3. Fylkesmannens rolle i klagesak etter plan- og bygningsloven
3.2. Klage på reguleringsplan
3.2.5. Om hensynet til det kommunale selvstyret
RESUMO – A vacinação contra os agentes da doença respiratória bovina
(DRB) é prática comumente implantada em bovinos confinados. Porém, sua realização na chegada dos animais ao local não é recomendável. Dessa forma, a hipótese deste estudo foi de que bovinos com menor peso corporal, confinados na época seca e vacinados na entrada do confinamento apresentam maior risco para DRB. Objetivou-se avaliar o efeito da época do ano, do peso vivo na entrada do confinamento e do protocolo vacinal na morbidade da DRB. Utilizou-se 80.957 animais e a chance de DRB foi calculada para os fatores época do ano (seca ou chuvosa), peso vivo na entrada do confinamento (menor que 300 Kg, de 300 a 350 Kg, ou acima de 350 Kg) e o protocolo de vacinação (duas doses antes ou uma única dose no dia da entrada). Os bovinos permaneceram em média 110,78 dias confinados, e a morbidade geral foi de 10,44% (8.453/ 80.957), sendo que a morbidade por DRB representou 8,56% (6.930/80.957). Não houve diferença na morbidade por DRB entre as épocas seca e chuvosa, tampouco em relação ao peso (P>0,05). No entanto, aqueles animais previamente vacinados apresentaram menor risco para DRB (4,14% - 730/17.600) do que os animais vacinados ao entrarem no confinamento (9,76% - 6.200/63.357) (P<0,05). Dessa forma, os animais vacinados na entrada tiveram 2,5 vezes mais chance de terem DRB. Conclui-se que animais com vacinação e reforço vacinal prévios à entrada no confinamento tem 2,5 vezes menor risco de desenvolver DRB. Além disso, apesar de considerados fatores de risco importantes, a época do ano e o peso de entrada dos animais no confinamento não interferiram na ocorrência das DRB neste estudo.
Palavras-Chave: estresse, fatores de risco, profilaxia
Bovinos alocados em grandes confinamentos são submetidos a inúmeros desafios, como mudanças climáticas e ambientais, além da exposição a diversos patógenos. Antes mesmo do estabelecimento dos animais no confinamento, alguns fatores estressantes, como o transporte por longas distâncias e o próprio embarque, predispõem a infecções do sistema respiratório (RICE; CARRASCO-MEDINA, 2007). O complexo da doença respiratória bovina (DRB) têm origem multifatorial, com interação de agentes estressantes, hospedeiros mais susceptíveis e agentes viriais e bacterianos patogênicos ao trato respiratório (DUFF; GALYEAN, 2007; EDWARDS, 2010; DEDONDER; APLEY, 2015).
Alguns agentes têm sido identificados como responsáveis pela doença clínica nos rebanhos brasileiros, como Histophilus somni (HEADLEY et al., 2014, 2017; MAGALHÃES et al., 2017), Mannheimia haemolytica (BAPTISTA et al., 2017; MAGALHÃES et al., 2017), Pasteurella multocida (BAPTISTA et al., 2017), além do vírus sincicial respiratório bovino (BRSV) (HEADLEY et al., 2017). No Brasil, a morbidade em grandes confinamentos devido à DRB tem alcançado índices de 6,13%, enquanto que a mortalidade pela doença representa 0,21% (BAPTISTA et al., 2017). Em estudos realizados no noroeste do estado de Minas Gerais, sudeste do Brasil, tem se identificado uma maior prevalência das DRB em bovinos confinados no período de seca (BAPTISTA et al., 2017), em que as amplitudes térmicas são maiores, a umidade é baixa e partículas de poeira ficam retidas no ar o que levam a maior ocorrência da doença (MACVEAN et al., 1986; TAYLOR et al., 2010; FULTON, 2013). Tais fatores tornam o ambiente mais desafiador, sobretudo aos animais alocados recentemente no sistema. Adicionado a isso, animais com menor peso corporal, ou com peso corporal menor que 250 Kg tem maior chance de desenvolver DRB do que aqueles com peso acima de 318 Kg (TAYLOR et al., 2010).
