6. Innrapportering til KOSTRA og bruk av nøkkeltall
6.1. Administrasjon og styring
Na constituição do discurso jornalístico, os acontecimentos podem ser tratados sem que tenha havido previamente a observação direta por parte do jornalista/repórter ou a descrição de testemunhas oculares. Logo, as informações são obtidas pelo repórter por outros meios. Mesmo assim, há o cuidado para que a objetividade sempre apareça, e de diferentes maneiras, de modo que a estratégia retórica desenvolvida consiste numa utilização sutil e citação das fontes.
Conforme Van Dijk (1990 [1988]), as fontes para a notícia, em primeiro lugar, são as primárias, ou seja, os participantes imediatos, tanto para descrição dos atos (como
66 testemunhas oculares) como para a formulação de opiniões. Porém, nem todas as fontes são igualmente críveis, por isso existe uma hierarquia dessas e graus relacionados com sua confiabilidade. Logo, as fontes de elite são consideradas de maior valor informativo, como os atores da notícia, e mais confiáveis, como observadores e emissores de opiniões.
Do ponto de vista retórico, o discurso jornalístico sugere a aparência de verdade, mediante a utilização de figuras precisas, com a apresentação de detalhes informativos que indicam precisão do que é noticiado. Segundo Van Dijk (1990 [1988]), esta é uma das razões de aparecerem em abundância tantas indicações numéricas de diferentes tipos, no discurso jornalístico, como números de participantes, idade, data e hora dos acontecimentos, descrições situacionais, descrições numéricas de instrumentos e acessórios (peso, tamanho) etc., já que poucos recursos retóricos sugerem mais convincentemente fidelidade que esses jogos de figuras. As figuras, predominantemente, são apresentadas no discurso jornalístico como sinais de precisão e, em consequência, de verdade.
[...] a retórica jornalística não se limita às figuras usuais da fala. Mas são utilizados os dispositivos estratégicos que se relacionam à veracidade, à plausibilidade, à correção, à precisão e à credibilidade [...]. Esses dispositivos incluem o uso destacado dos dados; um uso seletivo das fontes; modificações específicas nas relações de relevância (as proposições incompatíveis aparecem no final ou são completamente ignoradas); as perspectivas ideologicamente coerentes na descrição dos eventos; os usos de argumentações específicas ou esquemas de atitudes, os usos seletivos de pessoas e instituições confiáveis, oficiais, bem conhecidas e críveis; a descrição de pequenos detalhes, concretos; a citação de testemunhas oculares ou participantes diretos; e a referência ou apelação às emoções (p. 138)13.
Na webnotícia, o recurso retórico de utilização de figuras ganha forças, tendo em vista que, com a internet, se torna mais fácil constatar a veracidade da informação noticiada, pois isso pode ser feito com uma simples busca pela web. Por outro lado, com a internet se torna também mais fácil falsificar documentos e informações. Nesse sentido, quando temos uma notícia retextualizada, muitas vezes já é disponibilizado, na mesma página do portal
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No original: “la retórica periodística no se limita a las figuras usuales del habla. Más bien; se utilizan los dispositivos estratégicos que relacionan la veracidad, la plausibilidad, la corrección, la precisión y la credibilidad. Los hemos ilustrado con algún mayor detalle, aunque todavía algo informalmente, mediante ejemplos. Estos dispositivos incluyen el uso destacable de las cifras; un uso selectivo de las fuentes; modificaciones específicas en las relaciones de relevancia (las proposiciones incompatibles aparecen al final o son completamente ignoradas); las perspectivas ideológicamente coherentes em la descripción de los sucesos; los usos de argumentaciones específicas o esquemas de actitudes, los usos selectivos de personas e instituciones fiables, oficiales, bien conocidas y creíbles; la descripción de detalles cercanos, concretos; la cita de testigos oculares o participantes directos; y la referencia o apelación a las emociones” (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 138).
67 jornalístico, o texto-fonte, cujas informações serviram de base para a constituição da notícia, de modo que a veracidade da informação já pode, em tese, ser testada na mesma página em que se lê a notícia.
