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OMPLASSERING AV SKOGKAPITAL TIL INDUSTRIKAPITAL

BÆREKRAFT I BYGG: FORNYBARE RESSURSER SOM BYGGEMATERIALER

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Os metais preciosos, desde as primeiras civilizações, despertaram os instintos dos seres humanos, que saíram à sua procura para utilização em vários fins. No Brasil-Colônia não foi diferente, pois a exploração do litoral teve como base o pau-Brasil e a cana-de-açúcar, demonstrando serem esses produtos fracos atrativos para o desenvolvimento de uma civilização. 10 A busca determinada pelos metais preciosos encorajou as inúmeras expedições que, desde a segunda metade do século XVI, investiram no desbravamento e descoberta da região que seria conhecida como Minas do Ouro. A primeira expedição enviada para o descobrimento das esmeraldas saiu da Bahia e penetrou nos sertões mineiros em fins de 1553, ou princípio de 1554, a mando de Duarte da Costa, tendo Francisco Bruza Spinosa a sua frente (BARRETO, 1996). A Bandeira de mais vulto, contudo, e que efetivamente descobriu as Minas Gerais foi a de Fernão Dias,11 que partiu de São Paulo em 1674, como descreve Lima Junior (1962, p. 21):

Partindo de São Paulo em 21 de junho de 1674, deslocou-se a Bandeira de Fernão Dias, pelo Vale do Paraíba, atravessando a Serra da Mantiqueira e

10

De acordo com Lima Junior (1962, p.12), “os portugueses, com a descoberta do Brasil em 1500, esperavam lhes coubesse igualmente, uma parte de monta, no quinhão da opulência sul-americana. Não deu, entretanto, o litoral brasileiro, mostras dos tesouros escondidos por detraz da muralha de serranias, nos recônditos sertões ignotos e bravios.”

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Lima Junior (1962, p. 20) caracterizava Fernão Dias como sendo “[...] homem de cor branca, pertencendo a uma das maiores e mais poderosas famílias de São Paulo [...] um homem de excepcional têmpera. Propondo- se à conquista das esmeraldas e da prata do Sabarabuçu, considerava sua tarefa um dever acima dos interesses materiais que lhe pudessem provir.”

ganhou sucessivamente os lugares assinalados para pousos, e que deram lugar a povoados que se perpetuaram: Ibituruna, Paraopeba, Sumidouro, Roça Grande, Itacambira, Itamerindiba, Esmeraldas, Matos das Pedrarias e Serro do Frio.

Estes povoados, criados a partir da instalação das Bandeiras para descanso das tropas em forma de acampamentos, ou seja, pousos junto aos caminhos, deram origem a cidades que chegaram até nossos dias. A partir da aventura de Fernão Dias os caminhos estavam abertos, possibilitando maiores investidas nos misteriosos campos das Gerais.

Em 1698, bandeirantes atingiram a região do Ribeirão de Nossa Senhora do Carmo, fundando o arraial do Ribeirão do Carmo, que seria elevado a condição de Vila em 1711. O arraial da Barra do Sabará, criado em fins do século XVII, também é fruto das descobertas realizadas pelas bandeiras impulsionadas pela lenda do Sabarabuçu – Serra resplandecente feita de prata e metais preciosos. A chegada dos bandeirantes à região de Vila Rica é descrita por Lima Junior (1962, p. 54-55) através das palavras do Mestre de Campo Perdigão:

Depois deste descobrimento, se animou a empreender segundo, um Miguel Garcia, descobrindo na foz da serra do Itatiaia, um ribeirão que deu o nome e é chamado agora o Gualaxo do Sul; mas como neste descobrimento recusaram os paulistas ou naturais de São Paulo, a dar partilha, nas lavras, aos Taubaté, desconfiados, estes lançaram Bandeira, e por cabo dela, a um Manuel Garcia, e com tanta felicidade que, em breve tempo, se descobriu o celebrado e rico Ouro Preto [...] com esta notícia chegou ao povoado tanta gente, que apenas se repartiram três braças de terra a cada um dos mineiros, por cuja causa lançou nova Bandeira um Antônio Dias, e correndo a mesma serra, descobriu o ribeirão que hoje chamam do mesmo nome que com a continuação e disposição que lhe deram é agora uma continuada rua e forma a Vila Rica do Ouro Preto [...] Com a mesma emulação, fez sua tropa, o Padre João de Faria Fialho, e em breve tempo, descobriu o ribeirão do seu nome [...]

Percebe-se, então, que a região foi desbravada por três expedições distintas, sendo a primeira chefiada por Manuel Garcia, que fundará, em 1696, o arraial do Ouro Preto próximo à Matriz do Pilar, a segunda por Antônio Dias, que fundou, em 1698, o arraial com seu nome e a do Padre João de Faria Fialho, próximo aos córregos que descem do Itacolomi, com o nome de arraial do Padre Faria (RIBEIRO, 1966).

