3. Strategisk analyse
3.2 Porters Five Forces
3.2.5 Trusler fra nære substitutter
Resumindo, a fase de busca de informações etnográficas gerou material empírico primário – composto de um diário de campo, entrevistas, dados documentais (fotografias e vídeos) – assim como material empírico secundário ora disponibilizados pela companhia (livretos, programas e vídeos), ora pelos bailarinos (fotografias), ora por minha própria pesquisa (internet). Neste sentido busquei a “transformação de situações sociais complexas (ou outros materiais, como imagens) em textos, ou seja, de transcrever e escrever em geral, preocupações centrais da pesquisa qualitativa” (GIBBS, 2009, p.9).
Devido a grande quantidade de material primário obtido e transcrito – oito horas e vinte e oito minutos de gravação das entrevistas transcritas em 145 páginas e 112 páginas de diário de campo – optei por utilizar software de análise de dados qualitativos, denominado MAXQDA (2011), com intuito de facilitar o agrupamento destes dados para a análise. Excluí da análise inicial realizada a partir deste software, os dados secundários, utilizando-os como complementação na análise final.
Cabe destacar que apesar da promessa do nome – software de análise qualitativa – o
software em questão auxilia, porém não realiza a análise do material empírico. Conforme
Gibbs (2009) a codificação na análise de dados “qualitativa é uma forma de organizar e controlar os dados. [...] A maioria dos textos não so terá um código atribuído a si: grande parte deles terá mais de um”. As categorias ou conceitos que os códigos representam podem vir da literatura de pesquisa, de tópicos no roteiro da entrevista e de percepções do pesquisador, de modo que a codificação siga a premissa de que “o pesquisador é um observador do mundo social e faz parte desse mundo” (GIBBS, 2009, p.68).
A função de tal software é ajudar o pesquisador a organizar o seu material em um processo de codificação que, por sua vez, constitui parte importante da análise. Este processo ocorreu nesta etapa da pesquisa, a partir da minha leitura e reflexão sobre os dados. Primeiramente inseri as entrevistas e o diário de campo transcritos e os selecionei em mil trezentos e oitenta e quatro codificações (partes do texto – linha por linha), as quais classifiquei em trinta e cinco códigos (reunião de diversas codificações sobre um mesmo tema) , e finalmente os organizei em categorias principais (unidades de dimensão central de códigos baseadas nas fundamentações teóricas – identidades: física, pessoal, institucional e espiritual e outros).
Este processo permite que o pesquisador realize uma série de perguntas hipotéticas sobre o fato vivenciado na pesquisa, oportunizando uma comparação distanciada de modo a gerar mais códigos que formem dimensões e, assim, estimule o pensamento criativo e permita que o “pesquisador revise seus códigos, certificando-se que os aplicou de forma confiável” (GIBBS, 2009, p.74).
No período anterior e durante a utilização do software realizei por volta de sete leituras intervaladas de todo material para me certificar das categorias, dos códigos e das codificações escolhidas. Ao final deste período foram gerados mapas de visualização da interrelação entre as categorias e codificações realizadas, e memorandos gerais de cada dimensão categórica, os quais auxiliaram na certificação de premissas constatadas ao longo do processo de organização dos dados coletados para a elaboração da análise.
Em suma, o software MAXQDA me auxiliou na organização para a análise dos dados, de modo que as codificações fossem contidas em códigos que, por sua vez, compunham as categorias. Nesta pesquisa meu critério inicial foi o teórico, mais especificamente, baseado nas quatro perspectivas de identidade adaptadas de Bourdieu (1988) e Wainwright e Turner (2004), Wainwright, Williams e Turner (2006), seguido da identidade e embodiment de Corbett (2006) e Harquail e King (2010) e do embodiment e
emplacement de Pink (2011). Como segue no Quadro 6 as categorias e os códigos que
Quadro 6 – Lista das categorias e códigos identificados na análise dos dados primários no software MAXQDA (2011).
Categoria Códigos Informações adquiridas no diário de campo e entrevistas
OUTROS MINHAS SENSAÇÕES Minhas percepções sobre a vivência na companhia, insights e sentimentos pessoais sobre a pesquisa etnográfica.
ESPAÇO DIA FOLGA Influência do ato de dançar no dia de folga.
ROTINA DIÁRIA TREINO
E ENSAIO Influência da rotina na vida pessoal e no ato de dançar. COM ESPELHO Influência do espelho no ato de dançar.
