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4 Lovendringens etterspill

4.6 Oktoberbarna i dag

Com uma explicação mais pormenorizada no capítulo seguinte, para a conceção do vinho existe um processo chamado prensagem que permite a separação das peles e grainhas das uvas do seu sumo, pela utilização de um equipamento chamado prensa. Aquando da prensagem das uvas, as partes sólidas são removidas e não são mais utilizadas para a produção de vinho, ao qual se chama de bagaço de uva. Dito por outras palavras, é um resíduo sólido que permanece após o processamento das uvas, na conceção do vinho, onde se caracteriza basicamente pelas peles e as sementes da uva que se encontram um pouco húmidas (biomassa húmida).

Os resíduos agrícolas são considerados recursos renováveis e possuem um grande potencial quando explorado pela digestão anaeróbica. O bagaço de uva é então uma matéria que merece ser estudada e interessante de utilizar, uma vez que podem ser beneficiados os valores energéticos destes resíduos, sendo também uma das culturas mais cultivadas em todo o mundo que pode ter um grande benefício na redução da dependência da utilização de energia da rede [33].

Muitas indústrias vitivinícolas desperdiçam comumente o bagaço de uva que é gerado na produção de vinhos e descartam-no em campo aberto. Para além de se estar a perder um produto com bom valor energético, isto é também prejudicial para o meio ambiente, uma vez que com o passar dos tempos existirá emissão de CO2 para a atmosfera a partir da sua decomposição ao longo do tempo. Algumas indústrias utilizam o bagaço de uva como fertilizante ou para o fabrico de rações animais, enquanto que outras o costumam vender a destilarias . O bagaço de uva é um subproduto proveniente da produção de vinho e tem sido, no passado, utilizado como fertilizante e para processamento de rações animais, contudo pode ser utilizado para fins muito mais “lucrativos”. É importante que se expanda este tipo de biomassa, pois a sua conversão em metano é uma possibilidade promissora. O objetivo para esta dissertação é a produção de biogás pela utilização da digestão anaeróbica de bagaço de uva.

Duas formas de utilizar o bagaço de uva serão tidas em conta, moído e não moído. É importante referenciar que a utilização de bagaço de uva moído e não moído, na digestão anaeróbica , produzem quantidades de biogás diferentes.

Roati et al. (2012) [29] testaram através da utilização de bagaço de uva e pelo emprego da digestão anaeróbica, a produção de metano por cada kg de substrato. É importante referenciar

que o bagaço de uva utilizado foi moído antes do processo, uma vez que a moagem permite a obtenção de um valor energético maior, comparando ao bagaço de uva que não é moído. O valor obtido relativo à produção de biogás, pela utilização de bagaço de uva moído na digestão anaeróbica, foi de 0,72 m3/Kg. Esta conclusão pode-se retirar de uma outra experiência feita

por Makadia et al. (2016) [30], onde foram simuladas duas situações distintas pela utilização de bagaço de uva normal e bagaço de uva moído. As conclusões referem que a moagem do bagaço de uva comprova aumentar o poder energético deste tipo de biomassa.

Uma outra experiência levada a cabo por Milan Geršl et al. (2015) [31], permitiu avaliar a capacidade de produção e biogás por kg de substrato de bagaço de uva não moído. Para o teste, foi utilizado bagaço de uva proveniente de dois tipos de uvas, tintas e brancas. Os resultados obtidos demonstraram que a utilização da digestão anaeróbica com bagaço de uvas tintas e de uvas brancas produziram valores semelhantes na produção de biogás : 0,238 m3/Kg e 0,246

m3/Kg respetivamente.

É também estimado que 1 m3 de biogás produzido pela digestão anaeróbica corresponde a um

poder calorífico de entre 21 a 23,5 MJ, o que equivale a 6 KW ∙ h [32].

A vindima é uma cultura que como qualquer outro tipo de produção agrícola, tem a sua época de colheita. Isto quer dizer que a utilização do bagaço de uva para a produção de energia, mais concretamente biogás, é um processo sazonal que limita de certa forma aplicações deste processo na indústria. Contudo, isto não é propriamente uma desvantagem, uma vez que é durante a produção de vinho, em média 3 meses, que as indústrias vitivinícolas precisam de utilizar mais energia para que se satisfaça a demanda, ainda que hajam gastos de energia durante os restantes 9 meses, como por exemplo para o armazenamento dos vinhos. Apesar de ser nos meses em que se produz vinho que a demanda de eletricidade é maior, a mesma não deixa de ser igualmente cara nos restantes meses do ano [34]. Desta forma consegue-se reduzir a dependência de energia elétrica fornecida pela rede de distribuição, recorrendo à produção de energia localmente com a utilização do bagaço de uva na digestão anaeróbica , especialmente no período em que existe a produção de vinho.

É dito que a produção de biogás através da digestão anaeróbica é relativamente mais simples e barata em termos de custos iniciais e de manutenção, quando comprada a outras tecnologias para a produção de biogás [34].

No próximo capítulo será visto que as necessidades de refrigeração e o controlo das temperaturas do mosto das uvas é muito importante, durante todas as etapas na produção de vinho. A utilização deste tipo de biomassa (bagaço de uva) através da digestão anaeróbica, pode ter então um impacto económico benéfico para as indústrias.

Capítulo 3