5 Kommunenes tjenesteyting
5.4 Omsorgsplan 2015
147 | Anexo A
Doc. A1
1968, maio, 10, Moimenta da Beira – Formulário dos Serviços de Censura preenchido pelo padre António Bento da Guia com objetivo de lhe ser permitido publicar o Jornal O Malhadinhas.
ANTT – Secretariado Nacional de Informação, Censura cx.86.
“Excelentíssimo Senhor Director dos Serviços de Censura (este ofício deu entrada em 14/5/1968)
Pe. António Bento da Guia, solteiro, de 47 anos de idade, filho de Manuel Bento da Guia e de Maria da Conceição Guia, natural de Ferreirim, concelho de Lamego, residente na freguesia e concelho de Moimenta da Beira, pretende publicar um jornal com as seguintes características:
Título: O Malhadinhas
Tiragem: 500 a 1.500 exemplares
Periodicidade: quinzenária, dias 1 e 15 de cada mês Proprietário e Editora: o requerente
Redacção: Rua Sidónio Pais – Moimenta da Beira Impressão: Gráfica de Lamego, Lamego
Região a que se destina: Comarca de Moimenta da Beira
Finalidade: Informação e Cultura, destinando-se sobretudo a pessoas que tenham pelo menos o 1.º ciclo liceal ou equivalente,
Respeitosamente
Requer a Vossa Ex.ª se digne autorizar a sua publicação. Moimenta da Beira, 10 de Maio de 1968.
Jaime Ricardo Gouveia | 148
Doc. A2
1968, maio, 15, Lisboa – Missiva enviada pelos Serviços de Censura ao padre António Bento da Guia questionando sobre quem seria o diretor do Jornal e solicitando que devolvesse o formulário anexo destinado a identificar esse indivíduo.
ANTT – Secretariado Nacional de Informação, Censura cx.86. “Rev. Padre António Bento da Guia
Moimenta da Beira
Em referência ao vosso requerimento de 10 do corrente em que pede autorização para a publicação de um quinzenário intitulado “O MALHADINHAS”, solicito de V. Ex.ª se digne informar a quem serão confiadas as funções de director do mesmo quinzenário, devolvendo-nos o boletim junto depois de devidamente preenchido com os elementos de identificação da pessoa que for indicada.
Com os meus cumprimentos A bem da Nação
149 | Anexo A
Doc. A3
1968, maio, 18, Moimenta da Beira – Missiva enviada pelo padre António Bento da Guia aos Serviços de Censura, com indicação de quem escolhera para dirigir o jornal que pretendia publicar juntamente com a respetiva ficha de identificação.
ANTT – Secretariado Nacional de Informação, Censura cx.86. “Exm.º Senhor Presidente da Direcção dos Serviços de Censura Lisboa
Agradecendo a Vossa Ex.ª a atenção dispensada ao meu requerimento para a publicação de um quinzenário com o nome de O MALHADINHAS e de harmonia com o ofício N.º 293, de 15 do corrente, junto envio o boletim de identificação de Dr. António de Lemos Gomes que desempenhará as funções de Director do mesmo quinzenário.
Com os mais respeitosos cumprimentos e A Bem da Nação
António Bento da Guia
Jaime Ricardo Gouveia | 150
Doc. A4
1968, maio, 21, Lisboa – Ofício enviado pela Comissão de Censura ao Diretor da Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE) com as fichas de identificação dos fundadores do Jornal O Malhadinhas. O ofício levava escrito “confidencial”. Foi carimbado pela PIDE com data de 25 de junho desse ano.
ANTT – Secretariado Nacional de Informação, Censura cx.86. “António de Lemos Gomes
Filho de Alfredo Rodrigues Gomes e de Piedade da Silva Lemos Nascido em Forles – Sátão a 24/3/1928
Profissão – professor do ensino particular Estado – viúvo
Residência – Moimenta da Beira António Bento da Guia
Filho de Manuel Bento da Guia e de Maria da Conceição Bento da Guia Nascido em Ferreirim – Lamego em 15/12/1921
Profissão – pároco – arcipreste Estado – solteiro
151 | Anexo A
Doc. A5
1968, julho, 3, Moimenta da Beira – Ofício enviado pelo padre António Bento da Guia aos Serviços de Censura negando qualquer orientação política do jornal que pretendia publicar e solicitante novamente que o seu pedido fosse deferido.
ANTT – Secretariado Nacional de Informação, Censura cx.86. “Moimenta da Beira, 3 de Julho de 1968
Exm.º Senhor Director dos Serviços de Censura Lisboa
Em 18 de Maio respondi ao ofício 293 dos Serviços de Censura indicando o possível director para o quinzenário “O Malhadinhas” que pretendo publicar. Como até à data não recebi qualquer resposta, lembrei-me de que se tenha levantado qualquer dúvida quanto à orientação política do jornal. Por isso resolvi escrever a Vossa Ex.ª para expor o seguinte:
1) Eu nunca tive nem terei qualquer actuação política; o meu objectivo é a valorização das pessoas e dos grupos sociais do meio onde trabalho segundo os valores tradicionais e indiscutidos da Pátria e da Igreja.