SEM ESPELHO Influência da „cortina fechada‟ no ato de dançar. ESPETÁCULO Influência do ambiente do espetáculo no ato de dançar. ORQUESTRA/ PIANISTA Percepção do bailarino ao dançar com orquestra/pianista. MÚSICA ELETRÔNICA Percepção do bailarino ao dançar com música eletrônica. IDENTIDADE
ESPIRITUAL
IDENTIDADE
ESPIRITUAL Modo que o bailarino „incorpora‟ um personagem e um estilo coreográfico e sua percepção sobre „dancar com a alma‟. IDENTIDADE
INSTITUCIONAL COREOGRAFICA
CORREÇÕES ENSAIO Processo de correções e reações dos bailarinos a estas. MARCAR ENSAIO Processo de aprendizado e correção coreográfica. ROTINA /ENSAIO Ações da rotina dos ensaios das coreografias. IDENTIDADE
INSTITUCIONAL TREINO
MARCAR TREINO Processo de aprendizado e correção no treino. IMAGEM CIA Percepção da imagem da companhia pelos bailarinos e
direção. BAILARINO X
BAILARINO
Conflitos entre bailarinos.
RECEPTIVIDADE Minhas percepções sobre a receptividade da companhia em geral.
ESTRUTURA E
ORGANIZAÇÃO Modo que a companhia está estruturada e organizada. BAILARINO X DIREÇÃO Conflitos entre bailarinos e direção.
HIERARQUIA Exercício de poder e vigilância devido à posição hierárquica na companhia.
CORREÇÕES TREINO Processo de correções e reações dos bailarinos a estas. ROTINA /TREINO Ações da rotina dos treinos.
IDENTIDADE PESSOAL
RECONHECIMENTO
BAILARINO Percepções dos bailarinos sobre o reconhecimento profissional.
TRAJETÓRIA Início, desenvolvimento e expectativas da trajetória individual dos bailarinos.
IDENTIDADE
FÍSICA RETER O MOVIMENTO Processo de retenção do movimento nos treinos, ensaios e espetáculos. DOR EMOCIONAL Questões da percepção da dor emocional.
DOR FÍSICA Questões da percepção da dor física.
BAILARINO MODELO Ídolos que inspiram a dançar e como o bailarino gostaria de ser: físico, técnica, carreira, interpretar papel específico. IMAGEM BAILARINO Percepção do bailarino sobre si mesmo e sobre os outros
colegas no ambiente de trabalho quanto ao: físico, técnica, sensações, instituição.
AÇÕES PARA RELAXAR Ações dos bailarinos para reduzir a dor física e dor emocional no trabalho.
Dessa primeira organização foi realizada uma leitura do material a qual levou a um afunilamento das análises representado no Quadro 7 que construí ao agrupar os códigos, renomeando-os:
Quadro 7– Lista das categorias e códigos agrupados na análise no software MAXQDA (2011).
Categoria Códigos Agrupados
IDENTIDADE FISICA Dor (Física e Emocional)
Imagem do ser bailarino (Bailarino Modelo, Juventude, Magreza, Espelho) IDENTIDADE PESSOAL Trajetória (audições, ingresso precoce no mercado de trabalho,
estabelecimento de moradia longe da família, carga intensiva de trabalho e cenário da dança quanto aos direitos trabalhistas)
Reconhecimento de ser bailarino (a estabilidade promovida pelo vínculo empregatício, (carteira de trabalho e salário), a escalação dos bailarinos para as coreografias e as palmas da platéia no espetáculo de dança)
IDENTIDADE INSTITUCIONAL Treino Ensaio Tempo Espetáculo Estrutura e Organização IDENTIDADE ESPIRITUAL As sensações Espacialidade „Dançar com a alma‟ Fonte: A autora (2012).
Embora o programa de computador MAXQDA (2011) tenha oferecido “recursos básicos para trabalhar com documentos on-line, codificação, acesso a textos, exibição de codificação e redação de memorandos” (GIBBS, p.155) foi de minha responsabilidade como pesquisadora produzir interpretações, desenvolver explicações analíticas e sustentar minha análise geral na teoria adequada, trabalho este que realizo no próximo capítulo.
7 ANÁLISE
Na seção de análise busquei aprofundar reflexões sobre como se configura o
embodiment nas quatro categorias principais de identidade: física, pessoal, institucional e
espiritual. Tal fundamento teórico construí baseada nas quatro perspectivas de identidade adaptadas de Bourdieu (1988) e Wainwright e Turner (2004), Wainwright, Williams e Turner (2006), e de embodiment de Corbett (2006), Harquail e King (2010) e Pink (2011).