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K ONTEKST OG TEORETISKE PERSPEKTIVER

1. INNLEDNING

1.2 K ONTEKST OG TEORETISKE PERSPEKTIVER

No concernente a leitura de textos literários, devido ao seu caráter artístico, é fundamental se analisar a evolução literária transmitida pela História da Literatura, pois assim encontramos movimentos estéticos, correntes e manifestações, identificadas num determinado período histórico. Na leitura de textos literários, essa evolução fica patente através de manifestações comuns provenientes de grupos, de manifestos e de estilos de época. Encontramos também características singularizadas que revelam o estilo de cada escritor.

Quando refletimos sobre os estilos de época encontramos, a partir da própria expressão, a base para uma reflexão sobre um dos pontos mais praticados no estudo da Literatura. Falar de estilos de época é defender a necessidade de estudar e pesquisar o fenômeno literário como um todo, nos textos e nos contextos. A colocação da questão nos leva a uma compreensão do papel do tempo e do espaço na literatura, assim como a uma análise do universal na sua relação com o particular e do particular na sua relação com o universal.

Assim, textos de vários autores e obras pertencentes a diferentes gêneros, podem mostrar, no contexto de uma época, visões de mundo, interação temática, princípios estéticos comuns dominantes em determinada época, sem deixar, ao mesmo tempo, de preservar a individualidade literária e estilística de cada autor. Para essa leitura literária é imprescindível o confronto textual, através de análises críticas e

interpretativas. Nesse estudo de confronto, aparecerão à intencionalidade estética, as temáticas, os princípios estruturantes da obra e as marcas do estilo de época.

Considerando então que para a leitura de textos literários é fundamental a compreensão dos estilos de época, vamos encontrar em Coutinho (1988) uma síntese do que seja "estilo de época". Assim, "Estilo de época é a atitude de uma cultura ou civilização que surge com tendências análogas em arte, literatura, música, arquitetura, religião, psicologia, sociologia, formas de polidez, costumes, vestuário, gestos, etc.” (HATZFELD in COUTINHO, 1988, p. 58) Dessa forma, pode ser compreendido como a influência que determinado contexto histórico exerce sobre o conjunto da produção artística e científica.

Já em Silva (1993), no mesmo sentido, "A ocorrência, no âmbito de um dado tempo histórico e de uma dada comunidade cultural de um conjunto de textos literários com marcas similares, atinentes quer à forma do conteúdo, quer à forma da expressão” (1993, p. 413). Assim, o estilo de época designa a concepção de que o contexto histórico está presente nas principais manifestações vitais, sociais, culturais e artísticas, atingindo características singulares representativas e identificadoras do período contextualizado.

Sabemos que é possível descrever o estilo de uma obra ou de um autor, da mesma forma também podemos descrever o estilo de um grupo de obras de um gênero, tais como o romance gótico ou o regionalista, por exemplo. Podemos também analisar tipos estilísticos, tais como o estilo barroco da prosa do século XVII ou o Romantismo da primeira metade do século XIX. Assim, podemos generalizar mais ainda e descrever o estilo de um período ou de um movimento literário (WELLEK,

1989).

Nesse sentido, Wellek conceitua estilo de época:

período estilístico um segmento temporal dominado por um sistema de normas, padrões e convenções literários, cuja introdução, expansão, diversificação, integração e desaparecimento possam ser traçados. Nesse sentido, a unidade do estilo de época, sempre relativa, constitui basicamente uma função de plenitude, ainda que aproximada, do aludido modelo de normatividade do período (WELLEK, 1989, p. 139).

A natureza dos estilos de época, segundo Merquior (1985), é, com efeito, tão cheia de prismas, tão multifacetada e tão rebelde as definições unívocas que é grande a tentação de considerar esses conceitos historiográficos como simples rótulos práticos, completamente destituídos do real valor cognitivo, o que é um equívoco e um reducionismo.

Segundo esse autor:

Tanto quanto os estilos do autor, os estilos epocais existem - por mais esquivos que sejam ao arsenal classificatório da história da literatura. Podemos aprimorar os instrumentos lógicos utilizados para compreendê- los, porém não temos o direito de fingir que se trata de puras fantasias arbitrárias, imotivadas pela realidade da literatura (MERQUIOR, 1985, p. 4O).

Em uma época há idéias e teorias dominantes, influenciando na preponderância da razão ou da imaginação, do idealismo ou do materialismo. Na atmosfera de uma época percebem-se irradiações otimistas ou pessimistas, euforias coletivas ou depressões, angústia e neurose (CASTAGNINO, p. 1990). No plano da arte pode-se assinalar a época por seu sentido de ordem, do acatar disciplinado de modelos e

cânones ou por uma propensão para a originalidade rebelde. Cada época oferece ao criador temas, enfoques, idéias, perspicácias ou limites. Vida e arte condensam para cada época sua concepção particular do mundo. Assim,

esta evolução, estes quadros de época testemunham-se nas criações literárias; a época filtra presença e influxo: idéias, estilo, sentimentos, temas ou condutas denotam seu espírito declarado ou implícito (CASTAGNINO, 1990, p. 78).

