João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi – Rua Piauí, 1081 – Higienópolis
O desenvolvimento do bairro de Higienópolis até 1933 contribuiu para a sua valorização. No final do século XIX e início do século XX os loteamentos do bairro indicavam a expansão capitalista na cidade de São Paulo. Em 1895 a população da cidade era cerca de 150 mil habitantes, que passou para 240 mil em 1900; para 375 mil em 1910 e para 580 mil em 1920 (GAGETTI; RIGHI, 2001). Os loteamentos das antigas chácaras foram considerados um elemento entre o urbano e o rural, uma paisagem limítrofe, a transição entre o campo e a cidade, vizinha ao centro da metrópole. Segundo Villaça (1978), a burguesia que ocupava a atual Vila Buarque e Santa Cecília, deslocou-se para as terras mais altas de Higienópolis.
Dessa forma, os proprietários de antigas chácaras, aproveitando da valorização de suas terras, passaram a transformar suas chácaras em zonas urbanas. Higienópolis teve três momentos significativos ao longo de sua história. Primeiro, eram campos e chácaras (período anterior a 1898); depois vieram os loteamentos e os palacetes (período entre 1898 e 1933) e em seguida, a verticalização (a partir de 1933) (GAGETTI; RIGHI, 2001).
É importante observar que nessa região ocorreram alguns incentivos fiscais, tais como, a isenção de impostos concedida pela Prefeitura nos loteamentos Boulevard Burchard e das chácaras das Palmeiras e da Consolação, cujas proprietárias eram D. Maria Angélica de Barros e D. Veridiana Prado. Seguiu-se o arruamento do bairro de Higienópolis, com o traçado ortogonal, bem diferente do centro descrito popularmente como sendo “lá pros lados de Jundiaí” (GAGETTI; RIGHI, 2001).
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Capítulo 4
Figura 55 – Localização do edifício Louveira. Fonte: GEGRAN, setembro de 1974. Escala 1:2000.
Figura 57 – Entrada do edifício Louveira na esquina, área de convivência entre as lâminas, parte posterior do prédio e estacionamento no pátio. Fotos: Larissa Cipolla - 29.11.09, exceto a última que é de 17.04.10.
Índices Urbanísticos e Arquitetônicos
Corpo principal da edificação: 2 edifícios laminares
independentes, interligados por uma rampa e de esquina
Terreno: 1.575 m² / 35 X 45m / retangular Taxa de ocupação: 44% / 692 m²
Coeficiente de aproveitamento: 3,4 / 5.400 m² de
área construída
Gabarito: 8 pavimentos (garagem abaixo do nível de
acesso - pátio posterior + térreo + 7pavimentos tipo)
Altura: 28,10 m
Orientação: nordeste / sudoeste Estilo / fachada: arquitetura moderna Obra de arte: Rebolo - painel
Uso: residencial Elevadores: 4 Escadas: 2
Estacionamento: possui
Unidades de habitação: 30 apartamentos Tamanho das unidades:
- A: 30 UH de 3 dormitórios com 160 m² cada;
Recuos: frontal: sim / posterior: sim / laterais: não Fontes: ARTIGAS, 1981; ROSALES, 2002; DAMP.
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Capítulo 4
A verticalização do bairro de Higienópolis, com a construção de edifícios residências faz parte da história da ocupação do bairro. Começou com a construção do primeiro prédio, em 1933, o Edifício Condomínio Alagoas, erguido pela empresa Barreto Xande & Cia. Ltda. e a execução da Praça Villaboim em 1937, confluência das ruas Piauí, Aracajú e Itápolis (GAGETTI; RIGHI, 2001). Ao contrário de outros bairros destinados à elite paulistana, como o Jardim Europa, que se manteve praticamente inalterado em sua volumetria original, devido às restrições contratuais, o bairro de Higienópolis iniciou o processo de verticalização em torno da Praça Buenos Aires e da Avenida Angélica.
Na década de 1940 a construção de edifícios intensificou-se nas áreas mais antigas do bairro, exatamente onde predominavam as maiores casas e os grandes lotes, áreas que também eram mais valorizadas (HOMEM, 1980). Assim a população de Higienópolis que, em 1939, era de 9.307 habitantes, em 1954-1957 passou para 18.900 habitantes, se adensado com crescente verticalização (MACEDO, 1987).