Conforme postula Van Dijk (1990 [1988], p. 141), a expressão “processamento do texto” implica dizer que a maior parte da informação utilizada para escrever um texto jornalístico ingressa na forma discursiva. Geralmente, essa informação chega através de discursos já codificados e interpretados de outros discursos, por exemplo, de reportagens, de declarações públicas, de reuniões, de comunicados à imprensa, de debates parlamentares etc. Para o autor, o processamento de uma grande quantidade de texto e de fala, em forma de input [entrada], é o que se encontra no centro da produção do discurso jornalístico.
Na produção do discurso jornalístico, existem vários textos input, denominados mais especificamente como textos-fonte, por Van Dijk (1990 [1988]), que são responsáveis pelo volume de informações que deverão ser processadas na notícia. O autor nos diz que podemos formular várias perguntas, para nortear um esquema de análise:
Qual é a natureza desses diferentes textos input, ou textos fonte? Como os escutam e os leem os jornalistas e como os entendem e os representam cognitivamente? Que informação procedente desses textos-fonte é focada, selecionada, resumida ou processada de outra maneira para seu possível uso nos processos de produção do texto jornalístico? Como ocorre isso? O que está implicado nos muitos tipos de interação verbal através dos quais os textos-fonte chegam a ser acessíveis: as entrevistas, as chamadas telefônicas, as conferências de imprensa ou atos similares, nos quais os jornalistas saem ao encontro de possíveis fontes informativas e personagens da notícia? Quais são as diferentes regras e as limitações desses tipos de encontros e em quais situações eles têm lugar? (p. 142)14.
Segundo Van Dijk, é óbvio que as notícias não são produzidas por indivíduos isolados, sendo que esse pressuposto também é válido para a compreensão e especialmente para os usos da notícia e das mídias. Portanto, é de fundamental importância que seja dado um viés social ao estudo realizado com a notícia, no sentido de que as atividades e as interações
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No original: “¿Cuál es la naturaleza de estos diferentes textos input, o textos fuente? ¿Cómo los escuchan y leen los periodistas y cómo se entienden y se representan cognitivamente? ¿Qué información procedente de estos textos fuente se enfoca, selecciona, resume o procesa de otra manera para su posible uso en los procesos de producción de un texto periodístico?¿Cómo ocorre esto? ¿Quiénes están implicados en los muchos tipos de interacción verbal a través de los cuales estos textos fuente llegan a ser asequibles: las entrevistas, las llamadas telefónicas, las conferencias de prensa o hechos similares en los que los periodistas salen al encuentro de posibles fuentes informativas y personajes de la noticia? ¿Cuáles son las diferentes reglas y las limitaciones de este tipo de encuentros, y en qué situaciones tienen lugar?” (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 142).
68 jornalísticas, assim como a escrita e a reescrita dos textos jornalísticos, são também inerentemente sociais.
Logo, as transformações do texto-fonte em textos jornalísticos devem se explicar em termos de cognições sociais dentro de contextos também sociais. Os jornalistas escrevem textos jornalísticos como integrantes da sociedade, e como membros da sociedade. Na ação de escrever, estão envolvidos seus conhecimentos, suas crenças, suas atitudes, seus objetivos, seus planos e suas ideologias, que os caracterizam como sujeitos. Essas características são ainda, em parte, compartilhadas pelo grupo social profissional do qual o jornalista é membro, podendo ainda ter um alcance mais amplo, envolvendo outros grupos sociais.
Van Dijk (1990 [1988], p. 145) afirma que:
Demonstramos antes que cada passo do entendimento do discurso e de sua produção implica características do texto que podem assinalar diretamente a posição social do falante ou a natureza e o contexto do processo de interação verbal. A natureza formal do estilo jornalístico ou as implicações persuasivas e atitudinais das opções de estilo específicas não podem se explicar somente em termos de um modelo gramatical ou de uma memória cognitiva da compreensão e da representação individual. Sinalizações similares devem se fazer para os processos de compreensão, a influência ou outros efeitos do discurso jornalístico sobre os leitores e os públicos15.
