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Om hvor de subjektrefererende egenskapene finnes, hva som er grunnen til at de

In document Følelse og moralsk verd (sider 30-40)

Del II: Følelse, moralsk verd og forholdet mellom dem

4.1 Om hvor de subjektrefererende egenskapene finnes, hva som er grunnen til at de

O modelo teórico proposto por Izard (1972, 1977, 1991), conhecido como "Teoria das emoções diferenciais", é uma importante referência para vários trabalhos na área das ciências cognitivas. Segundo este modelo, a emoção é enquadrada como base condicionante dos processos de formação da personalidade, por via da sua energia motivacional, determinante nas manifestações comportamentais e em todo o devir humano. Considera existirem emoções básicas, que funcionam como experiências distintas, às quais são também atribuídas características motivacionais.

Izard propõe que o desenvolvimento emocional possui características bastante complexas dada a amplitude de variáveis bio-psico-sociais aí incluídas. Consiste na interacção entre a maturação dos mecanismos neurais de excitação e inibição, nas experiências inerentes à socialização e no desenvolvimento cognitivo. Durante a infância, por exemplo, o surgimento de uma emoção específica, pode ocorrer em alturas diferentes, em razão unicamente do processo de maturação. Contudo, quando a criança for capaz de comunicar mensagens com uma expressividade emocional específica (alegria, raiva), os seus responsáveis (modelos de identificação afectivamente significativos, como pais, avós, educadores, etc.) poderão então (co)responder, positiva ou negativamente, ao estado emocional transmitido. Através da sua socialização, a criança gradualmente apreende a inibir ou, em determinadas circunstâncias, manifestar algumas das suas expressões emocionais e assim, ao menos parcialmente assimila a dissociação entre a sua expressividade facial e os seus sentimentos. Embora estas

dissociações tendam a tornar-se respostas altamente elaboradas, o indivíduo pode, sob pressão emocional intensa, exibir expressões faciais prototípicas em qualquer altura da sua vida. Nos registos cinematográficos do jogo Inglaterra – Portugal, que iria definir qual das duas equipas disputaria a final do Campeonato Mundial de Futebol, em 1966, as reacções dos jogadores portugueses à derrota bem o demonstram: do pranto copioso ao semblante entristecido, passando pelo soluçar contido. Reacções de tristeza, sempre, porém com diferentes intensidades e exteriorizações, o que traz implícito, socialmente, juízos e interpretações sobre a personalidade e controlo emocional dos seus protagonistas.

Cada emoção é composta por três níveis: (1) a actividade electroquímica ou nervosa, que é inata para as emoções fundamentais; (2) impulsos eferentes da actividade emocional, que enervam a musculatura estriada envolvida nos padrões faciais e posturais, padrões esses que funcionam como emissores de mensagens que são descodificadas quer pelo sujeito, quer pelo observador; (3) para que as mensagens sejam processadas, é necessário um "feedback" para as áreas de associação do cérebro. Este último nível não ocorre necessariamente de forma consciente. A experiência subjectiva da emoção é, em si mesma, independente da cognição. Para Izard, o processamento emocional, pode funcionar independentemente de qualquer processo cognitivo, mesmo que normalmente possa haver uma interacção permanente entre eles. A cognição não é, portanto, componente necessária da emoção, embora seja muito importante para esta.

Tanto Izard, como Ekman, dedicaram-se ao estudo pormenorizado e extremamente criterioso das reacções faciais às emoções. Na nossa experiência clínica, confirmamos ainda as constatações de Reich (1927) e de Freud (1926) acerca dos efeitos das emoções sobre o tónus muscular na sua totalidade. A observação da expressividade corporal é, porém, muito mais difícil, e as mensagens mais directas e socialmente codificadas que recebemos sem dúvida provêm das expressões faciais, daí o seu grande interesse, e em termos práticos inerente à sua operacionalidade experimental. Tentando explicar a ocorrência de reacções emocionais sem a presença de um estímulo que as desencadeie (no caso dos estudos de Izard, um estímulo facial padronizado), ou seja, uma resposta definida como "dissociada", Izard considera que três diferentes mecanismos poderão estar actuantes:

 Programação antecipatória de alerta motor ("motor feedforward commands");