Higienópolis foi criado com o empreendimento iniciado em 1890, por dois comerciantes alemães, Martin Burchad e Victor Nothmann, que iniciaram o loteamento Boulevard Burchad, com desenho urbano e saneamento, uma inovação na cidade de São Paulo. O Boulevard ficou conhecido por Higienópolis (Cidade da Higiene).
Este edifício encontra-se na esquina da Praça Vilaboim (Rua Aracajú) com a Rua Piauí, assim deve-se pegar a largura da maior rua, a Aracajú, que mede 13,8. Portanto, conforme a legislação a altura máxima do edifício é de 60 m. O edifício apresenta altura de apenas 28,10 m. Entre os edifícios existe uma preocupação com a insolação, conforme a legislação da época.
O edifício Louveira está à esquina da Rua Piauí com a Praça Vilaboim, possuía com proprietários Esther Mesquita, Lia Mesquita e Alfredo Mesquita. O processo para construção era o nº 077.132/46, com arquiteto construtor, projetista e técnico responsável João Batista Vilanova Artigas, inscrito no CREA sob o nº 3270. O pedido de construção descreve um edifício de apartamentos para aluguel, com data de 11 de setembro de 1946 (Figura 60).
No processo, o arquiteto indica o material no memorial descritivo para construção do prédio: na estrutura, a utilização de concreto armado; na alvenaria, tijolos cerâmicos e argamassa de cal e areia; para o revestimento externo, parte em reboco de cal e areia, parte com pastilhas de cerâmica; para o revestimento interno, reboco de cal e areia; nos pisos das cozinhas e instalações sanitárias, a utilização de ladrilhos e nos dormitórios tacos de peroba. Também foram indicadas barras impermeáveis de 1.50 m de altura, nas instalações sanitárias e nas cozinhas. “Persianas de enrolar para os dormitórios em geral e na pintura interna à têmpera.”
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Capítulo 4
No processo consta o Alvará de Licença para a construção, com data de 07 de maio de 1947, indicando o conjunto de 2 prédios de 8 pavimentos com 31 apartamentos situado à Rua Piauí 1081, distrito da Consolação (Figura 59).
É importante observar ainda que, o documento de habite-se foi subscrito por Perez de Moraes e Barros Leite, engenheiros e construtores responsáveis pela construção da obra, em 8 de agosto de 1950 e o contratante foi Antônio Junqueira (Figura 59).
Pavimento Térreo Redesenho: Renata Iarussi
Pavimento Tipo Redesenho: Renata Iarussi
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Capítulo 4
Fachada principal dos edifícios Redesenho: Renata Iarussi
Figura 60 – As gravuras mostram as cores desse edifício e a boa manutenção e qualidade até hoje. Crédito: Luciana Maas.
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Capítulo 4
4.8 EDIFÍCIO SEGURADORA BRASILEIRA (1948-1956) Rino Levi e Roberto Cerqueira César – Avenida Liberdade, 455 /
Largo Da Pólvora, 141 – Liberdade
É um edifício de uso misto, com as funções residenciais e comerciais, separadas pelo terraço-jardim, um dos cinco pontos propostos por Le Corbusier. Ele ocupa o limite do terreno. O térreo é utilizado para comércio e serviço e os andares superiores para uso residencial. Atualmente o térreo é ocupado pelo supermercado Compre Bem, que possui estacionamento no subsolo.
A parte residencial, com 14 andares com 4 apartamentos em cada pavimento, possui o formato “H”, com a junção de dois blocos, sendo que na parte central estão os setores molhados dos apartamentos e toda circulação vertical.
Figura 61 – Localização do edifício Seguradora Brasileira. Fonte: GEGRAN, setembro de 1974. Escala 1:2000.