Como método preventivo para a DRB, institui-se a profilaxia, pois quando os animais são vacinados aumenta-se os títulos de anticorpos, desta forma reduzindo a ocorrência de doenças clínicas e melhorando o desempenho produtivo no confinamento (FULTON, 2013). A vacinação é prática comum nos animais destinados à terminação em confinamento (GORDEN; PLUMMER, 2010; POTTER, 2015), no entanto, esta vacinação tem sido realizada na chegada dos animais a este local.
A vacinação realizada no momento em que os animais chegam ao confinamento não é recomendável, pois sabe-se que os níveis de cortisol elevados decorrentes do estresse pelo manejo e transporte diminuem os títulos de anticorpos de animais vacinados e também interfere na resposta das citocinas pró-inflamatórias (CARROLL et al., 2015; OLIPHINT 2006), comprometendo a capacidade de defesa imune adaptativa desses animais.
Além disso, observou-se que a maior ocorrência da DRB nos grandes confinamentos americanos ocorre nos primeiros dias após a entrada (RIBBLE et al., 1995a, 1995b; EDWARDS, 1996; GAGEA et al., 2006), semelhante ao observado nos animais anelorados confinados no Brasil, onde 69,3% dos animais apresentam a doença clínica nos primeiros quinze dias de confinamento e 95,8% do total de animais doentes por DRB são identificados ainda no primeiro mês (BAPTISTA et al., 2017). Com isso, é de grande importância a implementação de métodos de imunização ativa, apesar de não desencadearem uma resposta imune imediata, a resposta de longa duração pode ser reestimulada e reforçada (TIZARD, 2014).
A hipótese deste experimento foi de que bovinos com menor peso corporal, confinados na época seca e com protocolo vacinal apenas na entrada do confinamento apresentam maior risco para DRB. Portanto, objetivou-se neste estudo avaliar o efeito da época do ano, do peso vivo na entrada do confinamento e o protocolo de vacinação na morbidade da doença respiratória bovina (DRB) em um confinamento comercial localizado na região noroeste do estado de Minas Gerais, sudeste do Brasil.
METODOLOGIA
Local de estudo e animais
Foram avaliados todos os bovinos de corte confinados no período de janeiro a dezembro de 2015, em uma propriedade comercial localizada no município de Guarda Mor, noroeste do estado de Minas Gerais, sudeste do Brasil. Os critérios de inclusão
foram bovinos machos, não castrados, de raças diversas, idade média de 18 a 24 meses, e sem sinais clínicos de DRB.
Avaliação dos fatores de risco para DRB
Para avaliação da chance de apresentar DRB foram consideradas as seguintes variáveis independentes: a) época do ano de entrada no confinamento, época seca (março a setembro) ou chuvosa (setembro a março); b) peso vivo de entrada, onde os animais foram divididos em peso menor que 300 Kg, entre 300 e 350 Kg ou acima de 350 Kg; c) protocolo vacinal, Protocolo 1 que consistia nos bovinos de corte que receberam duas doses, a primeira aos 60 dias antes de entrarem no confinamento (D -60) e outra 30 dias após a primeira e (D -30), de vacina contra os vírus vivos alterados quimicamente herpesvírus bovino tipo 1 (BoHV-1) e vírus da parainfluenza bovina tipo 3 (BPIV-3), vírus inativado da diarreia viral bovina (BVDV), e vírus vivo modificado sincicial respiratório bovino (BRSV), (CATTLEMASTER 4®, Zoetis) e Protocolo 2,
bovinos de corte que receberam dose única de vacina, no dia em que entraram no confinamento (D 0),contra os vírus vivos alterados quimicamente herpesvírus bovino tipo 1 (BoHV-1) e vírus da parainfluenza bovina tipo 3 (BPIV-3), vírus inativado da diarreia viral bovina (BVDV), e vírus vivo modificado sincicial respiratório bovino (BRSV), (CATTLEMASTER 4®, Zoetis) na entrada do confinamento (Dia 0).