 Recordações de repostas faciais associadas a estados emocionais específicos. O estudo de pacientes neurológicos tem fornecido algumas constatações importantes, no sentido da compreensão destes mecanismos. Assim, padrões faciais em desacordo com reacções emocionais em tais pacientes, podem reflectir descoordenações das reacções faciais, imperceptíveis a um observador externo quando a emissão de sinais neuroquímicos para a antecipação voluntária (consciente) ou emocional (inconsciente) encontra-se bloqueada para além da área cerebral onde se realiza o processamento comparativo. Por exemplo, na miastenia grave, patologia progressiva das funções neuromusculares e que não afecta o sistema nervosos central, os pacientes relatam estados emocionais normais (raiva, ansiedade) mas frequentemente expressam reacções anormais e não coerentes com aqueles estados, como o "ranger miasténico", ruído provocado pela fricção dos dentes aquando do sorrir (Jefferson & Marshall, 1981).

Uma observação pertinente, decorre da interacção entre as mães e os seus filhos, quando o simples vislumbrar da reacção facial da mãe por parte da criança, no momento da apresentação de um dado estímulo já é capaz de antecipar e provocar o surgimento do comportamento desejado pela mãe (por exemplo quando se pergunta – O menino quer um gelado? Antes de responder, o menino olha para a mãe, que à vista do observador exterior aparentemente não emite nenhuma informação perceptível. Ao contrário do que era esperado, responde – Não, muito obrigado. O fácies do menino, a entonação com que emite a sua resposta, são frequentemente reveladores de sentimentos dissociados).

Izard defende que o aprendizado das associações entre as emoções primárias é um dos maiores desafios ao desenvolvimento humano. Considera que existem dez emoções primárias que são encontradas em todas as culturas. Estas emoções, descritas na secção geral sobre emoções básicas (1.3.) neste capítulo, podem ser combinadas em pares que formam quarenta e cinco díades de emoções "mistas" ("mixed or blended"), em trios que formam cento e vinte tríades, etc. Emoções como ansiedade, depressão amor, presumivelmente representarão uma complexa combinação de emoções primárias. A composição desta conjugação de emoções varia de acordo com o

desenvolvimento. Por exemplo, crianças com 10-11 anos de idade associam sentimentos, primeiro de raiva e depois de tristeza, à depressão, ao passo que adultos afirmam que sentimentos de tristeza são os primeiros a aparecer, ao passo que raiva, culpa e vergonha, em igualdade de posição, lhe sucedem (Blumberg & Izard, 1985, 1986; Izard, 1977).

A assimilação das associações entre as emoções e os motivos é outro imperativo do desenvolvimento. Cada emoção básica pode ser associada a tendências ("drives") específicas na produção de estados emotivo-motivacionais únicos, como por exemplo a excitação ou a culpabilização sexuais.

Da mesma forma, para Izard também a emoção e a cognição devem ser objecto de uma associação, no sentido da concretização funcional de variados objectivos. A cognição pode agir como estratégia de "coping" para a extinção de respostas emocionais não coerentes com objectivos menos imediatos; a cognição pode actuar no sentido da potenciação dos estados emocionais coerentes com os objectivos, conscientes ou não. A cognição pode ainda desencadear estados emocionais facilitadores específicos a um determinado indivíduo, por vias das suas características próprias de experiência e inserção ambiental.

A postura de Izard sobre sexo e emoção é esclarecedora da complementaridade entre o biológico e o psicológico: o impulso sexual pode determinar e sobrepor tanto a acção como a cognição, o que é potenciado pelo interesse e pela excitação; como consequência, manifesta-se um estado de necessidade premente. Havendo uma combinação entre o contentamento e certas estruturas cognitivas da emoção, um resultado possível é o amor, "factor básico da condição humana que envolve intensas ligações sociais de base afectiva, pleno de interesse e alegria" (1991, 407), mas que também "percorre toda a escala das emoções". Considera vários tipos de expressão amorosa (amor romântico, pelos pais, pelos filhos, amigos, entidades várias, etc.) que têm em comum a vinculação, a lealdade, a devoção, a protecção. Dada a abrangência sexual, o amor romântico torna-se especial.

No modelo proposto por Izard, tanto a sensação como o substrato neural das emoções primárias são invariantes e predeterminados, durante todo o curso da vida. A expressão emocional, a concordância entre o experimentado e o expresso e os limites biológicos podem sofrer mudanças radicais durante a vida.

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