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7 Concluding remarks

A.2 Omitted proofs

(vide Apêndice B). O setor de transportes, no final da década de 1990, respondeu por mais da metade do consumo mundial de petróleo e aproximadamente 30% do total da energia comercializada no mundo (DARGAY; GATELY, 1997).

Nesse ponto, torna-se oportuno observar que a qualidade de vida e os níveis de desenvolvimento dos países possuem uma relação com a quantidade de energia consumida per

capita, e que aproximadamente 75% da população mundial situa-se abaixo da média do consumo

energético dos países desenvolvidos. Tal fato não significa que quem está abaixo desse referencial deva seguir determinados padrões de consumo, mas que existe um considerável potencial de aumento do consumo da energia, o que consequentemente poderá acarretar uma série de outros problemas, dentre esses os de ordem ambiental (GOLDEMBERG, 1998).

O que se discute atualmente são as bases para a implantação de um modelo de desenvolvimento sustentável, que pode ser definido como: o desenvolvimento que supre as necessidades do presente sem comprometer as condições de gerações futuras suprirem as suas próprias necessidades (DINCER, 1999). Diante desse conceito de desenvolvimento, amplia-se o espaço de discussão sobre as necessidades mundiais, em termos sociais, políticos e econômicos, através da inclusão de temas que forneçam referenciais e caminhos alternativos que visem o bem estar da humanidade, pois mesmo parecendo algo utópico, trata-se de uma questão que merece dedicação, pesquisa e, principalmente, uma ação planejada.

2.5. CONSEQÜÊNCIAS DO MODELO DE DESENVOLVIMENTO MUNDIAL

O desenvolvimento humano recebeu um grande impulso a partir da Revolução Industrial no final do século XVIII e consolidou-se ao longo do século XX. Tal evolução foi caracterizada pela divisão econômica do mundo atual em dois grupos: o dos países desenvolvidos e o dos países em desenvolvimento. Essa divisão mundial foi e é palco de várias mobilizações de interesses políticos e econômicos, principalmente pela constante busca da afirmação do poder dos países qualificados como desenvolvidos. Inseridos nesse contexto, dois fatores permitem o estabelecimento de pontos de tangência entre os países dos dois grupos: o uso da energia e o seu impacto sobre o meio ambiente.

A agressão humana ao meio ambiente está relacionada com o aumento populacional e ao significativo aumento no consumo individual, principalmente nos países industrializados. O que caracteriza as mudanças ambientais causadas pelo ser humano é o fato de ocorrerem num curto período de tempo, numa intensidade superior aos processos naturais, fazendo com que a natureza assuma outros níveis de estabilidade, diferentes dos considerados ideais para a atual biosfera. Tais modificações no meio ambiente tornaram-se alvo de pesquisas e de crescente preocupação das pessoas (apesar de ainda ser baixo o nível de conscientização), devido ao surgimento de novos problemas relacionados com o desenvolvimento das populações no mundo. A Tabela 2.1 mostra os principais problemas ambientais presentes na ordem do dia.

Tabela 2.1 – Principais problemas ambientais

Problema ambiental Principal fonte do problema Principal grupo social afetado Poluição urbana do ar Energia (indústria e transporte) População urbana

Poluição do ar em ambientes fechados

Energia (cozinhar) Pobres nas zonas rurais Chuva ácida Energia (queima de combustível

fóssil)

Todos Diminuição da camada de

ozônio

Indústria Todos

Aquecimento por efeito estufa e mudança do clima

Energia (queima de combustível fóssil)

Todos Disponibilidade e qualidade de

água doce

Aumento populacional, agricultura Todos Degradação costeira e marinha Transporte e energia Todos Desmatamento e desertificação Aumento populacional, agricultura,

energia

Pobres nas zonas rurais Resíduos tóxicos, químicos e

perigosos

Indústria e energia nuclear Todos Fonte: Goldemberg (1998)

De modo geral, todos esses problemas têm um grande número de causas, tais como o aumento populacional, as formas de crescimento econômico e a mudança de padrões da indústria, transporte, agricultura e a habitação. A maneira como a energia é produzida e utilizada está na raiz de muitas dessas causas (GOLDEMBERG, 1998).

Para ilustrar o impacto ambiental das atividades humanas, os países da OCDE, em 1991, foram responsáveis por 53% do consumo mundial das fontes de energia e, agregando-se os países da Europa Oriental e a ex-União Soviética, este valor chegou a 75%. Como resultado dessas

atividades, juntamente com os países em desenvolvimento, conforme a Figura 2.2, chega-se a um perfil de emissões de poluentes que, apesar de decrescente devido às inovações tecnológicas (exceto para os compostos nitrogenados – NOx), responde por alterações na qualidade de vida,

principalmente nos grandes centros urbanos. Em termos globais, a Figura 2.3 mostra que as emissões de dióxido de carbono (CO2, devidas à queima de combustíveis fósseis) aparecem como

as principais responsáveis pelo efeito estufa, seguidas das emissões de clorofluorcarbono (CFC), metano (CH4) e óxido de nitrogênio (N2O).

Por intermédio da Figura 2.2, é possível verificar algumas das conseqüências do modelo de desenvolvimento vigente no mundo, no qual a tecnologia colabora na redução das emissões dos poluentes em termos globais e, particularmente, ressalta o aumento das emissões dos países não pertencentes à OCDE, através da transferência de atividades produtivas.

Fonte: Goldemberg (1998)

CFC 24% N2O 6% CO2 55% CH4 15% Fonte: Goldemberg (1998)

Figura 2.3 – Contribuição dos gases do efeito estufa para o aquecimento global

2.6. OS LIMITES DA CONSCIÊNCIA ENERGÉTICA

Ao discutirem-se os possíveis rumos a serem tomados dentro de um modelo de desenvolvimento mundial, a questão energética terá a sua importância assegurada pela sua condição estratégica e, implicitamente, estarão associadas as alterações do meio ambiente, pois ainda não há sistema energético que não esteja sujeito a perdas ou que não altere o ambiente que o cerca.

De acordo com GOLDEMBERG (1998), não é suficiente promover a eficiência energética nos países em desenvolvimento, pois o crescimento no consumo dos mesmos é inevitável, devido à necessidade de se instalar uma infra-estrutura industrial, meios de transporte e crescimento urbano. Para evitar que se repita o caminho histórico da industrialização, é essencial incorporar desde cedo, no processo de desenvolvimento, a utilização consciente dos recursos disponíveis. Entretanto, a compreensão dos aspectos energéticos e ambientais, algumas vezes, vai além da análise puramente técnica, ainda que um projeto se mostre tecnicamente possível e economicamente viável. Os limites impostos ao entendimento e à ação, no que diz respeito ao uso da energia, são classificados como barreiras. O sujeito da obstrução pode ser toda uma nação, ou um indivíduo, um grupo social, organizações, empresas ou governos. A existência de um monopólio, a falta de informação ou um subsídio, podem caracterizar um obstáculo (WEBER, 1997). O nível de compreensão dos fatos ligados à energia é extremamente heterogêneo, pois o

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