• No results found

Områdebeskrivelse av Steinsjøen skytefelt

In document 03-00715 (sider 12-15)

3 MATERIALER OG METODER

3.1 Områdebeskrivelse av Steinsjøen skytefelt

Indexação consiste em ligar o valor de um capital ou de um rendimento à evolução de uma variável de referência (preço, por exemplo). O objetivo da indexação é neutralizar as distorções que a inflação provoca na renda dos diversos agentes econômicos, no seu conhecido efeito de transferir renda e riqueza entre eles. Partindo desse princípio, sua aplicação seria desejável, mas existem alguns efeitos ligados à indexação que a tornam limitada no sentido de neutralizar os efeitos negativos da inflação.

Durante muitos anos o Brasil viu na indexação uma forma de manter seus planos de crescimento, baseado na intervenção do Estado através dos gastos públicos, sem a necessidade de recorrer às políticas ortodoxas de estabilização. Acreditando que a indexação neutralizava os efeitos negativos da inflação. “O Brasil desenvolveu durante algum tempo uma técnica eficaz de ‘crescinflação’ – crescimento com inflação – através da indexação generalizada” (CAMPOS, apud GIAMBIAGI; ALÉM, 2000, p. 75)

Sobre a suposta neutralidade da inflação diante de um processo de indexação, Furtado afirma que

Na inflação que chamamos de neutra, os efeitos reais existem, se bem que não sejam perceptíveis para um observador que analisa o processo econômico comparando períodos de tempo de certa magnitude. [...] Se observamos mais de perto o processo, vemos que esses efeitos existem, mas que se anulam mutuamente dentro do período de um ano. Uma inflação absolutamente neutra seria aquela em que todos os preços crescessem simultaneamente e com o mesmo ritmo. (FURTADO, 1958, p. 236 e 237)

Como a inflação não era realmente neutra, a indexação torna ainda mais complicado o combate à inflação. Pois, como os preços não eram reajustados simultaneamente, havia um desequilíbrio nos preços relativos. Em cada momento havia agentes econômicos que estavam com seus preços no pico, na média ou no vale, e qualquer tentativa de conter a inflação nesta situação iria fatalmente, beneficiar alguns grupos e prejudicar outros.

De acordo com Fartado (1958), para que a inflação fosse de fato neutra, seria necessário que todos os preços fossem reajustados quase ao mesmo tempo. Ou seja, o intervalo observado entre os aumentos deveria ser tão curto que dentro dele não se poderiam operar efeitos reais. “A dificuldade que existe em deter a alta de preços, numa inflação neutra de circuito anual, está em que a estabilização teria como resultado aquilo contra o que o sistema econômico se está defendendo, isto é, a redistribuição da renda real.” (FURTADO, 1958, p. 237)

Outra importante característica de uma econômica indexada é que, na medida em que os agentes passam a utilizar a inflação passada como base para reajustar seus preços (salários, alugueis, bens, serviços, etc.), a inflação presente será, no mínimo, igual à inflação passada. “De fato, na medida em que, por lei ou por decisão administrativa, rendimentos e preços sempre se ajustam, em intervalos regulares de tempo, pela inflação passada, a inflação tende a se repetir.” (SIMONSEN, 1985, p. 20). Esse efeito realimentador da indexação se agrava na ocorrência de choques desfavoráveis de oferta, tais choques podem ocorrer devido a aumentos de preços por parte de algumas indústrias com o objetivo de aumentar seus lucros, devido a problemas externos, tais como os choques do petróleo na década de 1970, ou ainda pela redução da oferta de alguns produtos, uma quebra de safra, por exemplo. Em uma economia indexada, os efeitos desses eventos sobre o nível de preço, que deveriam ser temporários, são incorporados de forma permanente nos índices de inflação.

Regras de indexação salarial não constituem invenção brasileira. Muitos países as embutiram nas negociações entre patrões e empregados. A segunda crise do petróleo ensinou que, diante de choques desfavoráveis de oferta, essas regras apenas produzem mais inflação ou mais desemprego, sem proteger o bem-estar dos trabalhadores. [...] Foi exatamente nesse momento que o Brasil enrijeceu os esquemas em questão. E, por um método que nenhum país jamais adotou, o da imposição legal. A legislação que vincula os reajustes salariais ao aumento do INPC é uma originalidade brasileira, tão esdrúxula quanto os orçamentos múltiplos e a duplicidade dos Bancos Centrais. (SIMONSEN, 1985, p. 22)

A indexação foi implantada no Brasil em meados da década de 1960, com o objetivo de criar condições para o desenvolvimento do mercado financeiro, oferecendo aos proprietários

de títulos uma taxa de juros nominal que os protegesse da correção inflacionária. Um reconhecimento de que a perda do poder de compra da moeda tinha que ser considerada e, em muitos casos, objeto de indenização. Nesse momento uma novidade perturbadora começa a pôr em cheque a supremacia do desenvolvimentismo. A estagflação, fenômeno caracterizado pela elevação da inflação juntamente com baixos níveis de crescimento econômico, fez com as políticas ditas de estabilização começassem a ser admissíveis, “menos pela consciência dos benefícios da estabilidade, mas pela progressiva perda de eficácia de políticas inflacionistas para acelerar, e mesmo manter o crescimento.” (FRANCO, 2004, p. 7).

As políticas de estabilização foram sendo colocadas novamente em segundo plano na medida em que os mecanismos de indexação então desenvolvidos se expandiam para vários ramos da economia. Para os economistas desenvolvimentistas a indexação deixava a economia em um estado de quase-neutralidade em relação à inflação, deixando do Estado de mãos livres para promover o crescimento sem se preocupar com a inflação. Muito embora reconhecessem que a utilização indiscriminada da indexação tem um preço, que é o elevado coeficiente de realimentação.

Era evidente, entre os desenvolvimentistas, a satisfação em se encontrar uma maneira de contornar problemas geralmente causados por programas de estabilização sem ter que incorrer nos custos da manutenção da inflação.

Verdadeiro “Ovo de Colombo”, a indexação evitava (ou, quem sabe, apenas adiava) os impasses que tanto nos confundiam nos anos 60, e não sem motivo, foi acolhida pelo desenvolvimentismo com verdadeiro entusiasmo. Sua utilização avançou naturalmente da política salarial e cambial para o sistema tributário, as relações financeiras e a disciplina dos contratos, ao passo que seguimos crescendo nas bases habituais, sem tantas preocupações com a aceleração da inflação e sem acreditar que a coexistência com a indexação pudesse degenerar em dependência progressiva ou algo pior. (FRANCO, 2005, p. 263)

As reformas de 1964-67, sem dúvida, foram importantes para a recuperação da eficácia das políticas desenvolvimentistas. Entretanto, a indexação foi a inovação chave que conferiu sobrevida do desenvolvimentismo inflacionista.

In document 03-00715 (sider 12-15)