No discurso, boa parte do que é dito já é conhecido, e esse conhecimento está parcialmente organizado em formas pré-consolidadas, que podem ser denominadas de esqueletos ou argumentos. Van Dijk (1990 [1988]) afirma que o que entendemos por esqueletos ou argumentos hoje é, na verdade, uma consequência mais sofisticada dos esquemas já propostos por Bartlett, em 1932. Essas categorias representam “o conhecimento estereotipado e consensual que as pessoas têm das ações, dos acontecimentos e dos episódios da vida social, tal como ir ao cinema ou ir a uma festa de aniversário” (p. 149)16
. Logo, parte
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No original: “Hemos demostrado antes que cada paso del entendimiento del discurso y de la producción implica características del texto que pueden señalar directamente la posición social del hablante o la naturaleza y el contexto del proceso de interacción verbal. La naturaleza formal del estilo periodístico, o las implicaciones persuasiva y actitudinal de las opciones de estilo específicas, no pueden explicarse solamente en términos de un modelo gramatical o de una memoria cognitiva de la comprensión y la representación individual. Señalizaciones similares deben hacerse para los procesos de comprensión, la influencia u otros efectos del discurso periodístico sobre los lectores y los públicos [...]” (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 145).
16 No original: “el conocimiento estereotipado y consensual que las personas tienen de las acciones, los
acontecimentos y los episódios en la vida social, tal como ir al cine o acudir a una fiesta de cumpleaños” (VAN DIJK, 1990 [1988, p. 149).
69 das informações que aparecem nos textos sobre episódios cotidianos da vida social permanece usualmente implícita devido ao que se pressupõe que o ouvinte já conhece.
Mesmo sabendo que o propósito de Van Dijk não seja fazer um estudo da notícia enquanto gênero, mas enquanto discurso, mais uma vez parece que estamos já entrando no terreno de estudos dos gêneros, porque sabemos que os gêneros organizam a vida em sociedade na medida em que estabilizam e organizam as práticas linguísticas. Assim, essa organização acontece porque temos um conhecimento social partilhado da ação social que podemos realizar com cada gênero. Além disso, temos ainda um conhecimento comum de como são relativamente estruturados os textos a partir do gênero de que participa.
No processamento dos textos-fonte, boa parte do que é dito tem por base informações julgadas como conhecidas pelo leitor. Assim, no lugar de simplesmente reformular os modelos transmitidos, em princípio, o jornalista pode copiar o mesmo discurso, como no caso das citações. Segundo Van Dijk (1990 [1988]), a maioria dos jornalistas, na realidade, não registra e transcreve completamente os discursos que constituem os acontecimentos jornalísticos, isso devido às limitações de tempo, que os obrigam a registrar apenas fragmentos (notas feitas) ou elaborar resumos. Tal entendimento diz respeito apenas aos casos em que o discurso jornalístico é construído a partir de anotações feitas pelos jornalistas, em situações em que o texto-fonte é oral, como em entrevistas ou depoimentos, que exigem do jornalista a habilidade de já ir processando o que é dito pelas fontes.
Para o teórico, essa prática acontece também com os textos-fonte que não são em si mesmos acontecimentos informativos, em que o jornalista também pode selecionar partes copiadas, citadas ou resumidas. Quando se dispõe de mais textos-fonte, são utilizadas as informações de diferentes textos, já que a informação pode ser obtida nas entrevistas, nas chamadas telefônicas, nos livros-fonte ou ainda noutras mensagens das mídias.
O autor indaga-se sobre como ocorre, exatamente, a utilização e o processamento dos textos-fonte, bem como sobre quais são as rotinas cognitivas e sociais que permitem aos jornalistas escrever um texto informativo, baseando-se em tantos e tão diversos materiais. Em busca de uma resposta, Van Dijk (1990 [1988]) examina algumas estratégias, que podem ser
70 vistas como um direcionamento teórico-metodológico para analisarmos a retextualização de textos-fonte na construção da webnotícia:
a) A seleção
A estratégia de seleção é apresentada como a mais efetiva do processamento do texto-fonte. Isso porque a decisão de usar um texto-fonte na íntegra ou um fragmento deste em vez de outro pressupõe, certamente, critérios empregados na tomada de decisões. Logo, a seleção já pode ser aplicada em acontecimentos comunicáveis orais, como no caso de conferências de imprensa ou de entrevistas, ou a textos-fonte já disponíveis, cujo uso na notícia pode estar baseado na credibilidade ou na autoridade da fonte. Para Van Dijk, a seleção posterior à leitura e a avaliação da informação pressupõe opiniões do jornalista sobre as características do conteúdo do texto-fonte.