Acompanhamento e manejo dos animais
Na entrada do confinamento (Dia 0), todos os bovinos foram identificados, pesados e destinados ao descanso por três dias em piquetes com pastagem de Mombaça (Panicum maximum), com sal mineral e água ad libitum. Os animais receberam vacina contra Clostriduim chauvoei, C. novyi, C. perfringens tipo C e D e C. Septicum (COVEXIN 9®, MSD Saúde Animal; LINOVAC®, Merial) e controle de verminoses por meio da administração tópica de eprinomectina (EPRINEX® POUR-
Os bovinos permaneceram confinados em piquetes não cobertos de 1.591 m2,
sendo alojados 140 animais em cada piquete, cuja área de cocho possuía 43 m, o piso de cascalho batido, pé de cocho concretado com 2 m2 de comprimento,
bebedouro com capacidade de 500 litros de água com boia de enchimento automático, cerca de eucalipto com cinco fios de arame liso sendo um eletrificado, três aspersores de água por piquete irrigando duas vezes ao dia por 20 minutos. A alimentação foi composta por silagem de milho, milho floculado, farelo de soja, melaço de soja, núcleo mineral, Promil® (Cargill Brasil Nutrição Animal, SP, Brasil) e água à vontade.
O manejo nutricional foi dividido em duas fases, adaptação e terminação. Foram 21 dias na dieta de adaptação com 42% de volumoso e 58% de concentrado e, o período restante na dieta de terminação com 12,5% de volumoso e 87,5% de concentrado na matéria seca, dividido em três tratos diários.
Os animais foram monitorados duas vezes ao dia pela equipe de ronda sanitária, composta pelo médico veterinário responsável e pela equipe treinada. Os animais foram avaliados todos os dias em que se mantiveram confinados, duas vezes ao dia e por tempo suficiente para que a inspeção de todos os animais fosse possível e, aqueles identificados com sintomatologia clínica de DRB por meio da avaliação de escores visuais baseado no Depression, anorexia, respiratory and temperature system (DART system) (Zoetis, Florham Park, NJ), modificado por Wilson et al. (2015), em uma escala de escores de 0 a 3, onde o escore 2 já configura a necessidade de tratamento (PANCIERA; CONFER, 2010), foram imediatamente separados para uma baia especial e examinados pelo médico veterinário. Aqueles, após o exame do médico veterinário que foram diagnosticados com DRB foram devidamente medicados com florfenicol na dose de 40 mg/Kg PV e flunixin meglumine na dose de 2,2 mg/Kg PV, por via subcutânea, dose única (RESFLOR® GOLD, MSD Saúde Animal).
Estatística
Os dados relativos ao diagnóstico clínico, tratamento e morbidade foram inseridos e atualizados diariamente em planilha do Microsoft Excel. Os índices de morbidade estão apresentados em porcentagem. Utilizou-se o modelo de regressão logística binária, por meio do software estatístico SPSS, e selecionado como variável
dependente (binária) os resultados de morbidade (negativo e positivo) como variável de saída e, como covariáveis as variáveis previsoras: Protocolo vacinal: 0 – Protocolo 1, 1 – Protocolo 2; Época de entrada: 0 – chuvosa (22/9-20/03), 1 – seca (20/03- 22/09); Peso de entrada: 0 - <300 Kg, 1 – 300-350, 2 - >350. A estatística de aderência de Hosmer-Lemeshow foi realizada para avaliação do modelo e comparação das frequências observadas e esperadas. O nível de significância para todos os testes foi de P<0,05.
RESULTADOS
O estudo incluiu 80.957 bovinos que tiveram peso médio de entrada de 337 Kg (± 60,77), permaneceram em média 110,78 dias (± 22,85) confinados e durante este período, registraram-se na estação meteorológica local as médias de temperaturas mínimas e máximas diárias de 16 ºC (± 3,15) e 36 ºC (± 5,46), respectivamente, e o índice pluviométrico médio de 0,91 mm (± 4,97), na época seca e, 20 °C (± 2,62), 39 °C (± 4,7) e 5,43 mm (± 16,54) na época chuvosa.
A morbidade geral no estudo foi de 8,77% (7.106/ 80.957). Dentro dos índices de morbidade geral, além da DRB (8,56% - 6.930/80.957), incluíram-se as afecções traumáticas (0,016% - 13/80.957) e podais (0,16% - 136/80.957), bem como aquelas que acometeram o trato gastrointestinal (0,007% - 6/80.957), que tiveram alguma lesão em pele e anexos (0,018% - 15/80.957) ou foram diagnosticados com sinais clínicos neurológicos (0,007% - 6/80.957).
