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Durante o estudo preliminar do tema, visando à fundamentação teórica e à revisão bibliográfica, constatou-se, que dentre um corpo teórico do sub-campo da Comunicação, encontram-se pesquisas expressivas que contribuirão para projetar este estudo no cenário social e coletivo. Entre os teóricos da área das Artes Visuais e das linguagens audiovisuais encontraram-se autores que fornecerão subsídios para as discussões interdisciplinares entre o meio artístico-cultural e a Comunicação. Por conseguinte, tem-se como contribuição teórica de maior relevância as obras do semioticista Algirdas Julien Greimas (1917-1992) e seus colaboradores.

As elucidações de Greimas sobre a semiótica discursiva permitiram avançar no estudo detalhado do corpus da pesquisa, como as encontradas na obra Da imperfeição (1987), onde o autor inaugura o tratamento semiótico das questões estéticas, esboçando uma teoria semiótica do estético por meio de um convite à reflexão sobre os modos de presença da estética na cotidianidade humana. Em Do sentido I (1970) e Do sentido II (1983), Semiótica das paixões (1983) foi possível o contato com o conceito de sentido, objeto de estudo da semiótica, assim como nos trabalhos dos colaboradores de Greimas que servem de referência para a compreensão do avanço conceitual e importância da semiótica francesa para o campo da Comunicação.

Em consonância com o arcabouço teórico da semiótica discursiva, os estudos de Eric Landowski, Jean-Marie Floch e Ana Claudia de Oliveira, os primeiros autores

colaboradores diretos de Greimas, e a segunda formada por ambos, sustentam metodologicamente esta pesquisa.

Primeiramente, por meio da Sociossemiótica e os conceitos que se referem às interações sociais e discursivas resultantes das investigações de Eric Landowski, autor de, entre outras obras, A sociedade refletida: ensaios de sociossemiótica (1992), Presenças do outro (2002), Passions sans nom, especialmente o capítulo Fronteiras do Corpo – fazer signo, fazer sentido (2004), Do inteligível ao sensível (1995) e Iteraciones Arriesgadas (2009), em co-autoria com Ana Claudia de Oliveira, O gosto da gente, o gosto das coisas (1997), em co-autoria com José Luiz Fiorin, Semiótica, estesis, estética (1999).

De igual forma, as obras de Ana Claudia de Oliveira, Semiótica plástica (2004) e Linguagem na comunicação: desenvolvimentos da semiótica sincrética (2009), em parceria com Lúcia Teixeira, e os textos Sentidos do corpo ou corpo sentido? (1996), Estesia e Experiência do Sentido (2010). Três importantes referências nas quais elementos do discurso como os arranjos plásticos e estéticos do plano de expressão, o corpo figurativizado e a semiótica sincrética, são fundamentais para a abordagem que se pretende sobre os tipos e os procedimentos de articulação de linguagens na produção midiática. Sobretudo, por ser reconhecido o lugar que o livro Semiótica Plástica ocupa na descrição do arranjo da expressão em textos verbais e não-verbais, visando às bases para análise e interpretação do texto audiovisual por meio de diferentes enfoques sobre os arranjos plásticos por meio de vários ângulos e perspectivas do sensível.

Assim como, a obra Linguagem na comunicação: desenvolvimentos da semiótica sincrética, que apresenta o sincretismo como textos que usam diferentes linguagens para dizer o sentido. O livro em questão é de grande valia para as análises dos textos audiovisuais, como as que se propõem nesta pesquisa, ao promover o entendimento do sincretismo como recurso expressivo na criação de objetos de comunicação e o sentido na corporalidade dos textos. Neste livro, destaque para o texto “Contribuições para uma semiotização da montagem”, de Yvana Fechine (2009).

No campo da semiótica plástica, tem-se em Petites mythologies de l’oeil et de l’espirit (1985) de Jean-Marie Floch, uma referência significativa, cujas práticas semióticas de enfoque nos aspectos plásticos e visuais dos textos serão contribuições fundamentais para esta pesquisa. Floch, em seus estudos, essenciais

para o desenvolvimento da semiótica plástica, ocupa-se do visível e apresenta análises de pinturas, propagandas, fotografias, design, história em quadrinhos, espaços públicos e outros meios de expressão visual em que o semissimbolismo e o sincretismo são estruturantes da esteticidade dos arranjos plásticos.

