2.2 FEDMEREDUSERENDE KIRURGI
3.2.3 Operasjonen som en mulighet
Nesta última subseção, se fará um resumo da teoria apresentada até aqui, destacando os principais conceitos que servirão de suporte teórico para se atingir o objetivo desta pesquisa.
Inicialmente, demonstrou-se que o conceito de carreira sofreu grandes transformações ao longo das últimas décadas, fruto do aumento da competição nos ambientes de negócio que provocaram mudanças significativas nos modelos de gestão de pessoas. Em seguida, mostrou- -se que a mudança de três paradigmas das carreiras colaborou significativamente com o crescimento do número de pessoas que realizam mudanças na sua trajetória profissional. São elas: o deslocamento do foco de atenção das necessidades organizacionais para as necessidades individuais (da carreira objetiva para a carreira subjetiva), a transferência da responsabilidade pela gestão da carreira para o indivíduo (a Carreira Proteana) e a ampliação das fronteiras da carreira (Carreira sem Fronteiras). Neste trabalho, a carreira será entendida como a sequência evolutiva das experiências de trabalho de uma pessoa ao longo de sua vida (ARTHUR et al., 1989a).
22 “[...] we become the autobiographical narratives by which we ‘tell about’ our lives.” 23 “Personal identity [...] takes shape in the stories we tell about ourselves.”
Em seguida, destacou-se que o caráter de mudança frequente está presente de forma marcante nas novas definições de carreira e que, portanto, para entender melhor as carreiras contemporâneas, torna-se imprescindível estudar com maior profundidade o fenômeno da “transição de carreira”. Analisando-se as diferentes definições para transição de carreira, é possível compreender que elas envolvem tanto uma mudança objetiva de papel profissional como também subjetiva. Toda transição implica uma mudança de relacionamentos, rotinas, pressupostos pessoais ou de papéis e alteram o comportamento do indivíduo. Concluiu-se também que nas transições, mais importante do que entender a mudança em si, é compreender o impacto que ela provoca na vida do indivíduo e o significado que ele atribui à mudança. Neste trabalho, a transição de carreira será entendida como o movimento feito pelo indivíduo onde há uma mudança do papel profissional e que demanda um esforço de redefinição de sua identidade profissional (LOUIS, 1980a; IBARRA, 2004; SCHLOSSBERG et al., 2006), sendo que o “papel profissional” se definirá como sendo as tarefas e comportamentos associados com a posição do indivíduo em uma determinada organização ou sistema social (LOUIS, 1980a). A definição de “identidade profissional” se fará logo a seguir.
Na sequência, apresentou-se a visão de diferentes autores para o processo de transição de carreira. Pelos conceitos apresentados, é possível perceber que as transições oferecem desafios significativos para a identidade daqueles que fazem uma mudança profissional, pois é um processo que envolve o abandono de velhos papéis, rotinas, pressupostos e relacionamentos para que se possa dar espaço a uma nova identidade. O vazio criado no intervalo de tempo onde a velha identidade já foi deixada de lado, mas uma nova ainda não foi totalmente formada, gera nos indivíduos uma grande sensação de angústia e exige grande esforço psicológico de criação de sentido (LOUIS, 1980a), assim como a utilização de recursos de enfrentamento (SCHLOSSBERG et al., 2006).
Em seguida, procurou-se compreender como diferentes autores definem a identidade, em especial, a identidade profissional. Foi possível perceber que a definição de identidade é um tema bastante complexo, pois envolve diferentes campos teóricos e possui uma grande diversidade de enfoques. Nesta pesquisa, se adotará o enfoque psicossocial que define a identidade como os diversos predicados que são associados a um indivíduo, por ele mesmo e pelos outros, a partir das características do seu papel social – identidade social – ou a partir das características pessoais que demonstra por meio de seu comportamento – identidade pessoal (ASHFORTH; MAEL, 1989). E a identidade profissional será entendida como “[...] a
constelação relativamente estável e duradoura dos atributos, crenças, valores, motivações, e experiências pela qual as pessoas se definem em um papel profissional.” (IBARRA, 1999, p. 764-765).
Uma vez que o objetivo desta pesquisa é entender como as pessoas formam uma nova identidade profissional em transições de carreira, procurou-se conhecer como os autores citados entendem o processo de formação de identidade. Compreendeu-se, a partir das teorias apresentadas, que as identidades se formam a partir das experiências práticas de vida do indivíduo, da relação com os outros e dos feedbacks e reconhecimento que recebe deles e, por fim, pelas narrativas que cria para ligar suas experiências passadas ao presente e ao futuro (DEMAZIÈRE; DUBAR, 2006; IBARRA; BARBULESCU, 2010). No entanto, mais do que a “formação” da identidade, se buscará compreender nesta pesquisa como o indivíduo faz a “mudança” de uma identidade por outra em processos de transição de carreira. Assim, define- se “mudança de identidade” como sendo “[...] o processo de questionamento e, eventualmente, separação de uma identidade central, enquanto se explora e, eventualmente, se integra outra.” (IBARRA, 2007, p. 2-3).
Finalmente, na última subseção, detalhou-se o modelo teórico de construção identitária de Ibarra (2004). Esta autora foi selecionada especificamente por diferenciar-se dos demais pesquisadores do tema em função de sua preocupação em entender e analisar o processo de transição de carreira pela perspectiva da mudança da identidade. Para ela, mudar de carreira é mudar de identidade e a transição é um processo formado por três etapas: (a) a exploração pelo indivíduo de possíveis selves, (b) o teste de novas identidades na prática e (c) a consolidação da mudança. Segundo Ibarra, para que uma mudança de carreira seja bem sucedida, o indivíduo deverá adotar uma estratégia incomum. Ao invés da abordagem tradicional de “planejamento” e “implementação”, o indivíduo em transição deve adotar a estratégia de “teste” e “aprendizagem”. Para ela, as principais ações para se fazer uma mudança de carreira com sucesso são: experimentar novas atividades, mudar a rede de relacionamentos e criar sentido por meio de narrativas pessoais.
Na próxima seção, se fará a descrição dos procedimentos metodológicos propostos para se realizar esta pesquisa.