Os bovinos alocados na época seca tiveram morbidade por DRB de 8,73% (4.525/ 51.808), e aqueles cuja entrada foi na época chuvosa, a morbidade foi de 8,25% (2.405/ 29.149) (P>0,05). Ao segregar os bovinos por peso vivo em grupos menores que 300 Kg, entre 300 e 350 Kg e maiores que 350 Kg, estes apresentaram morbidade por DRB de 7,0% (1.733/ 24.723), 8,67% (2.212/ 25.516) e 9,71% (2.985/ 30.718), respectivamente (P>0,05).
Dos 80.957 animais acompanhados, observou-se que aqueles que receberam a vacinação prévia (Protocolo 1) apresentaram menor risco para DRB (4,14% - 730/17.600) do que os animais vacinados ao entrarem no confinamento (Protocolo 2) (9,76% - 6.200/63.357), como pode ser visualizado na Figura 1.
Figura 1. Fluxograma ilustrando o número total de animais avaliados, seguido do grupo (protocolo) no qual os animais foram alocados, apresentando para cada grupo o total de animais que ficaram doentes (DRB) ou não (sadios) em relação às DRB. No Protocolo 1 foram incluídos aqueles animais que receberam duas doses das vacinas contra os agentes das DRB (BoHV-1, BVDV, BRSV, BPIV-3) antes de entrarem no confinamento, e no Protocolo 2 aqueles que receberam apenas uma dose da mesma ao entrarem no confinamento.
Quanto ao risco de DRB (Tabela 1), neste estudo, os animais que receberam dose única da vacina contra alguns agentes virais da DRB ao chegarem no confinamento tiveram 2,5 vezes mais chance de apresentarem a doença (P<0,05) do que os animais que receberam a vacinação prévia à entrada no confinamento.
Tabela 1. Fatores de risco associados à doença respiratória bovina (DRB) em bovinos de corte confinados no município de Guarda Mor, Minas Gerais, Brasil.
Fatores de risco Coeficiente P-valor
Exp (B) Odds ratio 95% I.C Constante -3,1238 Protocolo vacinal (1) 0,916 0,000 2,500 (2,296 – 2,721) Época de entrada (1) -0,006 0,820 0,994 (0,943 – 1,047) Peso de entrada 0,834 Peso de entrada (1) -0,007 0,842 0,993 (0,929 – 1,062) Peso de entrada (2) -0,018 0,548 0,982 (0,927 – 1,041) *Exp (B)- Odds ratio ajustada, sendo que o Exp (B) > 1, ele indica que à medida que o previsor aumenta, aumentam as chances de uma saída ocorrer, já um valor menor que 1, indica que à medida que o previsor aumenta, as chances de uma saída ocorrer diminuem. Protocolo vacinal: 0 – Protocolo 1, 1 – Protocolo 2; Época de entrada: 0 – chuvosa (22/9-20/03), 1 – seca (20/03-22/09); Peso de entrada: 0 - <300 Kg, 1 – 300-350, 2 - >350.
DISCUSSÃO
Dentre as afecções que ocorreram nos animais no período de confinamento, a DRB foi a mais prevalente (8,56% - 6.930/80.957), a partir de uma morbidade geral de 8,77% (7.106/ 80.957), valores superiores aos encontrados em estudos anteriores (BAPTISTA et al., 2017), em que a DRB apresentou morbidade de 6,13% enquanto a morbidade geral foi de 7,05%.
Apesar de se apresentarem como fatores de risco, o peso vivo e a época de entrada dos animais, não interferiram na morbidade neste estudo. Estes fatores de risco têm sido alvo de pesquisa para uma maior compreensão da DRB no Brasil, já que até o momento, poucos estudos brasileiros têm se preocupado com essas doenças em bovinos confinados (BRASIL et al., 2013; HEADLEY et al., 2017; BAPTISTA et al., 2017; MAGALHÃES et al., 2017). A maioria dos trabalhos de origem norte-americana relatam o baixo peso vivo dos animais como um fator predisponente importante para a DRB no momento em que estes são destinados ao confinamento (APLEY, 2006; BABCOCK et al., 2013).