Dentre os autores colaboradores de Greimas se destacam, ainda, Diana Luz Pessoa de Barros, Denis Bertrand e José Luiz Fiorin. De forma clara, conceitos básicos da semiótica são apresentados por Barros nas obras Teoria do discurso (1988) e Teorias semiótica do texto (1994). Em Teoria do discurso, a referida autora trata da questão central da enunciação: caráter social e individual do discurso. Ainda neste livro, tem-se no capítulo III, o escrito “Texto e Problemas de Expressão”, onde são discutidos os sistemas semissimbólicos denominados “poéticos”, que ocorrem na literatura, na pintura, na fotografia e que a semiótica plástica concebe como sistemas secundários da expressão, compostos de originalidade e criatividade. Em Teoria Semiótica do texto, destacam-se as elucidações sobre a Semântica discursiva, que contribuem para esta pesquisa ao definir o lugar e o papel da figurativização e da tematização na construção dos discursos, apontando a diferença entre figurativização e iconização, assim como a atenção dada às isotopias.

Por sua vez, a obra Caminhos da semiótica literária (2003), de Denis Bertrand, contribui para elucidação das quatro dimensões do método semiótico: narrativa, passional, figurativa e enunciativa, e apresenta a história conceitual da semiótica desde a semântica estrutural (Greimas, 1966) até as discussões mais recentes sobre o discurso em ato, que integra a dimensão emocional e sensorial.

Igualmente, Fiorin contribui com importantes referências teóricas colhidas em Elementos da análise do discurso (1996b), As astúcias da enunciação (2001) e Em busca do sentido (2008). No livro Elemento da análise do discurso, encontra-se uma reflexão acerca dos processos constituintes da linguagem por meio da análise do discurso e a descrição conceitual do percurso gerativo de sentido, além de percorrer os caminhos da criação de significados por meio do estudo da sintaxe narrativa e da semântica discursiva como um estudo da narrativa e dos jogos de significação, respectivamente. Em As astúcias da enunciação, Fiorin empreende um estudo completo das três categorias da enunciação: o tempo, o espaço e a pessoa, para descrever como estas categorias se manifestam nos discursos verbais, seus mecanismos de função e operação, e quais os efeitos de sentido que nele engendram. Tendo como aporte este livro na abordagem da sintaxe do discurso, se

fundamentram as projeções da enunciação no enunciado e as relações entre o enunciador e enunciatário.

Optou-se pelo pensamento filosófico de Maurice Merleau-Ponty e a atual aproximação entre a semiótica e as suas acepções do corpo, para fundamentar o estudo das relações entre o campo visual e a semiótica da expressão plástica sensível. A Fenomenologia, enquanto campo de conhecimento e ciência do pensamento, interessa na medida em que esta discute conceitos como objeto, sujeito, fato e essência, apreensão da realidade, como essências e tal como se afirma por uma filosofia transcendental que concebe o homem e o mundo como seres resultantes de sua facticidade, constantemente em construção, como nas célebres publicações que compõem um estudo sobre a filosofia de Merleau-Ponty, sobre a percepção visual humana e suas ideias no campo da arte e do fenômeno do olhar, em Fenomenologia da Percepção (2006), O visível e o invisível (2009) e O olho e o espírito (1993), respectivamente.

Nesta mesma linha, foi consultado o livro O que vemos, o que nos olha (2010) de Georges Didi-Huberman para entendimento do ato de ver objetos e sujeitos que nos olham por meio dos enunciados artísticos. O referido autor discute a arte como uma presença especifica resultante de processos que dão sentido às coisas do mundo. Basicamente, o que se propõe é a superação da historia da arte cronológica para abrir espaço para uma filosofia das imagens.

Entre os significativos estudos no campo da semiótica a despeito do corpo figurativizado, merecem destaque os autores Cruz (2006), Tatit (1996), Fiorin (1996a). Cruz, em La huella del cuerpo. Tecnociencia, máquinas y el cuerpo fragmentado oferece uma visão panorâmica das figurativizações do corpo na sociedade ocidental desde a anatomia médica do século XVIII até as ciências informáticas e a biotecnologia moderna. Ao passo que Tatit, no artigo Corpo na Semiótica e nas Artes, discute o lugar do corpo na teoria semiótica, passando pela semiótica das paixões até a forma artística considerada como uma necessidade básica do sujeito da enunciação de reconstituição e perpetuação do corpo sensível no “corpo” da obra. Por fim, encontram-se as relações entre corpo e sentido descritas pelo texto O Corpo nos estudos da semiótica francesa, de Fiorin, onde o autor visa analisar a figurativização do corpo projetada no texto.

