A an´alise de sensibilidade ´e um teste `a existˆencia de vari´aveis mais sens´ıveis no modelo, isto ´e, aquelas cuja inclus˜ao, exclus˜ao ou substituic¸˜ao mais alteram os resultados de eficiˆencia. Em seguida ser˜ao apresentados alguns cen´arios considerados relevantes na aferic¸˜ao do modelo I.
Cen´ario 1: desconsiderar as restric¸˜oes aos pesos.
Este cen´ario faz uso das mesmas premissas subjacentes ao modelo I, a ´unica alterac¸˜ao ´e a remoc¸˜ao das restric¸˜oes aos pesos. A Tabela 7 que consta do Apˆendice C sintetiza os resultados de eficiˆencia do cen´ario 1, segundo abordagens CCR e BCC e apresenta tamb´em o valor da eficiˆencia de escala para cada entidade hospitalar analisada. Como expect´avel, os resultados melhoram por assunc¸˜ao de pesos nulos. Neste cen´ario, de 2015 a 2018, 14, 15, 17 e 15 entidades hospitalares foram consideradas eficientes, respetivamente, tendencialmente mais do que no modelo I. Deste modo, o cen´ario 1 revela que a introduc¸˜ao da restric¸˜ao aos pesos confere ao modelo I uma maior capacidade de discriminac¸˜ao entre entidades hospitalares, isto ´e, permite uma maior diferenciac¸˜ao, em termos de eficiˆencia, entre elas.
Cen´ario 2: utilizac¸˜ao da vari´avel “durac¸˜ao do internamento” em vez de “n´umero de doentes sa´ıdos ajustado ao ICM”.
Este cen´ario faz uso das mesmas premissas subjacentes ao modelo I, a ´unica alterac¸˜ao ´e a utilizac¸˜ao da vari´avel “durac¸˜ao do internamento”um vez de “n´umero de doentes sa´ıdos ajustado ao ICM”. A Tabela 8 presente no Apˆendice C sintetiza os resultados de eficiˆencia do cen´ario 2, segundo as abordagens CCR e BCC e apresenta tamb´em o valor da eficiˆencia de escala para cada entidade hospitalar analisada. Neste cen´ario, os resultados, no geral, apresentam uma melhoria no desempenho das unidades eficientes. Os valores mais baixos de eficiˆencia s˜ao, neste cen´ario, mais altos do que os obtidos a partir do modelo I (em torno de 70%) e referem-se consistentemente `a ULSCB.
Deste modo, os resultados do cen´ario 2 revelam que a utilizac¸˜ao da vari´avel “durac¸˜ao do interna- mento” em vez de “n´umero de doentes sa´ıdos ajustado ao ICM” altera significativamente a eficiˆencia. Significa isto que a durac¸˜ao dos internamentos ´e longa a ponto de influenciar mais positivamente a eficiˆencia do que o n´umero de doentes sa´ıdos. Relembremo-nos por´em que, em modelos DEA quanto maior a produc¸˜ao, melhor o ´ındice de eficiˆencia, mas nem sempre um internamento mais longo indica um servic¸o eficiente.
Cen´ario 3: desconsiderar a vari´avel “n´umero de cirurgias ajustado ao ICM (excluindo convencio- nais)”.
Este cen´ario faz uso das mesmas premissas subjacentes ao modelo I, a ´unica alterac¸˜ao ´e a remoc¸˜ao da vari´avel “n´umero de cirurgias (excluindo as convencionais) ajustado ao ICM”. A Tabela 9 que consta do Apˆendice C sintetiza os resultados de eficiˆencia do cen´ario 3, segundo abordagens CCR e BCC e apresenta tamb´em o valor da eficiˆencia de escala para cada entidade hospitalar analisada. Neste cen´ario, os resultados s˜ao muito semelhantes aos do modelo I, registando alterac¸˜oes no ´ındice de eficiˆencia inferiores a 1%. De um modo geral, o cen´ario 3 revela que a remoc¸˜ao da vari´avel “n´umero de cirurgias
6.4 An´alise de Sensibilidade ao Modelo I
(excluindo as convencionais) ajustado ao ICM”, quando na presenc¸a da vari´avel “n´umero de doentes sa´ıdos ajustado ao ICM” n˜ao produz alterac¸˜oes significativas no modelo porque existe sobreposic¸˜ao da produc¸˜ao. Isto acontece porque uma boa parte dos internamentos s˜ao motivados por epis´odios cir´urgicos.
Cen´ario 4: agregar todos os profissionais de sa´ude como sendo uma ´unica vari´avel.
