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Om den internasjonale forskningsfronten

4. Udekkede kunnskapsbehov

4.5 Om den internasjonale forskningsfronten

possibilidade de uma integração vantajosa para ambas as formas de conhecimento, é, segundo Brooke (1991:4), claramente invocada por Whitehead, ao levantar a questão de se o pressuposto dos filósofos do século XVII de que haveria uma ordem imposta à natureza não poderia ter sido inconscientemente derivada da teologia medieval.

5 Gould se refere a um grupo de fundamentalistas Cristãos que, por acreditarem na verdade literal da

A análise histórica a respeito da relação entre religião e ciência feita pelo próprio Brooke (1991) demonstra que a doutrina religiosa da tradição judaico-cristã, além de prover a ciência moderna de pressupostos metafísicos, durante o século XVII, como sugere Whitehead, também forneceu justificação e motivação para a prática de seus precursores. Segundo ele, a doutrina Cristã da criação forneceu uma coerência ao empreendimento científico, ao subscrever uma uniformidade na relação causa-efeito e uma ordem no funcionamento do universo, ambas resultantes da ação legisladora de um Criador inteligente.

Uma interpretação semelhante é apresentada por Abrantes (1998), quando propõe que o Cristianismo teria contribuído para o desenvolvimento de uma imagem de natureza precursora do mecanicismo, através da concepção de um mundo natural ordenado e controlado pelo desígnio divino. De acordo com sua análise, a reafirmação da crença num Deus criador e providencial pôs em questão a imagem de natureza ativa de Aristóteles, que pressupunha uma ordem imanente e necessária, e, assim, instituiu uma imagem de natureza passiva, cuja ordenação dependeria da ação voluntariosa de Deus. Desta forma, a imagem de natureza Cristã promoveu a substituição do determinismo causal interno de Aristóteles por um determinismo causal externo, que prioriza as causas eficientes e mecânicas, externas ao móvel. No capítulo III, ficará claro que esta é a base da argumentação utilizada por Abrantes para defender a tese de que a instituição desta nova imagem de natureza teria sido uma condição necessária para que a experimentação fosse adotada como método adequado na aquisição de conhecimento sobre a natureza, dando origem a uma das características mais distintivas da ciência moderna.

Brooke (1991:13) questiona a visão comum de que a emergência da imagem mecanicista de natureza tenha constituído um passo crucial para a secularização, sob o argumento de que não teria restado mais lugar para a ação de Deus num universo que funcionaria como um relógio. Como será melhor discutido no capítulo III, as análises históricas de Brooke (1991), Burtt (1983) e Abrantes (1998) revelam que os filósofos do século XVII não só propunham, de diversas maneiras, um lugar para Deus no funcionamento do universo, como, freqüentemente, utilizavam as imagens mecanicistas de natureza para defender o Cristianismo. Boyle, por exemplo, não apenas reforçava a visão da natureza como um sistema planejado, como também utilizava a concepção mecanicista para enfatizar a absoluta soberania de Deus. Se,

por um lado, os fenômenos físicos deveriam, na ciência moderna, ser explicados apenas em termos de matéria e movimento, por outro, dado que a matéria era inerte, Deus deveria ser responsabilizado pelo próprio movimento (Brooke, 1991:13).

Os argumentos da teologia natural de que Deus se revelara não só através dos textos bíblicos, mas também através do seu trabalho, a natureza, eram freqüentemente utilizados para sancionar a ciência experimental. A teologia natural consiste num dos exemplos mais notórios da possibilidade de motivações religiosas alimentarem a investigação científica.

Feitas estas considerações, Brooke (1991:47) adverte, no entanto, que é preciso ter cautela ao reivindicar que alguma tradição religiosa, em particular, tenha propiciado, de forma ímpar, a ciência. A dificuldade encontrada neste tipo de proposição é a de que, embora certas doutrinas possam ter sancionado a investigação científica, outras, dentro da mesma tradição religiosa, podem tê-la reprimido. De acordo com Brooke, esta ambivalência esteve presente na relação entre a ciência e o Cristianismo no século XVII. Embora a doutrina da criação possa ter encorajado a investigação da ordem subjacente ao fluxo dos fenômenos naturais, a doutrina do Pecado Original de Adão foi utilizada algumas vezes para suprimi-la. Temia-se que a avidez pelo conhecimento da natureza pudesse elevar a razão, às expensas da fé. E uma vez que a razão tinha sido enfraquecida pelo Pecado Original, que garantia poderia haver de que seria possível alguém desvendar os pensamentos de Deus? Portanto, ao fazer-se inferências a respeito das possíveis conexões entre alguma tradição religiosa e o empreendimento científico, é preciso ter em conta este tipo de ambivalência. Outro aspecto a ser considerado, ainda neste sentido, é a possibilidade de a mesma doutrina dar lugar a diferentes interpretações e, desta forma, prestar-se ora a propiciar, ora a reprimir, a investigação da natureza.

