Del III ANALYSE OG DRØFTING
Kapittel 6 Hvilke kunnskapende prosesser kan benyttes til utvikling av felles praksis i karrieresenter?
6.4 Omforent forståelse gjennom begrepssetting
As formulações iniciais sobre a teoria de um Sistema de Inovação (SI) foram estabelecidas numa perspectiva de âmbito nacional por diversos autores. Alguns destes autores são apresentados neste capítulo do trabalho.
Segundo Lundvall (1992), um Sistema de Inovação é formado essencialmente por dois elementos: uma estrutura de produção e um arcabouço institucional. A estrutura de produção está associada com as empresas e com a dinâmica da produção de um determinado local ou território. O arcabouço institucional é o conjunto de agentes e instituições do regime sócio-político que apóia e formata estes arranjos voltados à produção e ao desenvolvimento tecnológico.
Freeman (1995) definiu um Sistema Nacional de Inovação (SNI) como um arranjo institucional estruturado de forma planejada ou espontânea, tomando forma a partir de ações premeditadas ou um conjunto de decisões tomadas de forma desarticulada e descentralizada que acabam por induzir o progresso tecnológico nas economias.
Para Edquist (2004), um Sistema de Inovação é um conjunto de componentes econômicos e institucionais que interage para o desenvolvimento de novos produtos e processos produtivos. Para o autor, um sistema de inovação é composto por: as empresas, consideradas as organizações básicas que compõem o sistema, elas são consideradas o cerne da atividade inovativa; as organizações de ciência e tecnologia, responsáveis pelo desenvolvimento do conhecimento básico e pela formação de recursos humanos qualificados; as organizações de financiamento e fomento; e o poder público.
Borrás (2004) ao estudar o Sistema de Inovação na Europa, observou que o mesmo é basicamente estruturado por dois elementos, a saber: (i) uma estrutura de produção, relacionada às empresas e à dinâmica produtiva; (ii) um conjunto de instituições sócio-econômicas e políticas numa determinada localidade. Para a autora, as instituições possuem as seguintes funções básicas no sistema de inovação: gerar incentivos para a atividade econômica; promover a redução das incertezas; gerenciar conflitos e a cooperação entre os agentes; fomentar a construção de competências; e estabelecer os limites dos agentes no sistema. Ainda para Borrás (2004), os parques científicos e tecnológicos, tal quais as incubadoras de empresas são considerados elementos importantes de um sistema de inovação. O processo de inovação é atualmente entendido como interativo e dependente das diversas características de cada agente envolvido e da capacidade desses agentes de aprender a gerar e absorver conhecimentos, da articulação de diferentes agentes e fontes de inovação, bem como dos ambientes onde estes estão localizados e do nível de conhecimentos tácitos existentes nesses ambientes. A atenção que passou a ser dada ao caráter de localização da inovação e do conhecimento surgiu, particularmente, na observação da distribuição espacial desigual da capacidade de geração e de difusão de inovações. Aponta-se para uma significativa concentração em nível mundial da taxa de introdução de inovações, com algumas regiões, setores e empresas tendendo a desempenhar o papel de principais indutores de inovações, enquanto outras parecem ser relegadas ao papel de adotantes. Enfatiza-se desta forma, a noção de que o processo de inovação e o conhecimento científico e tecnológico são altamente concentrados em determinadas regiões geográficas. A interação criada entre agentes econômicos e sociais localizados em um mesmo
espaço propicia o estabelecimento de significativa parcela de atividades voltadas à inovação. Assim, diferentes locais com diferentes estruturas terão processos de inovação qualitativamente diversos. Nesse sentido, cabe ressaltar os arranjos baseados na proximidade, como os clusters e distritos industriais, que se baseiam em redes de cooperação. Esses formatos apresentam a relevância da confiança nas relações e as proximidades geográficas e culturais como fontes importantes de diversidade e vantagens comparativas, assim como a oferta de qualificações técnicas e organizacionais e conhecimentos acumulados (Lemos, 1999).