2) Fundei e dirigi durante anos o quinzenário CORREIO BEIRÃO que dei à Corporação de Bombeiros local; dirijo há anos o boletim paroquial VOZ DE S. JOÃO e a revista-jornal CONTR’O VENTO da M.P.; publiquei já bastantes artigos em diversos jornais; e nunca levantei quaisquer problemas aos Serviços de Censura que nunca cortaram sequer uma linha do que escrevi.
3) O jornal cuja publicação requeri não tem quaisquer pretensões políticas; visa apenas a informação e a cultura de um sector desta região; pretende fomentar a boa amizade e compreensão entre todas as pessoas e deseja obter fundos (dinheiro) para o FUNDO DE FOMENTO ESCOLAR destinado a bolsas de estudo para alunos do Externato de Moimenta.
Este Externato suspendeu agora todas as bolsas de estudos que dava (e eram bastantes) e muitos alunos terão de suspender a sua carreira.
Penso lançá-los no trabalho de conseguir assinaturas e anúncios comerciais que experimentarem as suas possibilidades nesta actividade, contactarem com Casas que amanhã os poderão contratar e obterem dinheiro para os seus estudos. Todo o rendimento do jornal será destinado para esse fim e só por isso eu quero ser o seu proprietário para dispor dos seus rendimentos sem ter de dar contas a ninguém.
Jaime Ricardo Gouveia | 152
requerida. Da minha parte prometo a máxima lealdade e respeito pelos Serviços de Censura de maneira que farei tudo para evitar quaisquer dificuldades.
Grato pela atenção que possa dispensar ao meu pedido, Subscreve-se respeitosamente
153 | Anexo A
Doc. A6
1968, julho, 23, Lisboa – Resposta dos Serviços de Censura ao padre António Bento da Guia, dizendo-lhe de forma vaga que o processo d’O Malhadinhas aguardava melhor oportunidade.
ANTT – Secretariado Nacional de Informação, Censura cx.86. “Rev. Padre António Bento da Guia
Moimenta da Beira
Acuso a recepção da vossa carta de 3 do corrente e, sobre o assunto, informo V. Ex.ª de que o processo do jornal “O Malhadinhas”, que V. Ex.ª pretende publicar, está aguardando melhor oportunidade.
Apresento, no entanto, a V. Ex.ª os meus cumprimentos. A bem da Nação
Jaime Ricardo Gouveia | 154
Doc. A7
1969, setembro, 22, Moimenta da Beira – Ofício enviado pelo padre António Bento da Guia aos Serviços de Censura, solicitando novamente que se deferisse o processo de publicação do Jornal O Malhadinhas.
ANTT – Secretariado Nacional de Informação, Censura cx.86. “Moimenta da Beira, 22 de Setembro de 1969
Exm.º Senhor Director dos Serviços de Censura Lisboa
Reporto-me ao ofício de Vosssa Ex.ª, N.º457, de 23 de Julho de 1968, no qual me foi comunicado que o “processo do jornal O Malhadinhas” estava aguardando “melhor oportunidade”.
Passou-se mais de um ano e as condições locais mudaram-se bastante: deixou de se publicar há meses o jornal que aqui existia e fora fundado por mim, o “CORREIO BEIRÃO”; a pessoa que no meu ofício de 18 de Maio de 1968 indiquei para seu possível director – Dr. António de Lemos Gomes – é agora Presidente da Câmara local; passou já o hipotético perigo de que o jornal tomasse posição política na próxima campanha eleitoral pois que só depois dela poderia começar publicar-se. Além disso reafirmo a minha posição inicial: o jornal será de informação e cultura, sem qualquer política, a não ser o maior bem na Nação dentro da Constituição Política em vigor, e em colaboração com o Governo.
Agradecia a V. Ex.ª o favor de permitir agora a publicação do quinzenário O Malhadinhas, o que acontecerá se, depois de concedida a necessária licença, eu conseguir montar a máquina económica que o deve sustentar.
Desde já comunico a V. Ex.ª que o acima referido Dr. António de Lemos Gomes, embora dê todo o seu apoio a este jornal, não poderá ser seu director, porque sendo actualmente Presidente da Câmara e Director do Externato Local, não lhe resta tempo para esta nova exigência.
Agradecido pela resposta que desta vez espero me seja favorável, subscreve-se com toda a consideração e
A bem da Nação
155 | Prefácio