Figura 62 – Edifício Seguradora Brasileira. Fotos: Larissa Cipolla - 29.11.09
Índices Urbanísticos e Arquitetônicos Corpo principal da edificação: dois volumes
interligados formando um “H”
Terreno: 1.290 m² / losango Taxa de ocupação: 17,2% / 222 m²
Coeficiente de aproveitamento: 2,9 / 3.774 m² de
área construída
Gabarito: 16 pavimentos (subsolo + térreo + 15) Altura: 59,5 m
Orientação: leste / oeste
Estilo / fachada: arquitetura moderna
Uso: misto (térreo comercial + pavimentos tipo
residenciais)
Elevadores: 3 / Chapa: 4196 / 4197 / 4198 Escadas: 1
Estacionamento: possui para o setor comercial Unidades de habitação: 56 apartamentos Tamanho das unidades:
- A: 56 UH de 3 dormitórios com 46 m² cada;
Recuos: - frontal: não - posterior: não - laterais: não
Fontes: BRUAND, 1991; SAMPAIO, 2002; Revista Acrópole, 1952; Revista Domus, 1952; ROSALES, 2002; OKANO,2007; DAMP
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Houve uma preocupação destacada na solução estrutural: “que alinha os pilotis dos andares inferiores aos painéis que atuam como paredes portantes nos andares superiores dos apartamentos.” (SAMPAIO, 2002 p.148).
As fachadas apresentam planos geométricos independentes em relação ao espaço interno. A peculiaridade do edifício Seguradora Brasileira são as janelas da fachada principal, marcadas por distintas alturas dos peitoris, dando movimento e criando “um efeito ilusório a sugerir uma profundidade inexistente” (ANELLI; GUERRA; KON, 2001 p.53). Já as fachadas laterais foram constituídas por elementos vazados, criando ventilação nas áreas de serviço e dando privacidade interna.
A questão térmica é especialmente tratada no edifício, pois:
“Uma das preocupações predominantes de Rino Levi e seus associados sempre foi a proteção eficaz contra o excesso de insolação. Embora tenham claramente preferido as venezianas ou persianas de madeira nos prédios de habitação coletiva, não vacilaram em utilizar sistematicamente diversos tipo de brise-soleil, ao gosto da arquitetura brasileira dos arranha-céus destinados a abrigar escritórios; nesse campo, chegaram mesmo a mostrar-se bem mais conservadores do que a maioria de seus colegas e continuaram a usar os brise-soleil, sem preocupar-se com as recentes possibilidades oferecidas pela fabricação de vidro refratário, considerado por eles um meio oneroso e insuficiente. Essa posição muito firme, ditada por considerações de ordem racional e econômica, não constituía de modo algum uma rejeição ou um desconhecimento dos progressos técnicos realizados pela indústria; pelo contrário, Rino Levi, e sua equipe sempre foram sensíveis a esse aspecto, e o melhor exemplo disso é a adoção do processo do pano de vidro para o anteparo de alumino com que protegeram as fachadas do Banco Sul-Americano na Avenida Paulista (1961-1965).” (ROSALES, 2002).
A Avenida Liberdade mede 30,4 m, portanto, conforme a legislação a altura máxima do edifício é de 80 m. O edifício apresenta altura de 59,5 m. Com alturas acima de 65 m, devem ter recuos de 4,5 m no mínimo.
O Edifício Liberdade está localizado na Rua da Liberdade, nº 455, 463, 469, 477 e 488, com proprietário e contratante do imóvel a Companhia Seguradora Brasileira. Projeto do arquiteto Rino Levi com concessão para construção do prédio de 15 de setembro de 1950, através do alvará nº 29465, e foi construído pela SABE S/A Brasileira de Engenharia (Figura 64).
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Neste projeto ocorreu uma questão interessante: o requerimento contendo as informações e esclarecimentos do arquiteto Rino Levi, datada de 24 de janeiro de 1950, sobre ressalvas feitas pelos engenheiros da Prefeitura de São Paulo, no tocante ao cálculo de insolação da área oposto à Rua da Liberdade, bem como sobre o recuo no andar térreo do edifício, em relação ao alinhamento das janelas e no hall dos elevadores. Ao final de sua explanação sobre o seu projeto, o arquiteto afirma que obedeceu estritamente as regras do Código de Obras, afirmando, inclusive que não solicitou qualquer concessão do Prefeito, em razão de soluções indicadas pelos engenheiros da Prefeitura. Conforme as figuras abaixo:
O autor apresenta esquemas que indicam a tolerância de iluminação no corredor livre e saguão externo.