Porter (1998) define um cluster como uma concentração de empresas interconectadas e instituições organizadas atuando em um determinado setor ou área do conhecimento. Os clusters são capazes de organizar as empresas e entidades de forma a promover a competitividade de uma determinada região. Muitos clusters também possuem em sua estrutura universidades, agências governamentais, associações empresariais e de comércio, capazes de potencializar as ações relativas a treinamento, educação, informação, pesquisa científica e tecnológica e suporte técnico para as operações dos negócios e instituições. Para o autor, a competitividade vista de uma forma moderna depende da produtividade, e não da economia de escala das empresas de forma individual. A produtividade é a forma com que as empresas competem umas com as outras, em especial na sua forma de utilizar a tecnologia, e na maneira como são capazes de ofertar ao mercado produtos únicos e diferenciados. Sendo assim, os clusters afetam a produtividade das empresas de três formas: com o incremento da produtividade das empresas na área do cluster; criando ambientes favoráveis à inovação, direcionando os processos de inovação tecnológica, o que favorece os ganhos de produtividade no futuro; estimulando a formação de novos negócios, o que favorece a expansão e a robustez do próprio cluster. Sob o ponto de vista da produtividade os clusters normalmente possibilitam um melhor acesso aos trabalhadores e fornecedores. Empresas instaladas em clusters possuem acesso a mão de obra qualificada e especializada, e ainda possibilita que as mesmas tenham acesso a informações especializadas sobre os mercados em que atuam, assim como acesso as informações técnicas e gerenciais que geram vantagem competitiva às mesmas.
Amato Neto e Amato (2009) analisaram a influência do capital social no desenvolvimento de relações de cooperação produtiva na forma de redes e aglomerações de empresas como clusters regionais. O estudo, de caráter exploratório e multidisciplinar, baseou-se numa ampla revisão bibliográfica, onde se buscou identificar as principais contribuições teóricas apresentadas por diversas áreas do conhecimento para o entendimento do papel do capital social em redes e aglomerações de empresas. O estudo conclui que o capital social que atua nos
clusters e redes, é uma das principais ferramentas para o desenvolvimento das
relações de cooperação produtiva entre indivíduos e grupos de pessoas.
Doloreux e Parto (2005) desenvolveram um estudo abrangente a respeito das teorias recentes dos sistemas regionais de inovação. O estudo examinou as definições e os procedimentos utilizados para validar as definições de sistemas regionais de inovação; os aspectos territoriais e geográficos dos sistemas regionais de inovação; e os o papel das instituições nestes sistemas. O estudo afirma ainda que exista uma variedade de tipos de sistemas regionais de inovação o que acaba por gerar uma cerca confusão nos processos de validação das teorias associadas ao tema. As questões institucionais e os limites da abrangência territorial são normalmente considerados nestes sistemas, mas apresentam uma diversidade muito grande o que acaba gerar interpretações controversas sobre a sua importância para o sistema.
Bass (1998) examinou o papel dos parques tecnológicos nas iniciativas do governo central do Japão em criar as regiões voltadas ao desenvolvimento de alta tecnologia. O programa japonês de tecnópolis se iniciou em 1983 (Technopolis Law), com a proposta de se criar 14 regiões no país voltadas ao desenvolvimento tecnológico com o apoio do governo central. Ao final de 1988, o Japão havia criado 25 regiões industriais voltadas ao desenvolvimento de alta tecnologia. No ano de 1995, o Japão possuía um total de 103 parques científicos e tecnológicos, sendo que 57 deles se configuraram como os centros das indústrias de base tecnológica no país.
Vaidyanathan (2008) estudou o papel dos parques tecnológicos na formação e crescimento da indústria de tecnologia na Índia. O autor menciona que a partir da abertura da economia em 1991, o governo central indiano estabeleceu um programa de parques tecnológicos voltadas ao desenvolvimento de software,
empreendimentos estes considerados estratégicos para o crescimento da indústria no país. Em seguida aos parques tecnológicos de software, o governo indiano passou a apoiar o desenvolvimento de parques voltados ao setor de biotecnologia (biotech parks). Um dos pilares do modelo de desenvolvimento dos parques de biotecnologia na Índia é o estímulo às cooperações entre os agentes públicos, privados e os parceiros internacionais.
Na Rússia, mais especificamente na região de São Petersburgo, os parques tecnológicos foram alvo de investigação feita por Kihlgren (2003). Os parques implantados no país foram baseados num programa governamental voltado para a criação de regiões voltadas para o desenvolvimento de inovação tecnológica.
