Faktor 5: ”Den fleksible profesjonsutøver”
3 Virkninger for lokalsamfunnet – økonomien av utbygging av fritidsboliger
3.1 Om lokaløkonomiske virkninger
Após discorrer sobre as partes do discurso que correspondem às tradicionais classes de palavras (V, N, ADJ e ADV de modo), convém mostrar um possível elo entre estas e suas formas concretas no texto, quando ocorre mudança categorial. Haspelmath (1996), ao tratar da transposição entre classes de palavras (transposition ou word-class changing) em termos formais, distingue entre CL do lexema (lexeme word-class) – CL-lex – e CL da palavra- ocorrência (word-form word-class) – CL-ocorr. A CL-lex é uma unidade significativa, uma forma invariável que é, de certo modo, básica e tem interpretação mais genérica. Possui características de um primitivo semântico e é fornecido pelo Fundo Lexical com um ‘rótulo’ categorial, seja no nível interpessoal, seja no representacional. Nas línguas flexionais, a categoria lexical pode ser identificada no lexema pelas marcas, como, por exemplo, nas classes predicativas do português – em Ns como DINHEIRO, JORNAL, FÁBRICA; em V como INTERVIR, CRESCER, IMPACTAR; em ADJs como CUSTOSO, LUCRATIVO, ANALISÁVEL; e em ADV como ALTAMENTE e NECESSARIAMENTE. Alguns desses sufixos categoriais já foram apresentados na Figura XIX.
Há línguas nas quais a categoria lexical não é, ou é apenas parcialmente, marcada no lexema. Nesse contexto, é acrescida por marcos de ilocução ou de predicado, ou, para o léxico complexo, por esquemas morfossintáticos, os quais agregam morfemas derivacionais. Mas, independentemente disso, está a CL-ocorr estreitamente relacionada à base do lexema. A CL- ocorr é sempre de incumbência da realização formal na expressão lingüística e é resultado da atualização pelas regras de mapeamento. Aparece marcada não só com as categorias gramaticais da sua classe, mas também com certos afixos que, no exemplo do português, indicam mudança categorial por meio de formas como infinitivo, particípio, gerúndio, nominalizações etc. Se é a convenção que determina a forma do lexema (por exemplo, V no infinitivo, N e ADV no singular e no gênero masculino, quando pertinente), é o uso efetivo do lexema que determina a forma da ocorrência. Assim, a CL-ocorr é uma das pontes de ligação entre léxico e gramática pois é construída na gramática e na codificação, ou seja nas regras de expressão da FG e está vinculada aos componentes do contexto gramatical. A divisão de tarefas entre o léxico e a gramática corresponde à observação, no uso real da linguagem, de mudanças de categoria por meio de marcas morfológicas que são atribuídas a processos derivacionais quando se referem a CL-lex e a processos flexionais quando se referem a CL- ocorr (Haspelmath, 1996 e 2000).
A distinção entre CL-lex e CL-ocorr objetiva a descrição das formas variantes e a explicação funcional destas, de modo a atribuir a CL-lex à sintaxe interna e a CL-ocorr à sintaxe externa. A sintaxe externa refere-se à combinação do lexema de origem com os elementos do mesmo constituinte ou da mesma oração. Um sinal desse tipo de combinação é a concordância nominal no interior de um SRef, ou determinadas restrições de posição no SRef e SPred; o do nível oracional é exemplificado pela concordância entre sujeito e predicado. A sintaxe interna determina que as formas derivadas têm parte de suas propriedades conforme sua CL de origem, como ocorre, por exemplo, quando a valência de uma forma deverbal é preservada, tais como em ADJs e Ns deverbais, a serem tratados no capítulo 4 e 6. Já a sintaxe externa é determinada pelo estatuto que o item adquire quando assume a CL da palavra-ocorrência. A diferença entre sintaxe interna e sintaxe externa é exemplificada, em (17), com a forma derivacional ‘ajustável’.
(17) O euro começou com um sistema de tipos de câmbio fixos, mas ajustáveis ao mercado, e sem liberdade de movimentos de capital. (VE-01-11)
A sintaxe externa do ADJ deverbal exige a assimilação da forma ao núcleo do sintagma, do qual depende. Por desempenhar a função de modificador e ser da categoria ADJ, este concorda, por exemplo, em número com seu núcleo ‘tipos de câmbio fixo’, assim como obedece a regras de ordenamento. Já pela sintaxe interna, a CL-ocorr comporta-se como um V, do qual se origina, e preserva parte da sua valência verbal: ‘(alguém) ajustar (algo) (a alguma coisa)’, sendo paráfrase do ADJ: ‘(algo) pode ser ajustado (a alguma coisa)’. Postula- se, então, que há dois processos responsáveis para classificar e explicar a ocorrência de formas por mudança categorial. De acordo com o Quadro XX, estes processos são de responsabilidade de áreas diferentes da gramática, ou seja, localizam-se em componentes diferentes no modelo de gramática: i) os lexemas, com a eventual CL-lex, são primitivos que provêm do léxico e as palavras-ocorrência, com a CL-ocorr, são formadas no processo de codificação e expressão, servindo-se de operadores em forma de morfemas gramaticais livres ou presos. No português, a afixação é preferida. Fora disso, o significado do lexema contribui para a sintaxe interna e para a externa.