b) A reprodução
Depois de a seleção ter sido feita, a estratégia empregada é a de reprodução literal do material selecionado, texto-fonte ou fragmento, para ser utilizado como base de informação. Conforme Van Dijk (1990 [1988]), a limitação do tempo do jornalista aparece como a principal condição para a reprodução literal, interferindo ainda na ausência de mais informações na notícia, na qualidade jornalística do texto-fonte, até mesmo na qualidade da fonte. Ademais, segundo o autor, a reprodução parcial do texto-fonte pode estar atrelada às limitações de espaço no jornal, cujas passagens consideradas irrelevantes são suprimidas. Nesse aspecto, há uma implicação concomitante das estratégias de seleção e de resumo, para a efetivação da reprodução.
c) O resumo
O resumo é apresentado como a segunda principal estratégia para o processamento de grandes quantidades de informação do texto-fonte, pois ela indica, segundo o ponto de vista do jornalista, o que é mais relevante ou importante de um ou mais textos-fonte. Para a produção do resumo, as estratégias que têm sido estudadas são as de: supressão/eliminação (aplicada à informação pressuposta para o entendimento do restante do texto, tendo em vista que se suprime, normalmente, o que é julgado já ser de conhecimento partilhado); de
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generalização (aplicada quando propriedades similares são relevantes para diferentes atores
ou situações ou quando uma propriedade determinada pode ser aplicada a diferentes membros de um conjunto); e de construção (que requer a combinação de alguns atos ou acontecimentos parciais em um macroato ou macroacontecimento global).
Van Dijk (1990 [1988]) argumenta que a importância do resumo na produção jornalística chega a ser óbvia, se considerarmos que ela facilita a produção jornalística do repórter em diversos pontos, como:
1) reduzir textos extensos em textos breves; 2) compreender detalhes locais da informação do texto-fonte relativos as suas macroestruturas; 3) definir a informação mais importante ou relevante dos textos-fonte; 4) comparar diferentes textos-fonte na relação com seus temas comuns e prioridades; 5) utilizar o resumo como um guia já preparado e, em consequência, como um exemplo de controle semântico básico para escrever o texto jornalístico e para decidir títulos, e 6) utilizar o resumo como um plano ou desenho para um texto jornalístico e para a discussão com os colegas e editores (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 169)17.
Conforme o autor, o resumo é o processo central de produção e controle jornalísticos, depois de realizada uma primeira seleção, devido à grande quantidade de possíveis textos- fonte e à complexidade de suas informações, já que é a estratégia principal para a redução da complexidade informativa.
d) As Transformações locais
Na estratégia em que se realizam transformações locais, a supressão/eliminação aparece como um primeiro movimento estrategicamente eficiente. Nesse sentido, existem condições internas e externas para a realização de supressões: 1) os critérios internos relacionam-se às decisões feitas, segundo o ponto de vista do jornalista, sobre a irrelevância relativa do detalhe ou de detalhes que não são coerentes com os modelos, os argumentos ou as atitudes dos jornalistas ou dos leitores; 2) os critérios externos relacionam-se às limitações espaciais ou à impossibilidade de verificar um detalhe importante e controverso, baseando-se em outras fontes.
17 No original: “1) reducir textos extensos a textos breves; 2) comprender detalles locales de la información del
texto fuente relativos a sus macroestructuras; 3) definir la información más importante o relevante de los textos fuente; 4) comparar diferentes textos fuente en relación con sus temas comunes y prioridades; 5) utilizar el resumen como uma guía ya preparada y, en consecuencia, como un ejemplo de control semántico básico para escribir el texto periodístico y para deducir titulares, y 6) utilizar el resumen como un plan o diseño para un texto periodístico y para la discusión con los colegas y editores” (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 169).