Segundo Link (2009), a extensa literatura em economia, geografia, administração e ciências voltadas às políticas públicas não oferecem ainda uma teoria completa e abrangente sobre a formação dos parques científicos e tecnológicos. Diversos estudos de casos sobre parques tecnológicos foram desenvolvidos ao longo dos últimos anos, desde os parques nos Estados Unidos e Europa Ocidental até os empreendimentos mais recentes em países da Ásia e Europa Oriental. Apesar destes estudos, os pesquisadores não conseguiram ainda inserir de forma explícita o surgimento dos parques na teoria de clusters e da geografia econômica. Complementarmente, o autor menciona um estudo sobre a teoria de modelagem de parques baseada na Teoria dos Clubes (Leyden, Link e Siegel, 2008 apud Link, 2009) para descrever as condições nas quais uma empresa poderia decidir sobre a sua instalação em um parque tecnológico. Neste caso, o parque tecnológico age como uma organização privada, de forma que a adesão ao parque tecnológico é o resultado de um acordo mútuo entre as partes, ou seja, entre a universidade e as empresas residentes no parque - o clube - e a nova empresa a se tornar sócia do clube (residente do parque).
Ainda para Link (2009), os parques são considerados elementos que compõem um Sistema Nacional de Inovação, não necessariamente um elemento primário, mas um elemento importante que aumenta a intensidade da inovação e da competitividade. Além disso, os parques possuem uma correlação forte com o termo infra-
tecnologias8 (infra-estrutura de tecnologias). Este termo emana dos conceitos dos
ambientes formados por diversas infra-estruturas tecnológicas voltadas à ciência e ao desenvolvimento tecnológico, tais como os institutos de pesquisa e os grandes laboratórios nacionais de desenvolvimento científico e tecnológico. As tecnologias associadas ao termo se referem ainda as infra-estruturas que possuem elementos voltados a testes e certificações de novos produtos e processos que acabam por reduzir de forma significativa os riscos da introdução das inovações no mercado. A infra-tecnologia segundo o autor é um dos componentes de maior importância para um modelo não-linear de inovação9.
Oh (2009) afirma que na economia do conhecimento, os parques científicos e tecnológicos são considerados como uma estratégia crucial para o sistema de inovação regional. Os parques são ambientes que geram atividades econômicas sustentáveis baseadas na comercialização de produtos e serviços desenvolvidos a partir de conhecimento novo. Estes parques são ingredientes críticos de uma economia de sucesso baseada no conhecimento, além de serem instrumentos de políticas públicas voltadas para a inovação. Na República da Coréia do Sul, segundo o autor, o movimento de parques científicos e tecnológicos se iniciou na década de 1970 quando o Parque Tecnológico Daedeok foi estabelecido como um centro nacional de pesquisa e desenvolvimento. Daedeok foi intencionalmente criado para promover a competitividade do país em inovações baseadas em alta tecnologia. O parque se utilizou do conceito de aglomeração (clustering) de institutos de pesquisa, empresas, agentes de governo e outros da cadeia de inovação. Daedeok Innopolis, como é chamado atualmente, é reconhecidamente um elemento regional crucial para a plataforma de inovação e para a manutenção da competitividade da região onde se encontra.
Para efeito de delimitação de estudo este trabalho considera a organização parque científico e tecnológico como um elemento presente no sistema de inovação.
8 O termo original é proveniente do Inglês: Infratechnologies (infrastructural technologies) citado por Link (2009); com tradução livre pelo autor desta tese.
9 O conceito de modelo não linear de inovação está fundamentado na premissa que quando se aceita a existência de uma estrutura complexa de interação entre o ambiente econômico e as direções das mudanças tecnológicas, deixa-se de compreender o processo de inovação como um processo linear que de forma simplista evolui da ciência para o mercado, ou como seu oposto, que o mercado é a fonte das mudanças. Os diferentes aspectos da inovação a tornam um processo complexo, interativo e não-linear.
Entretanto, o modelo aqui proposto não incluirá uma análise mais profunda de sistemas de inovação, de políticas públicas para a inovação ou do nível de maturidade destes sistemas, entendendo que esta parte foge aos objetivos deste trabalho.
Assim, para uma adequada delimitação deste estudo, é necessário um melhor entendimento dos parques tecnológicos, de seus diferentes modelos, suas origens e os seus processos de financiamento.