QUADRO XX:CATEGORIA LEXICAL E SINTAXE INTERNA / EXTERNA Categoria lexical do lexema (CL-lex):
determinada pelo componente lexical → afeta a sintaxe interna
Categoria lexical da palavra ocorrência (CL-ocorr):
determinada pelos componentes responsáveis pela formulação e codificação → afeta a sintaxe externa
Essa divisão de tarefas explica a complexa interação entre CL e lexema sem precisar recorrer a transformações, já que há tanto motivação funcional como motivação gramatical na expressão da categoria lexical. Com isso, há como lidar melhor com as formas variantes que apresentam mudança categorial, tais como as que são tradicionalmente chamadas ‘nominalizações de ação’ ou ‘nominalizações sintáticas’ (nomina actionis). Também formas como adjetivos relacionais, particípios de uso adjetivo e advérbios deadjetivais, ou seja, alguns tipos de ADV em ‘-mente’, são produtivas no português e presentes nos dados da LEsp da economia. Isso abre espaço para uma análise formal dos fenômenos lexicais mencionados em relação às sintaxe externa e interna. A análise lexical e funcional será feita nos capítulos de análise.
Serão abordados quatro tipos de ocorrências: 1) nomina actionis (doravante NAct); 2) adjetivos relacionais; 3) particípios adjetivais e 4) advérbios deadjetivais.
1. Nomina actionis (NAct): sintaxe externa: N
sintaxe interna: V
(18) De acordo com este profissional, as principais pendências do mercado, hoje, seriam o detalhamento e ajuste das regras operacionais; procedimentos de mercado; arbitragem e penalidades. (GM-01-11)
(19) Goldman saiu da reunião dizendo que deverá haver ajustes na proposta orçamentária. (VE-08-11)
Observe-se, nos itens ‘detalhamento’ e ‘ajuste’ (18) e ‘ajustes’ (19), a preservação da valência, por meio da estrutura argumental do verbo, mas na forma apropriada para o sintagma nominal, no qual o argumento do objeto direto (simultaneamente com a função semântica Paciente e a função pragmática Foco) é introduzido pelo elemento gramatical ‘de’ (Alves, 2004, Santana, 2005) ou, opcionalmente, com outra preposição, tal como ‘em’ (19), quando se trata dos resultados das ações. Nesse grupo de N verbal, também está incluído o infinitivo, em alguns de seus usos, consoante discussão no próximo capítulo.
2. Adjetivo relacional (AR): sintaxe externa: ADJ
sintaxe interna: N
(20) regras de operação – regras operacionais indústria de móveis – indústria moveleira
No português e em outras línguas românicas, a formação de adjetivos relacionais (AR) é produtiva para integrar um complemento de núcleo nominal em posição de modificador, com todas as exigências de concordância para a CL-ocorr. Esse processo sintetiza a forma analítica com [de + complemento] em uma única forma (‘operacionais’ e ‘moveleira’ em (20)), mas também propicia a interpretação de adjetivo qualificador (ou qualificativo) nas formas mais lexicalizadas. Em termos de sintaxe interna, há a presença de conceitos referenciais em Ns que podem assumir função de modificadores; função que propicia lexemas do tipo ADJ (sintaxe externa).
3. Particípios adjetivais: sintaxe externa: ADJ
sintaxe interna: V
(21) ...estaria afetando negativamente a construção residencial e outros gastos familiares, justamente os principais sustentáculos da demanda agregada durante 2001. (VE-Col-02)
O exemplo (21) representa a forma produtiva do particípio que, embora de origem verbal (com valência de ‘agregar’ subentendida), assimila sua sintaxe externa para um modificador perfectivo que qualifica o núcleo patrimônio. A interpretação do particípio é ambígüa entre verbal, devido ao argumento circunstancial preservado, e adjetival, já que na LEsp da ‘economia’ há a forma lexicalizada com uso de ADJ qualificador. É interessante notar que esse tipo de forma adjetival está relacionado a ADJs deverbais com ‘-vel’. Por sinal, caracteriza-se o grupo de formas deverbais (N e V) pela preservação da predicabilidade na sintaxe externa.