No entanto, o rebanho de terminação nesses países é composto por animais muito jovens, bezerros recém desmamados, em que o peso muitas vezes é consequência de outros fatores, nutricionais e relativos a transferência de imunidade passiva por meio de colostro, o que compromete o desempenho e a sanidade destes ao serem desafiados no confinamento (CASWELL, 2014), não sendo essa a realidade dos rebanhos brasileiros.
Novamente, ao comparar com os dados disponíveis na literatura, verifica-se que em relação à época do ano, em países em que as estações são bem estabelecidas no que diz respeito à temperatura e umidade do ar, há maior ocorrência da DRB no período de outono e inverno (SNOWDER et al., 2006; MILES, 2009). Ao extrapolar para o Brasil, país de clima tropical, a DRB tem maior frequência na época seca, que compreende o período entre os meses de abril e setembro, em que as amplitudes térmicas são maiores e a umidade do ar é menor, permitindo maior retenção de partículas de poeira no ar, fatores importantes predisponentes a DRB (MACVEAN et al., 1986; FULTON, 2013). No entanto, diferente de estudos anteriores (BAPTISTA et al., 2017; MAGALHÃES et al., 2017) realizados neste mesmo
confinamento comercial, onde os níveis de poeira eram uma preocupação importante, aspersores de água foram instalados e utilizados durante todo o período com menores índices pluviométricos, promovendo maior umidade e menor retenção de partículas de poeira no ar, além de reduzir a temperatura relativa e, consequentemente, a amplitude térmica diária, outro fator de risco considerado.
Este estudo reforça a importância e o efeito positivo da vacinação contra os principais agentes da DRB anterior a entrada dos animais no confinamento, já que animais previamente vacinados apresentaram 2,5 vezes menos chance de terem DRB do que aqueles que receberam a vacinação ao entrarem no confinamento. Menor risco para DRB em animais vacinados também foi encontrado por Hay et al. (2016) em um estudo com bezerros terminados em confinamento na Austrália. No trabalho desses autores, as condições desafiadoras no momento anterior ao confinamento também foram consideradas nas avaliações e os animais apresentaram maiores chances de DRB quando manejados para o confinamento, salientando a importância de estarem previamente vacinados.
A vacina utilizada neste estudo é composta pelos principais agentes virais da DRB, ou seja, com amostras virais vivas alteradas quimicamente de BoHV-1 e BPIV- 3, viva modificada de BRSV e vírus inativado de BVDV. Apesar disso, vacinas que contêm cepas inativadas requerem um reforço vacinal para que consigam levar a uma resposta secundária e de longa duração do sistema imune, (NEWCOMER; CHAMORRO; WALZ, 2017), no entanto, devido à possibilidade de contaminação na produção de vacinas vivas modificadas de BVDV e aumento na transmissão do vírus, as vacinas inativadas são mais seguras (LINDBERG; HOUE, 2005). As vacinas vivas modificadas apresentam boa imunização por estimularem uma resposta primária e também a secundária (BROCK et al., 2007), com a exceção do BRSV que tem a particularidade de multiplicação intracitoplasmática na célula do hospedeiro (ELLIS, 2009), dificultando a resposta.
No entanto, sabe-se da importância dos agentes bacterianos na etiologia das DRB já identificados no Brasil em animais doentes, que morreram ou apresentaram a doença subclínica (HEADLEY et al., 2014, 2017; BAPTISTA et al., 2017; MAGALHÃES et al., 2017), e que não são contemplados nas vacinas disponíveis no mercado brasileiro. Apesar de não ter sido realizada a identificação dos agentes neste
estudo, há possibilidade de o agente etiológico não estar incluído na vacina utilizada, por ser bacteriano. Dessa forma, neste estudo, aqueles animais previamente vacinados podem não ter tido uma infecção viral, que levaria a uma imunossupressão (PANCIERA; CONFER, 2010) e consequente infecção secundária pelos agentes bacterianos das DRB.
CONCLUSÕES
Animais com vacinação e reforço vacinal prévios à entrada no confinamento tem 2,5 vezes menor risco de desenvolver doença respiratória. Além disso, apesar de considerados fatores de risco importantes, a época seca e o baixo peso corporal na entrada dos animais no confinamento não interferiram na ocorrência das DRB.
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