Neaga (2010) defende que para lidar com a complexidade, com os riscos e para implementar o conceito de resiliência nas organizações é essencial conceber o conhecimento como um ativo intangível. A autora carateriza a gestão do conhecimento através de aspetos tangíveis como: (i) a forma de trabalho em equipa, (ii) a forma como as pessoas (re)agem a situações específicas e às mudanças no ambiente, (iii) os procedimentos de gestão para lidar com conhecimento em contextos complexos, (iv) as ferramentas técnicas que, clara ou ambiguamente, suportam a criação e transmissão de conhecimento.
A 3ª geração da Gestão do Conhecimento tem como bases a computação social e em redecomputação social e em redecomputação social e em redecomputação social e em rede, segundo a qual a colaboração é mediada pelas tecnologias e adapta-se ao utilizador ao invés de forçar o utilizador a adaptar-se, tornando-se um meio de representação e aumentando a interação humana. Esta relação estreita entre tecnologias e humanos aproxima a gestão do conhecimento da gestão e implementação da resiliência, o que significa que a complexidade do mundo atual exige novas técnicas para lidar com problemas que não podem ser resolvidos de forma isolada. A gestão do conhecimento com base nas tecnologias e nas capacidades humanas permite o
Criação Aquisição Organização Acesso Utilização desenvolvimento de competências de auto-organização, comunicação e criação de novo conhecimento através de simulações e aplicação em tempo real de soluções.
França & Quelhas (2006) utilizam um modelo de Korowasjczuk et al (2000) para ilustrar as fases do processo de gestão do conhecimento (Figura 7), as quais relaciona com a gestão da mudança, empreendedorismo e resiliência (
Tabela 5). Tabela Tabela
Tabela Tabela 5555. Descrição das Fases do processo de gestão do conhecimento. Descrição das Fases do processo de gestão do conhecimento. Descrição das Fases do processo de gestão do conhecimento. Descrição das Fases do processo de gestão do conhecimento enquadradas na enquadradas na enquadradas na enquadradas na resiliênciaresiliênciaresiliênciaresiliência (adaptado de França & Quelhas (2006))
Fases do Processo de Fases do Processo de Fases do Processo de Fases do Processo de Gestão do Conhecimento Gestão do Conhecimento
Gestão do ConhecimentoGestão do Conhecimento Descrição da fase enquadrada na resiliênciaDescrição da fase enquadrada na resiliênciaDescrição da fase enquadrada na resiliênciaDescrição da fase enquadrada na resiliência
CriaçãoCriaçãoCriaçãoCriação · É um novo conhecimento ou nova configuração do conhecimento já existente;
· Implica a identificação da visão organizacional, o desenvolvimento da liderança e a motivação das equipas;
· Exige a mudança contínua;
· Requer o desenvolvimento do ambiente propício ao empreendedorismo (promover uma cultura aberta ao diálogo e ao erro);
· É necessário mapear as competências de resiliência e identificar lacunas;
Aquisição Aquisição Aquisição Aquisição · Requer estratégia de negócio baseada na inovação e criação;
· É necessário analisar a cultura e clima de segurança;
· A organização de grupos de trabalho e de projetos é necessária para planear a mudança;
· Obriga ao registo do histórico das decisões e das implementações das soluções;
Figura
Figura Figura Figura 7777. Fases da Gestão do Conhecimento. Fases da Gestão do Conhecimento. Fases da Gestão do Conhecimento. Fases da Gestão do Conhecimento (retirado de França & Quelhas (2006))
· Permite a deteção de ameaças e o desenvolvimento da consciência da situação;
Organização Organização Organização
Organização · Inclui a classificação e categorização do conhecimento de forma a tornar possível a navegação, armazenamento e recuperação;
· Consiste em criar sensibilidade para a identificação e organização das informações (investimento em desenvolvimento de competências e desenvolvimento de tecnologias);
· O trabalho baseia-se em grupos multifunções;
· Requer o desenvolvimento de indicadores: informação atual e principal, desempenho de segurança, etc.;
· Implica desenvolver o processo de tomada de decisão; Acesso
Acesso Acesso
Acesso · Consiste no fornecimento e disseminação do conhecimento;
· A mudança contínua requer uma liderança que permita a autonomia para o pensamento crítico e inovador;
· Exige o acesso coerente e adequado a diversos níveis de informação;
· Exige a análise dos processos de trabalho e ações humanas e da forma como estes podem promover a segurança nas atividades humanas e de grupo;
Utilização/Partilha
Utilização/PartilhaUtilização/PartilhaUtilização/Partilha · Permite o uso efetivo do conhecimento necessário à atividade do negócio;
· Requer o planeamento da mudança, a liderança que inspira o empreendedorismo, a colaboração das equipas e a utilização das soluções de registo, o acesso e utilização das ferramentas de gestão do conhecimento;
· Promove a formação, liderança, diagnóstico e desenvolvimento de um clima que promova a inovação.
Neaga (2010) propõe o desenvolvimento da resiliência através de aceleradores de aceleradores de aceleradores de aceleradores de conhecimentoconhecimentoconhecimentoconhecimento que define como impulsionadores “do processo de aquisição e partilha do conhecimento em situações incertas e ambientes complexos”. Aceleradores de conhecimento são ferramentas de apoio ao desenvolvimento de novo conhecimento, como sejam as ferramentas de data mining1 e as baseadas em ontologias. Estes aceleradores contribuem para o desenvolvimento
das capacidades de auto-organização para a criação, aquisição e comunicação de conhecimento em ambientes complexos, e para manter um nível aceitável de funcionamento em caso de perturbações.
1São aplicações de simulação e modelação de dados que conjugam modelos matemáticos com o
Estes aceleradores permitem criar e estruturar soluções de conhecimento que vão gerar uma riqueza permanente de recursos úteis e extremamente relevantes. Têm como objetivo criar “interação, modelação polivalente, exploração, e (re)design de ferramentas de sistema que combinam da melhor forma a inteligência da máquina e a humana” (Neaga, 2010). Esta combinação permite aos especialistas simular cenários, hipóteses a explorar e projetos.
Os aceleradores de conhecimento promovem a criatividade e alargam os limites da imaginação, fornecendo um conjunto de dados reais e auto-organizados (Assyst Team and Complex System Society (2010), citado por Neaga (2010)) que desenvolvem a resiliência organizacional, pois disponibilizam e mantêm um nível aceitável de funcionamento face a acontecimentos que afetam o funcionamento normal da organização e permitem o ajustamento e resposta às mudanças e interrupções.
Nesta secção a gestão do conhecimento é identificada como um recurso essencial para a promoção da resiliência, ou seja, para a capacidade da organização gerir a complexidade do mercado e para a gestão de riscos. Em todas as fases do processo de gestão do conhecimento são desenvolvidas ações para a promoção da resiliência.
São identificados aceleradores de conhecimento como propulsores de resiliência, pois enquanto ferramentas de apoio à criação, desenvolvimento, aquisição e comunicação de novos conhecimentos permitem à organização desenvolver capacidades de auto-organização. Os aceleradores de conhecimento combinam modelos matemáticos com a inteligência humana, o que permite a simulação de cenários, hipóteses e aplicação de soluções em tempo real, e desta forma aumentam a capacidade da organização para responder e se adaptar às mudanças e interrupções no funcionamento normal.