Também é muito importante o parecer feito em 16 de agosto de 1950 pelos técnicos do engenheiro Serafim Trape, chefe de Divisão de Arquitetura do município, que declara: “Assim sendo, só nos resta lamentar que peças arquitetônicas como esta que pretende erigir, não possam ser construídas devido a leis obsoletas, isto porque a altura total do edifício é tomada na divisa do lote vizinho, sem levar em conta saguão ou área de fundo, que por ventura poderia existir no mesmo, com a suposição de que na mesma exista uma parede imaginária com a altura do projeto, e que na realidade quase nunca se verifica” e conclui neste mesmo documento:” Urge, pois que se proceda uma revisão nesse Código de Obras, principalmente neste capítulo destinado à insolação, com o fim de se dar maior liberdade aos arquitetos projetistas, dentro do razoável de acompanharem o sempre crescente progresso tecnológico”.
Figura 64 – Processo nº 18417/50.
Figura 65 – Processo nº 120619/49. Imagens da maquete do prédio.
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A construção do prédio ficou a cargo da empresa SABE S/A Sociedade Brasileira de Engenharia, que requereu a concessão do “habite-se” em 7 de agosto de 1956. O resultado, Auto de Vistoria e concessão do “habite” foi obtido em 26 de agosto de 1956 (Figura 66).
4.9 EDIFÍCIO COPAN (1951-1971)
Oscar Niemeyer – Avenida Ipiranga, 200 – República
O edifício é localizado à Avenida Ipiranga nº 200/202/210/216 e 220. É considerado o símbolo da arquitetura moderna brasileira, o projeto da obra foi realizado pelo líder do movimento, o arquiteto Oscar Niemeyer, em 1952, na ocasião do IV Centenário de São Paulo, encomendado pela Companhia Pan- Americana de Hotéis e Turismo, que teve alterada sua denominação para Companhia Pan-Americana de Empreendimentos Gerais – Co-Pan. Com sua arquitetura em forma de “S”, o Copan está sempre evidente no horizonte, para aqueles que passam pelas principais vias da área central da capital paulista.
Figura 67 – Localização do edifício Copan. Fonte: GEGRAN, setembro de 1974. Escala 1:2000.
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Capítulo 4
Figura 68 – Edifício Copan. Foto: Renata Iarussi - 22.01.07.
Figura 69 – Edifício Copan. Foto: Larissa Cipolla - 19.11.09.
Índices Urbanísticos e Arquitetônicos
Corpo principal da edificação: volume isolado,
laminar e sinuoso sobre embasamento
Terreno: 10.573 m² / poligonal Taxa de ocupação: 100 % / 10.573 m²
Coeficiente de aproveitamento: 11 / 130.000 m² de
área construída
Gabarito: 33 pavimentos (subsolo + térreo + 32) Altura: 115 m
Orientação: leste / oeste
Estilo / fachada: moderna, arquitetura moderna Obra de Arte: Maria Leontina (grande mural) Uso: misto (térreo comercial + pavimentos tipo
residenciais), antes tinham conjuntos de serviço
Elevadores: 13 / Chapa: 11.931 Escadas: 6
Estacionamento: possui (500 vagas)
Unidades de habitação: 1.160 apartamentos Tamanho das unidades:
- A: 688 UH de Kitchenettes com 37m² cada; - B: 280 UH de 1 dormitório com 57m² cada; - C: 64 UH de 2 dormitórios com 143m² cada; - D: 128 UH de 3 dormitórios com 187m² cada.
Recuos: - frontal: não - posterior: não - laterais: não
Fontes: SAMPAIO, 2002;
SNM/EMPLAS/SEMPLA, 1984; XAVIER, A.; LEMOS, C.; CORONA, E., 1983; DAMP; ROSALES,2002; OKANO, 2007.
Figura 70 – Edifício Copan. Foto tirada do prédio vizinho - edifício Itália. Foto: Maria José Cataldi 23.03.10.
