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TABLE 3.2: Stratification of sampling frame

4.1 Operationalizations: Self-report data

desenvolvidos

Krueger et al. (1998) argumentam que o apoio dos EUA foi essencial à construção e ao êxito do Sistema Multilateral de Comércio, mas afirmam que o sucesso norte-americano

nesse campo teria, no decorrer dos anos, levado a uma redução da predominância econômica dos Estados Unidos e da participação desse país nos fluxos mundiais de comércio.

Segundo Krueger et al. (1998), já há algum tempo o processo de crescimento da concorrência econômica internacional teria levado os norte-americanos a se enxergarem muito mais como competidores no Sistema Multilateral de Comércio do que como protetores desse sistema. Para reforçar este argumento, Krueger et al. (1998) relembram que em momentos históricos anteriores houve forte consenso político em favor do livre- comércio nos Estados Unidos e que na década de 60, por exemplo, até mesmo os sindicatos

apoiavam esse objetivo.

Como já salientamos, a Warwick Comission (2007) argumenta que um dos maiores desafios da OMC será responder ao crescimento da oposição a iniciativas multilaterais de liberalização comercial nos países centrais.

“To be sure, there has always been opposition to liberalisation, in industrialised as well as in developing countries. But in the early 21st century, the traditional coalition of globalisation supporters in some key OECD countries appears to be weakening” (WARWICK COMISSION, 2007, p. 21).

Contudo, é importante ressaltar que alguns estudos argumentam que esse movimento parece ser ainda mais agudo especificamente nos Estados Unidos.

A Warwick Comission (2007) destaca que houve uma marcada redução do apoio público a abertura de mercados em parcelas significativas da população dos países da OCDE, e que enquanto isso, nos países em desenvolvimento esse apoio parece ser maior do que era no passado.

Em reforço a esse argumento, a Warwick Comission (2007) cita dados de diferentes pesquisas de opinião: Em 2006, os resultados do Gallup Pool teriam revelado que nos países da OCDE o apoio à globalização tem enfraquecido, tendo em vista que quando perguntados se consideravam a globalização algo bom ou ruim para seu país apenas 26% dos norte-americanos teriam respondido que a globalização era algo positivo e, em contrapartida, quase 24% dos norte-americanos a consideravam algo negativo – os dados

para a Europa Ocidental foram parecidos: com 28% considerando a globalização algo positivo e outros 22% considerando-a algo negativo.

Se compararmos os resultados das pesquisas entre países, o incremento de resistências à globalização nos principais países da OCDE fica ainda mais evidente: em 2007, os dados do FT/Harris Pool demonstraram que as porcentagens de pessoas relatando perceber efeitos negativos da globalização em seu país foram as mais altas nos cinco maiores países Europeus e nos Estados Unidos, sendo que nesses países apenas uma minoria dos entrevistados teria respondido que a globalização teve impacto positivo em seu país – as menores porcentagens foram encontradas no Reino Unido, Espanha e Estados Unidos (de 15% a 17%) e a mais alta foi encontrada na Alemanha (36%) (WARWICK COMISSION, 2007).

Além disso, a Warwick Comission (2007) ressalta que atores privados também parecem menos engajados na defesa de iniciativas multilaterais de liberalização comercial:

With business groups no longer as outspoken in their support of trade liberalisation, particularly at the multilateral level, as they traditionally have been and with trade unions developing a strong critique of trade liberalisation, the balance of opinion is swinging towards a skeptical reading of globalisation(WARWICK COMISSION, 2007, p. 21).

Segundo Tarullo (2006), corporações multinacionais européias, norte-americanas e japonesas – que tradicionalmente forneceram o apoio doméstico a acordos comerciais nesses países – parecem hoje estar menos interessadas em pressionar por novos avanços, porque já teriam obtido boa parte da liberalização que desejavam através dos esforços anteriores ou porque acreditam que existem poucas chances de alcançarem alguns de seus objetivos principais como, por exemplo, o aprofundamento dos compromissos internacionais relacionados a direitos de propriedade intelectual.

“(…) While most of these large companies support Doha, they allocate considerably less of their political weight to assuring its successful conclusion and domestic implementation” (TARULLO, 2006, p. 48).

Entretanto, Porter et al. (2001) ressaltam que um menor engajamento das corporações desses países não significa que o trabalho da OMC esteja concluído e que essa mudança está, na verdade, relacionada ao fato de que os países industrializados estariam

perdendo seus tradicionais papéis de “demandadores” da redução de barreiras comerciais em mercados externos, enquanto países emergentes estariam se tornando os novos “demandadores”.

“The North is not interested enough to make demands of the South. In turn the South which has serious demands to make runs against the North’s inability to satisfy them” (PORTER et al., 2001, p. 28).