Entre as referências adotadas como suporte para estudo da imagem e da linguagem do vídeo, no campo interdisciplinar das Artes Visuais e da Comunicação,

se encontram as contribuições de McLuhan (1979), Machado (1994, 1997, 1997a, 2001, 2005, 2007a, 2007b), Mello (2007, 2008), Bellour (1997), Parente (1993), Couchot (2003) e Eisenstein (1990, 2002), Aumont (1993) e Aumont et al. (1995), Burch (2008) e Dubois (2004). Tais autores apresentam estudos determinantes para a investigação das relações entre arte e tecnologia, arte e mídia e as mudanças ocorridas no campo da imagem e das linguagens artísticas na relação plástica com os novos meios.

Marshall McLuhan (1979) apresenta um estudo dos meios de comunicação tal como instrumentos de extensão da capacidade humana de se expressar, a partir da apresentação das características dos meios quentes e frios e a relação com as especificidades de cada meio. McLuhan caracteriza o vídeo como meio frio em função do tamanho da tela do monitor de TV e da qualidade da imagem reticulada. Trata os meios midiáticos como formas de expressão, cujas linguagens se contaminam ao longo das passagens de um meio a outro, como do vídeo à televisão, revelando o campo da comunicação como o campo de simbolização humana por excelência.

Por conseguinte, André Parente (1993) organizou a obra Imagem máquina: a era das tecnologias do virtual que trata da imagem nas linguagens contemporâneas e das transformações por que passam as imagens, por meio de questões como figurativização, classificação, passagens da imagem e o tempo, abordados por diversos autores especialistas em seus assuntos.

No que diz respeito à práxis e à linguagem do cinema, destaca-se o livro de Noel Burch, Práxis do Cinema (2008). Nele, o autor apresenta um estudo relevante dos elementos básicos da linguagem cinematográfica, como a articulação do espaço e a plástica da montagem, as relações entre decupagem e roteiros, os raccords1 e as mudanças de planos, elipses, e estilos de decupagem, vistos como entidades plásticas particulares e reais (BURCH, 2008, p.53).

Philippe Dubois em Cinema, vídeo, Godard (2004), se configura numa referência ímpar no tocante aos estudos do vídeo. O autor afirma seu desejo de investigar e tomar o vídeo como um meio expressivo singular no cenário midiático contemporâneo, mesmo considerando as particularidades e dificuldades de

1 Raccord (do francês) ligação, nome que se dá a um efeito de montagem cinematográfica em que os problemas de continuidade estão resolvidos com tal facilidade que o espectador nem chega a perceber o corte (MACHADO, 1997, p.217).

caracterização e definição do vídeo e sua especificidade disforme e heterogênea. Destaque para os capítulos Vídeo e Teoria das Imagens e Vídeo e Cinema, nos quais o autor constrói um pensamento reflexivo sobre o vídeo, buscando uma estética da imagem vídeográfica e as relações com a grande arte cinematográfica. No terceiro e último capítulo, Dubois analisa a obra de Jean-Luc Godard e defende o vídeo como a linguagem que pensa o cinema, caracterizando determinadas imagens produzidas pelo vídeo como ensaios visuais.

Dentre os estudos realizados no campo do audiovisual por Christine Mello, destaca-se a obra Extremidades do Vídeo (2008), na qual se apoiou parte das reflexões tecidas nesta tese acerca da produção vídeográfica brasileira. Particularmente, em Machado (1997 e 1997a) se encontra um dos mais significativos estudos sobre o vídeo e as implicações no campo das artes visuais. O autor relaciona os campos da comunicação e da arte por meio do estudo da imagem do vídeo e as especificidades da imagem televisiva, abordando temas como a vídeoesfera, o retalhamento da figura, o mosaico das retículas, as operações do tempo, até as primeiras discussões acerca da imagem sintética e digital. Este autor configura-se como uma das primeiras referências encontradas sobre a arte do vídeo e suas especificidades. No livro Arte e mídia, Machado (2007) atualiza suas teorias no campo da arte e da comunicação, agora com ênfase para arte e mídia.

No tocante às teorias do cinema e os procedimentos técnicos e poéticos do meio de expressão cinematográfico, visando à caracterização do vídeo, em contraposição ao sistema visual do cinema, tem-se como referência Eisenstein que contribui de modo significativo para esta pesquisa. Assim, os livros O sentido do filme (1990) e A forma do filme (2002), são a principal fonte para uma reflexão sobre o cinema numa abordagem comparativa com o vídeo. Em O sentido do filme, o referido cineasta procura mostrar que a montagem é uma propriedade orgânica de todas as artes, e examina a relação entre palavra e imagem, a sincronização dos sentidos, as cores e seus significados e a correspondência entre forma e conteúdo, e em A forma do filme, Eisenstein relaciona teatro e cinema e aborda a dramaturgia da forma do filme, métodos de montagem e a pureza da linguagem cinematográfica.