72 O segundo movimento estrategicamente eficiente, apontado por Van Dijk (1990 [1988]), para a realização de transformações locais é a adição/acréscimo, que, por outro lado, requer a inserção de detalhes relevantes procedentes de outros textos-fonte ou de modelos prévios, assim como de informações de conhecimento geral do repórter. Com a função de explicar e de emoldurar as informações do discurso jornalístico, as adições, normalmente, são utilizadas para proporcionar mais informação sobre acontecimentos prévios, contexto ou antecedentes históricos. A adição ainda pode aparecer, em maior proporção, quando acontece a inserção de nova informação relevante de outros textos-fonte, como no caso de citações precisas, citações ou detalhes similares que pertencem aos critérios gerais do discurso jornalístico em questão.
O terceiro movimento apontado pelo autor são as permutações/reordenações, frequentemente utilizadas na produção jornalística quando o texto-fonte não possui uma estrutura de esquema jornalístico. Por serem basicamente determinadas por critérios de relevância, as permutações permitem que a informação importante seja movida para diante (ou para cima), assim como que a informação menos importante seja movida para trás (ou para baixo). Tais movimentações são devidas ao respeito que o jornalista deve ter com a estrutura do esquema jornalístico canônico, que apresenta os eventos principais antes do contexto, dos antecedentes, da reação verbal e dos comentários. Assim, tendo em vista cada categoria do discurso jornalístico, a informação de nível superior deve aparecer primeiro, o que faz com que muitas permutações de ingressão de dados do texto-fonte sejam requeridas devido às limitações do texto jornalístico.
Por último, a substituição, que, como a adição, acontece em grande medida, requer que uma explicação alternativa dos mesmos fatos esteja disponível em outros textos-fonte. Logo, para Van Dijk, cláusulas, orações ou parágrafos completos de um dado texto-fonte podem ser substituídos por fragmentos equiparáveis e encontrados em outro texto-fonte.
e) (Re)Formulação estilística e retórica
Essa é uma estratégia que se desdobra em: 1) mudanças de estilo, que, conforme argumenta Van Dijk, são os meios mais efetivos de injetar opiniões pessoais ou institucionais dentro do contexto jornalístico, enquanto se escreve sobre os mesmos eventos; 2)
73 reformulação retórica, que permite ao escritor outorgar mais efetividade a um relato mediante o uso, por exemplo, de sobre-entendidos ou de exageros, ou ainda de comparações e metáforas. Aqui o que ocorre efetivamente é a produção de outro texto, e não apenas uma transformação direta dos textos-fonte.
Organizamos no Quadro 1, o resumo das estratégias apresentadas em Van Dijk (1990 [1988]):
Quadro 1: Estratégias de processamentos dos textos-fonte, segundo Van Dijk (1990 [1988])
ESTRATÉGIA CARACTERÍSTICAS/PROCESSOS
Seleção - tomada de decisão, escolha.
Reprodução - total ou parcial.
Resumo - supressão/eliminação;
- generalização; - construção.
Transformações locais - supressão/eliminação (critérios internos e
externos);
- adição/acréscimo;
- permutação/reordenação; - substituição.
(Re)Formulação estilística e retórica - mudanças de estilo; - reformulação retórica. Fonte: adaptado de Van Dijk (1990 [1988]).
Depois de apresentar e explicar todas essas categorias de processamento do texto- fonte na produção do discurso jornalístico, Van Dijk esclarece que “qualquer processo de seleção, reprodução, resumo ou outras transformações destes textos-fonte pressupõe a compreensão dos textos-fonte” (p. 171), de modo que o jornalista deve guardar na memória pelo menos representações parciais dos textos-fonte. Ademais,
de maneira similar, se a compreensão se baseia na ativação e na atualização do modelo situacional, também se faz a comparação, o resumo e outras transformações. Na realidade, a mesma decisão de que os textos tratam do mesmo acontecimento se baseia numa análise do modelo que representa esses textos. As decisões de suprimir