A peculiaridade de ocupação das Minas se deve principalmente ao fato de ocorrer espaçadamente em vários pontos simultâneos, como afirmou Souza (2000, p. 42) a urbanização se realizou “sob forma de uma constelação de vilas, em lugar da tendência à concentração em uma única urbe que fora de regra nas demais capitanias.” Portanto, a formação dos arraiais mineiros, em geral, pode ser resumida tendo como base a seguinte citação:

Surgiram assim as primeiras formas urbanas mineiras: longitudinais, onde os caminhos ligando os arraiais se transformavam em ruas e estes por sua vez, também ligando-se, transformavam-se em vilas e cidades. Situavam- se geralmente a meia encosta nos terrenos acidentados da Minas, protegidos dos ventos mais fortes que costumam soprar nas cumeadas de serras e a cavaleiro dos cursos d’água, locais mais baixos, sujeitos a pestes e inundações (ASSUMPÇÂO, 1989, p. 132).

A urbanização nas vilas mineradoras não seguiu o padrão imposto notadamente nas cidades litorâneas, eminentemente agrárias, pois a ocupação das primeiras acontecia onde se encontravam os pousos junto aos caminhos ou, principalmente, as lavras de mineração, fixando os aventureiros próximos aos córregos e posteriormente nas montanhas, afirmando o predomínio do espaço urbano sobre o rural (ASSUMPÇÃO, 1989). Portanto, não houve a preocupação com a escolha do sítio, de acordo, sobretudo, com a intenção de defesa, fator primordial levado em consideração nas ocupações do litoral (SOUZA, 2000), caracterizando a urbanização mineradora como uma “explosão” tanto social, quanto econômica. Esta situação é endossada na estatística de Vasconcellos (1968, p. 34) afirmando que “basta notar que de 1500 a 1822 foram criadas, em todo o Brasil, 210 vilas, das quais, só na região aurífera 159.”

Neste sentido, Holanda (1995) afirma, ao analisar o processo de urbanização das colônias portuguesas e espanholas, que os portugueses “semeavam as cidades,” ao contrário dos espanhóis que as “ladrilhavam”. Ou seja, os espanhóis pretendiam conquistar e permanecer no local visto que as naus eram desmontadas e todo seu material utilizado nas construções em terra firme, podendo-se definir suas cidades como ato da vontade humana, que se impõe sobre a natureza. Já os portugueses, pretendiam chegar, explorar o máximo possível e regressar a terra natal, por isso se fixaram na costa do Brasil, “a cidade que os portugueses construíram na América [...] não chega a contradizer o quadro da natureza, e sua silhueta se enlaça na linha da paisagem” (HOLANDA, 1995, p. 110). Além disso, Holanda (1995) analisa o comportamento da nobreza portuguesa quinhentista e sua necessidade de diferenciação em relação à burguesia, que será expressa através da valorização das exterioridades e das aparências. Este aspecto será refletido na constituição das cidades portuguesas, valorizando o efeito visual como fundamento, principalmente, da cultura barroca mineira.

Não o barroco como fato monumental e oficial ligado ao poder absoluto dos papas e soberanos, mas sim o barroco ligado a um urbanismo pautado pela construção de organismos dinâmicos, policêntricos e abertos, pela montagem de espaços em contínua mutação, recriados a cada passo pelo espectador que neles se desloca. Pela natureza “dirigida” e “condicionante” de tais espaços, concebidos como verdadeiros palcos ao ar livre (BORREGO, 2004, p. 32).

Desta forma, o traçado irá contrariar o que estava ocorrendo nas vilas de colonização espanhola, que seguiam as determinações das “Leis das Índias”, apresentado um tecido urbano que procura se adaptar ao relevo acidentado, buscando sempre determinar os caminhos através do sentido das curvas de nível, adquirindo um caráter orgânico que permite a formação de cenários.

A partir da exposição da ocupação do território das Minas demonstrou-se o indutor poder de urbanização do ouro. A busca incessante deste metal possibilitou estabelecer as principais e mais ricas vilas da colônia, sendo uma destas Vila Rica, que terá sua evolução urbana detalhada a seguir. Esta evolução foi dividida em três períodos distintos, tendo como base a estrutura urbana analisada no “Plano de conservação, valorização e desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana,” desenvolvido pela FJP em 1975, sendo tais períodos: a fundação, primeiros arraiais e sua consolidação – 1696 a 1765; o primeiro declínio e a fase de estagnação – 1765 a 1900; o segundo declínio e a fase de expansão – 1900 a 2006.