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Sacks (2010, p. 64) escreveu o caso de seu paciente, Howard Engel:

Escritor prolífico e leitor onívoro, habituado a ler jornais toda manhã e muitos livros por semana, [...] perguntava-se como conseguiria viver com sua alexia43, que não dava sinais de desaparecer. [...] Seria necessário que outros lessem para ele, ou talvez encontrar algum novo

software engenhoso que lhe permitisse digitalizar o que escrevera e

obter uma reprodução falada pelo computador. Ambas as soluções envolveriam uma mudança radical da visualidade da leitura, da aparência das palavras na página para um modo de percepção essencialmente auditivo – na verdade, ouvir em vez de ler e, talvez, falar em vez de escrever. Seria isso desejável, ou mesmo possível?

O leitor de tela é um software cujo objetivo é auxiliar a pessoa a ouvir o conteúdo exposto na tela do computador. Software é definido como:

[...] uma sequência de instruções a serem seguidas e/ou executadas, na manipulação, redirecionamento ou modificação de um dado/ informação ou acontecimento. Software também é o nome dado ao comportamento exibido por essa sequência de instruções quando executada em um computador ou máquina semelhante, além de um produto desenvolvido pela Engenharia desoftware, e inclui não só o

programa de computador propriamente dito, mas também manuais e especificações. 44

Os softwares, ou programas de computador, podem ser classificados em dois tipos:

43 Uma disfunção de linguagem em que é perdida a capacidade de ler.

44 Wikipedia, “Software”. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Software>. Acesso em: 13/08/2012.

a) Software de sistema: seu objetivo é separar usuário e programador de detalhes do computador específico que está sendo usado. O software do sistema dá ao usuário interfaces de alto nível e ferramentas que permitem a manutenção do sistema;

b) Software de aplicação: é aquele que permite ao usuário executar uma ou mais tarefas específicas, em qualquer campo de atividade que pode ser automatizado, especialmente no campo dos negócios.

Um software de aplicação é formado por uma gama de programas que permitem a realização de inúmeras tarefas, como escrever um texto, realizar cálculos, editar imagens, ativar a leitura da tela, entre outras.

O primeiro leitor de tela criado no Brasil foi o DOSVOX, desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense. Como explica o site45,

O DOSVOX é um sistema para microcomputadores da linha PC que se comunica com o usuário através de síntese de voz, viabilizando, desse modo, o uso de computadores por deficientes visuais, que adquirem assim, um alto grau de independência no estudo e no trabalho. O sistema realiza a comunicação com o deficiente visual através de síntese de voz em Português, sendo que a síntese de textos pode ser configurada para outros idiomas. [...] O DOSVOX contava em dezembro de 2002 com cerca de 6.000 usuários no Brasil e alguns países da América Latina. Nessa época, o número de usuários que acessava a internet era estimado em cerca de 1.000 pessoas.

Apesar de ser o pioneiro no Brasil, o DOSVOX foi superado em qualidade por outros leitores. É o que mostra a WebAIM. A WebAIM – Web Accessibility in Mind46

realizou entre 2008 e 2009 uma pesquisa para conhecer a preferência entre os usuários

45 DOSVOX. Disponível em: <http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/intro.htm>. Acesso em: 10/10/2011. 46 WebAIM – Web Accessibility in Mind. Disponível em: <http://webaim.org/>. Acesso em: 10/10/2011.

de leitores de tela. Entre cegos, pessoas com baixa visão e com outro tipo de deficiência, 1.121 pessoas foram ouvidas. Eis alguns dados da pesquisa:

Tabela 2 – Deficiências Reportadas

Nota-se que os leitores de tela ainda são usados na sua maioria por cegos totais (80%) e apenas 16% são usados por pessoas com baixa visão ou com visão prejudicada. Os usuários podiam selecionar múltiplas opções: 118 (10,4%) relataram deficiências múltiplas; 52 (4,6%) relataram cegueira e baixa visão/deficiências visuais e 33 responderam (2,9%) estar surdos e cegos.

Tabela 4 – Proficiência de leitores de tela

As respostas para experiência com computadores e experiência com leitores de tela foram semelhantes. Aqueles que usam leitores de tela somente para avaliação demonstraram proficiência muito mais baixa (80% escolheram Iniciante ou intermediário) em relação àqueles que utilizam sempre leitores de tela (apenas 37% escolheram Iniciante ou Intermediário).

Dos 1.121 entrevistados, 74% utilizam JAWS, 23% utilizam Window-Eyes, 8% utilizam NVDA, e 6% utilizam Voiceover. Embora vários outros leitores de tela tenham sido relatados, estes foram os mais proeminentes na relação consultada. Versões individuais de leitores de tela ainda não estão computadas, mas geralmente a maioria dos usuários está utilizando as versões mais recentes do leitor de tela.

O Jaws for Windows é o leitor de tela mais usado no mundo – desenvolvido pela Freedom Scientific, por cegos e para cegos. A instalação é feita por áudio, de modo que o cego consegue instalá-lo sem auxílio de outra pessoa. Possuem dois sintetizadores de vozes, e com ele pode-se navegar na web, ler ou escrever e-mails, trabalhar com planilhas ou acessar informações em banco de dados.

O Windows-Eyes oferece aos usuários cegos o acesso a computadores baseados no Windows. Todos os aplicativos, processadores de texto, e-mails, internet, estão disponíveis para o usuário cego. É compatível com o Windows XP e Windows 7 e com muitos outros sintetizadores de voz. Fácil instalação e vem com dicionário para alterar a forma como as palavras, gráficos, personagens e ponteiros de mouse são pronunciados. Possui carregamento automático de ambientes de conversação e dicionários. Tem uma grande variedade de características para a leitura automática de menus, caixas de diálogo e outras atividades do Windows.

O NVDA – NonVisual desktop Access, é um leitor de tela gratuito e Open Source para o sistema operacional Microsoft Windows. Tem como principais características o suporte para mais de 20 idiomas e a habilidade de ser executado inteiramente a partir de um drive USB sem instalação. O NVDA é desenvolvido também com contribuições da comunidade.

O VoiceOver, integrado ao sistema operacional OS X, presente nos produtos Mac da Apple, é um leitor de tela que vem com um dicionário de pronúncia, permitindo alterar a forma como se pronuncia uma palavra.

Nota-se que a escolha desses softwares deu-se principalmente pela proximidade com que os sintetizadores chegam à voz humana.

A voz sintetizada pode ser criada concatenando-se pedaços de fala gravada, armazenada num banco de dados. Os sistemas diferem no tamanho das unidades de fala armazenadas; [...] Para usos específicos, o armazenamento de palavras ou frases inteiras possibilita uma saída de alta qualidade. Alternativamente, um sintetizador pode incorporar um modelo do trato vocal (caminho percorrido pela voz) e outras características da voz humana, para criar como saída uma voz completamente “sintética”47.

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