; atitude de responsabilidade, mas, sobretudo de alegria, revelação, de encontro, enfim, de vida.

Conforme abordamos, a nossa proposta de musicalização através da percussão em contexto coletivo encontra ressonância nas competências almejadas pelo processo interdisciplinar, uma vez que capacita os alunos para exercerem suas aprendizagens colaborativamente, dando-lhes oportunidades de uma melhor formação musical e humana. Não obstante, este processo na escola abre novos horizontes para que os integrantes destas práticas possam apreender conhecimentos de diferentes áreas de forma mais contextualizada e significativa, dialogando entre si e com outras questões educativas, construindo assim, o conhecimento coletivo através da reciprocidade e do respeito mútuo.

A percussão, portanto, atua enquanto uma ferramenta interdisciplinar de grande potencial formativo e educativo, imprescindível para o desenvolvimento de um projeto de musicalização eficiente na escola, o qual trará como resultado, não apenas aprendizagens voltadas à dimensão rítmica-musical, mas também, à outras questões, relacionadas principalmente às temáticas ambiental e étnico-racial. Sendo assim, nossa proposta “[...] se caracteriza como um trabalho que busca desenvolver uma formação humana e musical através das práticas percussivas em contexto colaborativo, permitindo a realização das atividades inseridas em perspectivas educativas que eleve através de um fazer artístico e criativo a construção de valores humanos” (SANTOS, Catherine, 2013, p. 122).

Atualmente, o campo da educação vive um momento contraditório na sociedade brasileira. Diversas políticas educacionais são criadas e colocadas em pauta, entretanto, quando chegam às instituições de ensino, são cada vez menos efetivadas. Tal fato refere-se principalmente às Leis: 11.769/2008 (Sobre o Ensino de Música), a Lei 10.639/2003 (Sobre a cultura Afro-brasileira e africana) e sobre a Lei 9.795/1999 (Sobre a Educação Ambiental). Em potencial, estas leis - presentes na LDB208 - “oferecem condições para que seja possível melhorar o desempenho das escolas, mediante a ação de todos os sujeitos [envolvidos]” (BRASIL, DCNs, 2013, p.15). Sanar preconceitos e estereótipos de cunho racista, sensibilizar quanto aos problemas ambientais, desenvolver aspectos conscientes de valorização da cultura, atuar coletivamente e colaborativamente exercendo a autonomia e a cidadania e se expressar artisticamente através dos sons, respeitando o gosto e a diversidade cultural do próximo, são

apenas alguns dos preceitos preconizados por estas legislações, que, infelizmente, ainda encontram obstáculos quanto às suas efetivações no currículo escolar.

Neste âmbito, em que a carência de propostas educativas na escola é cada vez mais perceptível, se faz necessário a criação e a execução de projetos interdisciplinares, cuja proposta pedagógica aponte para uma formação integrada do aluno, possibilitando-lhe o acesso diferenciado às diferentes formas de conhecimento, criando condições para que este desenvolva seus aspectos críticos, reflexivos e de natureza humana. Nesta perspectiva, a nossa proposta de musicalização - envolvendo as três áreas afins - seria uma oportunidade criativa para desenvolver no aluno aprendizagens significativas que, através do ensino percussivo com instrumentos reciclados, transformaria o seu modo de ser, de pensar e de agir coletivamente na sociedade.

Nos próximos tópicos, refletiremos sobre como o processo musicalizador destas práticas percussivas, pode se tornar um meio eficaz para a abordagem destas temáticas no currículo escolar. Para isso, demonstraremos por meio do diálogo estabelecido entre estas áreas, como ocorre o processo de ensino e aprendizagem, tendo à frente, a percussão como ferramenta formativa e condutora do conhecimento.

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