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Omgruppering for investororientert analyse

4. Regnskapsanalyse

4.3 Omgruppering for investororientert analyse

O Aldeamento indígena, que tanta controvérsia tem causado, representa o sistema mais eficaz para a sua educação. Dessa maneira se não fosse reduzido ao aldeamento, os educadores jesuítas correriam o risco de não encontrar em algumas tribos, anteriormente visitadas e catequisadas, em dado sítio. Importa ainda lembrar que o aborígine, no estado de natureza em que viveu sempre, desconhecia a obediência e a hierarquia trazida pelos inacianos. Daí o seu disciplinamento tornar- se viável através de certo controle dos seus hábitos. Por exemplo, a qualquer pequeno descuido e já levavam ao fogo a carne do inimigo para comer. No contato do dia a dia, os padres e as autoridades desgastavam-se, os primeiros em aconselhar, demonstrar, impor coação moral; as segundas, em criar dispositivos legais e instrumentais, em ameaçar e até coagir fisicamente. Mesmo sob controle, muito custaram os progressos contra a antropofagia.

Mas é muito de espantar ter dado tão boa terra tanto tempo a gente tão inculta, e que tão pouco o conhece, porque nenhum deus tem certo e qualquer, que lhe dizem, esse crêem. Regem-se por inclinação, a qual semper prona est ad malum, e apetite sensual, gente absque consilio et sine prudentia. Têm muitas mulçheres enquanto se contentam delas e elas deles, sem entre eles ser vituperação. [...]. Se acontece que tomem alguns dos contrários na

guerra trazem-nos presos algum tempo e dão-lhes as suas filhas por mulheres e para que os sirvam e guardem, e depois os matam e comem, com grandes festas e com ajuntamento dos vizinhos que vivem ao redor; e se destes tais ficam filhos, também os comem [...]. E nestas duas coisas, scilicet, em ter muitas mulheres e matar os seus contrários, consiste toda a sua honra e esta é a sua felicidade e desejo, o qual tudo herdaram do primeiro e segundo homem e aprenderam daquele qui ab initio mundi homicida est. (LEITE, 1955a, p. 48-49).

A segregação do gentio atende às diretrizes do delineamento, previamente feito por D. João III, no Regime do Primeiro Governador Geral: “Porque parece será grande inconveniente os gentios, que se tornarem cristãos, morarem na povoação dos outros e andarem misturados com eles” (LEITE, 1955a, p. 43). D. João determina ainda que os já cristãos residam próximos, “perto das povoações das ditas Capitanias”, a fim de conversarem com os cristãos, em fim, para viverem dentro do ambiente sadio e cristão. Mal previra D. João III que a vizinhança branca é que seria o veneno a intoxicar o relacionamento correto do selvagem com o educador. E esta é a grande crítica que se pode levantar ao aldeamento de então. Nem sempre a Casa do Jesuíta encontrava-se junto a um povoado de colonos; Encontram-se Casas a princípio isoladas, onde não existem colonos. Entanto a regra geral é que em todo povoado de colonos instala-se uma Casa Jesuítica com a respectiva escola. Esta regra se cumpria por causa da defesa comum contra tribos mais agressivas. Apesar disto, continuava prevalecendo a idéia do influxo maléfico do colono na nova formação do silvícola. Tanto é verdade que uma das múltiplas causas que levaram Nóbrega a mudar o Colégio de São Vicente para o Planalto foi exatamente a falta de correspondência dos portugueses ao trabalho missionário (LEITE, 1955a).

Nas aldeias encontramos uma organização e um ritmo peculiares. Além da caça e pesca os índios vivem das roças que plantam, sendo certo que muitas glebas lhes foram doadas através de sesmarias por Tomé de Souza, por ordem da Rainha, D. Catarina em 1562, conforme Serafim Leite (1938). Vestiam-se as índias para os ofícios religiosos e, os índios varões, a princípio e dada a sua “inocência” não se cobriam senão com os seus adornos próprios; mais tarde cobrem-se parcialmente e nalgumas aldeias chegam a vestir-se como os portugueses. Viviam sob a legislação disciplinar do Governador, cujo exercício se fez, a princípio, por meirinhos, e depois por capitães. Os padres exerceram por algum tempo essa autoridade.

O desenvolvimento das missões, em circunstâncias tão complexas, não nos permite dizer até onde o aldeamento foi um bem, ou um mal necessário. Insiste Serafim Leite (1938, p. 42):

Se os padres se contentassem com percorrer as aldeias indígenas, além dos possíveis riscos, tirariam precário fruto. O que ensinavam um mês, por falta de exercício e de exemplo, estiolaria no outro. Quantas vezes com o nomadismo intermitente dos índios, ao voltarem os padres e uma povoação que deixaram animada pouco antes, em lugar dela achavam cinzas.

Resumidamente, podemos dispor assim o ordenamento orgânico das missões jesuíticas e a sua evolução: constroem-se Casas, junto dos núcleos de colonos se possível; em torno dessas uma aldeia de naturais, dentro da concepção de aldeamento para efeito da conversão e civilização do silvícola, bem como para efeito de proteção, uma vez que o índio aldeado não pode ser presa da caçada escravagista dos colonos (LEITE, 1955a).

As Casas, melhor que as chamássemos centros, são órgãos de funções polivalentes, uma vez que reúnem o local de abrigo dos missionários, a igreja e a escola. Toda Casa é a princípio uma escola de ler e escrever, logo um centro catequético, logo abrigo de meninos índios e órgãos mamelucos, como de alguns portugueses. A princípio uma sesmaria, uma confraria e no topo de sua evolução orgânica um colégio. Um colégio de fato ou um colégio de direito, de função jesuítica ou de função régia (LEITE, 1938).

A escola elementar – de ler, escrever e de canto – evolui para o Colégio, este, em sua primeira fase, um curso de gramática, latim, teologia; em sua segunda fase, um curso superior de Letras, de Artes ou Teologia. Ao lado da escola de “ler e escrever”, a catequese prosperaria muitas vezes até uma superior formação teológica, levando o jovem ao sacerdócio jesuítico (WREGE, 1993).

[...] tenho ordenado que se façam casas para recolher e ensinar os moços dos Gentios, e também dos Christãos: e para nelas recolhermos algumas línguas para este feito. Os meninos órfãos, que nos mandaram de Lisboa, com seus cantares atraem os filhos dos Gentios e edificam muito os Cristãos. (LEITE, 1955a, p. 86).

Importa lembrar que se o indígena é o centro das atenções dos educadores, não é por outro lado, exclusivo, também as crianças portuguesas e mamelucas

receberem a educação jesuítica e, geralmente, sem restrição de qualquer natureza, estas são as que com maior freqüência chegam ao sacerdócio.

Finalmente, a própria Aldeia, se próspera, torna-se Vila, e esta será no futuro uma das cidades do Brasil.

4.2 O Colégio da Sede do Governo Geral, o processo de sua criação e os seus