Reforçando essa conceituação que estamos estudando sobre estilos de época, Moisés (2000) em seu "Dicionário de Termos Literários", assim desenvolver o verbete:

Aceitando que o estilo refere o modo particular como são manipulados os recursos de uma língua, podem-se considerar: a) "estilos de época", ou seja, soluções lingüísticas empregadas por vários indivíduos em determinado lapso de tempo ( por exemplo, o estilo romântico, o estilo realista, o estilo impressionista, etc); b) "estilos individuais", ou seja, as soluções preferidas por um escritor, dentro do que se denomina "estilística do indivíduo". Num caso ou noutro, é procedente vincular o estilo à questão das visões de mundo ou mundividências, naquilo em que o estilo implica uma dada forma de conceber o homem e a realidade (MOISÉS, 2000, p. 2O5).

Segundo Filho (1992) há em todas as épocas o tipo oriundo daquela época. Assim, temos o homem medieval, o homem renascentistas, o homem barroco, o homem classicista, o homem romântico; e esses homens seriam mudos e por conseqüência esquecidos se alguns entre eles não tivessem a produção da expressão artística, projetando-se em obras que ficaram e os revelaram através da literatura.

A leitura de textos literários, portanto, necessita partir, para a sua verticalização e compreensão das suas características, dos estilos de época e suas gêneses históricas.

Assim, o leitor poderá identificar e compreender os diversos estilos que marcaram a cultura e a produção artística do mundo ocidental. Dentro de uma cronologia temporal, são eles: Medievalismo, Classicismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo, Modernismo. (CEREJA, 2002)

Assim como para a construção de leitura de textos literários, dado as suas especificidades artísticas, é fundamental a compreensão e a identificação dos estilos de época, também se faz igualmente essencial compreender a diversidade desse acervo textual através dos gêneros literários.

Gênero etimologicamente, significa família, raça ou conjunto de seres dotados de características comuns. Portanto, gênero literário, de maneira simplificada, podemos definir como um conjunto de obras dotadas de características comuns.

Cabe ressaltar que a teoria dos gêneros literários é tão antiga quanto à teoria poética e a retórica. Já Aristóteles na sua Poética procurou estabelecer a tipologia dos gêneros épico e dramático. A sua intenção era descrever as características de cada gênero do ponto de vista do funcionamento de cada um enquanto estruturas que sustentam obras que devem conseguir comover e/ou convencerem os seus leitores. Segundo ele, isso só pode ocorrer via verossimilhança e perfeição da ilusão mimética, ou seja, da mimese ou “imitação” aristotélica. (CEREJA, 2002)

Depois dele muitos foram os autores que se dedicaram à teoria dos gêneros. No século XVIII estabeleceu-se de um modo rigoroso a tríade da literatura em dramática, épica e lírica. Contra essa concepção fechada, na virada do século XVIII para o XIX, Schlegel e Novalis utilizaram os gêneros de um ponto de vista muito mais livre e criativo (SILVA, 1993), possibilitando a quebra dos seus limites e uma livre intercomunicação

entre os mesmos.

Desta forma, essa tripartição, perfeita e lógica na sua essência, pode tornar-- se discutível e até errônea na prática, quando aplicada rigidamente a determinadas obras. É que na criação artística confluem as águas dessas três fontes, interpenetrando-se as funções da linguagem, podendo em certas obras predominar um gênero sobre o outro.

Assim, com base em Cereja (2002) e em Moisés (2000) fundindo a tripartição clássica (lírico, épico e dramático), com as diferenciações apontadas pelas modernas teorias literárias, podemos afirmar, dentro de uma perspectiva didático-pedagógica, que temos quatro gêneros básicos e suas respectivas formas. Vejamos: “gênero lírico”, com as expressões do “eu”; “gênero narrativo”, com as narrativas em versos (poema épico) ou em prosa (romance, novela, conto, fábula, apólogo); “Gênero dramático”, com os textos literários construídos para a representação (tragédia, comédia, tragicomédia, drama, auto); “Gênero ensaístico”, com textos referentes a estudos e/ou informações (ensaio, artigo, análise de texto, oratória, carta).

Apesar da superação dos gêneros como instâncias naturalizadas, não podemos de modo algum descartar a rica e complexa teoria dos gêneros. À luz dela foram decantados pensamentos e conceitos fundamentais para a teoria literária e consequentemente para uma pedagogia da leitura. Além disso, hoje, com as novas mídias e as tecnologias da informação, antigos gêneros estão sendo modificados e novos estão surgindo com a interação entre a literatura e outras artes.

possibilidades para uma Pedagogia da Leitura, seja com textos literários ou de qualquer outra dimensão. Assim, uma ação pedagógica necessita está em consonância com o contexto contemporâneo, com os caminhos das possibilidades sem fim da sociedade da informação e da comunicação. Daí, a seguir, na continuidade desse estudo construiremos reflexões sobre a Pedagogia da Leitura. O dizer da ciência pedagógica sobre o processo de construção de leituras e de leitores.