Jacques Aumont contribui para esta pesquisa com duas importantes referências. Primeiro, no campo dos estudos da imagem, com a obra A Imagem (1993), onde se destaca o capítulo III – A parte do Dispositivo – no qual o autor investiga o espaço plástico e o espaço do espectador, modos de visão, tamanho da

imagem, molduras, enquadramentos, dimensão temporal, cinema, sequência e montagem, enfim, assim como outros dispositivos da imagem. Segundo, a despeito da estética cinematográfica, na obra A estética do filme (1995), onde discute com demais autores o cinema como arte realizando para tanto um estudo dos filmes como mensagens artísticas. Destaque para os dois primeiros capítulos: “O filme como figurativização visual e sonora” e “A montagem” que retomam os materiais tradicionais da obra de iniciação à estética do filme; o espaço no cinema e a profundidade de campo; a noção de campo, o papel do som à luz da evolução recente da teoria do cinema, consagrando um longo desenvolvimento à questão da montagem, tanto em seus aspectos técnicos quanto estéticos e ideológicos.

Finalmente, se apresentam as referências advindas de um levantamento prévio que apontam contribuições significativas de pesquisas acadêmicas, teses e dissertações, como as de Oliveira (2009), Azzi (1995), Fechine Brito (1997), Barbosa (1999), Bellini (2000), Santana (2002), Franco (2002), Müller (2005) e Scoz (2006).

Na dissertação de Azzi, Vídeo-arte e experimentalismo: o surgimento de uma estética nos anos 60 e 70 (1995) se encontram referências que contribuem para a contextualização histórica e cultural da vídeoarte, além de relações com o contexto internacional e artistas pioneiros do meio de expressão videográfico, como Stephen Beck, Eric Siegel, Vasulka´s, Vito Acconci, John Baldessari, William Wegman, Joan Jonas, Peter Campus, Ed Emshwiller e Nam June Paik. Já na dissertação de Fechini Brito, A enunciação do discurso videográfico: um estudo exploratório de vídeos do Festival Mundial do Minuto (1997), a pesquisadora apresenta um estudo sobre a enunciação, os arranjos plásticos e as relações comunicacionais do discurso videográfico, que se configura numa referência para as pesquisas sobre o audiovisual na semiótica discursiva.

Na tese A construção discursiva da mulher brasileira em Retrato Falado, quadro humorístico do programa de televisão Fantástico da Rede Globo, Oliveira (2009) contribui com uma análise de sincretismo televisivo e discorre sobre a construção do simulacro do corpo no audiovisual. Ao passo que, na dissertação Conexões Processuais no Vídeo: estudo sobre a gênese de Love Stories de Lucas Bambozzi, Barbosa (1999) apresenta um estudo sobre o meio audiovisual que interessa para esta pesquisa, na medida em que apresenta algumas tendências do audiovisual contemporâneo, de vídeos e a distinção entre imagens técnicas fixas e móveis e as tendências processuais do vídeo. A tese de Bellini (2000) intitulada

Corpo que dança e arte contemporânea: multiplicidade e fragmentação contribuiu com um estudo sobre questões como a comunicação, os modos de figurativização e a percepção, discutidos a partir de alguns exemplos que sugerem a fragmentação e a contaminação dos corpos ao longo da história e a maneira exacerbada do despedaçamento desses corpos.

A pesquisa de mestrado de Franco (2002), Corpo e Alteridade: a experiência estética na vídeoarte revelou uma investigação sobre como se opera a produção de sentido nos vídeos, a partir de uma reflexão sobre o lugar do outro na arte, na experiência estética, até o elucidar de como ocorrem as novas percepções do corpo proporcionadas pelos vídeos. E Miller, autor da tese de Doutorado, Estudos cronotrópicos em narrativas audiovisuais, de 2005, empreende um estudo nos campos da teoria e da semiologia do cinema, investigando as composições temporais e espaciais (cronotrópicas) presentes em alguns filmes a partir da segmentação de matrizes significantes, que apontam para outros contextos cronotrópicos possíveis, denominados de enunciação cronotrópica.

Por fim, o trabalho de Scoz (2006), intitulado Explícitos engodos: desejo e erotismo na ausência do corpo que contribuiu para esta pesquisa com análise da ausência do corpo como discurso de erotização do mesmo em textos publicitários.