Foi utilizado o conceito corbusiano de edifício-cidade e da monumentalidade. Inicialmente a função do Copan era a realização de um hotel, serviços de lazer, comércio e área livre, por meio de um amplo terraço-jardim. Foram propostos dois edifícios separados por uma rua interna. O primeiro e menor, limitando a Avenida Ipiranga, era aplicado as atividades hoteleiras, o segundo e bem maior, era ligado aos setores residenciais e de serviços. O empreendimento era para ser entregue em 1954, em comemoração ao 4° centenário da cidade de São Paulo, porém neste ano havia apenas as fundações em execução. O proprietário Banco Nacional Imobiliário (BNI), interferiu nas obras, paralisando por 6 anos, quando o banco Bradesco comprou o BNI e continuou a obra, mas com alterações significativas. A obra foi desenvolvida por Carlos Lemos, pois com esses problemas, Oscar Niemeyer ficou desmotivado e com falta de interesse. Na década de 1970, o terreno na av. Ipiranga foi ocupado por um novo projeto designado a atividade bancária33.
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Capítulo 4
O bloco maior e acoplado era um edifício de uso misto, os primeiros andares abrigam atividades de serviço e o restante a residencial. Ele é composto por 1° e 2° subsolos, sobreloja e terraço. No projeto consta um cinema com 1.214 lugares, que funcionou, porém atualmente é ocupada pela Igreja Evangélica Apostólica Renascer. Nas galerias existem escritórios e 82 lojas. Entre as lojas e escritórios das galerias existem acessos aos apartamentos residenciais. Depois do terraço-jardim inicia o bloco residencial, divididoem 6 blocos e com diversas tipologias. Demorou 20 anos para construir o Copan.
Conforme o Decreto – Lei n° 41, de 3 de agosto de 1940, “Regulamenta as Construções na avenida Ipiranga e dá outras providências” (AYRES, 1947). A altura mínima deve ser de 39 m. O Copan apresenta a altura de 115 m com recuo de 4,5 m, além de que a área do edifício tem que apresentar 30% da área do lote. A área construída é de 120.000 m² e a área do terreno é de 6.006,35 m². Como a rua mede 23 m, a altura máxima poderia ser apenas de 115 m, como foi construído.
Em 1952, ocorreu a revisão do Código de Obras Arthur Saboya, na qual estimulava o adensamento e a verticalização na área central do município de São Paulo. Foi ampliado o coeficiente de aproveita máximo e o zoneamento da capital (AYRES, 1947).
O projeto teve como colaborador o arquiteto Carlos Lemos, chefe do escritório de Oscar Niemeyer. Como contratante estava a Companhia Nacional de Investimentos – CNI e o proprietário era a Companhia Panamericana de Hotéis e Turismo e o Banco Nacional Imobiliário.
De acordo com as informações do síndico do prédio, Affonso Celso Prazeres de Oliveira, que reside no Copan há 40 anos, o objetivo da obra era torná-lo um grande complexo hoteleiro que compreendia em construir um amplo centro urbanístico no modelo do Rockfeller Center e a cidade de São Paulo foi escolhida, pois já apresentava expansão imobiliária, sendo esse um dos principais motivos para o desenvolvimento do projeto. A obra iniciada em 1957, depois de várias alterações no plano original, só foi finalizada em 1966 por Carlos Leme, chefe do escritório de Niemeyer em São Paulo. O processo inicial sob n°18056/52 e o alvará para construção (nº 63864) de 4 de fevereiro de 1952, teve habite-se parcial relativo aos 64 apartamentos do Bloco A, situados à esquina da Vila Normanda, e aos 640 apartamentos do Bloco B, contiguo do Bloco A. Em seguida foram apresentadas novas plantas no processo nº 216039/58, alvará nº 173932 de 12 de julho de 1961, (Figura 72).
É importante salientar que, consultando o processo inicial arquivado na Secretaria Municipal de São Paulo, no departamento do patrimônio histórico, observou-se que, apesar de manter preservadas todas as plantas, faltam informações administrativas relativas a esse primeiro processo, estando tal documento incompleto. Por exemplo: a certidão solicitando informação sobre funcionamento dos elevadores, com data de 10 de março de 1964 (Figura 72).
E a comunicação expedida pelo departamento de Arquitetura, feita em 16 de março de 1965, para esclarecer se há necessidade dos elevadores ainda não instalados, para servir a área do objeto do pedido de habite-se parcial (Figura 71).
Ainda consta o segundo processo sob o nº 0188.229/66, de 08 de novembro de 1966, para finalização da obra (Figura 73).
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Capítulo 4
Figura 71 – Páginas do Processo nº 18056/52.