4. Advérbios deadjetivais: sintaxe externa: ADV (com subtipos): sintaxe interna: ADJ / N
(22) Só resta às multinacionais seguirem à risca aquela velha máxima de marketing de pensar globalmente e agir localmente. (VE-Col-01)
O morfema ‘-mente’ atua como elemento de mudança categorial de ADJ para ADV, extrapolando as formas tradicionais ADV de modo. A paráfrase ‘pensar de modo global” ou ‘em termos globais’ recupera a forma que determina a sintaxe interna, no entanto são a falta de concordância e a posposição, após núcleo verbal que modifica, indicadores claros de sua ocorrência exigida pela sintaxe externa. A CL-ocorr é determinada por dois fatores: i) pela base adjetival – que é denominal e preserva a referencialidade, e ii) pelo ‘-mente’, assim como o é por ‘-al’, ‘-eiro’, ‘-do’ e outros afixos.
Enfatiza-se neste estudo o fato de que há, no português, grande flexibilidade para introduzir formas adjetivais com base em ADJs relacionais, o que cria um quadro particular de distribuição categorial, assim como maior síntese na estrutura oracional (Azpiazu, 2004). Além disso, há relação colocacional entre [ADV + ADJ] e [N + ADJ], tal como em ‘economicamente viável-viabilidade econômica’ e ‘fiscalmente austero-austeridade fiscal’. Isso não será interpretado como uma transformação entre uma estrutura subjacente e uma superficial, mas como indicativo de que os processos de mudança categorial seguem princípios formais regulares que estão fundamentados nas funções de núcleo – modificador. Estas, por sua vez, também se ajustam às necessidades de sintaxe interna e externa, desde que haja o envolvimento de lexemas derivados. São as funções gramaticais, entre outras, as de núcleo – modificador, que fornecem a explicação funcional para a mudança categorial. Os capítulos de análise tratam minuciosamente desse tema.
Os exemplos (23) e (24) apresentam dados com o ADV em função de modificador de adjetivos derivacionais, ‘danoso’ em (23), e ‘massacrado’ em (24), os quais, por sua vez, modificam um núcleo nominal. Ambos são formalmente ADJs deverbais cujas CL-ocorr preservam sua predicabilidade:
(23) ...que busca não só reduzir o uso de agrotóxicos, mas aplicar produtos potencialmente menos danosos ao meio ambiente e aos seres humanos - trabalhadores rurais e consumidores. (GM-01-11)
(24) ...aquele funcionário de banco miseravelmente massacrado pelo contador com os recursos da pedagogia ferina do Maquiavel de "O Príncipe"... (VE-Col- 01)
Ao se considerar as ‘discrepâncias’ contempladas pelos gramáticos do português entre sintaxe interna e externa nos exemplos que envolvem advérbios adjetivais dos exemplos (23), (24) e (25), percebe-se que estes ultrapassam os tradicionais ADV de modo. Por outro lado, há indícios, já nos exemplos (23) a (24), mas ainda mais em (25), de que muitas formas em ‘- mente’ do português têm uma relação peculiar com a categoria N, seja como núcleo que modificam, seja como CL do lexema de que partem. Constata-se que a sintaxe interna de N perpassa o adjetivo relacional e o advérbio derivado e mantém o seu valor referencial.
(25) A Yamaha Motor traz ao São Paulo Boat Show o mais novo modelo de motor da linha Verde, o F 225A, considerada menos poluente e ecologicamente engajada. (VE-Col-01)
A paráfrase de ‘ecologicamente’ localiza-se entre ‘engajado de forma ecológica/em termos ecológicos’, com ‘ecológico’ em interpretação qualificativa e ‘engajada em termos de ecologia’. Esta última é mais condizente com o núcleo nominal do todo (a moto F 225A). Neste caso, supõe-se não mais um ADJ, mas um N como categoria lexical determinante para a sintaxe interna. Em forma de ADV, o lexema introduz a área de atuação específica e situa um constituinte atributivo complexo na área da ecologia. Esses dados, assim como outros no capítulo 6, mostram a relevância desse processo produtivo não só para a flexibilidade categorial do português, mas também para a influência de áreas especializadas na expressão lingüística.
Formas como o infinitivo, o particípio e o gerúndio do português são um outro grupo de exemplos com formas verbais produtivas, mas que não possuem uma CL específica, em parte por serem formas complexas e por ultrapassarem a unidade lexical ‘palavra’, e possivelmente, por não serem devidamente consideradas pelos gramáticos tradicionais das línguas ocidentais
modernas. Devido a sua versatilidade gramatical, o particípio integrava as partes do discurso do grego antigo (Robins, 2000 [1966]; Neves, 2000). É chamado de masdar na tradição gramatical árabe e ocorre como forma flexional em diversas línguas do mundo. Também o converb representa uma forma freqüente nas línguas do mundo, usando a forma do gerúndio nas línguas românicas (Haspelmath 1996, entre outros). Ao contrário do infinitivo, o gerúndio não será examinado neste trabalho, já que não diz respeito à mudança categorial como lexema e porque a discrepância entre sintaxe interna e externa se restringe mais à função. Constitui uma das formas verbais dependentes que entra em orações adverbiais, além de expressar Aspecto. Já o infinitivo será tratado como verbo nominal com toda a sua variedade de uso nos capítulos de análise.
