• No results found

Oktober Maaned samt Januar-Oktober 1899, sammenlignet med tidligere Aar

In document [publikasjonen i pdf] (sider 185-190)

Giberson e Artigas definem o sucesso da divulgação científica não só pelo magistral background acadêmico que os autores mais famosos possuem. Apesar de os autores analisados por eles85 terem um histórico importante dentro da comunidade científica, é a capacidade de comunicação dos mesmos que faz com que tenham sucesso (ARTIGAS; GIBERSON, 2007, p. 4). Os autores de divulgação científica agem como oráculos para Artigas e Giberson, já que nos dizem o que devemos saber e fazer (Ibid., p. 5). É interessante notar que a característica principal dos autores de divulgação científica, sendo alguns deles hoje também vinculados ao neoateísmo, é que sua missão principal não é a ciência propriamente dita, e sim a ponte que fazem entre o público leigo e a ciência. Vale notar que o próprio Weber observa a importância do líder carismático no que ele entende como um dos três tipos puros de dominação legítima.Em

seu ensaio A política como vocação (2008), Weber discorre de maneira sucinta sobre os líderes carismáticos:

Se algumas pessoas se abandonam ao carisma do profeta, do chefe de tempo de guerra, do grande demagogo que opera no seio da ecclesia ou do Parlamento, quer dizer isso que estes passam por estar interiormente “chamados” para o papel de condutores dos homens e que a ele se dá obediência não por costume ou devido a uma lei, mas porque neles se deposita fé. (...) A devoção de seus discípulos, dos seguidores, dos militantes orienta-se exclusivamente para a pessoa e para as qualidades do chefe. A História mostra que chefes carismáticos surgem em todos os domínios e em todas as épocas (WEBER, 2008, p. 58). Entretanto, é na sua obra Economia e sociedade (2012) que Weber aborda de maneira mais substancial a liderança carismática. Precisamos entender, segundo Weber, que a liderança carismática possui algo de extra cotidiano, que pode ser ou não magicamente condicionada (WEBER, 2012, p. 158). O que significaria isto? Basicamente que o indivíduo possui uma vocação para ser diferenciado e possuir um status de líder. Há a necessidade de uma avaliação constante dos dominados por essas lideranças, para legitimarem a dominação do tipo carismática. Os dominados podem ser vistos como adeptos. Ainda segundo Weber, os dominados precisam confiar no líder, através das provas, ou psicologicamente, através de “uma entrega crente e inteiramente pessoal nascida do entusiasmo ou da miséria e esperança” (WEBER, 2012, p. 159).

Um ponto interessante no que tange à dominação carismática analisada por Weber é a desvinculação dos outros dois tipos de dominação “puras” propostas por ele: A dominação tradicional, que possui um apelo às tradições como forma de um grupo seguir determinadas condutas, sendo bastante atrelada à fidelidade servil, e a dominação burocrática que está diretamente ligada ao período mais próximo ao século XX, em que há uma maior racionalização e um vínculo às regras instituídas hierarquicamente. Estes dois tipos de dominação são vistos pelo sociólogo alemão como sendo extremamente cotidianos (WEBER, 2012, p. 160), não possuindo o caráter de revolucionário em si. Diferentemente do carisma, que é, segundo ele, a “grande força revolucionária nas épocas com forte vinculação à tradição” (WEBER, 2012, p. 161). O carisma pode ter acaracterística de um ponto de partida individual e íntimo que é capaz de mudar a “direção da consciência e das ações” (WEBER, loc. cit.).

Weber ainda trata da possibilidade da rotinização acabar com a liderança carismática. Isto ocorre quando a dominação carismática acaba por se transformar nos outros tipos de dominação que estão vinculados ao cotidiano (WEBER, 2012, p. 165). Apesar de alguns neoateus possuírem instituições que trabalham com a questão da divulgação de suas obras e da discussão das mesmas, o exemplo mais claro de rotinização do carisma que podemos utilizar é de um partido político. Alguns partidos surgem de lideranças que acabam por arrebatar um grande número de adeptos. Com a conquista política, o partido acaba por se enquadrar no estamento burocrático, tornando- se rotinizado, e perdendo com isto seu caráter revolucionário. Weber exemplifica como normalmente o carisma ocorre:

O carisma é um fenômeno inicial típico de dominações religiosas (proféticas) ou políticas (de conquista) que, no entanto, cede aos poderes do cotidiano logo que a dominação está assegurada e, sobretudo, assim que assume um caráter de massa (2012, p. 166).