Figura 72 – Processo nº 188.229/66.
Conforme informações obtidas pelo atual síndico do Copan, o prédio tem a maior estrutura de concreto armado do país, com 115 metros de altura, 116 mil metros quadrados de área construída, 1.160 apartamentos que variam de 29 a 214 metros quadrados e cerca de 5 mil moradores distribuídos em seis blocos. No térreo há cerca de 70 lojas. Atualmente circulam no prédio aproximadamente 9.200 pessoas, em razão do grande número de moradores neste conjunto, os Correios decidiram designar para o condomínio do edifício um CEP especial: 01066-900.
Vale lembrar que com a restrição de 1957, este edifício seria inviável. Considerado como um local que “tem de tudo um pouco”, o edifício já até cedeu seus segredos para um livro de ficção chamado “Arca sem Noé - Histórias do Edifício Copan”, de Regina Redha. Também foi registrado no Guiness Book como o maior condomínio residencial da América Latina, o Copan está em processo de tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turismo - Condephaat.
Infelizmente, observa-se o descaso com esses importantes patrimônios cultural da cidade, produto da falta de manutenção externa e interna das construções e da deficiência e a inexistência de proteção do entorno urbano. O centro de São Paulo sofreu grande especulação imobiliária. Isso ocorre até hoje, nesta área em praticamente todas as cidades do Brasil, produto da falta de um poder público atuante e empresas privadas oportunistas. Neste período o desenvolver da área central, apresentou desde as kitchenettes até os apartamentos senhoriais, bem como indica o perfil e a importância do mercado privado para habitação da classe média.
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Capítulo 4
Pavimento Tipo – bloco A. Redesenho: Renata Iarussi
Pavimento Tipo – bloco B. Redesenho: Renata Iarussi
Pavimento Tipo – bloco C. Redesenho: Renata Iarussi
Pavimento Tipo – bloco D. Redesenho: Renata Iarussi
Pavimento Tipo – bloco E (1° ao 12° andar). Redesenho: Renata Iarussi
Pavimento Tipo – bloco E (13° ao 32° andar) Redesenho: Renata Iarussi
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Capítulo 4
Pavimento Tipo – bloco F (1° ao 12° andar). Redesenho: Renata Iarussi
Pavimento Tipo – bloco F (13° ao 32° andar) Redesenho: Renata Iarussi
Fachada Principal Redesenho: Renata Iarussi
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Capítulo 4
4.10 EDIFÍCIO SANTA CRISTINA (1951-1953) Renê Andraus – Rua Guaianazes, 1406 – Santa Efigênia
Figura 74 – Localização do edifício Santa Cristina. Fonte: GEGRAN, setembro de 1974. Escala 1:2000.
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Capítulo 4
Figura 75 – Fachada e detalhe do Edifício Santa Cristina. Fotos: Larissa Cipolla - 15.11.09. Índices Urbanísticos e Arquitetônicos Corpo principal da edificação: volume isolado Terreno: 287 m² / 15,85 X 18,10 m / retangular Taxa de ocupação: 57 % / 164 m² Coeficiente de aproveitamento: 6,4 / 1.843,95 m² de área construída Gabarito: 10 pavimentos Altura: 33 m
Orientação: noroeste / sudeste Estilo / fachada: arquitetura moderna Uso: residencial
Elevadores: 1 / Chapa: 3460 Escadas: 1 em formato “C” Estacionamento: não possui
Unidades de habitação: 19 apartamentos Tamanho das unidades:
- A: 2 UH de 1 dormitório com 60 m² cada; - B: 8 UH de 1 dormitório com 57 m² cada; - C: 8 UH de 2 dormitórios com 84,5 m² cada; - D: 1 UH de 2 dormitórios com 76,5 m² cada;
Recuos: frontal: sim, posterior: não, laterais: não Fontes: DAMP; OKANO, 2007
A Rua Guaianazes mede 13,3 m, portanto, conforme a legislação a altura máxima do edifício é de 60 m. O edifício apresenta altura de apenas 36, 5 m.
O Edifício Santa Cristina, sito à Rua Guainazes nº 1406, processo nº 0025.119/53, teve como empresa proprietária do imóvel a Organização Construtora e Incorporadora Andraus Ltda. Teve como seus representantes no processo os Srs.