Ahearn e Fergusson (2010) argumentam que pesquisas diversas vêm demonstrando que a maior parte do público nos EUA expressa algum nível de ceticismo em relação à afirmação de que o livre-comércio e a OMC beneficiam a maioria dos norte-americanos.

Segundo Diascro; Herman e Tetlock (2001) um “estudo recente sobre as atitudes dos norte-americanos em relação à globalização sugere que o público em geral apóia o livre-comércio em princípio, mas acredita que o comércio beneficia os ricos mais do que os pobres e que o governo deve proteger empregos americanos” (DIASCRO; HERMAN; TETLOCK, 2001, p. 207, tradução nossa).

Segundo Ahearn e Fergusson (2010), em 2008, uma pesquisa de opinião pública realizada em 24 países pelo Pew Research Center concluiu que a população dos EUA estava entre as que menos apoiavam o comércio internacional: apenas 53% dos norte- americanos disseram que o comércio era positivo para os Estados Unidos, contra 78% que haviam respondido o mesmo em 2002.

Em geral, nos países industrializados, as apreensões relacionadas ao mercado de trabalho tendem a estimular esse tipo de percepção. Como destacam Sutherland et al. (2004), muitos norte-americanos e europeus associam o processo de globalização à estagnação dos salários de trabalhadores com menor nível de qualificação e à transferência de empregos para países onde existem menores custos. De acordo com a Warwick Comission (2007), também há preocupações relacionadas com o aumento da desigualdade de renda e da degradação ambiental nesses países.

“Uma das preocupações mais comuns é até que ponto a adição sem precedentes de um grande conjunto de trabalhadores de mercados emergentes (...) está afetando negativamente a remuneração e o emprego nas economias industrializadas” (WARWICK COMISSION, 2007, p. 19, tradução nossa).

But today there is growing support for the view that the continuing division of labour brought about by the growth in the economies of major developing countries, such as China and India, is having negative consequences for the major economies, especially the USA and European Union (WARWICK

COMISSION, 2007, p. 19).

Sutherland et al. (2004) reconhecem que durante o processo de liberalização comercial as economias tendem a passar por ajustes e que setores produtivos expostos à competição de importações podem ser obrigados a promover cortes de empregos, acarretando impactos sociais danosos em comunidades específicas. Sendo assim, Sutherland et al. (2004) defendem que o processo de liberalização comercial demanda a existência de redes sociais de proteção no nível nacional, entendendo que os Estados devem disponibilizar recursos para o desenvolvimento de políticas sociais capazes de oferecer auxílio àqueles negativamente afetados pelas conseqüências do livre-comércio.

Da mesma forma, Destler (2006) defende uma ampliação substancial dos gastos públicos voltados para a requalificação e realocação dos trabalhadores prejudicados pelas políticas de liberalização comercial nos Estados Unidos.

Porter et al. (2001) salientam que os defensores desses programas sociais argumentam que enquanto os benefícios do livre-comércio são difusos e experimentados por todos os cidadãos através da redução dos preços e do aumento da diversidade dos produtos ofertados, aqueles que perdem seus empregos em decorrência da competição externa arcam sozinhos com custos muito pesados e, portanto, devem ser assistidos.

A Warwick Comission (2007) ressalta que em décadas anteriores diferentes políticas de apoio aos trabalhadores e empresas prejudicados eram empregadas nesses países – mitigando, assim, possíveis conseqüências adversas da abertura econômica – entretanto, essas políticas parecem ter sido enfraquecidas nos últimos vinte anos.

Porter et al. (2001) argumentam que nos Estados Unidos a existência de medidas que visavam atenuar os impactos sociais negativos do livre-comércio (a chamada Trade Adjustment Assistance) colaboraram para que houvesse apoio para a negociação de reduções de barreiras comerciais.

Sendo assim, a Warwick Comission (2007) assinala a relevância das questões distributivas – tanto no plano doméstico como no internacional – e salienta que apesar de

haver uma fraca correlação entre apoio à liberalização comercial e distribuição de renda, a existência de percepções que associam o crescimento da desigualdade social ao comércio internacional tem representado um problema de legitimidade para o sistema multilateral de comércio.

Nesse sentido, os impasses na Rodada Doha podem estar mais vinculados a “políticas nacionais inadequadas e às reações públicas adversas às falhas dessas políticas, especialmente porque elas estão relacionadas aos resultados do mercado de trabalho, e muito menos ao desenho ou funcionamento das regras da OMC” (WARWICK COMISSION, 2007, p. 22, tradução nossa).

Dessa forma, a dificuldade de promover coalizões domésticas favoráveis à liberalização comercial nos países industrializados causa preocupação entre aqueles interessados no futuro do regime internacional de comércio:

Waning public support for the further opening of economies, which is particularly evident in many industrialised countries, now seriously threatens the conclusion of future trade agreements and the maintenance of orderly, rules-based international trade relations (WARWICK COMISSION,

2007, p. 22).