Apesar de atingir um número relevante de adeptos, o neoateísmo ainda necessita de suas lideranças carismáticas para a conquista das massas ou pelo menos de uma parte delas.

A analogia com o líder carismático, apesar de não ser uma dominação somente política, parece caber aqui. Walsh, Schrempp, Giberson e Artigas enxergam não somente a veia mítica que existe na divulgação científica, e consequentemente no neoateísmo. Eles também enxergam a importância que as lideranças têm dentro desse contexto não só de informar, como também de persuadir os leitores à sua visão de mundo. Persuasão que perpassa pelo embate com as explicações religiosas e a proposta de uma visão de mundo que contenha uma forma de verdade mais palpável para os descrentes.

Voltando a Giberson e Artigas, que trabalham especificamente com Dawkins nesse contexto, a primeira crítica mais relevante desses autores dá-se através da incompatibilidade da evolução com um Deus criador, feita principalmente na passagem em que tratam do livro O relojeiro cego. Os autores citam John Zahm (1851-1921), que foi padre e professor de ciências naturais na Universidade de Notre Dame, e Christian de Duve, um biólogo ganhador do prêmio Nobel, que corroboram com a possibilidade do neodarwinismo e do cristianismo serem compatíveis (ARTIGAS; GIBERSON, 2007,

p. 32). O próprio Dennett, em sua discussão com Plantinga, aceita a possibilidade de um Deus criador que seria uma causa inicial para a origem das espécies (DENNETT; PLANTINGA, 2011, p. 27) e, provavelmente, até Dawkins aceitaria algo parecido se fosse possível “prová-lo” cientificamente. O grande ponto de O relojeiro cego é que a evolução é cega, e é possível ter uma visão de mundo que não esteja alinhada a um Deus criador como causa inicial. A possibilidade da existência de Deus não é necessariamente algo inexistente, somente abre-se outra perspectiva. A grande crítica no livro de Dawkins está relacionada ao argumento do design inteligente, como se fôssemos projetados de maneira não randômica. O entendimento da seleção natural ficaria comprometido se pensássemos assim.

A maior contribuição na crítica a Dawkins que Giberson e Artigas fazem está diretamente relacionada ao neoateísmo. É a questão do cientificismo (scientificism). Utilizando-se do termo “memes” do próprio Dawkins, eles tentam argumentar que a visão de mundo de Dawkins em si, é um meme. Além disso, com a existência de líderes carismáticos, com a possibilidade dos partidários dessa visão de mundo possuírem compensadores e ainda a questão principal de que somente a ciência é capaz de produzir conhecimento. Estes pontos, segundo Artigas e Giberson, fogem do escopo da ciência. Há, utilizando novamente Schrempp, a criação de novos mitos. Cientistas se concentram em objetos particulares e pequenos tentando explicá-los com métodos rigorosos, evitando a todo custo generalizações. Não obstante, os líderes carismáticos do cientificismo fazem exatamente o contrário, com diversas generalizações – podemos observar isto muitas vezes na interpretação do entendimento de religião para o neoateísmo – e com uma filosofia no lugar da ciência (ARTIGAS; GIBERSON, 2007, p. 40). Artigas e Giberson definem o cientificismo como uma forma de:

Pseudo-religião que deriva de dois fatores relacionados: desilusão com as religiões tradicionais e a descoberta da ciência como maravilhosa e que parece fornecer sentido e valores (ARTIGAS; GIBERSON, 2007, p. 40).

Artigas e Giberson seguem uma linha que entende não só a descrença e o embate às religiões tradicionais, que tentei relacionar no primeiro capítulo com a questão do desencantamento do mundo feito pelos neoateus. Entendem também uma ressignificação do sentido dentro do âmbito do que eles chamam de cientificismo. O (re)encantamento de autores neoateus, como no caso de Dawkins, parece ser de certa forma plausível para esses autores.

O caráter do darwinismo para Dawkins não é deixado de lado. Dawkins parece entender o darwinismo não só como uma teoria científica, “mas como uma visão de mundo que engloba todos os aspectos da vida humana” (ARTIGAS; GIBERSON, 2007, p. 43). O darwinismo seria uma espécie de religião científica, em que o oráculo Dawkins deve passar a sua mensagem para outros, e, com isso, convertê-los. O caráter de (re)encantamento pelo cientificismo está para além do pessoal, possuindo efetivamente, um caráter de disseminação e militância.Há claramente uma utilização da ciência no neoateísmo. Uma análise sobre esse campo torna-se necessária.

In document [publikasjonen i pdf] (sider 185-190)