Este cen´ario faz uso das mesmas premissas subjacentes ao modelo I, a ´unica alterac¸˜ao ´e a agregac¸˜ao de todos os profissionais numa ´unica categoria. A Tabela 10 que consta do Apˆendice C sintetiza os resultados de eficiˆencia do cen´ario 4, segundo abordagens CCR e BCC e apresenta tamb´em o valor da eficiˆencia de escala para cada entidade hospitalar analisada. Como expect´avel, devido `a reduc¸˜ao do n´umero de inputs considerado de trˆes para dois, os resultados de eficiˆencia pioram ligeiramente, isto ´e, a capacidade de distinc¸˜ao entre as entidades hospitalares foi superior, destacando apenas 9, 7, 13 e 12 unidades como eficientes de 2015 a 2018, respetivamente. As diferenc¸as de maior destaque s˜ao a reduc¸˜ao mais acentuada do n´ıvel de eficiˆencia do CHMT (a m´edia dos quatro anos passa de 98% para 79%) e do Centro Hospitalar Universit´ario Cova da Beira (CHUCB) (a m´edia dos quatro anos passa de 93% para 79%), todas as restantes alterac¸˜oes no ´ındice de eficiˆencia s˜ao inferiores a 10% (considerando a m´edia dos 4 anos).
Cen´ario 5: desconsiderar a vari´avel “n´umero de epis´odios de urgˆencia”.
Este cen´ario faz uso das mesmas premissas subjacentes ao modelo I, a ´unica alterac¸˜ao ´e a remoc¸˜ao da vari´avel “n´umero de epis´odios de urgˆencia”. A Tabela 11 que consta do Apˆendice C sintetiza os resultados de eficiˆencia do cen´ario 5, segundo abordagens CCR e BCC e apresenta tamb´em o valor da eficiˆencia de escala para cada entidade hospitalar analisada. Como expect´avel, devido `a reduc¸˜ao do n´umero de inputs considerado de trˆes para dois, os resultados de eficiˆencia pioram razoavelmente (´ındice m´edio de eficiˆencia nos 4 anos de 85%), isto ´e, aumenta-se a capacidade de distinc¸˜ao entre as entidades hospitalares, destacando apenas 5 unidades como eficientes em 2016 e 7 nos restantes anos. A diferenc¸as de maior destaque, isto ´e, aquelas cuja reduc¸˜ao do desempenho ´e, em m´edia nos quatro anos, superior a 10% s˜ao o CHUA (26%), a ULSLA (25%), a ULSBA (25%), a ULSAM (13%), o HPDFF (11%) e o HDFF (11%).
Cen´ario 6: desconsiderar as vari´aveis “n´umero de cirurgias ajustado ao ICM (excluindo convenci- onais)”, “n´umero de epis´odios de urgˆencia”e agregar todos os profissionais de sa´ude como sendo uma
´unica vari´avel.
Este cen´ario reduz o n´umero de vari´aveis input `a utilizac¸˜ao do n´umero total de profissionais de sa´ude e ao n´umero de camas. Quanto ao n´umero de vari´aveis output consideraram-se apenas o n´umero de consultas externas e o n´umero de doentes sa´ıdos (ajustado ao ICM). A reduc¸˜ao substancial do n´umero de vari´aveis inclu´ıdas no modelo trouxe, como expect´avel, grandes alterac¸˜oes nos resultados, que podem ser consultados na tabela 12 do Apˆendice C. Neste cen´ario, apenas o CHUC, o CHTS, o CHUSJ e o CHUP mantiveram os seus ´ındices de eficiˆencia a 100%, na abordagem BCC. Por outro lado, 21 entidades hospitalares registaram um decr´escimo no seu ´ındice de eficiˆencia superior a 10% (por comparac¸˜ao da m´edia nos quatro anos), sendo as unidades que sofreram maior impacto no seu ´ındice de eficiˆencia, por aplicac¸˜ao deste modelo face ao modelo I, o CHUA (39%) e a ULSLA (38%).
Cen´ario 7: desconsiderar as entidades hospitalares do tipo ULS.
Este cen´ario faz uso das mesmas premissas subjacentes ao modelo I, a ´unica alterac¸˜ao ´e a remoc¸˜ao das ULS, reduzindo assim o tamanho da amostra para 27. Esta reduc¸˜ao permite continuar a respeitar as regras de ouro (mencionadas na secc¸˜ao 5.3) propostas por Banker et al. (1989). A importˆancia da an´alise deste cen´ario relaciona-se com a quest˜ao de as ULS serem unidades cujas vari´aveis utilizadas tendem `a sua penalizac¸˜ao em termos de ´ındice de eficiˆencia, como j´a debatido anteriormente. A Tabela 13 que consta do Apˆendice C sintetiza os resultados de eficiˆencia do cen´ario 7, segundo abordagens CCR e BCC e apresenta tamb´em o valor da eficiˆencia de escala para cada entidade hospitalar analisada. Como expect´avel, a remoc¸˜ao das unidades do tipo ULS n˜ao trazem alterac¸˜oes significativas no ´ındice de eficiˆencia das restantes unidades, isto ´e as diferenc¸as registadas entre os modelos n˜ao trazem alterac¸˜oes superiores a 1%.