O infinitivo, o particípio e o gerúndio são consideradas formas flexionais, mas que – com possível exceção do particípio – não mudam a categoria do lexema. Com exceção do particípio como ADJ e do infinitivo flexionado, eles se apresentam formalmente invariáveis, mas no seu papel prevalecem as características de V (sintaxe interna). Em alguns usos, devem ser vistos no contexto que passa do nível de oração simples e chega às relações inter- oracionais, como em (26) e (27):
(26) Mas, como o ano deve ser de turbulência por conta das eleições, quem aplicar em ações não pode precisar do dinheiro no curto prazo e tem de estar preparado para perdas. (VE-EI-02)
(27) Com pequenas quantias, o investidor consegue maior rentabilidade aplicando em fundos que investem em CDB. (VE-27-10)
O exemplo (26) mostra uma oração subordinada subjetiva para expressar um sintagma nominal de forma complexa e, semanticamente, especifica um sujeito por meio de uma ação. O gerúndio, em (27), acrescenta detalhes sobre o modo do predicado verbal principal, como núcleo verbal de uma oração subordinada e tem função adverbial.
Entre as formas verbais, o gerúndio, o particípio e o infinitivo tradicionalmente são categorizados como formas verbais não-finitas, por não carregarem marcas de categorias morfológicas tipicamente verbais. Não obstante, são marcados aspectualmente: o primeiro expressa ação durativa (gerúndio como forma deverbal imperfectiva) e o segundo, o particípio, ação perfectiva ou propriedade dessa ação (Azpiazu, 2004). São formas dependentes, em termos funcionais, já que ocorrem em orações e construções de subordinação e se relacionam ao sujeito na oração principal – que já concorda com um verbo finito. Na
oração subordinada, são núcleos verbais de orações adverbiais (o gerúndio de função adverbial, ou converb na literatura tipológica) e de orações de complemento (infinitivo e nomina actionis). O particípio passado (28), além da já mencionada função adjetiva no SRef, também ocorre como núcleo de orações relativas e reduzidas de particípio. Neste caso, é sintaticamente dependente do seu núcleo nominal e desempenha a função de um modificador oracional.
(28) Lançada comercialmente em 1996, a catarina teve as primeiras mudas plantadas imediatamente por pomicultores profissionais. (GM-06-11)
Funcionalmente, observa-se paralelismo entre as categorias lexicais N, ADJ e ADV e as formas verbais dependentes em estruturas complexas de complementação, de relativas e estruturas absolutas e de adverbiais, com a diferença de que estas são predicados complexos para os quais não existe denominação na gramática tradicional. Nesses casos, a função de modificador da unidade oracional toda sobrepõe-se à CL. E como essas unidades ultrapassam o nível de palavra, não cabe falar em categoria lexical, e, sim, em categoria funcional.
O processo de assimilação, morfossintaticamente marcado ou não no lexema, faz-se necessário no discurso, pois é gradual e depende de cada língua. No entanto, há, como já foi mencionado por meio dos dois tipos de categorias lexicais e da distinção entre sintaxe interna e externa, atribuição de componentes específicos do modelo de gramática. A descrição desse fenômeno e da assimilação observada fez surgir as denominações ‘verbalização’, ‘adjetivização’, ‘adverbialização’ e ‘nominalização’ na literatura lingüística, notadamente na perspectiva estruturalista e transformacionalista. No presente trabalho, estas não serão usadas como expressões técnicas para a mudança categorial, embora sua referência (por exemplo, NLZ) possa ajudar, em alguns casos, para situar a questão. Este fenômeno, assim como sua justificativa, será analisado detalhadamente no próximo capítulo.
Se, por um lado, podem ser observados, nas expressões lingüísticas, processos graduais de ajustamento entre sintaxe interna e sintaxe externa, também há necessidade de partir de categorias lexicais prototípicas, pelo fato de que aos elementos lingüísticos são atribuídas categorias lexicais como manifestação da atividade de categorização. Em geral, observa-se que os protótipos de uma categoria lexical melhor expressam a sintaxe interna, enquanto as menos prototípicas se subordinam à sintaxe externa. Isso reflete a hierarquia das funções (sintaxe externa) sobre a da categoria lexical (sintaxe interna).