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4. METHODS

4.3 C OLUMN EXPERIMENTS

constatámos que a escrita criativa tinha, na sua opinião, uma grande importância nas suas práticas letivas, conforme afirma:

“O ensino da escrita tem uma grande importância neste nível de ensino. A escrita criativa é muito importante, pois é no primeiro e segundo ciclos que se gera o gosto e o prazer pela escrita. É importante oferecer aos alunos processos de criação linguística que cativem, que seduzam, e que, dessa forma, possam reverter a cada vez menor apetência para o trabalho com a língua... A escrita criativa é cada vez mais importante na minha prática letiva, sobretudo pela maneira como a nossa língua está a ser tratada...”

53 Como se pode verificar, o professor referiu a importância da escrita criativa como impulsionadora do gosto e do prazer que o ato de escrever pode proporcionar aos alunos, ressaltando a ideia de que a Língua Portuguesa tem vindo a ser, de alguma forma, marginalizada, sem especificar o seu ponto de vista de forma clara.

Entretanto, quando o questionámos sobre as competências que pretende desenvolver nos seus alunos quando aborda a escrita criativa, o entrevistado afirmou:

“São várias as competências a desenvolver nos alunos, tais como a criatividade, a memória, a imaginação, o potencial artístico, a capacidade de resposta a desafios, a sensibilidade, a expressividade, a capacidade de experimentar formas diferentes de se expressarem, a capacidade de experimentarem encadeamentos de palavras e fazerem da escrita uma atividade divertida e lúdica.”

Nesta resposta, como facilmente constatamos, o professor destacou várias competências que, no seu entender, a escrita criativa desenvolve nos alunos, não referindo contudo de que forma se pode articular esta modalidade de escrita com as outras competências específicas elencadas no PPEB, nomeadamente: a leitura, a escrita, a compreensão do oral, a expressão oral e o conhecimento explícito da língua.

Aquando da elaboração do questionário, havíamos pensado nesta questão – Que competência pretende desenvolver nos seus alunos quando aborda a escrita criativa? – com o intuito de perceber se haveria ou não, nas suas práticas, uma articulação entre as atividades implementadas no âmbito da escrita criativa e as outras competências contempladas no PPEB. Na verdade, estamos em crer que a escrita criativa pode articular-se com as competências anteriormente explicitadas, a vários níveis: no que diz respeito a) à competência da leitura, quando o aluno lê textos que servem de modelo para as suas produções escritas e também quando lê e partilha os seus próprios textos com o grupo; b) à competência da compreensão do oral, na medida em que os alunos, quando partilham oralmente as suas produções, apreendem os conteúdos, as ideias apresentadas, as perspetivas adotadas, o registo de língua e o tom utilizado pelos colegas nas suas produções; c) à expressão oral, no que respeita à apresentação e defesa das suas opiniões, bem como à produção de discursos orais coerentes e com vocabulário adequado; d) ao conhecimento explícito da língua, quando mobilizam os seus conhecimentos para aperfeiçoar a produção de textos orais e escritos; e)

54 por fim, à competência da escrita, quando a escrita criativa permite a consolidação de conhecimentos relativos à estruturação do texto e ao processo redacional que o envolve.

Todavia, torna-se percetível, pela resposta à questão Esses momentos [de escrita criativa] são devidamente planeados ou surgem espontaneamente com o decorrer da s atividades?, o lugar que a escrita criativa ocupa na prática docente do professor cooperante. Assim, as atividades “Surgem de forma planificada”, sem deixarem portanto espaço para o improviso ou espontaneidade que possam surgir num determinado momento da aula; da mesma forma se percebe que nem sempre é possível quantificar em média o tempo que dedica para a implementação de atividades no domínio da escrita criativa, como se pode comprovar pela seguinte afirmação: “Infelizmente, devido ao contexto educativo presente, não tanto tempo como o desejado...”

No que respeita à implementação de estratégias para a abordagem da escrita em geral, e em especial da escrita criativa, o professor cooperante mencionou que “As estratégias são diversa s, tais como elaboração de poemas sobre temas diversos, acrósticos ou jogos de palavras” e que a “A adesão é boa, os alunos gostam destas atividades.”

Por fim, quando foi questionado acerca das maiores dificuldades que se colocavam ao professor na implementação de atividades no domínio da escrita criativa, este referiu;

“Os programas de Português atuais são muito difíceis de operacionalizar, devido ao confuso processo de planificação, o que dificulta o processo de ensino/aprendizagem. Por outro lado, o número eleva do de alunos por turma, com diferentes ritmos de aprendizagem, a indisciplina e o desinteresse pela escrita que alguns alunos demonstram são fator impeditivo à implementação de maior número de atividades de escrita criativa.”

Posto isto, poderemos dizer que o professor tem uma perspetiva positiva face ao ensino da escrita criativa, realçando a sua importância no que se refere à motivação e ao despertar do gosto e prazer pela escrita nos alunos. Quando implementa atividades de escrita criativa, tem como objetivos desenvolver algumas competências nos alunos, capacitando-os a nível da criatividade, da memória, da imaginação, do potencial artístico, da capacidade de resposta a desafios, de sensibilidade, de expressividade, da capacidade de experimentar formas diferentes de se expressarem, do encadeamentos de palavras e de fazerem da escrita uma atividade divertida e lúdica. Percebe-se que o professor gostaria de implementar mais

55 atividades do que aquelas que planifica, mas tal não lhe é possível devido a dificuldades na gestão dos conteúdos programáticos obrigatórios para a disciplina.