A este respeito, Brooke (1991:47) discute que mesmo a reivindicação cristã de que a ordem natural reflete a contingência da vontade divina, freqüentemente citada como um dos fatores responsáveis pelo o fortalecimento de uma atitude empirista no século XVII (Abrantes, 1998; Burtt, 1983), teria sido conduzida para dois lados opostos. Muitos filósofos, como Bacon e Mersenne, de fato a utilizaram para justificar a supremacia da abordagem empírica em relação à racionalista. No entanto, até mesmo entre os empiristas, a crença num Deus providencial e voluntarioso deu lugar à interpretação de que não se deveria sustentar a pretensão de deter o

conhecimento acerca do funcionamento da natureza, uma vez que Deus poderia ter posto o mundo em funcionamento de várias formas.

Outro apelo histórico a favor da concepção de que ciência e religião podem encontrar-se integradas consiste na tese do sociólogo norte-americano Robert K. Merton, de que os valores puritanos teriam auxiliado a expansão da ciência na Inglaterra do século XVII. Inspirado pela análise de Weber a respeito das conexões entre o florescimento do capitalismo e a adoção das normas éticas derivadas da teologia de Calvino, Merton defende a tese de que os valores associados ao ascetismo Protestante estimularam o crescimento das ciências práticas. Utilizando-se de exemplos extraídos da Inglaterra do século XVII, ele argumenta que, nas sociedades onde valores puritanos foram mantidos, houve um reconhecimento crescente da utilidade social tanto da ciência quanto da tecnologia (ver Brooke, 1991:110).

Segundo Brooke (1991:82), desde a observação de Francis Bacon de que uma nova vitalidade na Ciência teria coincidido com a Reforma Protestante, muitos historiadores têm argumentado a respeito da existência de conexões entre protestantismo, capitalismo e ciência. A natureza dessas conexões é, no entanto, uma questão controversa. Em um dos extremos, estão aqueles que defendem que o Protestantismo propiciou mais à ciência do que o Cristianismo apenas no sentido de ter sido menos obstrutivo. Os partidários desta visão contam com os argumentos da maior fluidez doutrinal no seio da maior parte dos movimentos Protestantes e da ausência de um mecanismo censor centralizador e efetivo, como aquele exercido pelo Santo Ofício. No outro extremo, encontram-se os que argumentam que doutrinas protestantes específicas forneceram um estímulo direto e positivo para a investigação científica (Brooke, 1991:82-83).

Brooke (1991:110) considera plausível, em princípio, o estabelecimento de conexões entre a injunção espiritual de glorificar a Deus e a concepção de um envolvimento divino com as questões terrenas, com a busca por conhecimento sendo entendida não só como um meio de demonstrar o poder do Criador, como também de aliviar o sofrimento da humanidade. Ele reconhece a existência de evidências, nada desprezíveis, de que a teologia Protestante alimentou a atividade científica daqueles que viam na ciência experimental a chave para o progresso humano. No entanto, ao analisar os testes que poderiam ser desenhados para verificar a correlação entre a

presença de valores puritanos e o desenvolvimento científico, Brooke (1991) encontra dificuldades formidáveis para o estabelecimento de conexões diretas entre Reforma Protestante e Revolução Científica.

Um dos principais problemas encontrados consiste na impossibilidade de isolar-se compromissos religiosos de forças sociais e econômicas. Segundo Brooke (1991:113), o próprio Merton reconheceu que constatações como a de que havia uma preponderância de Protestantes entre os associados estrangeiros da Academia de Ciências da França no período de 1666 a 1885 não poderiam ser consideradas conclusivas. Como saber, por exemplo, se os antigos Puritanos voltaram sua atenção para a ciência porque este interesse foi gerado pelo seu ethos, ou se, de outra maneira, uma vez ingressos na carreira de cientistas, passaram a achar os valores puritanos apropriados?

Após esta análise, Brooke (1991:116) conclui que é preciso ter cautela ao apontar uma forma de Cristianismo como sendo a única propícia à Ciência. É certo que as autoridades católicas tiveram, ao menos inicialmente, maior dificuldade em assimilar certas inovações científicas, desde a defesa da cosmologia de Copérnico até a teoria atômica da matéria, que contribuiu de forma significativa para o processo de mecanização da natureza. No entanto, Brooke destaca que o mais fascinante na história é a constatação de que, paradoxalmente, entre os fundadores do mecanicismo, encontramos estudiosos católicos.